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Por
que tantas regras para se casar na Igreja?
Hellen
Cristiane, minha querida irmã. Perdoe-me, mas eu acho que você está
sendo muito injusta com a sua e minha mãe Igreja Católica ao afirmar
que ela é muito complicada e dificulta a vida de seus filhos, fazendo
com que eles acabem por mudar de religião. Você exemplifica com a
questão do matrimônio, onde a Igreja exige que o casamento seja na
paróquia onde um dos dois reside ou, se acontecer noutra paróquia,
que se faça uma transferência. E vai em frente afirmando que em
nossa Igreja há regras demais e há taxas demais. “Tudo tem que ser
pago, para tudo há regras”. E conclui: “A Igreja deveria
facilitar e não dificultar”.
Sabe, Hellen Cristiane, naquilo que você vê complicação eu vejo
cuidado e respeito pela família. Que bom seria se você e tantos
outros filhos queridos da Igreja enxergassem nas exigências da Igreja
para o casamento muito mais um profundo respeito pela sacralidade do
matrimônio e da família do que “regras” vazias e bobas.
Sabe Hellen, se a Igreja exige de você e de seu noivo uma certidão
de Batismo recente é porque esta certidão prova que nenhum dos dois
tem um compromisso anterior, são solteiros, são livres para contrair
matrimônio.
Se a Igreja exige de você e de seu noivo um juramento com a mão na Bíblia
sobre a verdade de suas declarações, é porque uma família não
pode se iniciar em cima de uma mentira.
Se a Igreja exige que o casamento se realize na comunidade onde um de
vocês reside, é porque ali, naquela igreja, naquela comunidade, você
ou seu noivo cresceu em idade e sabedoria diante de Deus e dos homens,
ali há irmãos na fé que conhecem você ou seu noivo e podem ajudar
você e ele a construírem uma família segundo os projetos de Deus.
Hellen, minha irmã, importante no seu casamento é o amor que você
tem pelo seu noivo e que ele tem por você. Importante no seu
casamento é o “sim” que vocês dois darão um ao outro,
consagrando, um ao outro, a própria vida. Importante é o compromisso
que vocês vão assumir de construírem juntos uma família cristã,
isto é, uma família iluminada pelos valores que Jesus nos deixou no
seu Evangelho.
Vestidos caríssimos, flores, luzes, músicas, festa, presentes,
viagens, não constituem o essencial do casamento. Mas poucos
dispensam tudo isso, optando por uma celebração com mais fé e menos
exterioridades. Poucos escolhem ou quase ninguém escolhe casar-se
despojados de pompas e circunstâncias que alimentam toda uma indústria
de casamento, como você sabe.
Deixe-me dizer a você, Hellen Cristiane, que não ter dinheiro não
é e nunca foi impedimento para se casar na Igreja. Mas se você pagou
os tubos para a floricultura, para os repórteres, para o bufê, para
a agência de viagem, não seja injusta com sua Igreja que paga conta
de água, de luz, de telefone, tem salários e encargos sociais com
seus funcionários.
E para terminar nossa conversa, minha querida irmã. É triste ver que
católicos que abandonam a fé que receberam no colo de suas mães, às
vezes dando como razões as exigências da Igreja, não reclamam de
dar à sua nova comunidade a décima parte de tudo que recebem e de
sujeitar-se a exigências muito mais duras.
Deus abençoe o seu casamento, minha irmã, e que você entenda que as
exigências que a mãe Igreja lhe faz é porque ela não quer que você
se case de qualquer jeito, mas do jeito que é preciso e que Deus
quer.
Padre Cido Pereira
Fonte:
Arquidiocese de São Paulo

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