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Selo
de cerca de 2,5 mil anos confirmaria Bíblia como documento histórico
18.01.2008
- Arqueólogos israelenses encontraram em Jerusalém um selo de cerca
de 2,5 mil anos de antiguidade que, segundo especialistas, confirmaria
a teoria que indica que a Bíblia pode ser tomada como fonte de
documentação histórica.
Em caracteres hebreus arcaicos, o selo estampa o nome da família
Tema, que de acordo com o Livro de Neemias estava entre os exilados
que retornaram a Judéia no ano 537 a.C. após o fim do cativeiro na
Babilônia, atual Iraque.
"É um nexo entre as provas arqueológicas e o relato bíblico,
ao evidenciar a existência de uma família mencionada na Bíblia",
disse a arqueóloga Eilat Mazar, que dirige as escavações que
acharam o selo, de pedra escura, com forma elíptica e dimensões de
2,1 cm por 1,8 cm.
Mazar explicou que, segundo a Bíblia, os Tema viviam em uma região
de Jerusalém conhecida como Ophel, designada especialmente aos
servidores do Primeiro Templo, construído pelo Rei Salomão no século
X a.C.
O relato bíblico conta que, após os israelitas serem deportados à
Babilônia por Nabucodonosor, depois de este conquistar Jerusalém em
586 a.C., os Tema estavam entre as primeiras famílias a retornar à
Judéia.
A arqueóloga ressaltou a influência mesopotâmica mostrada pelo
selo, que em uma de suas faces possui gravada a cena de um ritual em
que dois sacerdotes dispostos em ambos os lados de um altar oferecem
sacrifícios à deusa babilônica Sin, representada por uma lua
crescente.
Seu culto poderia ser considerado herético para qualquer judeu. O
especialista disse que o detalhe chamou atenção, e especulou-se a
possibilidade de o selo ter sido feito na Babilônia, com um espaço
vazio para o nome de um possível cliente, e que pode ter sido
comprado por seus proprietários em algum bazar.
Outra característica que vem a confirmar a identidade babilônica do
artesão do selo é que a caligrafia está inclinada para a esquerda,
talvez pelo costume da escrita cuneiforme da Mesopotâmia, orientada
da esquerda para a direita.
No domingo, Mazar apresentará sua descoberta na Conferência de
Herzliya, principal fórum de debate interdisciplinar de Israel onde
exporá suas conclusões sobre o selo, que se soma a uma longa lista
de descobertas arqueológicas protagonizadas pela família do
especialista.
A arqueóloga Eilat Mazar, diretora das escavações que levaram à
descoberta do selo, é neta do conhecido arqueólogo Benjamín Mazar,
falecido em 1995.
Ele escavou nos arredores das muralhas que rodeavam o templo de
Jerusalém em uma zona chamada Monte do Templo, pelos judeus, Santuário
do Nobre pelos muçulmanos, e comumente conhecida como Esplanada das
Mesquitas.
Na Esplanada das Mesquitas se encontra o Muro das Lamentações, junto
ao qual Benjamín Mazar deixou à descoberta grandes superfícies de
uma jazida arqueológica da época do Segundo Templo (516-70 d.C.) e
em cujas cercanias sua neta encontrou o selo.
Eilat Mazar, que concentra grande parte de suas investigações no período
mais antigo da história de Israel, é responsável também por outras
descobertas importantes como a da base de uma estrutura arquitetônica
localizada em Jerusalém e que poderia corresponder ao palácio do mítico
rei David.
Fonte:
Terra notícias
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