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Padre
Sandro: Santidade hoje, um caminho possível a todos
02.11.2007
- “Deus nos escolheu em Cristo antes de criar o mundo para que
sejamos santos e sem defeito diante dele, no amor” (Ef 1,4)
Na liturgia da missa, afirmamos convictamente: “Só vós [Senhor]
sois o santo!” Não há outro nome pelo qual devamos ser salvos, além
do Senhor Jesus! Mas o Senhor em sua inesgotável misericórdia
santifica os seus eleitos. Ele nos escolheu desde toda eternidade para
sermos santos e irrepreensíveis aos seus olhos.
Por ocasião da Festa de Todos os Santos (1º de novembro), fui
instigado a escrever sobre a santidade dos Santos – aquela “grande
multidão que ninguém podia contar de todas as raças, tribos, povos
e línguas... todos marcados na fronte, revestidos de vestes brancas,
lavadas no sangue do Cordeiro” (cf. Ap 7,3-9) – bem como sobre a
nossa santidade (que, diga-se, é a mesma e única).
Os santos são nossos “amigos e modelos”. Heróis da fé que não
viveram na mediocridade, mas na intimidade com Deus. Exemplos que nos
estimulam e encorajam no seguimento de Jesus, divino mestre, e na vivência
da fé de modo a que tudo quanto fizermos seja conforme (ou pelo menos
o mais próximo da) vontade de Deus.
Os papas João Paulo II e Bento XVI insistem na necessidade de
colocarmos a santidade como meta da vida (esta “medida alta” da
vida cristã). Partindo de Cristo, o horizonte de nossa existência
cristã deve ser a santidade. Mas, você poderia então dizer que é tão
difícil ser santo e não sabe o que fazer.
A santidade se forja no quotidiano. Ela não é privilégio de alguns,
mas convite e desafio para todos. “Para a grande maioria dos homens,
ser santo significa santificar o trabalho, santificar-se no seu
trabalho e santificar os outros com seu trabalho, e assim encontrar a
Deus no caminho da vida” (S. Josemaría Escrivá).
A santidade é, pois, um dom de Deus que implica um dever nosso. Ele
nos ama, nos chama e nos capacita. Devemos corresponder vivendo
diariamente “como convém aos santos” (Ef 5,3) e, “como
escolhidos de Deus, santos e amados” nos revestirmos “de
sentimentos de carinhosa compaixão, bondade, humildade, mansidão,
longanimidade” (cf. Cl 3,12), dando assim os frutos do Espírito
para a santificação nossa e daqueles que nos circundam (cf. Gl 5,22;
Rm 6,22).
A medida da santidade é a vivência do amor. “A caridade não
procura seu próprio interesse” (1 Cor 13,5). Convém produzir
frutos onde Deus nos plantou – na família, na fábrica, na Igreja,
na roça, no fogão/ no tanque ou na cozinha, no comércio, na escola,
na política etc – até chegarmos à maturidade em Cristo! O menor
de nossos atos praticados na caridade irradia em benefício de todos.
Cristo é o sol (Santo por excelência!). Maria a lua. Os santos são
estrelas. Ao contemplar o céu estrelado, tomemos consciência da
multidão incontável de amigos que nos esperam no céu. Ser santo e
viver na intimidade com Deus, resplandecendo na própria vida os
sinais da Graça. Ou, como bem canta o padre Zezinho, “amar como
Jesus amou, viver como Jesus viveu, sorrir como Jesus sorria, sonhar
como Jesus sonhou”.
Deus não nos fez alados, isto é, com asas. Ao céu chegamos com pés
no chão e o coração sintonizado em Deus e nos irmãos. Conquistamos
o céu diariamente com as coisas que temos nas mãos entre as pessoas
que Deus colocou ao nosso lado.
A santidade hoje é um caminho possível para todos. Deus é original
na criação e nos seus santos. Ele não se repete ao santificar cada
homem. Os caminhos para alcançar tamanha graça são variados e
apropriados à vocação de cada um. Em tudo quanto fizermos no
dia-a-dia façamo-lo para a maior glória de Deus. Se ousamos rezar no
Pai-Nosso para que a vontade d’Ele seja feita em nossa vida, devemos
no comprometer com esta mesma vontade: “a nossa santificação”
(1Ts 4,3; Ef 1,4).
Entre a mediocridade e a heroicidade, os santos optaram pela segunda.
E nós? Santos ou nada? Ou melhor, santos ou medíocres? Fiéis ao
Cristo no mundo? Fiéis ao mundo sem Cristo?
Pela vida, sempre!
Enviado pelo Padre Sandro Rogério dos Santos
Adm. Paroquial de Caiuá e de Piquerobi SP
Fonte: Portal Anjo
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