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Papa
questiona teoria da evolução de Charles Darwin
11.04.2007
- O Papa Bento XVI afirmou que a teoria da evolução de Charles
Darwin não pode ser provada completamente porque as mutações ao
longo de centenas de milhares de anos não podem ser reproduzidas em
laboratório.
O britânico Charles Darwin (1809-1882) foi um dos primeiros biólogos
a debater a evolução das espécies na Terra. Ele criou a teoria da
evolução, também denominada de evolucionismo, na qual afirma que as
espécies animais e vegetais do planeta não são imutáveis.
Esta foi a primeira vez, desde que assumiu o cargo de Sumo Pontífice,
em 19 de abril de 2005, que ele elaborou suas visões sobre a evolução.
O Papa elogiou o progresso científico e não endossou as visões
daquilo que ele chamou de "design inteligente" sobre a
origem da vida. As declarações foram publicadas nesta quarta-feira
(11) na Alemanha, no livro "Schoepfung und Evolution"
(“Criação e Evolução”).
O "design inteligente" argumenta que algumas formas de vida
são complexas demais para terem evoluído ao acaso, como Darwin propôs
em seu livro de 1859 "A Origem das Espécies". A teoria
afirma que uma inteligência maior deve ter feito isso, mas não a
menciona como Deus.
"O processo em si é racional, apesar dos erros e da confusão
quando passa por um corredor estreito, escolhendo algumas poucas mutações
positivas e usando baixa probabilidade", diz Bento XVI.
"Isso... inevitavelmente leva à questão que vai além da ciência...
de onde vem esta racionalidade?", pergunta. Em resposta à própria
questão, ele afirma que vem da "razão de criação" de
Deus.
No livro, Bento XVI defende o que ficou conhecido como "evolução
teísta", a visão das igrejas Católica Romana, Ortodoxa e
Protestante de que Deus criou a vida através da evolução e que
religião e ciência não precisam confrontar-se por isso.
Ele argumenta que a evolução tem uma racionalidade que a teoria de
seleção puramente aleatória não consegue explicar.
Estes argumentos, propostos principalmente por protestantes
conservadores e derivados de cientistas, provocam batalhas sobre o
ensino da evolução nos Estados Unidos. Alguns cristãos europeus e
turcos muçulmanos reproduziram recentemente estas visões.
"A ciência abriu grandes dimensões da razão...e por isso nos
trouxe novas percepções", disse o Papa, ex-professor de
teologia, em um seminário fechado com seus antigos estudantes de
doutorado em setembro, documentado pelo livro.
"Mas na alegria com a amplitude de suas descobertas, tende a nos
afastar das dimensões da causa que ainda precisamos. Seus resultados
levam a questões que vão além de suas regras de método e não
podem ser respondidas dentro dele", disse.
"O tema está retomando uma dimensão de causa que
perdemos", afirmou, acrescentando que o debate da evolução
trata na verdade "das grandes questões fundamentais da filosofia
- de onde vieram o homem e o mundo e para onde estão indo."
Fonte: Globo.com
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