Igreja Católica: a única que Cristo fundou


Mas outro ponto referencial, ponto chave, é a instituição do sacerdócio, feita por Cristo, pois só Ele podia fazê-lo, porque só Ele pode ligar o homem a efeitos transcendentais. É o Cristo que confere o sacerdócio ministerial aos Apóstolos, aos seus Discípulos. Jesus dissera, celebrando a Eucaristia: “Fazei isto em memória de mim”. É a memória viva, memória dinâmica, memória que seria fazer o que Cristo mandou fazer em toda amplitude das exigências do Evangelho. A partilha, a fração do Pão é a celebração da Eucaristia, comum na primitiva Igreja e constante em nossos dias também. 

A Igreja de Cristo deve ser e há de ser, e nisso a reconheço, acolhedora. Hoje tantos homens, milhares, milhões de homens sofridos procuram acolhimento, procuram sentido para a sua vida. Aqui posso citar o texto de Vicente Celestino, quando ele canta em “Porta Aberta”: “Contra ela não há queixa, pois essa porta que não se fecha, são os braços de Jesus”. Nós fomos e somos acolhidos como pecadores e santos. Onde somos acolhidos, é a Casa santa, a santa Casa: ela se alimenta da religião que é essencialmente santa pelo seu Fundador que é Cristo, nascida do seu Sangue infinitamente valioso e, ao mesmo tempo, a que tem a Palavra Santa. Muitas outras igrejas e seitas se vangloriam da Palavra que, sozinha não faz a Igreja, porque faltam os Sacramentos, falta, especialmente, o sacramento da Eucaristia que é cume, o ponto mais alto, de onde tudo parte para a santificação e o seguimento de Cristo. “Que alegria quando me disseram vamos à casa do Senhor”! A Casa do Senhor é alegria e afeto para todos os seus filhos e filhas; a Casa do Senhor é a que nós respeitamos com toda delicadeza e com toda alegria; é a Casa do Pai, porque nos acolhe como filhos; é a Casa de Jesus porque Ele lá está no tabernáculo, no Sacrário. É a Casa do Espírito Santo que lá nos reúne.

Mas, uma das definições mais bonitas, é aquela que nomeia a Igreja de Cristo “servidora ou serva da caridade”, um título realístico e ao mesmo tempo sublime. Quantos problemas de miséria, de pobreza, em Jerusalém, depois em outras comunidades por onde passaram os Apóstolos! São Paulo se faz coletor de esmolas para ajudar os cristãos que padeciam, pelas perseguições, em Jerusalém. “Servidora da caridade”, das instituições caritativas: nos hospitais que nasceram a partir da Igreja, a acolhida de pessoas com hanseníase, ou seja, a lepra; as pestes tremendas que percorreram a história durante séculos e sempre que surgiam, a Igreja fortemente intervinha, indo aos que sofriam para dar-lhes um lenitivo, minorar os sofrimentos. Aí estão os agentes de pastoral qualificados: com uma fé profunda, pessoas como um São Vicente de Paulo, um São Luis Gonzaga e tantos outros que deram a vida para cuidar dos que tombaram sob a peste.

A Igreja Católica me contagia pela misericórdia que nela reina; me contagia pela bondade; me contagia pela delicadeza especialmente dos Sacramentos, como o Sacramento para os Enfermos. É a única Igreja que o possui. A Igreja é a “servidora dos pobres”, em primeiro lugar, dos necessitados e pobres no mais amplo sentido, não só pobre fisicamente, mas também pobre moral e espiritualmente. Nós fizemos a opção preferencial por todo tipo de pobres a começar pelos marginalizados, excluídos e até entramos na área cultural, para auxiliar os que são pobres em espírito, porque ainda não chegaram ao Senhor da vida, ao Senhor da História.

A nossa Igreja Católica tem a função de penetrar na sociedade e para isso ela tem uma doutrina própria, a Doutrina Social da Igreja; tem moral social própria, derivada diretamente do Evangelho e dos escritos apostólicos; tem uma ética de compromisso público e particular; ela penetra, portanto, a sociedade.

Posso dizer, ainda, que o testemunho do atual Papa João Paulo II me prova qual é a Igreja de Cristo e o caminho que deve seguir.

D. EUSÉBIO OSCAR SCHEID
Arcebispo da Arquidiocese do Rio de Janeiro 

Fonte: Arquidiocese do Rio de Janeiro 

 

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