Como devo receber a comunhão?

Respondo hoje a quatro leitores de uma só vez. São eles: José Jô Junior, que argumenta contra a comunhão recebida nas mãos; Earle Silva e Newton Nunes, que perguntam se o Papa extinguiu os ministros extraordinários da Comunhão e, se não os extinguiu, se ele proibiu que as mulheres exerçam esta função; e Elza Ramalho que quer saber se podemos tocar na hóstia ou no ostensório durante a adoração ao Santíssimo Sacramento.


Começo lembrando que em boa hora temos documentos importantes corrigindo certas posturas equivocadas em relação à Eucaristia. São muitos estes documentos. Dois deles tão recentes que ainda não chegaram a muitas comunidades. São eles a Instrução Geral para o Missal Romano e a recente encíclica do Papa João Paulo 2º sobre o Sacramento da Eucaristia. Nossas equipes de liturgia precisam mergulhar nesses documentos para entenderem e ajudarem o povo a entender a riqueza do Sacramento do Corpo e do Sangue do Senhor.


Eu me pergunto o porquê de tanta dificuldade em relação à comunhão nas mãos. A Igreja a permite, baseada com certeza na própria prática de Jesus na última ceia ao dizer “Tomai e comei!”, “Tomai e bebei!”, e entregar o pão e o cálice aos apóstolos. Os evangelhos em nenhum momento sugerem que Jesus na última ceia colocou diretamente na boca dos apóstolos o pão e o vinho.
Os argumentos de impureza das mãos valem também para a boca. Tanto a boca serve para bendizer quanto para maldizer. Com a boca se ora e se blasfema, se proclamam as verdades da fé como se negam as mesmas, se declara amor como se manifesta ódio. O mesmo vale para as mãos que podem juntar ou dispersar, erguer ou derrubar, unir ou separar, curar ou ferir. Comungar, alimentar-se do Pão da Vida é a experiência de Jesus Cristo mais profunda que nos é dada fazer. Tanto faz se diretamente na boca ou nas mãos, desde que a cabeça e o coração estejam cheios da certeza da presença de Cristo no Santíssimo Sacramento. Argumentar que a comunhão na boca evita profanações não vale, porque abusos sempre existiram e as pessoas de má fé sempre acham um jeito de profanarem a Sagrada Eucaristia.


Quanto aos ministros extraordinários da Sagrada Comunhão, a Igreja primeiramente deixa bem claro que cabe ao presidente da celebração, ao padre celebrante, a distribuição da Eucaristia. Mas entende também que há situações em que eles se fazem necessários. Estabelece normas rígidas sobre a escolha dos mesmos, in-cluindo nestas normas a fé profunda, a conduta pessoal, o testemunho de vida destas pessoas. Pede que a indicação para esta função seja até solene e que seja por tempo determinado. Não há porque discriminar as mulheres nesta função tão bonita e a Igreja não as discrimina, particularmente nesta função.
Vale a pena lembrar aqui, a favor dos ministros da comunhão, a figura tão querida do santo menino Tarcísio que levava a comunhão para os cristãos presos nas cadeias romanas.


Última questão. Eu sei, a pergunta sobre poder ou não tocar na hóstia consagrada durante as bênçãos do Santíssimo Sacramento tem endereço certo. A leitora Elza Ramalho se refere ao que se vê em determinadas celebrações mostradas para todo o Brasil via televisão. O Santíssimo Sacramento passa pelo meio do povo e as pessoas tocam no ostensório. Embora não se negue a fé destas pessoas, é preciso dizer que não é litúrgica esta “manipulação” da hóstia consagrada. Ela peca contra a sacralidade do sacramento. Nós tomamos o Cristo Eucarístico nas mãos e o colocamos na boca, nós o tomamos e comemos como o Cristo mandou. Nós adoramos o Cristo no Sacrário, porque cremos na sua presença. Nós acolhemos a bênção que a Igreja nos dá com o Santíssimo Sacramento, porque é o próprio Cristo presente no Sacramento, o autor da bênção. E chega! Fora disto qualquer manipulação, qualquer aproximação indevida se torna desrespeito ao dom mais precioso que o Cristo fez de si mesmo a nós. Isto para não dizer que determinadas atitudes acabando não passando de um devocionismo vazio. Diante da grandeza do mistério eucarístico acolher as instruções da Igreja é o melhor caminho para se evitarem exageros, imprecisões e erros.

Padre Cido Pereira

 

Fonte: Arquidiocese de São Paulo

 

Voltar

 

Copyright ©  Pai de Amor - Todos os direitos reservados.