“O Terceiro Segredo de Fátima”

 

 

Por Dilson Kutscher, em 29.06.2006

Muito são os comentários sobre o terceiro segredo de Fátima, para mim resumidamente, o segredo fala claramente sobre uma crise de fé no mundo e principalmente dentro da Igreja. Os constantes ataques contra o cristianismo, tentando ironizar a própria divindade de Cristo, a vaidade e a soberba humana em tentar encontrar Deus cada um a sua maneira. Um mundo de vários deuses, onde a maioria tenta adaptar Deus conforme as suas necessidades, é um mundo condenado ao caos. O homem infelizmente rebelou-se contra Deus, assim como o diabo queria ser como Deus, o homem também quer. Falam num grande castigo, num terremoto que vai tragar cidades inteiras e por ai vai... Eu penso que se houver algum castigo, este poderá não vir unicamente de Deus, mas pelas mãos dos próprios homens, que estão cada dia mais malvados, egoístas, devassos, soberbos, orgulhosos, se preocupando mais com a sua vida de prazeres e conveniências, do que com seu próximo. Conforme anuncia a Sagrada Escritura em (2Tm 3, 1-7) serão amigos dos prazeres e não de Deus, ostentarão a aparência de piedade, mas desdenharão a realidade.

Qual seria este castigo que o próprio homem imporia a si mesmo? Poderia ser o terrível flagelo de uma guerra nuclear global. Neste caso toda a Terra seria afetada, realmente grandes explosões atômicas pedem gerar muitas instabilidades no planeta inteiro, talvez algum grande terremoto não esteja descartado. Porém, devemos ter muito cuidado com as especulações sobre catastrófes relacionadas ao terceiro segredo de Fátima. Para finalzar, a mensagem de Fátima nos alerta, no meu parecer, que o mundo se tornaria uma verdadeira Sodoma, onde o pecado já virou moda, conforme disse Nossa Senhora. em Fátima:“Virão modas que ofenderão muito a Deus... O Céu não tem modas, o mundo as tem todas...”


Um mundo que vive e respira o pecado como algo normal, é um mundo que não reconhece mais Deus como o Criador da Vida, o Centro de Tudo.

Se estão adorando a criatura e menosprezando o Criador, por acaso estão os homens tornando-se inimigos de Deus, conforme diz a Sagrada Escritura?

"São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade.
São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia.
Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera dignos de morte aqueles que fazem tais coisas, não somente as praticam, como também aplaudem os que as cometem". (Rm 1, 29-32)

A seguir uma matéria que me foi enviada sobre o Terceiro Segredo de Fátima, escrita pelo Padre Gerardus Rusak

 

Opinião sobre: “O Terceiro Segredo de Fátima”.

Por Pe. Gerardus Rusak

No dia 26 de junho do ano 2000, as autoridades do Vaticano finalmente revelaram a pedido do Santo Padre o Terceiro Segredo de Fátima. Agora nós podemos vê-lo! Todavia, ao mesmo tempo em que o revelaram, eles nos apresentaram uma interpretação bastante duvidosa no mesmo documento que tem como propósito apresentar o Segredo. Felizmente esses pobres manipuladores acabaram por deixar evidências suficientes para que pudéssemos descobrir sua falsa interpretação bem como o motivo de tal procedimento. Procuraremos agora dar uma breve examinada nesse documento, bem como no próprio texto do segredo.

 

O DOCUMENTO

O Documento preparado pela Congregação para a Doutrina da Fé traz as assinaturas do (na época) Cardeal Joseph Ratzinger e do Arcebispo Tarcisio Bertone S.D.B., respectivamente prefeito e secretário da Congregação, mas curiosamente não traz assinatura do Santo Padre. Ao longo de 40 páginas é feita uma introdução pelo Arcebispo Bertone; a primeira e a segunda parte do “segredo” e uma tradução; a carta de João Paulo ll à Irmã Lucia, datada de 19 de abril do ano 2000; um sumário da conversa que houve entre Irmã Lucia e o Bispo Serafim de Souza Ferreira e Silva de Leiria-Fátima no Mosteiro Carmelita de Coimbra, Portugal; as palavras do Secretário de Estado do Vaticano, Cardeal Ângelo Sodano no final da cerimônia de beatificação dos pastorinhos Jacinta e Francisco no dia 13 de maio, 2000, seguidos por um comentário teológico feito pelo Cardeal Ratzinger.

 

A FALSA INTERPRETAÇÃO

O Documento Romano começa com uma declaração do Arcebispo Bertone, que dá a essência da falsa interpretação do segredo: “Depois dos acontecimentos dramáticos e cruéis do século XX, um dos mais tormentosos da história do homem, com o ponto culminante no cruento atentado ao << doce Cristo na terra >>, abre-se assim o véu sobre uma realidade que faz história...” Para os modernistas a mensagem de Fátima é algo que pertence ao passado. Bertone afirma de forma escancarada “ A decisão tomada pelo Santo Padre João Paulo ll de tornar pública a terceira parte do << segredo >>  de Fátima encerra um pedaço de história, marcado por trágicas veleidades humanas de poder e de iniqüidade...”. Mais à frente, no mesmo documento o Cardeal Sodano dá respaldo, todavia de modo mais prudente, ao mesmo erro. Depois de falar “da “queda” do comunismo em 1986, ele declara:” Embora os acontecimentos a que faz referência a terceira parte do << segredo >> de Fátima pareçam pertencer já ao passado, o apelo à conversão e à penitência, manifestado por Nossa Senhora ao início do século vinte, conserva ainda hoje uma estimulante atualidade”. O Cardeal Ratzinger torna a citar o Cardeal Sodano em seu comentário teológico e endossa a mesma opinião.

Esses hábeis manipuladores souberam muito bem como se auto protegerem em suas falsas interpretações. Para isso chegaram até mesmo a utilizar a seu favor a autoridade de uma entrevista com a Irmã Lúcia. Mas especialmente aqui eles acabaram por tropeçar ao revelar a partir da entrevista com a religiosa, o suficiente para desacreditar suas interpretações. Isso se dá justamente quando eles dizem que ela aprova tal interpretação. Afinal, o que a Irmã Lúcia teria dito realmente em sua entrevista ao Arcebispo Bertone no dia 27 de abril de 2000? Podemos apenas ficar no campo das conjecturas já que o documento nos dá pouquíssimas pistas através das raras citações a respeito. A maioria das frases diz simplesmente: “ A Irmã Lúcia concorda com a interpretação segundo a qual a terceira parte do << segredo >> consiste numa visão profética, comparável às da história sagrada... A Irmã Lúcia reafirma a sua convicção de que a visão de Fátima se refere sobretudo à luta do comunismo ateu contra a Igreja e os cristãos... “ Mas no restante, o que a Irmã Lúcia realmente disse é mantido “em segredo”. Por que será?

Todavia, uma inocente frase pode revelar muita coisa. Ao ser perguntada por que ela escreveu no envelope que o segredo só poderia ser aberto depois de 1960, Irmã Lúcia responde: “ Não foi Nossa Senhora; fui eu que meti a data de 1960 porque, segundo intuição minha, antes de 1960 não se perceberia, compreender-se-ia somente depois. Agora pode-se compreender melhor. Eu escrevi o que vi; não compete a mim a interpretação, mas ao Papa “. Pois bem, aqui a Irmã Lúcia do alto de seus 93 anos de sabedoria passa a perna nos diplomatas do Vaticano que querem que ela aprove a interpretação que eles dão ao segredo. Na verdade, o segredo é mais do que claro e para qualquer um que está consciente da presente crise na Igreja, ele é fácil de ser interpretado. Eis aí o motivo para toda essa “manipulação” ou camuflagem. Irmã Lúcia deve ter percebido isso e encontrou um prudente modo de dizer a nós e aos fabricantes dessa falsa interpretação, que embora ela contenha alguns pontos de verdade, ela não traz aquilo que é o óbvio, ou seja: “ O Terceiro Segredo não é algo que diz respeito ao passado, mas sim ao presente e ao futuro”.

Passemos então a considerar o texto do segredo em si. À primeira vista ele pode parecer desconcertante para alguns que tinham idéias pré-concebidas a seu respeito e pelo fato dele trazer uma visão profética e simbólica. Essa impressão diminui depois de uma segunda leitura. Vamos seguir a ordem do texto de Irmã Lúcia escrito no dia 3 de janeiro de 1944 em Tuy para o Bispo de Leira, Portugal. Ela começa a explicar o segredo:

              “Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado

                  esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um

               Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao

               cintilar, despendia chamas que parecia iam incendiar

               o mundo; mas apagavam-se com o contato do brilho

               que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu

               encontro: O Anjo apontando com a mão direita para

               a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência,

               Penitência!”.

O Cardeal Ratzinger (na época) declara em seu comentário: “O anjo com a espada de fogo à esquerda da Mãe de Deus lembra imagens análogas do Apocalipse: ele representa a ameaça do juízo que pende sobre o mundo. A possibilidade que este acabe reduzido a cinzas num mar de chamas, hoje já não aparece de forma alguma como pura fantasia: o próprio homem preparou, com suas invenções, a espada de fogo”. Tal declaração manifesta uma certa falta de fé da sua parte. Ele fala como se Deus não tivesse poder de reduzir o mundo em cinzas sem o uso de bombas atômicas! Certamente é verdade que esse segredo poderia ser melhor compreendido por volta de 1960 quando mais do que nunca era necessário oração e penitência já que pairava sobre o mundo o perigo de uma guerra nuclear. Já bem antes de 1960, por algum tempo o homem já tinha começado a mudar seu estilo de vida, tentando fazer desse mundo seu próprio paraíso, idolatrando as criaturas e o conforto ao invés de adorar e servir seu Criador e atraindo sobre si a ira de Deus. Não temos dúvidas que a intercessão e intervenção de Nossa Senhora pelo mundo conseguiu atenuar esses castigos. Basta darmos uma olhada no panorama mundial por volta dos anos 60. João XXlll estava errado quando disse que o Segredo não dizia respeito ao seu pontificiado. Claro que também dizia!.

                      “E vimos numa luz imensa que é Deus: algo

                     semelhante a como se vêem as pessoas num

                      espelho quando lhe passam por diante” um

                      Bispo vestido de Branco  “tivemos o presen-

                      timento de que era o Santo Padre”.

Com o “novo advento” do Concílio Vaticano ll, a Igreja entrou num mundo distorcido a partir da década de 60. Num espelho, as imagens são o reverso da realidade. O próprio Santo Padre não é facilmente identificável na medida em que ele abre as janelas da Igreja para o ar poluído do mundo. “Tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”, mas a linhagem dos Papas a partir de João XXlll parece já não se identificar mais com a linhagem dos Papas do passado. Não resta dúvida de que o fato dos próprios videntes “não terem bem certeza de que se tratava ou não do Santo Padre”, mostra que o Terceiro Segredo está centrado nesses Papas e em suas vacilações em questões de Fé. Isso explica porque Irmã Lúcia teve grande dificuldade em transcrever a visão para o papel e os papas modernos em revelá-la.    

                “Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e

               religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo

               da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos

               como se fora de sobreiro com a casca;”

Seria um mero acaso o fato de o texto apresentar uma estranha pontuação fazendo com que a parte que fala em “Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas”  venha primeiro, (ao contrário da afirmação do Cardeal Ratzinger) precedendo o Santo Padre na subida da montanha? No topo da montanha está uma Cruz. Seria esse o símbolo do Santo Sacrifício da Missa? Tudo leva a crer que sim, já que a Cruz simboliza o Sacrifício Supremo e o Sacrifício Supremo da Igreja é a Santa Missa. A Cruz da montanha é sem dúvida símbolo de grande tributação, da verdadeira vida cristã e seu ensinamento. Curioso é que embora as crianças de Fátima não consigam reconhecer direito o Santo Padre, elas conseguem reconhecer os bispos, padres e religiosos. Provavelmente porque na visão do segredo, eles aparecem em seus hábitos eclesiásticos. Isso com certeza excluem muitos sacerdotes e religiosos modernistas pós-Vaticano ll dessa procissão de subida da montanha, já que até para qualquer pessoa da atualidade eles se tornaram irreconhecíveis: vestem-se e comportam-se como qualquer mundano.

              “...o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma

              grande cidade meia em ruínas, e meio trêmulo com

              andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia

              orando pelas almas dos cadáveres que encontrava

              pelo caminho...”

Esses são os pontos-chave para a compreensão do segredo e da Igreja hoje. Mas aqui o Cardeal Ratzinger prefere dizer: “ O que conta é a visão como um todo, e a partir do conjunto das imagens é que se devem compreender os detalhes”. De fato, ele explica essa passagem de um modo poético e desliza sobre ela muito rapidamente: ”A montanha e a cidade simbolizam o lugar da história humana: a história como árdua subida para o alto, a história como lugar de criatividade e convivência humana e simultaneamente de destruições pelas quais o homem aniquila a obra do seu próprio trabalho”.

Na realidade, a “grande cidade meia em ruínas” a qual o Papa atravessa antes de chegar ao cimo da montanha nada mais é que a própria Igreja depois da revolução modernista. O Papa “meio trêmulo com andar vacilante, acabrunhado de dor e pena”, nos indica uma série de Papas liberais, vacilantes, temerosos do que o mundo possa dizer. Sua dor e pena, bem como as orações “pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho”; marcam o início de seu retorno à Cruz e à verdadeira Fé.

               “...tendo chegado ao cimo do monte, prostrado de

               joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um

               grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros

               e setas...”

A interpretação do Documento Romano falha em ver que isso está muito longe de ser a tentativa de assassinato do Papa João Paulo ll. Observem bem que é especialmente quando o Papa se prostra de joelhos diante da Cruz que ele é perseguido e morto tanto fisicamente (balas-arma material do homem moderno) como subjetivamente através do ultraje público e oposição contra seus ensinamentos ( flechas- idéias, símbolo das antigas armas). Sempre que o Papado nesses tempos modernos tenta fazer qualquer coisa de verdadeiramente Católico ele será obstacularizado e neutralizado. O grupo de soldados e o material tosco com o qual é feita a Cruz também não são sem significado. Soldados, especialmente em grupos, são agentes de alguma autoridade organizada e isso nos traz a idéia de uma perseguição bem organizada e bem orquestrada. O Papa diante da cruz tosca de madeira e não diante de algum belo crucifixo em alguma bonita Igreja. Será que isso significa que os Católicos, inclusive o Papa serão expulsos de suas Igrejas e que terão que esconder-se nas catacumbas para sobreviverem? Parece-nos que essa parte do segredo diz mais respeito ao futuro do que ao passado ou presente.

                  “...e assim mesmo foram morrendo uns atrás dos

                  outros, os Bispos Sacerdotes, religiosos e religiosas

                  e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras

                  de varias classes e posições. Sob os dois braços da

                  Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de

                  Cristal em cada mão, neles recolhiam o sangue  dos

                  Mártires e com ele regavam as almas que se

                  aproximavam de Deus...”

E então o sangue dos mártires (espirituais e físicos), que serão agradáveis a Deus, trarão finalmente o triunfo do Imaculado Coração de Maria. Muitos já derramaram o seu sangue nesse século XX. Muitos mais o derramarão no século XXl.

“E no final”,: Nossa Senhora prometeu-nos: “ O Meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido ao mundo um tempo de paz”.

O Documento do Vaticano afirma que essa Consagração foi cumprida no dia 25 de Março de 1984. Todavia a Consagração feita naquele dia  em lugar nenhum faz menção à Rússia que está muito longe de ter se convertido. A Rússia de fato tem se tornado cada dia mais materialista, consumida por um novo tipo de materialismo vindo do Ocidente. Portanto confrontando a situação com as palavras de Nossa Senhora, vemos que a verdadeira Consagração não foi feita, apesar de todas as alegações em contrário. Se tivermos algum período de paz, essa será a “paz e segurança” do Anticristo predita por São Paulo na carta aos Tessalonicenses. Essa falsa paz é o cenário preparado para uma nova geração de mártires profetizada no Terceiro Segredo de Fátima.

Terminando, agradecemos a Nossa Senhora e ao (saudoso) Papa João Paulo ll por terem tornado possível a revelação desse luminoso Terceiro Segredo. Vamos rezar agora para que o próprio Papa (Bento XVI) receba a graça de interpretá-lo.

                                                       Padre Gerardus RusakOpi

 

Fonte: Portal Anjo

 

 

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