|
A
Igreja vive de Jesus Eucarístico, por Ele é nutrida...
João
Paulo II, na Quinta-Feira Santa deste ano, enviou à Igreja Católica
a Carta Encíclica ECCLESIA DE EUCHARISTIA – A Igreja vive da
Eucaristia! Um belo documento sobre a Eucaristia na sua relação com
a Igreja.
A Encíclica, na sua Introdução, em seus seis capítulos e sua na
conclusão, reafirma vários pontos da teologia eucarística: “ A
Igreja vive de Jesus Eucarístico, por Ele é nutrida, por Ele é
iluminada. A Eucaristia é mistério de fé e , ao mesmo tempo,
“mistério de luz” (Encíclica, 6). “Está colocada no centro da
vida eclesial” (Idem, 3). “É presença salvífica de Jesus na
comunidade dos fiéis e seu alimento (Idem 9)”. Lembra, também, o
Santo Padre que a Eucaristia é o grande enlevo que invade a assembléia
eclesial reunida para a celebração eucarística; considera ainda que
tal enlevo “deve inundar o ministro da Eucaristia, o qual, pela
faculdade recebida na Ordenação Sacerdotal, realiza a consagração”.
Proclama que através da comunhão sacramental realiza-se a incorporação
em Cristo e através desta comunhão a Igreja é consolidada na sua
unidade de Corpo de Cristo. Afirma, também, o Papa que a Eucaristia
é o vértice do ministério sacerdotal (Enc. 31). João Paulo II
alerta sobre “iniciativas ecumênicas que, embora bem intencionadas,
levam à práticas na Eucaristia contrárias à disciplina que serve
à Igreja para exprimir a sua fé (Idem 10)”.
No Cap. IV, baseando-se no fato de a Eucaristia ser “sacramento da
comunhão eclesial”, o Santo Padre inicia uma reflexão sobre o
empenho ecumênico, presente, hoje, de modo crescente, em nossa
Igreja. Na verdade, tal crescimento está crescendo nos últimos anos,
com mais força desde o Concílio Vaticano II. Dois Documentos
conciliares alicerçam este desenvolvimento: “Unitatis Redintegratio”,
sobre a unidade dos cristãos e “Nostra Aetate”, sobre o diálogo
inter-religioso. Posteriormente, muitos outros Documentos foram
confirmando esta caminhada. Não se pode esquecer que nesta caminhada
foram surgindo muitos percalços, prejudicando a caminhada ecumênica.
Neste capítulo, A Encíclica destaca a importância da oração pela
unidade para que Deus, o Pai de misericórdia, conceda a seus filhos a
graça de se tornarem em Cristo um só corpo e um só espírito.
“Somente se pode celebrar plenamente a Eucaristia quando está
presente uma completa comunhão nos laços da profissão de fé, dos
sacramentos e do governo eclesiástico” (Enc. 44). E continua: “A
referida concelebração não seria um meio válido, podendo mesmo
revelar-se um obstáculo para se alcançar a plena comunhão....dando
aval a ambigüidades sobre algumas verdades da fé. O caminho para a
plena união só pode ser construído na verdade”(Idem).
É preciso distinguir entre administração concelebração eucarística
e administração da Eucaristia. O Diretório para a aplicação dos
princípios e das normas sobre o ecumenismo, do Pont. Cons. Para a
Promoção da Unidade dos Cristãos, em 25 de março de 1993, indicou
claramente como proceder no caso de administração sacramental, em
circunstâncias especiais, a pessoas pertencentes a Igrejas ou
Comunidades Eclesiais que não estão em plena comunhão com a Igreja
Católica. Nestes casos, o importante é sempre ter presente o bem
espiritual em ordem à salvação eterna dos fiéis. Não se trata de
uma intercomunhão, pois, somente acontecerá quando forem reatados
plenamente os laços visíveis da comunhão eclesial (Enc. 45 -46).
Citando a Encíclica Ut unum sint, João Paulo II diz: “E todavia nós
temos o desejo ardente de celebrar juntos a única Eucaristia do
Senhor, e este desejo torna-se já um louvor comum, uma mesma imploração.
Juntos dirigimo-nos ao Pai e fazemo-lo cada vez mais com um só coração”
(Enc. 44). É importante a observância destas normas. Elas são
garantia de amor por Jesus Cristo no Santíssimo Sacramento, de amor
pelos irmãos de outras confissões cristãs. Estes merecem o
testemunho da verdade. Além disto, tal fidelidade muito contribuirá
para uma busca sincera e frutuosa da Unidade desejada por Jesus
Cristo.
Bem sabemos que a Encíclica ECCLESIA DE EUCHARISTIA trouxe alegria
para muitos cristãos católicos. São orientações concretas, reflexões
que aprofundam e renovam a nossa fé, nossa espiritualidade eucarística.
Mas, sabemos, também, que surgiram contestações, dúvidas, em
outras Igrejas e Comunidades Eclesiais. Até mesmo entre cristãos católicos.
Compreende-se que isto aconteça. Contudo, é preciso buscar a
verdade, pois, somente assim poderemos contribuir para a Unidade.
Comunhão sem a verdade não é comunhão. É uma falsa verdade!
É preciso buscar na Eucaristia a força para a caminhada. O Papa
conclui sua Carta com estas palavras: “ Nos sinais humildes do pão
e do vinho transubstanciados no seu corpo e sangue, Cristo caminha
conosco, como nossa força e nosso viático, e torna-nos testemunhas
de esperança para todos. Se a razão experimenta seus limites diante
deste mistério, o coração iluminado pela graça do Espírito Santo
intui bem como comportar-se, entranhando-se na adoração e no amor
sem limites” (Enc. 92).
E que Maria seja nossa Companheira de Caminhada!
Dom
Oneres Marchiori
Dimensão do Ecumenismo e Diálogo Inter-Religioso
Fonte:
CNBB

|