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Felicidade...
onde estás?
03.05.2007
- Santo
Agostinho, depois de uma longa, cansativa e inútil procura pela
felicidade nos prazeres e vaidades do mundo, descobriu que ela não se
encontrava ali. E compreendendo que toda a felicidade que vivemos aqui
na terra é um reflexo, muito fosco, daquela que viveremos na Pátria
Celeste com Deus, escreve na primeira página de suas
“Confissões”: “Fizestes-nos para Vós, e nosso coração está
inquieto enquanto não descanse em Vós”.
Contemplando o salmista que clamava: "As tuas ordens são a minha
herança para sempre, porque elas alegram o meu coração" (Salmo
118 v. 111), Santo Agostinho comenta o tema da felicidade que brota do
cumprimento da Lei do Senhor: "Este longuíssimo Salmo
convida-nos desde o início à felicidade que, como sabemos, está
presente na esperança de cada homem. De fato, poderá existir alguém
que não deseje ser feliz?” Qual é o motivo desse desejo? “Não
será talvez porque, mesmo se todos aspiram à felicidade, é, contudo
desconhecido a muitos o modo como alcançá-la? Sim, é precisamente
este o ensinamento daquele que exclama: Felizes os íntegros nos
seus caminhos, os que andam na lei do Senhor. (Salmo 118 v.1)” (cfr.
Papa João Paulo II - Audiência: Quarta-Feira 21 de Julho de 2004).
Sei o que desejas; sei que procuras a felicidade; pois bem, se queres
ser feliz, mantenha-te limpo de qualquer mancha. Não te deixes
“atemorizar em nada pelos adversários” - recorda-nos S. Paulo.
Não te deixes atemorizar por aqueles que indicam no pecado o caminho
que conduz à felicidade, pois è a sua destruição. Ao contrário,
empenha-te nas boas obras. Pratica a caridade para com o teu próximo
e recorda-te das palavras de Cristo: “... cada vez que fizeste isto
a um desses meus irmãos, é a mim que o fizeste” (Mt. 25, 45) ou
ainda: “ terás uma grande recompensa nos céus” (Lc. 6, 23).
Então, qual é o caminho da felicidade? O caminho da felicidade é o
caminho do amor, pois o homem nasceu do amor que é Deus. O amor e a
felicidade fazem parte da natureza do homem.
Retornando ao salmista que calma: “Felizes os íntegros nos seus
caminhos, os que andam na lei do Senhor” podemos contemplar o homem
coerente e virtuoso que busca, segundo o seu reto juízo, aquilo que
lhe faz feliz, aquilo que lhe da uma satisfação pessoal. E somente
Deus pode preencher totalmente a sede de felicidade que ele sente.
Essa felicidade encontrar-se-á no cumprimento das leis do Senhor, ou
seja, na fidelidade, como nos recorda o salmo precedente. “… Ele
deseja a vossa felicidade, mas quer que saibas conjugar sempre a
fidelidade com a felicidade, pois não pode haver uma sem a outra.”
(cfr. Visita Pastoral de João Paulo II ao Rio de Janeiro 2-6 de
outubro de 1997).
É muito natural que o homem sinta em seu interior esta sede pela
felicidade que somente Deus pode saciar. E uma vez experimentada essa
felicidade interior, que procede da intima relação da criatura com o
seu Criador, o homem sente o desejo de comunicá-la aos demais. “Há
mais felicidade em dar que em receber!” (Act 20, 35).
Se, pois, o homem deseja encontrar satisfação para a sede de
felicidade que lhe abrasa o coração, é para Cristo que deve
orientar os seus passos. Cristo não está longe dele. Nossa vida aqui
na terra é, na realidade, um contínuo suceder-se de encontros com
Cristo: com Cristo presente na Sagrada Escritura, como Palavra de
Deus; com Cristo presente nos seus ministros, como Mestre, Sacerdote e
Pastor; com Cristo presente no próximo, especialmente nos pobres, nos
enfermos, nos marginalizados, que constituem os seus membros
sofredores; com Cristo presente nos Sacramentos, que são os canais de
sua ação salvadora; com Cristo hóspede silencioso dos nossos
corações, onde habita comunicando sua vida divina. (cfr. Homilia do
Santo Padre João Paulo II - Viagem Apostólica ao Brasil - Fortaleza,
9 de Julho de 1980)
Fonte:
Canção Nova
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