Óóóóóóó!
Língua malvada!
Senhor,
que minhas palavras sejam sempre doces... pois pode ser que eu as
tenha que engolir
São
Jerônimo dizia: " Senhor, que as minhas palavras sejam sempre
doces, pois pode ser que eu as tenha que engolir."
Quem é que nunca foi vítima de uma palavra má?! Quem já foi
acusado injustamente ou teve a sua vida devassada perante os outros,
ou mesmo teve seus próprios erros lançados à face sem nenhuma
caridade, sabe que uma palavra má tem o poder de matar, de destruir.
Pediram-me que rezasse por uma moça que por várias vezes havia
tentado o suicídio. Nada na vida daquela mulher dava certo; sua vida
afetiva era um desastre, era uma das melhores alunas no curso pré-vestibular,
mas quando o concurso se dava, ninguém conseguia entender o fracasso
de suas notas, estava deprimida e por várias vezes havia tentado pôr
fim à própria vida.
Quando comecei a rezar por sua cura interior, ela chorava aos soluços...
já ia terminando a oração, quando Deus fez soar em meu coração
uma pergunta: "Filho, você não vai pedir a libertação
dela?" Lembro-me de que eu tinha um compromisso e que queria
terminar logo a oração, por isso fui direto ao assunto. Deus foi
muito claro comigo quando me veio à mente a palavra "maldição".
Então, disse-lhe: "Filha, o Senhor a liberta de toda maldição
lançada sobre você!" Na mesma hora, a moça teve uma convulsão
e se debateu por alguns segundos, em seguida retornou à consciência
sem lembrar o que acabara de acontecer. A irmã dela, que acompanhava
a oração, contou-me que o pai a amaldiçoava sempre, desejava-lhe
doenças, desastres e morte. E, realmente, a moça estava morrendo aos
poucos.
Depois daquele dia, ela livrou-se de uma tristeza mortal, a angústia
a deixou. Corridos alguns meses ela foi aprovada no concurso e da última
vez que a vi estava muito feliz com seu noivo; em sua cabeça já não
passava a idéia do suicídio, porque o Senhor a libertara.
Veja todo o dano que lhe causou aquelas ditas palavras. A palavra má
é letal, é como um vírus de HIV que transporta a morte consigo.
Se queremos viver um bom propósito na nossa vida, eis aí um
grande desafio: pôr fim à toda palavra má. Um bom coração não
despeja maldade, já que a boca fala do que ele está cheio. Deus
não quer que amemos só com palavras, mas, também com palavras. Uma
boa palavra reanima, fortalece, consola, enche de esperança e devolve
a confiança que leva a amar.
São Francisco de Sales se refere muito severamente à maledicência,
quando diz: "A maledicência é a peste das conversas e
palestras. Oh! quisera ter uma daquelas brasas do altar sagrado para
purificar os homens de suas iniqüidades, à imitação do serafim que
purificou Isaías das suas, para torná-lo digno de pregar a Palavra
de Deus. Certamente, se fosse possível tirar a maledicência do
mundo, exterminar-se-ia uma boa parte dos pecados.
Quem tira injustamente a boa fama ao seu próximo, além do pecado que
comete, está obrigado à restituição inteira e proporcionada à
natureza, qualidade e circunstância da detração, porque ninguém
pode entrar no Céu com os bens alheios e, entre os bens exteriores a
fama e a honra são os mais preciosos e os mais caros. Nós temos três
vidas diferentes: a vida espiritual, que a graça divina nos confere;
a vida corporal, cuja a alma é o princípio; e a vida social, que
repousa seus fundamentos na boa reputação. O pecado nos faz perder a
primeira, a morte nos tira a segunda e a maledicência nos leva a
terceira.
A maledicência é uma espécie de assassino e o maldizente torna-se réu
de um tríplice homicídio espiritual: o primeiro e o segundo com
respeito à sua alma e à alma da pessoa com quem se fala; e o
terceiro com respeito à pessoa de quem se deturpa o bom nome.
São Bernardo diz que os que cometem a maledicência e os que a
escutam têm o demônio no corpo, aqueles na língua e estes no
ouvido.
Peço-te, encarecidamente, que nunca fales mal de ninguém, nem
direta, nem indiretamente. Guarda-te conscientemente de imputar falsos
crimes ao próximo, de descobrir os ocultos, de aumentar os
desconhecidos, de interpretar mal as boas obras, de negar o bem que
sabes que alguém possui na verdade ou de atenuá-lo por tuas
palavras; tudo isso ofende muito a Deus.
Não incidas nesta falta, que além de ser uma ofensa a Deus, poderia
causar mil gêneros de desgostos. Ouvindo falar mal do próximo,
procures pôr em dúvida o que se diz, se o podes fazer justamente; ao
menos desculpa a sua intenção ou, se isto mesmo não for possível,
manifesta a tua compaixão. Muda de assunto, lembrando-te a ti mesmo e
às outras pessoas que quem não comete muitas faltas só o deve à
graça divina. Procura por algum modo delicado que o maldizente
reconsidere e, se sabes, dize francamente algum bem da pessoa
ofendida".
Esta é para nós a diretriz que o Senhor dá: "Mais nenhuma
palavra má saia da vossa boca, mas antes palavras boas, que possam
servir para a necessária edificação, ajudando aqueles que as
ouvem" (Ef 4,29). No começo, talvez encontremos um pouco de
dificuldade e talvez alguma palavra venha a escapar, será necessário,
então, retratarmo-nos e pedir perdão; um pouco mais e ela virá na
ponta da língua mas conseguiremos detê-la; até que já não
sentiremos tão forte em nós esta inclinação e poderemos ceder
lugar à boa palavra que constrói a boa fama e a caridade.
Era justamente para dizimar a maledicência que se apresentava sob a
forma de murmuração, que Dom Bosco incentivava a pensar bem de
todos, falar bem de todos e querer bem a todos. É possível! E com a
Graça de Deus nós vamos conseguir. O Senhor nos recompensará.
Márcio Mendes
E-mail: marciomendes@cancaonova.com

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