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Quem somos nós? Afinal de
contas, quem somos nós? Homens de um pequeno, obscuro e
insignificante planeta chamado TERRA, que na ciclópica e infinita
dimensão do universo, não passa de um exaltado grão de poeira cósmica.
Nascidos
não sabemos bem onde, espirrados não sabemos bem de que ponto da
nebulosa e amarrado pela gravidade, a um sistema solar que se dirige,
em velocidade inconcebível em direção não se sabe de que, num
Universo que não se sabe, nem como nem onde termina e que movimentos
realmente desenvolve... Afinal
de contas... Quem somos nós? Quem
somos nós que ainda perguntamos sobre nossa origem, que ainda
discutimos sobre a possibilidade ou não de haver outros seres
inteligentes em outros planetas, que engolimos teorias sobre o depois,
o antes e o agora... que
nos cansamos de crianças e até permitimos leis que as arranquem do
ventre materno, que deixamos milhares de irmãos morrerem de fome,
enquanto armazenamos sextilhões de dólares e rublos em armamentos
para preservar a paz que, afinal de contas ninguém respeita... que
matamos os que poderiam viver, que achamos o luxo uma coisa justa e
normal, que achamos normal e justo desperdiçar em lentejoulas, paetês,
brilhantes e pedrarias, festas e construções megalomaníacas,
enquanto nas ruas do mundo passeiam milhões de crianças abandonadas
e de homens fétidos, esquálidos e pútridos... que
discutimos sobre a existência ou não da alma e de outra forma de
vida depois dessa... que
não sabemos quase nada do segredo do infinito da vida, que não
sabemos o que se passa depois da morte, que vivemos com medo de
morrer, mas comercializamos como arte o crime e a morte, o ódio, a
violência e os instintos e a degradação, que temos vergonha de
dizer que somos bons, que queremos ser bons e que temos fome de
felicidade e de PAZ ETERNA. Quem
somos nós? Terra, PLANETA TERRA que tens medo de DEUS. Que corres atrás
de milagres fáceis, magias, bruxos, advinhos, horóscopos, dinheiro,
conforto, luxo, sucesso, fama... e homens que te conservem iludida,
prometendo o que não podem prometer, garantindo o que não podem
garantir e alienando teus filhos de sua verdadeira identidade. No
infinito macrocosmo, cujas dimensões não podem ser registradas no
papel, tal a sua extensão e o tamanho das galáxias que contém, na
ciclópica e indevassável extensão de Universo que aparentemente se
expande em ordem incrivelmente precisa, nessas milhões, bilhões,
trilhões ou quatrilhões de anos luz... alguns indivíduos que vivem
trinta, quarenta ou sessenta anos e ainda não sabem nem de onde
vieram, e às vezes mal conseguem consertar os botões de sua camisa,
dizem de boca cheia que o que vale é que o homem é senhor do próprio
destino. "
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