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O
"self-service da fé" onde cada um escolhe a fé que quiser
Outro
dia alguém me falou que os melhores restaurantes self-service do
mundo estão no Brasil. A grande variedade de comida que é oferecida
pelos restaurantes brasileiros faz a diferença.
Realmente o sistema self-service, que significa auto-serviço, é um
sistema fantástico e que está se alastrando para diversos
seguimentos. De sorveterias a postos de gasolina, passando até por
roleta de ônibus: todos estão aderindo ao auto-serviço, onde cada
um escolhe o que quer, a quantidade que quer, da maneira que quer. Até
ovo de Páscoa agora é recheado na hora, com a vontade do freguês.
O mais novo “seguimento” a adotar esse sistema é o da religião.
Realmente está crescendo muito no meio religioso o sistema
“self-service da fé” onde cada um escolhe a fé que quiser (tem
para todos os gostos); e se não gostar de alguma que já esteja
estabelecida pode fabricar a sua, escolhendo entre as outras tantas
aquilo que achar mais conveniente. É um sucesso de público este
sistema.
Por trás disso tudo temos a forte realidade de nossos tempos: hoje,
mais do que nunca, as pessoas estão buscando o prazer particular e
egoísta que leva a fazer da vida um grande restaurante self-service,
onde cada um põe no prato aquilo que mais lhe convém.
Essa vontade de fazer da religião algo particular, apesar de
revelar-se com mais força nesses tempos, já é uma prática de muito
tempo. Em 1534, por exemplo, a Igreja Católica perdeu todas as
igrejas e os fiéis da Inglaterra porque o rei Henrique VIII queria o
divórcio e o Papa não concedeu. Assim, o rei fez das igrejas de seu
território a Igreja Anglicana, para protestar contra o "não"
papal.
E como Henrique VIII colocou no seu prato aquilo que mais gostava e
retirou o que não concordava, muitos também abrem a sua igreja,
atraindo as pessoas que querem ouvir aquele determinado tipo de
“verdade”, moldada à vontade do freguês. Assim, hoje se abre
igreja que só fala para jovens, ou só para presidiários, ou só
para roqueiros, ou só para homossexuais... enfim, igrejas de todos os
tipos que vão dilacerando a verdade que tem caráter universal.
Para se ter uma idéia de como andam as coisas, em São Paulo existem
escritórios especializados em preparar a documentação para se abrir
igrejas evangélicas. Segundo os advogados desse escritório, qualquer
pessoa pode pagar uma taxa de legalização de R$ 30,00 e em três
dias estar com sua igreja aberta dentro da lei. E está em grande
crescimento este “seguimento do mercado”. Uma pesquisa do início
dos anos 90 mostrava que a cada semana surgiam mais de cinco novas
igrejas só no Rio de Janeiro.
E nesta festa aparece de tudo. No Rio, por exemplo, temos a “Igreja
Evangélica Pronto-Socorro de Jesus”, “A Última Embarcação de
Cristo”, “Celeiro Santo” e “O cativeiro de Jó”. Em São
Paulo tem “Espada de Dois Gumes”, “Prepara-te”, “Deus opera
Maravilhas” e “O Homem que viu Jesus Cristo no Cinema”,
E no meio desta salada mista está a Igreja Católica, que geralmente
é vista por todas essas pessoas como a mais errada de todas. Mesmo
assim, ela tem a grave missão de ser educadora da fé de todos os
homens, mesmo que estes não aceitem a sua mensagem(1).
E qual é a opinião da Igreja nesse “show da fé”?
A Igreja tem grande “respeito pelo homem na sua busca de resposta às
questões mais profundas da vida”(2), por todos aqueles
que acreditam no Cristo, mesmo pertencendo a outras comunidades.
Contudo, ela não pode deixar de denunciar que há abusos no
surgimento indiscriminado de “seitas que se expandem, como uma
mancha de óleo ameaçando fazer ruir a estrutura de fé de tantas nações”(3).
O Papa João Paulo II ainda chama a nossa atenção para um problema
mais sério existente por trás disso tudo: “As seitas causam sérios
prejuízos religiosos aos seus seguidores. Não se trata somente de
abandonar as suas crenças. Passado o entusiasmo das curas fictícias,
verifica-se que nem sempre retornam à fé e abraçam o
indiferentismo”(4).
E não é só isso. Segundo o censo feito pelo IBGE no ano 2000, o
grupo “religioso” que mais cresceu depois dos ditos “evangélicos”,
foram os sem-religião. Pessoas que simplesmente seguem tudo ao mesmo
tempo ou vão pescando aqui e ali o que acham mais certo (ou mais fácil)
e produzindo a sua crença particular; ora misturando os preceitos de
várias religiões (inclusive não-cristãs), ora não tendo preceito
e até moral alguma. Criando assim um Deus à “sua maneira”. Ora,
eu não posso crer em Deus “da minha maneira”, mas só posso crer
da maneira como Ele se revelou em Jesus Cristo. O que fugir disso é
imaginação humana, nada mais... Não existe verdade adaptável... eu
é que tenho que adaptar-me a ela...
O self-service religioso é um fenômeno bastante atual que temos que
observar, não, porém, sem tristeza. Por isso, não se assuste caso
saiba que mais uma igreja surgiu ou que a Igreja Católica perdeu mais
alguns de seus fiéis; antes, reze, pedindo a Deus a luz da coerência
sobre estas pessoas para que percebam que não podem fundar a sua
religião, ou sua crença como bem entendem. Certa vez, perguntaram a
Napoleão, imperador da França, porque ele, sendo tão poderoso, não
fundava uma religião. Napoleão respondeu: “Para fundar uma religião
é preciso antes morrer numa cruz e ressuscitar. Morrer na cruz eu não
quero, ressuscitar eu não posso”.
Diante disso, não acredite quando dizem que a Igreja Católica está
decadente. Ora, a Igreja é um projeto, uma proposta ao homem
cultivada por Deus desde o início do mundo. Ela não decai nunca.
Quem pode decair é o homem que não a ouve; a Igreja jamais decairá,
pois ela foi adquirida pelo sangue do Filho de Deus(5).
Muito ao contrário do que se pensa (e se quer fazer pensar) a Igreja,
apesar de seus infiéis filhos, continua com toda a sua força e com
toda a sua autoridade. Ela está sempre empenhada nas grandes causas,
preocupada em mostrar para o mundo a necessidade da paz, dos valores
morais e da dignidade do homem, estando muitas vezes sozinha no
hastear desta bandeira.
O Vaticano possui hoje relações diplomáticas com mais de 170 países,
isso, para se ter idéia, é mais do que possui os Estados Unidos. Inúmeros
protestantes têm reconhecido a força da Verdade presente na Igreja e
têm voltado para ela. Como é o caso de dioceses anglicanas dos
Estados Unidos e Austrália que manifestaram recentemente o desejo de
voltar à unidade com a Igreja Católica.
No ano 2000, por exemplo, 171 mil adultos entraram na Igreja nos
Estados Unidos. Na França são quase 9 mil os adultos que
recentemente foram batizados. Centenas de sacerdotes e bispos
protestantes têm abraçado o Catolicismo. E isso por quê? Porque
estudaram a história de suas igrejas e da Igreja Católica. E mais
que isso: abriram-se à Verdade.
Recentemente li um pensamento belíssimo que muito ajuda a perceber a
“decadência” da Igreja: “Hoje muitos dizem que o Papa está
velho, tremendo e que deveria renunciar. Porém, eu digo que já vi
quem reunisse 300 mil pessoas para fumar maconha, quem reunisse 150
mil pessoas para ver um show de rock... mas reunir 2 milhões e meio
de jovens para rezar é apenas o Papa quem consegue”(6).
Por isso, orgulhe-se em ser católico. Pois em respeito ao Salvador do
mundo você é fiel a esta Igreja que Ele pessoalmente deixou sobre
Pedro(7) e que a Bíblia a denomina de seu Corpo(8)
ou sua Esposa(9). Por isso, nada de self-service. Exceto
nos restaurantes...
Bendigamos ao Senhor.
Demos graças a Deus.
Artigo por Carlos J.M. Neto
Fonte: Universo Católico
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(1) cf. Papa João Paulo II na Carta Encíclica Redemptoris Missio,
20.
(2) Discurso do Papa João Paulo II aos dirigentes das religiões não-cristãs,
em Madres (Índia) a 5 de fevereiro de 1986.
(3) Papa João Paulo II aos Bispos brasileiros dos Regionais Nordeste
1 e 4 em 5 de setembro de 1995 durante a qüinqüenal visita “ad
limina Apostolorum”
(4) Ibid.
(5) cf. At 20,28.
(6) Livro “A cura da nossa afetividade e sexualidade”, Comunidade
Canção Nova, página 55.
(7) cf. Mt 16,18
(8) cf. Ef 1,22.
(9) cf. Ef 5,25.
Fonte:
Portal Anjo

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