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A
masturbação é também como um fenômeno psíquicoO Senhor proclama
"bem-aventurados os puros de coração, porque verão a
Deus". O prazer pelo prazer se torna como uma fumaça que vai
enchendo de manchas aquela vidraça da nossa vida além da qual Deus
fez morada. Os problemas de
natureza sexual, sobretudo quando se arrastam por negligência ou
descuido proposital do indivíduo, pouco a pouco vão deixando a
personalidade fraca, a vontade sem energia para dizer "não"
ao pecado. A consciência vai relaxando e acostumando-se com os
contravalores que impedem uma visão clara sobre o que é certo e o
que é errado. As pequenas
permissões, as ocasiões aparentemente inocentes, as facilitações,
os contatos arriscados tranqüilamente buscados, na ilusão de que
"aquele filme não faz mal, aquele tipo de abraço ou aquele
beijo não vão afetar em nada, a vaidade cultivada levianamente sob o
pretexto de saúde"... Essas pequenas coisas podem se tornar
grandes apelos de compensação afetiva, fonte de desordens; além
disso, para direcionar ou controlar tais solicitações exigir-se-á
um esforço redobrado, crescente.
Biológico, psíquico,
espiritual? A busca do prazer
venéreo, sem parceiro, constitui essencialmente a masturbação. No homem, as glândulas
do aparelho genital procuram esvaziar-se das suas secreções de modo
que, do ponto de vista tão somente biológico, a ejaculação, espontânea
ou provocada, representa uma exigência do organismo e, contanto que não
exceda certos limites, na realidade muito elásticos, não dá lugar a
conseqüências prejudiciais. No caso da mulher,
pode-se afirmar que, normalmente, existe um controle maior sobre
eventuais tendências masturbatórias. As tendências maiores podem
surgir nos períodos de fertilidade. Do ponto de vista meramente biológico,
não existem problemas que possam comprometer a saúde, porém, sempre
na condição de que não ultrapasse certos limites. Entretanto, esse
elemento meramente biológico não expressa o que a pessoa humana é
nem o que ela é chamada a ser. A masturbação deve
ser enquadrada também como um fenômeno psíquico. Elementos de ordem
hereditária, a influência do ambiente – familiar ou grupos sociais
significativos - podem influir na tendência auto-erótica maior ou
menor. Ora, o significado
humano da sexualidade é especificamente o amor: a doação mútua,
sair de si, abrir-se ao outro, interagir dinamicamente com ele em
comunhão e participação, tendo como referência, ponto de partida e
de chegada, a comunhão entre as adoráveis Pessoas da Trindade. A
masturbação desmente o diálogo e comunhão do amor, tão
significativos para uma autêntica compreensão da sexualidade. Não
podem estar no plano de Deus as expressões de egoísmo e de
auto-suficiência. Nesse sentido,
pode-se afirmar que a masturbação vai contra o plano de Deus, embora
não seja fácil a atribuição da responsabilidade e da culpabilidade
por esse ato. O que dizer dos
"sonhos molhados", isto é, dos sonhos de conteúdo erótico
que podem levar a pessoa a um certo prazer durante o sono (em estado
de inconsciência)? A pessoa não tem um
total domínio sobre os conteúdos do seu inconsciente e, por isso, não
possui uma culpa moral. Porém, deve assumir uma progressiva
delicadeza de consciência ao ponto de evitar certos pensamentos e o
contato excessivo com tudo aquilo que eventualmente a faça mergulhar
em fantasias sexuais. Além disso, o auxílio
divino é sempre precioso e indispensável. Orar, meditar, viver a
amizade com o Senhor nos ajudará a entender que, mesmo existindo
elementos de ordem biológica e psíquica ou mesmo influências de
ordem sócio-culturais, existem também forças espirituais que atuam
nesse contexto. Pode-se pensar no
sexo? Porque somos seres
sexuados, podemos pensar na dimensão sexual, mas como Deus pensa:
como realidade de amor, de entrega mútua, de um prazer bonito,
verdadeiro, que brota da comunhão de pessoas que se tornam uma só
vida, reflexo daquilo que o Deus Trindade é. Na diferença,
acontece a comum união. Um casal que se une nas suas relações
conjugais deveria expressar com a Trindade a grande verdade que brota
do supremo mistério: "Nós somos um". Deve-se pensar no
sexo com naturalidade e sobrenaturalidade, como se pensaria na
Eucaristia, na Palavra de Deus, na beleza e em todas as realidades da
vida e da fé. Em outras palavras, trata-se de algo carregado de
imensa dignidade e santidade. É sempre bom lembrar e insistir que
Deus elevou a vida sexual humana à dignidade de sacramento, no matrimônio. E se fracassares? Se acontecer de
fracassares? Recomeçarás, sem medo, sem complexos de culpa;
compreenderás melhor tua natureza decaída e reformularás tuas
estratégias, evitando ilusões que induzem a riscos evitáveis; olharás
para o teu Deus como aquele poderoso e justo, misericordioso e bom,
que te ama: o amor queima tudo, supera tudo e nunca te fará mergulhar
no desânimo. Por isso, não temas! Tu amarás e não
precisarás de compensações esterelizantes ou de usar as pessoas na
linha do sensualismo dominador. Te masturbarás? Buscarás prazer no
pecado com alguém? Dependerás afetivamente? Não, tu não precisarás
disso ou ao menos saberás transferir para fins bem mais nobres os
teus sonhos, o teu coração e teu olhar de águia, mesmo que tenhas
somente as asas pequenas e frágeis de um minúsculo passarinho. Na
certeza de que o Mestre está contigo, mesmo que Ele durma. Por que
dorme? Porque sabe muito bem que tu confias nele e por isso tudo está
bem. Não te desesperes ou te aflijas. A plenos pulmões,
proclama que isso é fantástico, tremendo, arrasante, triturante,
isso mesmo, li-qui-di-fi-can-te! E tu não passas de um pecador
perdoado por Deus que vai morar no céu. Mas o teu céu começa aqui e
agora na companhia do teu Deus. Pena que tu és feliz e não sabes! Meios para
superar o problema O importante é
aceitar que os pensamentos estão ali, mas procurar não dar a atenção
às suas solicitações. O segredo está em ocupar a mente com coisas
sadias. Uma mente bem ocupada não vai oferecer muito espaço para
pensamentos eróticos insistentes ou coisas do gênero. O mesmo se
diga de filmes, de programas ou até mesmo de conteúdos musicais
apelativos nesse campo: saber evitar e escolher coisas que ajudem na
formação e informação pode ser um critério importante. A castidade pode e
deve ser aprimorada, purificada sempre mais, com entusiamo e convicção. Será que as
dificuldades acontecem mais na hora do banho, antes de dormir? Existem
toques exagerados no próprio corpo? As opções de leitura, as
gravuras e revistas, tipos de programas de TV, o que se procura ler e
ver mais? Os olhares, as manifestações afetivas estão sendo
trabalhadas com maturidade e coerência com o ideal abraçado? A
partir disso, a pessoa estrategicamente vai evitando tudo o que de
alguma maneira pode excitá-la ou agitá-la sexualmente, tendo sempre
em vista um bem maior. Namorados e noivos,
por exemplo, evitarão carícias exageradas, uma vez que tudo isso
levará a certos movimentos hormonais e psíquicos que direcionarão a
uma busca de prazer, culminando no uso da genitalidade. Se, por exemplo, o
lugar do encontro dos namorados é isolado, e isso constitui a
possibilidade de certas liberdades, seria bom namorar em lugar mais
freqüentado por outras pessoas. Bom seria dialogar mais, algumas
vezes rezar juntos... Quem aprende a se controlar e a viver essas saudáveis
renúncias agora está se capacitando para viver as renúncias que lhe
serão exigidas no matrimônio. Através de uma
sadia atitude de amizade e intimidade com Jesus, do cultivo sincero de
bons pensamentos e ocupando bem o tempo com o trabalho e a oração, a
pessoa superará esses problemas. A castidade, ops! Eis a solução. Fonte: Comunidade Shalom |
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