Namorar é preciso!
O
exemplo que os filhos precisarão...
Existem coisas indispensáveis na vida que os
tempos modernos engoliram. Ouço, leio, vejo, na mídia que o segmento
de mercado voltado ao casamento, roupas, decoração, bufês, turismo,
etc. e tal, não pára de crescer. Óbvio que se trata do aspecto
material que a meu ver é importante, mas relativo - E o consumismo
absolutiza. Detalhes como o vestido da noiva, os arranjos da igreja,
do salão, os comes-e-bebes, são importantes aspecto de festa, a
celebração da concretização de um sonho resultante do amor do
casal e a "reta final" do namoro. Lamentável é o foco
total sobre estes detalhes em prejuízo do matrimônio, sacramento e
vida a dois.
Como num vôo, o namoro está sujeito às turbulências,
tempestades, ao sobe-e-desce nas escalas, aos problemas técnicos (de
relacionamento e afetividade), mas também coloca os pombinhos
apaixonados "nas alturas". Isto traz uma nova visão
sobre o mundo e as coisas ao seu redor tomam por uma nova perspectiva,
esplendorosa para um futuro interminável. Como num vôo, o namoro
exige inúmeros cuidados em diversos aspectos, não somente quanto à
sexualidade, como habitualmente pensamos. Cuidados como "pôr os
pés no chão", no conhecer-se, entender-se, aceitar-se e estar
disposto a se doar incondicionalmente um ao outro no casamento.(...)
Hoje os jovens não se encontram mais para o namoro, mas se
"trombam" por aí. São verdadeiras colisões onde uma das
partes acaba sendo vítima. E esses acidentes podem resultar em dores
atrozes e terríveis feridas interiores. Não me refiro a uma
gravidez indesejada ou imprevista, mas a ferida moral como a difamação
e a revelação de intimidades, quase sempre partindo do namorado a se
exibir como um conquistador. Outras vezes pode ser a maledicência dos
colegas, amigos e vizinhos; mas a dor mais profunda acontece com a
intolerância ou a indiferença dos pais e irmãos.
Pais que não estimulam o diálogo e não promovem a fraternidade
certamente levam a crise à família na hora do "papai, mamãe,
eu quero me casar". O atrito começa com a resposta do pai ou mãe
"mas com quem?", como se vivessem nas galáxias, distantes
anos-luz dos filhos. Não se aperceberam nem que a filha ou filho
tinham um namoro... ou não quiseram perceber. Não se deram conta que
o mundo não girava mais em torno só do casal e deixaram os filhos
gravitando numa órbita distante e perigosa.
Namoro, portanto, é momento de participação da família. O
correto é dizer "das" famílias. Como pai e mãe é um
dever conhecer a família do futuro genro ou nora. É dever dos pais,
dos namorados abrirem o diálogo e oferecer a sua experiência de
vida. Esqueçam o cínico dito "se conselho fosse bom...". Dêem
conselhos e se não quiserem ouvir e acatar não é da competência
dos pais, mas deles, os namorados. Aconselhem e abençoem. Duas
atitudes que, como "caldo de galinha", sempre fazem muito
bem.
E vocês, namorados, desfrutem desse maravilhoso tempo, pensando no
exemplo que os filhos que virão ao mundo, precisarão. E, sendo o
corpo o templo do Espírito, o namoro é o seu átrio. Aceitem este
conselho: empenhem-se para receber a benção do matrimônio de mãos
limpas e no coração puro. Isto, certamente, vai multiplicar a benção
e render frutos mil por um.
O Espírito Santo de Deus conceda a todos os namorados, a santidade
necessária à vitória sobre o pecado.
Licio Nepomuceno
Escritor católico