Telemaníacos
No
meio do caminho tinha uma Lan house
No
meio do caminho tinha uma Lan house;
tinha uma Lan house no meio do caminho;
No meio, no começo e no fim!
Valha-me Deus, quantas Lan houses, minha cidade tem?
Sei lá quantas, se eu fosse contar demoraria um bom tempo, porque
quando estive de férias em janeiro deste ano, percebi que essa mania
pegou de verdade e já não é de hoje. O negócio dá dinheiro e têm
muitos pais deixando filhos noites inteiras jogando videogame nessas
casas que ficam abertas madrugada adentro. O número de Lan houses,
deve corresponder à procura de pais que não sabem o que fazer com
crianças, adolescentes e jovens que curtem essa mania.
No meio de joguinhos inocentes e divertidos, existem aqueles que fazem
da violência o maior canal de entretenimento. Pare um pouco e sinta o
cheiro do sangue que jorra da tela do computador, ou da TV, porque a
violência está cada vez mais presente nos games e programas
televisivos.
Para quê criar, produzir e comercializar esse tipo de game e
programa? Quem está envolvido nesse processo de criação, produção
e publicidade, tem com certeza, capacidade de reflexibilidade, o que
nas crianças está ainda por se desenvolver; elas não têm consciência
plena e não sabem quais as reais conseqüências do assistir
programas violentos. A faixa etária dos freqüentadores das Lan
houses é cada vez menor e, as crianças não conseguem distinguir
a fantasia da realidade.
A exposição à violência brutal é capaz de fazer com que a
criança perca a sensibilidade diante das fatalidades da vida.
Dizer que é de "mentirinha" ou que é "só
brincadeirinha e não faz mal", não funciona pois existem muitos
estudos de especialistas que comprovam a mudança no comportamento de
quem joga esses games ou assiste aos programas violentos de TV.
"O escritor equatoriano Oscar Echevérri costuma ser referência
em pesquisas sobre violência urbana. Na obra 'La Violencia: ubicua,
elusiva, prevenible', de 1994, Echevérri já afirmava que mais de 3
mil estudos mostram uma correlação entre assistir à violência e
possuir uma conduta violenta. Os jogos com armas contribuem, segundo o
autor, para legitimar condutas violentas e podem ajudar na formação
de personalidades anti-sociais.
[...] O doutor em Sociologia, Valmor Bolan, em artigo publicado na
Internet, explica que existe uma certa empolgação nos adolescentes
vinda de jogos que estimulam fantasias extravagantes. Jogando, eles
supostamente dão asas a desejos que não podem se manifestar no mundo
real, geralmente expressões de transgressão e crueldade: eliminar
adversários, estraçalhar corpos, ensangüentar vítimas, exterminar
criaturas. E o problema, na opinião de Bolan, é quando certos jovens
não conseguem deixar esse mundo da fantasia e querem repetir os atos
no mundo real." (http://webinsider.uol.com.br/vernoticia.php/id/2327)
Há excesso de realismo nos videogames mais jogados pela galera. Vou
citar alguns: No 'GTA', a criança para ganhar, precisa
traficar drogas, roubar carros e matar policiais. O 'Counter-Strike'
é muito parecido, porque neste, os terroristas lutam contra os
policiais. Existem muitos outros games sangrentos e que atiçam a
galera como o 'Doom 3', 'Half-Life 2', 'Pacific Assault', 'Carmageddon',
'The Thing' e 'Requiem'.
Há quem diga que esses jogos, ainda que "ultra-hiper-mega-violentos",
desenvolvem nas crianças coordenação motora, liderança,
fraternidade, raciocínio, etc... e enumeram muitos outros benefícios
desse tipo de entretenimento. Vamos parar um pouquinho e pensar!
É preciso tanta violência para desenvolver esses benefícios
apontados pelos defensores de jogos violentos? Os fins justificam os
meios? Vale tudo para alcançar o objetivo? E qual é objetivo?
Produzir entretenimento de qualidade ou ganhar dinheiro usando a mania
de jogar com elementos violentos durante todo o tempo? Jogos
interessantes com cenas envolventes e histórias eletrizantes, sem
excesso de violência, existem e podem ser encontrados, mas o que mais
se divulga é justamente esse gênero violento.
Os pais precisam estar atentos, trancafiar os filhos numa jaula na
própria casa é algo horrível e desnecessário, mas educá-los é
tarefa urgente! Saber conquistar, saber propor e produzir em cada
filho consciência crítica diante da televisão e do videogame. Quem
ama, educa sem ameaças, coloca limites sem imposições. Os filhos
precisam de limites assim como o rio precisa de margens. Rio sem
margens vira pântano. Criança sem limites perde o equilíbrio, não
amadurece e deixa-se manipular facilmente pelos apelos da mídia que
coloca a violência como a melhor e mais lucrativa forma de
entretenimento.
Os videogames e programas de TV estão saturados de violência. A
maioria deles é um pesadelo de brutalidade, agressão gratuita e
sangue; e o pior, sem limites! O problema não está somente nas
badaladas noites em casas de jogos para adolescentes e crianças
chamadas de Lan houses, a violência entrou nos lares sem pedir
licença.
Criando "brinquedinhos" que imitam armas, que imitam a própria
violência faz-se um mal que frustra o ser humano como pessoa,
desviando-o do processo de sua realização. Frases como "o prêmio
é de quem matar mais pessoas, atropelando, arrancando o pescoço,..."
tornam-se mais freqüentes na sala de muitas casas onde existem crianças.
Enquanto a violência der dinheiro e for útil, os games/programas que
jorram sangue continuarão sendo criados, produzidos e exibidos. O
utilitarismo aqui é MACABRO!
Quem investe contra a vida humana, luta contra o próprio Deus!
Pais, por favor não financiem este tipo de entretenimento! É preciso
educar para o amor e não para a violência! Que esta campanha da
fraternidade faça-nos viver a cultura da paz e do amor, banindo de
nosso meio todo tipo de violência manipuladora, ódio e indiferença!
"Felizes
os que promovem a paz!"
Diego Fernandes
E-mail:diego@cancaonova.com
Fonte:cancaonova.com

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