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“O Terceiro Segredo de Fátima”
Por
Dilson Kutscher, em 29.06.2006
Opinião sobre: “O Terceiro Segredo de Fátima”. Por Pe. Gerardus Rusak No dia 26 de junho do ano 2000, as autoridades do Vaticano finalmente revelaram a pedido do Santo Padre o Terceiro Segredo de Fátima. Agora nós podemos vê-lo! Todavia, ao mesmo tempo em que o revelaram, eles nos apresentaram uma interpretação bastante duvidosa no mesmo documento que tem como propósito apresentar o Segredo. Felizmente esses pobres manipuladores acabaram por deixar evidências suficientes para que pudéssemos descobrir sua falsa interpretação bem como o motivo de tal procedimento. Procuraremos agora dar uma breve examinada nesse documento, bem como no próprio texto do segredo.
O DOCUMENTO O Documento preparado pela Congregação para a Doutrina da Fé traz as assinaturas do (na época) Cardeal Joseph Ratzinger e do Arcebispo Tarcisio Bertone S.D.B., respectivamente prefeito e secretário da Congregação, mas curiosamente não traz assinatura do Santo Padre. Ao longo de 40 páginas é feita uma introdução pelo Arcebispo Bertone; a primeira e a segunda parte do “segredo” e uma tradução; a carta de João Paulo ll à Irmã Lucia, datada de 19 de abril do ano 2000; um sumário da conversa que houve entre Irmã Lucia e o Bispo Serafim de Souza Ferreira e Silva de Leiria-Fátima no Mosteiro Carmelita de Coimbra, Portugal; as palavras do Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Ângelo Sodano no final da cerimônia de beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco no dia 13 de maio, 2000, seguidos por um comentário teológico feito pelo Cardeal Ratzinger.
A FALSA INTERPRETAÇÃO O Documento Romano começa com uma declaração do Arcebispo Bertone, que dá a essência da falsa interpretação do segredo: “Depois dos acontecimentos dramáticos e cruéis do século XX, um dos mais tormentosos da história do homem, com o ponto culminante no cruento atentado ao << doce Cristo na terra >>, abre-se assim o véu sobre uma realidade que faz história...” Para os modernistas a mensagem de Fátima é algo que pertence ao passado. Bertone afirma de forma escancarada “ A decisão tomada pelo Santo Padre João Paulo ll de tornar pública a terceira parte do << segredo >> de Fátima encerra um pedaço de história, marcado por trágicas veleidades humanas de poder e de iniqüidade...”. Mais à frente, no mesmo documento o Cardeal Sodano dá respaldo, todavia de modo mais prudente, ao mesmo erro. Depois de falar “da “queda” do comunismo em 1986, ele declara:” Embora os acontecimentos a que faz referência a terceira parte do << segredo >> de Fátima pareçam pertencer já ao passado, o apelo à conversão e à penitência, manifestado por Nossa Senhora ao início do século vinte, conserva ainda hoje uma estimulante atualidade”. O Cardeal Ratzinger torna a citar o Cardeal Sodano em seu comentário teológico e endossa a mesma opinião. Esses hábeis manipuladores souberam muito bem como se auto protegerem em suas falsas interpretações. Para isso chegaram até mesmo a utilizar a seu favor a autoridade de uma entrevista com a Irmã Lúcia. Mas especialmente aqui eles acabaram por tropeçar ao revelar a partir da entrevista com a religiosa, o suficiente para desacreditar suas interpretações. Isso se dá justamente quando eles dizem que ela aprova tal interpretação. Afinal, o que a Irmã Lúcia teria dito realmente em sua entrevista ao Arcebispo Bertone no dia 27 de abril de 2000? Podemos apenas ficar no campo das conjecturas já que o documento nos dá pouquíssimas pistas através das raras citações a respeito. A maioria das frases diz simplesmente: “ A Irmã Lúcia concorda com a interpretação segundo a qual a terceira parte do << segredo >> consiste numa visão profética, comparável às da história sagrada... A Irmã Lúcia reafirma a sua convicção de que a visão de Fátima se refere sobretudo à luta do comunismo ateu contra a Igreja e os cristãos... “ Mas no restante, o que a Irmã Lúcia realmente disse é mantido “em segredo”. Por que será? Todavia, uma inocente frase pode revelar muita coisa. Ao ser perguntada por que ela escreveu no envelope que o segredo só poderia ser aberto depois de 1960, Irmã Lúcia responde: “ Não foi Nossa Senhora; fui eu que meti a data de 1960 porque, segundo intuição minha, antes de 1960 não se perceberia, compreender-se-ia somente depois. Agora pode-se compreender melhor. Eu escrevi o que vi; não compete a mim a interpretação, mas ao Papa “. Pois bem, aqui a Irmã Lúcia do alto de seus 93 anos de sabedoria passa a perna nos diplomatas do Vaticano que querem que ela aprove a interpretação que eles dão ao segredo. Na verdade, o segredo é mais do que claro e para qualquer um que está consciente da presente crise na Igreja, ele é fácil de ser interpretado. Eis aí o motivo para toda essa “manipulação” ou camuflagem. Irmã Lúcia deve ter percebido isso e encontrou um prudente modo de dizer a nós e aos fabricantes dessa falsa interpretação, que embora ela contenha alguns pontos de verdade, ela não traz aquilo que é o óbvio, ou seja: “ O Terceiro Segredo não é algo que diz respeito ao passado, mas sim ao presente e ao futuro”. Passemos então a considerar o texto do segredo em si. À primeira vista ele pode parecer desconcertante para alguns que tinham idéias pré-concebidas a seu respeito e pelo fato dele trazer uma visão profética e simbólica. Essa impressão diminui depois de uma segunda leitura. Vamos seguir a ordem do texto de Irmã Lúcia escrito no dia 3 de janeiro de 1944 em Tuy para o Bispo de Leira, Portugal. Ela começa a explicar o segredo: “Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar, despendia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contato do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro: O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência!”. O Cardeal Ratzinger (na época) declara em seu comentário: “O anjo com a espada de fogo à esquerda da Mãe de Deus lembra imagens análogas do Apocalipse: ele representa a ameaça do juízo que pende sobre o mundo. A possibilidade que este acabe reduzido a cinzas num mar de chamas, hoje já não aparece de forma alguma como pura fantasia: o próprio homem preparou, com suas invenções, a espada de fogo”. Tal declaração manifesta uma certa falta de fé da sua parte. Ele fala como se Deus não tivesse poder de reduzir o mundo em cinzas sem o uso de bombas atômicas! Certamente é verdade que esse segredo poderia ser melhor compreendido por volta de 1960 quando mais do que nunca era necessário oração e penitência já que pairava sobre o mundo o perigo de uma guerra nuclear. Já bem antes de 1960, por algum tempo o homem já tinha começado a mudar seu estilo de vida, tentando fazer desse mundo seu próprio paraíso, idolatrando as criaturas e o conforto ao invés de adorar e servir seu Criador e atraindo sobre si a ira de Deus. Não temos dúvidas que a intercessão e intervenção de Nossa Senhora pelo mundo conseguiu atenuar esses castigos. Basta darmos uma olhada no panorama mundial por volta dos anos 60. João XXlll estava errado quando disse que o Segredo não dizia respeito ao seu pontificiado. Claro que também dizia!. “E vimos numa luz imensa que é Deus: algo semelhante a como se vêem as pessoas num espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de Branco “tivemos o presen- timento de que era o Santo Padre”. Com o “novo advento” do Concílio Vaticano ll, a Igreja entrou num mundo distorcido a partir da década de 60. Num espelho, as imagens são o reverso da realidade. O próprio Santo Padre não é facilmente identificável na medida em que ele abre as janelas da Igreja para o ar poluído do mundo. “Tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”, mas a linhagem dos Papas a partir de João XXlll parece já não se identificar mais com a linhagem dos Papas do passado. Não resta dúvida de que o fato dos próprios videntes “não terem bem certeza de que se tratava ou não do Santo Padre”, mostra que o Terceiro Segredo está centrado nesses Papas e em suas vacilações em questões de Fé. Isso explica porque Irmã Lúcia teve grande dificuldade em transcrever a visão para o papel e os papas modernos em revelá-la. “Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fora de sobreiro com a casca;” Seria um mero acaso o fato de o texto apresentar uma estranha pontuação fazendo com que a parte que fala em “Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas” venha primeiro, (ao contrário da afirmação do Cardeal Ratzinger) precedendo o Santo Padre na subida da montanha? No topo da montanha está uma Cruz. Seria esse o símbolo do Santo Sacrifício da Missa? Tudo leva a crer que sim, já que a Cruz simboliza o Sacrifício Supremo e o Sacrifício Supremo da Igreja é a Santa Missa. A Cruz da montanha é sem dúvida símbolo de grande tributação, da verdadeira vida cristã e seu ensinamento. Curioso é que embora as crianças de Fátima não consigam reconhecer direito o Santo Padre, elas conseguem reconhecer os bispos, padres e religiosos. Provavelmente porque na visão do segredo, eles aparecem em seus hábitos eclesiásticos. Isso com certeza excluem muitos sacerdotes e religiosos modernistas pós-Vaticano ll dessa procissão de subida da montanha, já que até para qualquer pessoa da atualidade eles se tornaram irreconhecíveis: vestem-se e comportam-se como qualquer mundano. “...o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trêmulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho...” Esses são os pontos-chave para a compreensão do segredo e da Igreja hoje. Mas aqui o Cardeal Ratzinger prefere dizer: “ O que conta é a visão como um todo, e a partir do conjunto das imagens é que se devem compreender os detalhes”. De fato, ele explica essa passagem de um modo poético e desliza sobre ela muito rapidamente: ”A montanha e a cidade simbolizam o lugar da história humana: a história como árdua subida para o alto, a história como lugar de criatividade e convivência humana e simultaneamente de destruições pelas quais o homem aniquila a obra do seu próprio trabalho”. Na realidade, a “grande cidade meia em ruínas” a qual o Papa atravessa antes de chegar ao cimo da montanha nada mais é que a própria Igreja depois da revolução modernista. O Papa “meio trêmulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena”, nos indica uma série de Papas liberais, vacilantes, temerosos do que o mundo possa dizer. Sua dor e pena, bem como as orações “pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho”; marcam o início de seu retorno à Cruz e à verdadeira Fé. “...tendo chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas...” A interpretação do Documento Romano falha em ver que isso está muito longe de ser a tentativa de assassinato do Papa João Paulo ll. Observem bem que é especialmente quando o Papa se prostra de joelhos diante da Cruz que ele é perseguido e morto tanto fisicamente (balas-arma material do homem moderno) como subjetivamente através do ultraje público e oposição contra seus ensinamentos ( flechas- idéias, símbolo das antigas armas). Sempre que o Papado nesses tempos modernos tenta fazer qualquer coisa de verdadeiramente Católico ele será obstacularizado e neutralizado. O grupo de soldados e o material tosco com o qual é feita a Cruz também não são sem significado. Soldados, especialmente em grupos, são agentes de alguma autoridade organizada e isso nos traz a idéia de uma perseguição bem organizada e bem orquestrada. O Papa diante da cruz tosca de madeira e não diante de algum belo crucifixo em alguma bonita Igreja. Será que isso significa que os Católicos, inclusive o Papa serão expulsos de suas Igrejas e que terão que esconder-se nas catacumbas para sobreviverem? Parece-nos que essa parte do segredo diz mais respeito ao futuro do que ao passado ou presente. “...e assim mesmo foram morrendo uns atrás dos outros, os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de varias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de Cristal em cada mão, neles recolhiam o sangue dos Mártires e com ele regavam as almas que se aproximavam de Deus...” E então o sangue dos mártires (espirituais e físicos), que serão agradáveis a Deus, trarão finalmente o triunfo do Imaculado Coração de Maria. Muitos já derramaram o seu sangue nesse século XX. Muitos mais o derramarão no século XXl. “E no final”,: Nossa Senhora prometeu-nos: “ O Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo um tempo de paz”. O Documento do Vaticano afirma que essa Consagração foi cumprida no dia 25 de Março de 1984. Todavia a Consagração feita naquele dia em lugar nenhum faz menção à Rússia que está muito longe de ter se convertido. A Rússia de fato tem se tornado cada dia mais materialista, consumida por um novo tipo de materialismo vindo do Ocidente. Portanto confrontando a situação com as palavras de Nossa Senhora, vemos que a verdadeira Consagração não foi feita, apesar de todas as alegações em contrário. Se tivermos algum período de paz, essa será a “paz e segurança” do Anticristo predita por São Paulo na carta aos Tessalonicenses. Essa falsa paz é o cenário preparado para uma nova geração de mártires profetizada no Terceiro Segredo de Fátima. Terminando, agradecemos a Nossa Senhora e ao (saudoso) Papa João Paulo ll por terem tornado possível a revelação desse luminoso Terceiro Segredo. Vamos rezar agora para que o próprio Papa (Bento XVI) receba a graça de interpretá-lo. Padre Gerardus RusakOpi
Fonte: Portal Anjo
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