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O
Galileu sem igual
Jesus
de Nazaré foi a personalidade mais importante que surgiu no cenário
da ação humana, representando Sua parte no palco da vida. Ninguém
se Lhe compara na profundeza do caráter, na largueza de alma, na
amplitude de interesses, ou na excelência da influência. Ele é a
figura mais proeminente que já palmilhou as estradas poeirentas da
vida, ou galgou as encostas escarpadas, íngremes da terra.
Jesus é a Grande Figura Central de todos os
tempos. Ele divide a história em duas partes - A.C. (antes de Cristo)
e D.C. (depois de Cristo).
É um desafio à nossa imaginação verificar
que uma criança tenha nascido num lar tão humilde; que o lar se
situasse num vilarejo obscuro; que o vilarejo se localizasse num país
tão insignificante e pequeno - e contudo surgisse daquele lar
humilde, daquele vilarejo obscuro, e daquela naçãozinha alguém cujo
impacto da personalidade dinâmica fosse modificar todo o curso da
história, revolucionando a filosofia, derrubando governos,
revitalizando a religião, e transformando os homens.
Nasceu Ele numa província dominada pelo Império
Romano e pelo pulso de ferro do poder militar, e sujeita ao jugo de um
escravo - e, todavia, Jesus não só se tornou o grande Emancipador,
mas fez possível a liberdade para todos os homens e mulheres da raça
de Adão.
Sua mãe era de origem humílima, e vivia na
mais desprezada das cidades, Nazaré, de onde jamais viera coisa boa.
Ele, porém, tornou-se a fonte de todo o bem.
Nasceu numa manjedoura emprestada, na pequena
cidade de Belém. Seu pai era apenas um humilde carpinteiro, no
entanto, instilou
em seu Filho
o gênio criador de construir, não uma casa material, mas uma nova
mansão de seres humanos denominada Reino do Céu.
Jesus viveu apenas trinta e três brevíssimos
anos. Nasceu Judeu - desprezado, submisso, ignóbil. Seu imperador era
César, que governou um grande império terreno; mal, porém, sabia César
que surgiria Alguém para fundar um Reino maior em território, mais
amplo em escopo, mais excelente nos objetivos e, que haveria de
perdurar quando os monumentos mais majestosos, e os mais suntuosos palácios
de Roma já se tivessem desmoronado no pó e no esquecimento.
Alexandre, o Grande, que viveu três séculos e
meio antes de Jesus, conquistou o mundo e criou um império colossal.
Ele e Jesus tinham algumas coisas
em comum. Ambos
iniciaram suas carreiras muito jovens, e ambos as terminaram
prematuramente, com a idade de trinta e três anos.
Alexandre nasceu em uma mansão - Jesus numa
manjedoura.
Alexandre era filho de um rei - Jesus, filho de
um carpinteiro.
Alexandre viveu e morreu para si mesmo; Jesus
viveu e morreu para e pelos outros.
Alexandre
morreu adorado como rei, num trono; Jesus morreu sendo motivo de
zombaria como rei, numa cruz. A vida de Alexandre era vista como um
grande êxito: a vida de Jesus parecia um sombrio fracasso. Alexandre
derramou o sangue de milhões para seu próprio proveito; Jesus
derramou o Seu próprio sangue para a salvação de milhões.
Alexandre procurou ganhar a sua própria vida,
para perdê-la com a morte; Jesus deu a Sua vida para encontrá-la
outra vez, após a morte.
Alexandre morreu na Babilônia, em esplendor;
Jesus morreu no Calvário, em vergonha.
Alexandre conquistou todos os tronos; Jesus
conquistou todos os túmulos.
Alexandre se fez Deus, mas morreu como homem:
Jesus se fez homem, mas morreu como um Deus.
Alexandre escravizou todos os homens; Jesus
tornou livres todos os homens.
Alexandre edificou seu trono com sangue e poder;
Jesus derramou Seu sangue para construir um poderoso império sobre o
amor.
Alexandre ganhou tudo que havia sobre a terra,
mas perdeu o Céu; Jesus perdeu tudo o que tinha sobre a terra, mas
ganhou o céu para todos.
Alexandre morreu para sempre; Jesus vive para
sempre.
Alexandre viveu como milionário, mas morreu
como pobre; Jesus viveu como indigente, porém, morrendo, adquiriu
riqueza para milhões.
Alexandre fez história; Jesus transformou-a.
Estes dois homens representam dois modos de
vida. Todos adotam um ou outro destes modos. Com Alexandre estão:
Napoleão, Hitler, Mussolini, e todos quantos tenham como lema:
"Ganhe tudo que puder". Com Jesus estão: São Paulo, John
Wesley, William Wilberforce, Abraão Lincoln e outros cujo lema é:
"Dê tudo o que puder". Os que dão e os que ganham
representam as duas filosofias da vida.
Os que ganham estão em busca do
"ouro". Os que dão estão em busca de "Deus".
Jesus resumiu o princípio número um de orientação do caráter
quando disse: "Aquele que achar a sua vida, perdê-la-á, mas
aquele que perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á." (Luc.
9:24)
Busca egoisticamente o teu próprio prazer,
proveito e bem, e serás cada vez mais mesquinho e pobre. Entrega-te,
porém, a algo maior que tu mesmo e além de ti mesmo, e te encontrarás
e te tornarás cada vez maior e mais rico.
Alexandre é uma figura esquecida e apagada.
Conquistou todas as coisas, porém perdeu a alma. Jesus tudo perdeu,
mas fundou um Reino eterno.
A pessoa de Jesus se destaca entre os homens,
inigualada e insuperável. Ele é superior, supremo, principal,
singular.
Sua personalidade é sem igual. Ele é diferente
de todos os homens. Ele é teantrópico - homem-Deus. Por ser Deus,
pode estender uma das mãos e apegar-se a Deus e estender a outra e
tomar do pobre homem perdido, fazendo assim uma ponte de reconciliação,
ligando Deus e o homem.
Jesus é sem igual entre os fundadores de religião.
Suponhamos que tivesses o poder de subtrair o fundador de cada uma das
principais religiões da religião que traz o seu nome. Retirar Confúcio,
Buda e Maomé do confucionismo, do budismo e do maometismo. Se o
fizesses, não terias modificado um único til destas religiões. Se,
porém, subtraíres Cristo do cristianismo, nada te resta - o que Ele
é, o cristianismo é; e o que o cristianismo é, Ele o é. Tal não
se pode afirmar de nenhuma outra religião.
A ressurreição aponta para a singularidade de
Cristo. Os fundadores de outras religiões jazem mortos em seus túmulos,
mas o Fundador do cristianismo transcendeu todos os outros, saindo do
Seu sepulcro
em triunfo. Hoje Ele
vive.
O caráter de Jesus é sem igual. Poderia pedir
a tua opinião sobre o presidente Truman, sobre Winston Churchill, ou
sobre quaisquer outro homem, e a resposta poderia revelar teu juízo,
mas nunca o teu caráter. Quando, porém, pergunto: - "Que pensas
de Cristo?", tua resposta indica o tipo de caráter que és. -
Por que? Porque Jesus é o manancial da justiça, da bondade, da
verdade. Portanto, quando pergunto: - "Qual a tua opinião sobre
Cristo?", na verdade estou dizendo, "Qual a tua opinião
sobre Cristo sobre a justiça, a bondade, e a verdade? Quando alguém
se revela sobre isto, revela-se a si próprio.
A vida de Jesus é sem igual. É trivial disser,
"Ele é o Ideal dos Ideais". Ele o é - porém, que
significa isso?
Como exercício, escolhe os doze maiores homens
da história. Ao lado de cada nome coloca a característica principal
que o tenha tornado grande - doze homens, e doze traços característicos.
Se pudesse reunir estes doze homens, numa única grande personalidade,
qual os possuiria a todos? Jesus é quem seria tudo isso, e ainda
mais.
Todo vulto da história e toda pessoa que
conhecesse, por mais forte que seja, tem um ponto fraco - todos eles
poderiam ser aperfeiçoados. Mas eis aqui um fato único, notável:
desafio-te a acrescentar o que quer que seja para aperfeiçoar o caráter
de Jesus. Não podes torná-lo mais justo, ou mais reto, ou mais
honesto. Jesus se destaca no horizonte da experiência humana como o
único Homem que não pode ser aperfeiçoado. Ele é o Ideal dos
ideais.
Jesus era também igual em seu ser. Todos os
homens são criados à imagem de Deus, racional, moral e
espiritualmente, possuindo categorias inatas da mente, e normas da
alma. Com o pecado e com o tempo, a imagem de Deus quase se desvaneceu
- sem dúvida desfigurou-se. Mas existem indícios claros de nossa
primitiva perfeição.
No mais íntimo de nossas naturezas
constituintes estão normas de bondade, justiça, harmonia, beleza,
honestidade e verdade. Se eu pudesse arrancar de meu ser interior o
meu ideal de bondade, a minha norma de justiça, o meu ideal de
misericórdia - sim, todos os meus ideais e
pudesse reuni-los numa grande personalidade sintética, que os possuísse
a todos - Jesus igualaria e excederia a tudo isto.
Ele é a personificação de todos os meus ideais interiores. Ele é a
"objetificação" de todas as normas subjetivas de minha
alma.
Jesus é também sem igual por ter colocado à
disposição de todos os homens o poder de serem vencedores, e não vítimas.
Ele não apenas proclama uma filosofia ideal que compreende ideais
altaneiros, mas nos dá diariamente poder para levarmos vidas cristãs.
Jesus é sem igual - Ele é a Personalidade
milagre.
Não era general, e contudo tornou-Se o
Conquistador do Mundo - não pela brutalidade da força militar, mas
pela amplitude do seu poderoso amor.
Pouco viajou Ele, confinando Suas atividades à
Palestina, país com apenas quarenta e cinco milhas de largura por cem
de comprimento. Não dispunha dos meios modernos de propaganda
intensiva. Em Seu tempo não havia estradas-de-ferro, nem transatlânticos,
nem aviões, nem jornais, nem revistas, nem impressoras, nem rádios,
nem sistema de televisão.
Jesus não possuía nome influente, nem riqueza,
nem posição. Não teve preparo, nem educação, exceto a que
adquiriu no regaço de Sua mãe ou na humilde aldeia onde viveu. Não
possuía cursos regulares, nem diplomas, nem certificados. Viveu e
exerceu Suas atividades entre o povo comum. Ao nascer, tomaram
emprestada para Ele uma manjedoura, e quando morreu, foi colocado num
túmulo emprestado. A herança que deixou foi uma única túnica sem
costura.
Não era médico, mas curou os doentes, deu
vista aos cegos, audição aos surdos, purificou os leprosos, e
ressuscitou os mortos.
Não era advogado, mas conhecia a Lei,
interpretava-a, e a aplicava às relações que deveriam imperar entre
os homens. Ele próprio tornou-Se a fonte da retidão e da justiça, e
Seus princípios se tornam cada vez mais enraizados nos corações e
consciências dos homens.
Não foi escritor, não escreveu livros, nem
compôs poemas; não compilou documentos, nem editou jornais, nem fez
contribuições para periódicos. A única sentença que escreveu foi
uma linha sobre a areia que desapareceu no mesmo dia. Dela não sobrou
uma letra sequer. Jamais usou caneta-tinteiro ou máquina de escrever.
Não temos uma linha, uma palavra ou sílaba de Sua mão. E contudo -
têm-se escrito mais livros sobre Ele e Suas palavras do que sobre
qualquer outro homem.
Ele influiu sobre maior número de vidas do que
todos os escritores de todas as eras. A história de Sua vida foi
traduzida em mais de mil e cem línguas, e foi lida por milhões sem
conta, e todos os anos é o livro mais vendido.
Não era orador, e, contudo, ninguém jamais
falou como este homem; Seus discursos se tornaram o tema de milhares
de sermões. Suas palavras são simples e claras.
Usa muito poucos adjetivos, e mesmo assim Suas sentenças estão
repletas de beleza, de significado e de graça.
Suas palavras são talhadas em mármore
brilhante, cinzeladas em granito imperecível, trabalhadas em placas
de bronze duradouro, escritas nos vitrais de inúmeras igrejas,
moldadas em ricos mosaicos nas paredes dos templos, e incrustadas nas
abóbadas e cúpulas de enormes catedrais.
Suas palavras são jóias literárias.
Destaca-Se Ele como o Vidente incomparável de toda literatura.
Shakespeare, Milton e Emerson curvam-se diante de Sua presença,
reconhecendo nEle um superior. Jesus usou todos os gêneros literários
com eficácia - a parábola e a metáfora, a alegoria e o epigrama, a
analogia e o símbolo - sem diluir o pensamento, a idéia, e sem
supraornamentar a verdade.
Não era poeta; não obstante, inspirou milhares
de poetas nas Suas mais sublimes expressões.
Não foi músico; entretanto, inspirou Mozart,
Schubert, Beethoven, Mendelssohn, Haydn, Handel, e outros sem conta. Não
fora, Ele, e jamais teriam sido escritos os mais belos hinos cristãos.
Ele inspirou Lowell Mason na composição de "Mais perto quero
estar, meu Deus, de Ti"; Toplady em "Rocha dos Séculos";
Watts, em "Quando Contemplo a Cruz Maravilhosa"; Charles
Wesley em "Jesus, que Ama Minha Alma", e milhares de outros.
Não era artista, nem escultor, nem pintor.
Jamais empunhou um pincel, nem lidou com um cinzel. Desconhecia a
paleta e a tela; contudo, foi a inspiração de Rafael, de Miguelângelo,
de Hofmann, e de inúmeros outros.
Não era arquiteto, nem empreiteiro, nem
construtor. Era apenas um carpinteiro galileu - fazia arados de
madeira e jugos para bois; mas inspirou a arquitetura mais nobre, mais
maravilhosa que jamais se conheceu. Ele próprio especializou-se na
construção de caracteres - na criação de homens - obras-primas
humanas. Tomou Pedro, e fez dele um santo. Tomou Saulo e fez dele
Paulo.
Não era estadista. Jamais desempenhou nem
aspirou a um cargo oficial. Não se imiscuiu na política; mas na
verdade fundou um Reino. E em verdade apresentou uma constituição -
o Sermão da Montanha. Seus princípios destronaram o erro. Ele foi um
perturbador e um revolucionário. Combateu o mal, a opressão e a
tirania. Seus princípios lançaram os alicerces dos negócios
baseados na confiança como resultado da integridade.
Cada profissão produz mestres, exemplos,
modelos, e ideais que representam o máximo no seu ramo peculiar de
esforço humano. Na filosofia, há um Aristóteles, um Platão, ou um
Kant; na música, há um Mendelssohn, um Bach, ou um Mozart; na
literatura, há um Shakespeare, um Tennyson, ou um Emerson; na ciência
militar, há um Alexandre, um Napoleão, ou um Eisenhower; na
medicina, há um Hipócrates, um Osler, ou um Mayo; na religião, há
um Lutero, ou um Wesley, ou um Calvino;
na política, há um Washington, um Lincoln, ou um Churchill. Grandes
feitos revelam grandes personalidades que personificam grandes profissões.
Jesus Cristo é a mais alta Personalidade,
incorporando os mais altos ideais de todas as profissões e vocações.
Ele é o epítome do melhor, o ápice do mais alto, a sumidade do mais
elevado, o superlativo do supremo.
Nele os homens de todas as profissões, de todas
as vocações, de todas as raças, de todas as posições, de todas as
classes vêem o melhor. Aí está porque Jesus apela a todos. Ele é o
Caminho, a Verdade, e a Vida.
Nele o homem encontra a resposta para os seus
problemas, a satisfação para os seus desejos, a fruição de suas
lutas, o gozo de seus sonhos, o fim de suas aspirações, a satisfação
de seus apetites, e a harmonia de sua alma.
Jesus representa a expressão mais alta de toda
vocação.
Para o astrônomo - Ele é a Brilhante Estrêla
da Manhã.
Para o artista - Ele é o Único Digno de
Louvor.
Para o autor - Ele é o Caráter Ideal.
Para o padeiro - Ele é o Pão Vivo.
Para o banqueiro - Ele é o Tesouro Escondido.
Para o biologista - Ele é a fonte da Vida.
Para o botânico - Ele é a Rosa de Saron.
Para o construtor - Ele é a Fundação Segura.
Para o carpinteiro - Ele é a Porta de Entrada.
Para o doutor - Ele é o Grande Médico.
Para o educador - Ele é o Mestre Incomparável.
Para o engenheiro - Ele é o Novo e o Vivo
Caminho.
Para o agricultor - Ele é o Semeador e Senhor
da Colheita.
Para o florista - Ele é o Lírio do Vale.
Para o geólogo - Ele é a Rocha das Idades.
Para o horticultor - Ele é a Verdadeira Vinha.
Para o jurisconsulto - Ele é o Juiz Reto.
Para o jurado - Ele é a Fiel e Verdadeira
Testemunha.
Para o joalheiro - Ele é a Pérola de Grande
Preço.
Para o advogado - Ele é o Conselheiro e
Advogado.
Para o músico - Ele é a Verdadeira Harmonia.
Para o escritor - Ele é as Boas Novas de Grande
Gozo.
Para o filantropo - Ele é o Dom Incomparável.
Para o filósofo - Ele é a Sabedoria de Deus.
Para o pregador - Ele é a Sabedoria de Deus.
Para o pregador - Ele é a Palavra de Deus.
Para o escultor - Ele é a Pedra Viva.
Para o servo - Ele é o Bom Senhor.
Para o estadista - Ele é o Desejado de Todas as
Nações.
Para
o estudante - Ele é a Verdade Encarnada.
Para o teólogo - Ele é o Autor e Consumador de
Nossa Fé.
Para o operário - Ele é o Doador de Descanso.
Para o viajante - Ele é o Caminho.
Para o pecador - Ele é o Salvador.
Para o cristão - Ele é o Confortador.
Ele é o Amigo dos Pobres, o Curador do Doente,
o Mestre Perfeito, o Filósofo Incomparável, o Ideal dos Ideais, o
Rei dos Reis.
Mas - além de tudo isto, o Glorioso Salvador, e
o Magnificente Redentor.
Jesus é a única Pessoa que aparece no cenário
da história, a qual não pode ser melhorada. Todo homem na história,
não importa a sua capacidade, pode ser melhorado, seja um Alexandre,
um Shakespeare, ou mesmo um Lincoln. Qualquer pessoa que tenhamos
encontrado na nossa experiência, seja o mais admirável dos homens,
u'a mãe, um mestre, um ministro, pode ser melhorado.
Mas aqui está um - Jesus de Nazaré - ao qual
ninguém poderá adicionar qualquer coisa a Ele no sentido de melhorar
a Sua vida, a Sua mente, a Sua Ética, a Sua filosofia. Confúcio, Sócrates,
Shakespeare, ou Lincoln poderiam ser melhorados, não Jesus. Ele
objetiva e personifica todas as normas e ideais do nosso ser mais íntimo.
Ele é o ideal dos ideais. Nele não há mancha, ou falha, ou defeito,
ou fraqueza.
Em Jesus Cristo temos um Ser a quem os nossos
corações e nossas mentes e nossa vontade podem dizer: "Venha o
teu reino. Seja feita a tua vontade".
Jesus veio primordialmente como Salvador. João
Batista O apresentava ao exclamar: - Eis o Cordeiro de Deus que tira o
pecado do mundo". Ele era um Mestre sem igual. Era um filósofo
profundo. Foi o maior dos homens. Foi o ideal perfeito. Mas, além e
acima de tudo isto, Ele foi o Redentor. Veio para "salvar o Seu
povo dos pecados deles" (Mateus 1:4) Veio para "buscar e
salvar o que se havia perdido". (Lucas 19:10)
O evento mais significativo da história do
homem deu-se ao cume de um monte, sendo desempenhado por uma única
Figura solitária, cuja silhueta se destacava contra o céu
enegrecido, ao ser Ele dependurado entre dois ladrões numa cruz
toscamente talhada. Sozinho, travava Ele a maior batalha de todas as
eras. Uma multidão sedenta de sangue clamara pelo Seu sangue na sala
de julgamentos de Pilatos. Ecoava o seu clamor e repetia-se: - Seja
crucificado...Caia sobre nós o Seus sangue, e sobre nossos
filhos" (Mateus 27:22,25).
Pilatos evadiu-se à responsabilidade. Temia a
população. Lavou as mãos, mas não ficou lavado de Sua culpa.
Tomaram Jesus e colocaram uma pesada cruz sobres
Seus ombros, puseram uma cruel coroa de espinhos sobre Sua santa
fronte, enquanto o sangue vertia dos poros, e descia pela Sua face
sagrada. Com as pontas das lanças O agulhoaram,
fazendo-O
subir até o cume do Gólgota. Enfraquecido e cansado, oprimido e
torturado, como que se arrastou, penosamente, até o topo! Ali O
colocaram sobre a cruz, transpassaram com cravos Suas mãos e pés,
puseram-na de pé num buraco, e a fizeram penetrar nele, enquanto
Jesus pendia de um lado para outro ali, em agonia excruciante e com
dores insuportáveis. Ao pé da cruz uma multidão uivante vaiava e
zombava, gritando: - "Salva-te a ti mesmo, se és Filho de Deus!
E desça da cruz!...Salvou os outros, a si mesmo não pode
salvar-se!" (Mateus 27:40-42). Mas Jesus tinha coisa mais
importante a fazer naquela hora, do que salvar-se. Ele estava nos
salvando.
Que quadro! Tão terrível, e contudo tão
sublime! Tão horrível, e contudo tão grandioso! Tão doloroso, e
contudo tão fecundo! Finalmente, Jesus exclamou: - "Está
consumado!"; e quando o fez , "Eis que o véu do santuário
se rasgou em duas
partes, de alto a baixo" (Mateus 27:51)
Estava completada a nossa salvação. O santo dos santos estava aberto
de par em par para toda alma penitente. Iniciara-se uma nova era, um
novo dia amanhecera. O homem estava reconciliado com Deus, e seus
pecados estavam perdoados. O débito e o castigo do pecado tinham sido
pagos na íntegra - sim, era o momento supremo, mais luminoso, de toda
história humana.
Ele
está vivo. Ele está ao teu alcance. Ele pode falar à tua alma
atribulada. Ele pode quebrar os laços do pecado em tua vida. Ele é o
Salvador. Permite que Ele te salve. Esta é a mais gloriosa verdade já
revelada em qualquer corte da terra. Jesus tem socorrido milhões. Ele
pode socorrer-te.
A cruz de Cristo faz alguma coisa por ti. A cruz
atrai atenção, convida à compreensão, seduz as emoções, e
desafia a vontade. A melhor parte de cada um de nós é estimulada por
Sua presença. A cruz exerce uma atração, um magnetismo - uma influência
sobre nós. Algum espírito inexplicável toma conta de nossa alma.
Ficamos transfixos em Sua presença. Somos confrontados com a pureza,
a bondade e a verdade. A melhor parte de nós mesmos se abala. Nossa
natureza mais elevada, melhor, quer tomar dela e aceitar o seu Cristo
como Salvador.
O hino mais universalmente popular do século XX
incorpora de modo pertinente esta verdades, nas palavras de George
Bennard:
Rude cruz se erigiu, dela o dia fugiu,
Como emblema de afronta e dor;
Mas eu amo essa cruz, porque, nela, Jesus,
Deu a vida por mim, pecador.
Sim, eu sempre amarei essa cruz!
Seu triunfo meu gozo será,
Pois um dia, em lugar de uma cruz,
A coroa Jesus me dará!
(Hinos e Cânticos, 638)
Nós,
desta geração, testemunhamos duas guerras mundiais, e enfrentamos a
possibilidade de uma terceira. Jesus ainda se eleva sobre os destroços
e as ruínas do tempo, e Sua figura se destaca contra o negro céu
ameaçador, dizendo: "Ainda estou aqui, à vossa disposição.
Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos
aliviarei...e achareis descanso para as vossas almas" (Mateus
11:28-29).
Ele é a personalidade milagre. Porque Ele o é,
pode transformar-te, e a todos os que hão de vir, e assim transformar
a sociedade.
Nossa necessidade é pessoal. Não precisamos de
melhores negócios, mas de melhores negociantes; não de melhores
transações bancárias, mas de melhores banqueiros; não de melhor
agriculta, mas de melhores fazendeiros; não de melhores leis, nem de
medicina melhor, nem de melhor jurisprudência, mas de melhores
advogados, médicos e juizes.
Cristo é a resposta. Ele é a nossa única
esperança. O anjo que anunciou Sua vinda a um grupo de pastores
amedrontados, trouxe ao mundo o seu mais glorioso anúncio:
"Não temais: eis que vos trago boa nova de
grande alegria...é que hoje vos nasceu o Salvador, que é Cristo o
Senhor" (Lucas 2:10,11).
Nesta
hora O adoramos.
Amada Personalidade.
Amante dos Pobres.
Médico dos Enfermos.
Mestre sem Par.
Filósofo Incomparável.
Ideal dos Ideais.
Mas, além de tudo isto, - glorioso Salvador.
Amém.

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