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Papa
pode autorizar retorno das missas em latim
11.10.2006
- O papa Bento 16, em uma tentativa de sanar uma das desavenças que
dividem a cristandade, elabora um documento para atrair os católicos
tradicionalistas de volta à Santa Sé, permitindo a celebração de
missas em latim, disseram autoridades do Vaticano na quarta-feira.
O latim deixou de ser usado após o Concílio Vaticano Segundo
(1962-1965) ter ordenado que as missas passassem a ser celebradas,
gradualmente, nas línguas modernas. Essa e outras mudanças aprovadas
por aquele Concílio, tais como a abertura de um diálogo com outras
religiões, não foram aceitas por muitos tradicionalistas.
Integrantes do Vaticano disseram que o novo documento deve,
provavelmente, ser editado na forma de "motu proprio", um
decreto elaborado por determinação pessoal do papa. Esse documento
seria uma tentativa de abrir as portas ao reingresso dos
tradicionalistas na Igreja Católica, permitindo a celebração das
missas em latim.
O documento seria um "indulto", uma permissão especial
concedida pela Santa Sé para que uma pessoa ou um grupo ignore alguma
regra da Igreja em circunstâncias especiais.
O papa João Paulo 2o, morto em 2005, permitiu aos tradicionalistas
que celebrassem, com autorização de bispos de cada diocese, missas
em latim. Mas muitos dos bispos mostraram-se relutantes em conceder
tal tipo de autorização argumentando que a medida causaria confusão
entre os fiéis acostumados a ouvir a missa em sua língua nativa.
CISMA
O maior grupo católico tradicionalista é a Sociedade do Santo Pio (SSPX),
fundada pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, morto em 1991. A SSPX,
com sede na Suíça, afirma ter 1 milhão de seguidores, um montante
relativamente pequeno se comparado aos 1,1 bilhão de católicos do
mundo todo.
João Paulo 2o sancionou, em 1998, a excomunhão de líderes
tradicionalistas quando Lefebvre ignorou os avisos dele e ordenou
quatro bispos sem uma autorização papal. A medida deu ensejo ao
primeiro cisma na Igreja Católica dos tempos modernos.
Desde sua eleição do ano passado, o papa Bento 16 tenta atrair de
volta a SSPX, na qual vê uma guardiã do verdadeiro catolicismo.
O pontífice retomou o diálogo direto com o grupo ao realizar um
encontro inesperado com o bispo Bernard Fellay, que assumiu a
liderança da sociedade depois da morte de Lefebvre.
Os tradicionalistas afastados da Santa Sé exigiram o cancelamento da
excomunhão como condição prévia para a realização de um diálogo
capaz de sanar o cisma.
No mês passado, Bento 16 permitiu a criação de um novo instituto
religioso para um pequeno número de padres franceses e os seguidores
deles que são ex-integrantes da SSPX.
Em troca, os membros do novo instituto e os católicos que os seguem
reconheceram, na prática, a autoridade do Vaticano e do papa.
No ano passado, um importante membro da SSPX provocou uma polêmica ao
pedir a Bento 16 que conclamasse os judeus e os seguidores de outras
religiões que se convertessem ao catolicismo, abandonando seus
"sistemas falsos", uma exigência contrária à postura de
tolerância adotada pelo Concílio Vaticano Segundo.
Apesar de concordar com as reformas impostas por aquele Concílio,
Bento 16 agradou muitos católicos ao sublinhar que não se pode
permitir a diluição das crenças e da identidade desses fiéis em
nome do diálogo com outras religiões.
Fonte: Terra notícias
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