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A
Igreja vive da Eucaristia...
O
sentido de “apostolicidade”, referência na compreensão da
Eucaristia e da Igreja, assunto no terceiro capítulo da Carta Encíclica
“ A Igreja Vive da Eucaristia”, do Papa João Paulo II, evoca
questões de raiz e de fundamentação.
Apostolicidade é, pois, raiz de identidade enquanto referência a
Jesus Cristo e aos apóstolos. O conceito de apostolicidade evoca
aquelas “circunstâncias dramáticas em que nasceu a Eucaristia”:
Jesus, tendo os apóstolos ao seu redor, está diante do mistério de
sua paixão e morte. Naquela ceia derradeira está situado o sacrifício
da cruz, por antecipação ao seu acontecimento; e, ao mesmo tempo,
cada vez em que é celebrado, pela força da “presença
sacramental”, este sacrifício se perpetua pelos séculos. A
Eucaristia é, por isso, “ o dom por excelência”, “ porque é
dom d’Ele mesmo, Jesus Cristo, da sua pessoa, na humanidade sagrada,
e também da sua obra de salvação” (EE 11).
Este “dom por excelência” , o Santíssimo Sacramento, nasce da
oferta das ofertas, a oferta redentora de Cristo Jesus, em obediência
amorosa ao Pai, pela força do Espírito Santo, e é colocado nas mãos
dos apóstolos, como ministério.
O mistério eucarístico se alicerça na oferta sacrifical de Cristo
Jesus. A Igreja nasce do coração desta oferta, no símbolo do lado
aberto do seu Senhor e Salvador, de onde correm sangue e água. Por
isso, a Eucaristia, mistério da fé, memorial e banquete, edifica a
Igreja dando a esta a mesma seiva que a alimenta e a sustenta, com
aquela mesma qualidade que a originou. Por sua vez, a Igreja faz a
Eucaristia na medida em que, obedientes, os apóstolos, tendo recebido
o mandato, “Fazei isto em memória de mim”, realizam e atualizam o
sacrifício redentor de Cristo pela salvação de toda a humanidade.
Este mandato e esta obediência se inscrevem como constitutivas e
definitórias da identidade e da missão dos sucessores dos apóstolos
até hoje.
A apostolicidade, portanto, se compreende neste cenário da oferta
salvífica de Jesus, na presença dos apóstolos e na possibilidade do
que humanamente são, mas investidos do que se tornam, pelo desejo e
mandato de Jesus, fazendo deles os dispensadores deste grande mistério.
Esta compreensão fundamental revela o sentido apostólico da
Eucaristia e da Igreja: da Eucaristia enquanto origem e fonte da
Igreja, na medida em que Jesus se faz DOM e o entrega aos apóstolos;
da Igreja enquanto edificada sobre o “alicerce dos apóstolos” (Ef
2,20), e nela se celebra a Eucaristia.
Apostolicidade revelada enquanto se celebra de acordo com a fé dos Apóstolos,
na integridade de sua compreensão doutrinal, pelo ministério dos
seus sucessores no ofício pastoral, o colégio dos bispos, e
assistidos pelos presbíteros, no serviço do ensino, da santificação
e da condução.
Esta apostolicidade é, pois, uma compreensão que situa a compreensão
do sacerdócio ministerial como ação que, no sacrifício eucarístico,
não só faz as vezes de Cristo, mas age pela força da “ específica
e sacramental identidade com o Sumo e Eterno Sacerdote, que é o Autor
e o principal Sujeito deste seu próprio sacrifício, no que
verdadeiramente não pode ser substituído por ninguém” (EE 29),
pois supõe o sacramento da Ordem, graças à ininterrupta sucessão
apostólica desde as origens, gerando a condição necessária para a
constituição do presbítero, com a conferência do poder de
consagrar a Eucaristia.
Esta apostolicidade, elemento substantivo da Eucaristia e da Igreja, põe
perspectivas concretas para os fiéis católicos: fidelidade ao
sentido da verdade doutrinal da Eucaristia; atenção a práticas de
“hospitalidade eucarística”, para “ não dar aval a ambigüidades
sobre a natureza da eucaristia” (EE 30); a obrigação e empenho
pela Missa dominical. Mais ainda, compreender a Eucaristia como centro
e vértice da vida da Igreja, e igualmente o ministério sacerdotal,
reforçando a necessidade do empenho da promoção vocacional.
A apostolicidade inclui, deste modo, a compreensão, o empenho e a vivência
do horizonte aberto pelo Concílio Vaticano II: “nenhuma comunidade
cristã se edifica sem ter a sua raiz e o seu centro na celebração
eucarística” (PO 6). Por isso, “ a Igreja vive da Eucaristia”(EE
1).
Dom
Walmor Oliveira de Azevedo
Bispo auxiliar em Salvador (BA)e Presidente da Comissão Episcopal
para a Doutrina da Fé
Fonte:
CNBB

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