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Eucaristia é o memorial da paixão, morte e ressurreição
Entre
os vários aspectos da fé da Igreja Católica na Eucaristia, na Encíclica
Ecclesia de Eucharistia (EE) o Papa João Paulo II recorda que ela é
o “memorial” de Jesus Cristo. A Eucaristia não é relacionada
apenas com um gesto ou uma atitude em particular de Jesus, mas é o
sacramento de sua pessoa e de sua obra redentora, no sentido mais
pleno. Assim compreendemos bem o que o Concílio Vaticano II disse, e
o Papa repete: “na santíssima Eucaristia está contido todo o
tesouro espiritual da Igreja, isto é, o próprio Cristo” (EE 1).
Com efeito, quando a Igreja celebra a Eucaristia, é Jesus Cristo que
a convoca e reúne mediante a palavra da fé; na pessoa. do ministro
ordenado, é o próprio Jesus que preside a comunidade eucarística
(cf. SC 7). E quando se proclamam as Escrituras durante a celebração,
é ainda Ele quem fala e evangeliza o seu povo. Quando a comunidade
celebrante oferece preces e louvores ao Pai, é Jesus Cristo, Pontífice
da nova e eterna aliança, quem apresenta a Deus Pai as oferendas e
oblações. E é Jesus que continua a se doar como alimento aos que se
aproximam para recebê-lo na comunhão. Finalmente, quando a celebração
é encerrada, Jesus envia novamente seus discípulos em missão para
levarem a boa nova a toda criatura.
O Papa recorda o sentido e valor sacrifical da Eucaristia: é o
sacramento do sacrifício de Jesus oferecido uma vez por todas sobre o
altar da cruz (EE 12). O próprio Jesus no momento da instituição da
Eucaristia, durante a última ceia, deixou claro isto: entregando aos
apóstolos o pão – “meu corpo” – Jesus aludiu à
“entrega” deste corpo sobre a cruz em favor da humanidade; da
mesma forma, ao lhes passar o cálice com o vinho – “meu sangue”
– aludiu ao derramamento do seu sangue na paixão. A Eucaristia
recorda a entrega livre, amorosa e total de Jesus a Deus Pai, em favor
da humanidade; por isso ela é sacrifício verdadeiro (EE 13).
A Eucaristia é o memorial da paixão, morte e ressurreição de
Jesus; não se trata de mera lembrança do passado, mas é presença
sacramental. É o sacrifício de Jesus que se perpetua através dos séculos”
(EE 11). Também não é repetição do passado, não é outro sacrifício:
é o único e suficiente sacrifício de Jesus pela nossa salvação,
que se torna presente e atual, para que também nós tenhamos parte
nele hoje e se realize assim a obra da nossa redenção, no presente.
A Igreja vive continuamente deste sacrifício redentor e tem acesso a
ele não somente através de uma lembrança cheia de fé, mas também
mediante um contacto atual. E, “por Cristo, com Cristo e em
Cristo”, também ela oferece o sacrifício espiritual de si própria
a Deus Pai (cf. LG 11).
Mas não é somente o mistério da paixão e morte de Jesus que é
tornado presente, quando a comunidade se reúne para celebrar a
Eucaristia: ela também faz a memória de sua gloriosa ressurreição
dentre os mortos. Por isso ela aclama: “proclamamos vossa ressurreição”.
A Igreja reconhece e anuncia que Jesus está vivo e presente no meio
dela: “ele está no meio de nós!” O Ressuscitado é o “pão
vivo” e vivificante, que se doa continuamente para a vida do mundo e
nutre a humanidade a caminho do reino definitivo (EE 14).
Por aí podemos compreender melhor o título que o Papa deu à Encíclica:
“Ecclesia de Eucharistia” (A Igreja vive da Eucaristia). De fato,
mais do que em qualquer outro sacramento, é na Eucaristia que a
Igreja é continuamente congregada pelo seu Senhor, nutrida por Ele
mediante o anúncio do Evangelho e pelo Pão da vida, redimida pelos méritos
de seu sacrifício pascal, estimulada a viver na unidade da fé e da
caridade, animada na esperança e enviada em missão. A Igreja tem os
olhos continuamente voltados para seu Mestre e Senhor, que a conduz
como Bom Pastor e por ela intercede sem cessar junto do Pai; de Jesus,
ela recebe vida em abundância, mediante a efusão do Espírito Santo.
“Fazei isto em memória de mim” (Lc 22 19): esta ordem de Jesus na
instituição da Eucaristia lembra continuamente a Igreja que ela está
indissoluvelmente unida à pessoa e à missão de Jesus Cristo; Ele
mesmo, com tudo o que fez e ensinou, permanece a referência irrenunciável
para tudo o que a Igreja faz e vive. Lembra ainda que a missão de
Jesus continua presente no tempo através da Igreja; esta missão só
será eficaz quando a Igreja se une estreitamente ao seu Mestre e
Senhor, como é significado e realizado na celebração do sacramento
da Eucaristia.
Dom Odilo Pedro
Scherer
Bispo Auxiliar de São Paulo
Secretário-Geral da CNBB
Fonte:
CNBB

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