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União
Soviética orquestrou atentado contra papa, diz ex-assessor
22.01.2007
- ROMA - O principal assessor do papa João Paulo 2o, morto em 2005,
está convencido de que a ex-União Soviética foi a responsável pela
tentativa de assassinato do pontífice em 1981 porque o líder
religioso representava uma ameaça àquele país.
A declaração consta das memórias do ex-assessor, o cardeal
Stanislaw Dziwisz, secretário pessoal do papa durante quase quatro décadas.
No livro intitulado "A Life with Karol" (uma vida com Karol)
e que deve ser lançado na quarta-feira pela editora italiana Rizzoli,
Dziwisz descreve como foi sua vida ao lado do ex-cardeal Karol Wojtyla,
eleito mais tarde líder da Igreja Católica com o nome de João Paulo
2o.
O assessor, hoje arcebispo de Cracóvia, também descreve como o papa
passou quase todo o 11 de setembro de 2001 rezando em sua capela
particular e assistindo às notícias sobre os ataques daquele dia na
TV.
Em um capítulo do livro, que deve sair na Polônia na próxima
semana, Dziwisz recorda o 13 de maio de 1981, dia em que o turco
Mehmet Ali Agca atirou contra o pontífice quando este percorria a praça
de São Pedro a bordo de um carro aberto, no início da audiência
geral realizada semanalmente.
"Agca era um assassino perfeito", escreve Dziwisz, que
estava no veículo ao lado de João Paulo 2o no momento do atentado.
"Ele foi enviado pelos que acreditavam que o papa era perigoso,
inconveniente, pelos que o temiam."
O governo russo negou várias vezes ter participado da tentativa de
assassinato.
Na época do ataque, os fatos que se desenrolavam na Polônia, onde
nasceu João Paulo 2o, deflagravam um efeito dominó que terminaria
por levar à queda do comunismo no Leste Europeu, em 1989.
O pontífice foi um aliado fiel do sindicato polonês Solidariedade e,
segundo a maior parte dos historiadores, teve um papel fundamental nos
eventos que acabaram provocando a queda do Muro de Berlim.
"Como alguém não teria pensado no mundo comunista (como estando
por trás da tentativa de assassinato)? É preciso levar em conta
todos os elementos daquele cenário: a eleição de um papa odiado
pelo Kremlin, sua primeira viagem de volta à Polônia (como pontífice,
em 1979), o fortalecimento do sindicato Solidariedade (em 1980)",
escreve Dziwisz.
"Tudo não aponta nessa direção? Todos os caminhos, mesmo que
diferentes, não levam à KGB?"
No ano passado, uma comissão parlamentar de inquérito da Itália
disse que líderes da ex-União Soviética eram os responsáveis pelo
plano e que Agca, um turco que hoje cumpre pena de prisão perpétua
em seu país natal, não agiu sozinho.
Dziwisz também descreve como os médicos que operaram o papa estavam
convencidos de que ele não resistiria.
No livro, o ex-secretário de João Paulo 2o conta ainda como o líder
da Igreja Católica sofreu quando terroristas lançaram os ataques de
11 de setembro de 2001 contra os EUA.
"O Santo Padre estava em Castelgandolfo (a residência de verão
do pontífice). O telefone tocou. Ouvimos a voz comovida de Sodano
(cardeal Angelo Sodano, secretário de Estado do Vaticano). Ligamos a
TV e assistimos àquelas cenas dramáticas, ao colapso das duas torres
com tantas vítimas presas dentro", escreve Dziwisz.
"Ele (o papa) passou o resto do dia entre a capela e a TV,
arrastando todo o sofrimento atrás de si."
Dziwisz também narra como João Paulo 2o fracassou em seus esforços
para evitar a guerra no Iraque com o envio de representantes para
conversar com o presidente dos EUA, George W. Bush, e o então
presidente do Iraque, Saddam Hussein.
Em um dos capítulos, o ex-secretário lembra-se dos momentos finais
do papa, no dia 2 de abril de 2005, depois de uma batalha de dez anos
contra o mal de Parkinson.
"Eram 21h27. Percebemos quando o Santo Padre parou de respirar.
(...) algumas pessoas pararam os ponteiros de seus relógios naquele
horário."
Fonte: UOL notícias
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