O
jejum da fala
Penitência
com resultados diretos em favor do próximo
Há
poucos dias, pregando sobre as penitências quaresmais, convidei os fiéis
a refletirem sobre o jejum e a abstinência de carne. Para muitos o
jejum é pouco sacrifício e a abstinência, menos ainda. Não
dispensando estas duas mortificações prescritas pela Igreja para
Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa, aliás de muito proveito
para a alma, propus que cada um, além disso, procurasse se abster
daquilo que mais lhe custasse e que tivesse resultados imediatos
em favor do próximo, na linha da caridade.
A título de sugestão, indiquei o 'jejum da fala' que
significa passar a Quaresma sem falar minimante da vida alheia. Há
muitos que conseguem. Conheci um sacerdote, com quem convivi desde a
infância de meus tempos de coroinha, a quem nunca vi dizer uma
palavra contra quem quer que fosse. Antes, procurava sempre uma
qualidade no mal-falado e a destacava de imediato, tentando
misericordiosamente salvar a vítima. Há poucos dias, me contaram uma
graciosa anedota:
A certa pessoa que assim vivia foi feita uma armadilha: vamos ver se
ele é capaz de falar bem de satanás. Mas o bondoso cristão não se
fez de rogado e saiu ganhando. Respondeu: deste sujeito aí, o que
posso dizer é que ele uma qualidade tem: é muito trabalhador. Quem
pode duvidar?
A ação do mal existe. O Senhor foi tentado no deserto, nos relatam
os evangelhos. Santo Agostinho nos ensina que assim quis Deus, para
que tivéssemos a certeza de que é possível não cair em tentação.
Viver bem a Quaresma significa vencer a força do pecado, o que só
é possível pela imersão na santidade de Deus, praticando a oração,
a penitência e o amor ao próximo, como fez Jesus.
Dom Gil Antônio Moreira

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