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Eu não sou nenhum santo!
Eis aí
uma boa desculpa para deixarmos de progredir na vida cristã . Quantas
e quantas vezes ouvimos esta frase para justificar um pequeno deslize
de cristãos como nós ? Precisamos reformar o conceito de santidade
que nossos filhos cresçam com uma nova mentalidade sobre o que é ser
santo. Os santos
elevados aos altares pela nossa Igreja são modelos que devem ser
conhecidos e seguidos e não mitificados como metas que nunca
chegaremos a alcançar. O Papa João Paulo II tem beatificado e
canonizado tantos cristãos como nunca se fez na Igreja, justamente
para enfatizar que ainda há muitos santos no mundo e principalmente
para lembrar que os santos são pessoas comuns que , como nós ,
tentam viver as verdades da fé numa vida comum, como a de qualquer
um. Procure
reparar no seu dia a dia se não há vários possíveis santos
convivendo com você no trabalho , na comunidade ou na família .
Talvez não saibamos exatamente, mas sempre há aquela pessoa que nos
transmite uma alegria de viver mesmo na adversidade ; nos admiramos e
nos questionamos de onde vem aquela força e qual seria a fonte de tal
alegria. Ou então daquele simples operário que trabalha com uma
dedicação e esmero por fazer o seu trabalho da melhor forma possível
, não se importando se o seu cargo não é o mais importante da
empresa ou se a sua não é a mais nobre tarefa a ser feita , ele a
faz e faz bem. E o idoso que conseguiu tirar da experiência de longos
anos de lutas , com vitórias e derrotas ,uma lição a ser ensinada e
não o amargor de uma vida inglória. Estes e outros tantos santos anônimos
ainda estão caminhando conosco neste mundo e com eles devemos formar
o único exército que pode realmente mudar a face desta Terra. Mas o que
um santo tem que Ter de especial para viver como tal ? Há dois
componentes que juntos nos colocam neste caminho de santidade : Os
dons do Espírito Santo e as Virtudes. Os dons do
Espírito Santo dão o sustento a vida moral dos cristãos . São os
componentes divinos agindo em nós para que possamos estar dóceis aos
impulsos do mesmo Espírito Santo . Os sete dons do Espírito Santo
são: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, ciência, piedade
e temor de Deus. E não é difícil identificá-los em santos como
Santa Teresa do Menino Jesus , Santa Teresa D’Ávila , São João
Crisóstomo , Santo Agostinho e tantos outros que conhecemos a
história. "...mas
descerá sobre vós o Espírito Santo e vos dará força , e sereis
minhas testemunhas em Jerusalém , em toda a Judéia e Samaria e até
os confins do mundo. " (At 1,8) O Espírito
Santo está em nós desde o Batismo e os seus dons são presentes
gratuitos de Deus para que possamos viver como Ele quer que vivamos ,
ou seja buscando a santidade. O Catecismo da Igreja Católica ainda
complementa que os dons do Espírito Santo completam e levam à perfeição
as virtudes daqueles que os recebem. Tornam os fiéis, dóceis para
obedecer prontamente às inspirações divinas. "Que
o teu bom espírito me conduza por uma terra aplanada" (Sl
143,10). "Todos
os que são conduzidos pelo Espírito de Deus são filhos de Deus...
Filhos e portanto herdeiros; herdeiros de Deus e co-herdeiros de
Cristo" (Rm 8,14.17). Os frutos
do Espírito são perfeições que o Espírito Santo modela em nós
como primícias da glória eterna , ou seja os frutos do Espírito
Santo nós fazem ser melhores. A Tradição da Igreja enumera doze:
"caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, bondade,
benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e
castidade" (Gl 5,22-23 vulg.). Mas o que
são as virtudes ? Se os dons
do Espírito Santo são presentes que Deus nos dá para que vivamos em
busca da santidade as virtudes dependem dos nossos esforços por alcançar
a santidade . "Ocupai-vos
com tudo que é verdadeiro, nobre, justo, puro, amável, tudo que há
de louvável, honroso, virtuoso ou de qualquer modo mereça
louvor" (Fl 4,8). A virtude
é uma disposição constante e firme para fazer o bem. Permite à
pessoa não só praticar atos bons, mas dar o melhor de si. A pessoa
virtuosa tende ao bem, persegue-o e escolhe-o na prática. "O
objetivo da vida virtuosa é tomar-se semelhante a Deus". As
virtudes humanas são atitudes firmes que tomamos , disposições
constantes, perfeições habituais da inteligência e da vontade que
regulam nossos atos, ordenando nossas paixões e guiando-nos segundo a
razão e a fé. Propiciam assim facilidade, domínio e alegria para
levar uma vida moralmente boa. Pessoa virtuosa é aquela que
livremente pratica o bem. As
virtudes morais são adquiridas humanamente, dependem da nossa vontade
e inteligência . DISTINÇÃO
DAS VIRTUDES CARDEAIS Quatro
virtudes são chamadas "cardeais" ; todas as outras se
agrupam em torno delas. São: a prudência, a justiça, a fortaleza e
a temperança. "Ama
alguém a justiça ? As virtudes são seus frutos; ela ensina a
temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza" (Sb
8,7). Estas
virtudes são louvadas em numerosas passagens da Escritura sob outros
nomes. A prudência
é a virtude que nos faz discernir em qualquer circunstância nosso
verdadeiro bem e a escolher os meios adequados a realizá-lo.
Discernir é discriminar , separar , distinguir entre dois caminhos.
"O homem sagaz discerne os seus passos" (Pr 14,15).
"Levai uma vida de autodomínio e sobriedade, dedicada à oração"
(I Pd 4,7). A prudência é a "regra certa da ação",
escreve Sto. Tomás citando Aristóteles. Não se confunde com a
timidez ou o medo, nem com a duplicidade ou dissimulação , ou seja
sem ocultar nada . Graças a esta virtude, aplicamos sem erro os princípios
morais aos casos particulares da vida de cada um e superamos as dúvidas
sobre o bem que devemos praticar e o mal que temos que evitar. O
imediatismo dos dias de hoje abafam a prudência porque colocam como
ridículo quem se detém para pensar antes de tomar uma decisão , ou
contrário louva-se a impulsividade impensada . A justiça
‚ é a virtude moral que consiste na vontade constante e firme de
dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido. A justiça para com
Deus chama-se "virtude de religião". Para com os homens,
ela nos faz respeitar os direitos de cada um e a estabelecer nas
relações humanas a harmonia . O homem justo, muitas vezes mencionado
nas Escrituras, distingue-se pela correção habitual de seus
pensamentos e pela retidão de sua conduta para com o próximo. "Não
favoreças o pobre, nem prestigies o poderoso. Julga o próximo
conforme a justiça" (Lv 19,15). "Senhores, dai aos
vossos servos o justo e equitável, sabendo que vós tendes um Senhor
no céu" (CI 4,1). A
fortaleza é a virtude moral que dá segurança nas dificuldades,
firmeza e constância na procura do bem. Ela firma a resolução de
resistir às tentações e superar os obstáculos na vida moral , ou
seja , ajuda a vencer às tentações. A virtude da fortaleza nos
torna capazes de vencer o medo, inclusive da morte, de suportar a
provação e as perseguições. Nos ajuda a aceitar até a renúncia e
o sacrifício de nossa vida para defender uma causa justa. "Minha
força e meu canto é o Senhor" (SI 118,14). "No
mundo tereis tribulações, mas tende coragem: eu venci o mundo"
(Jo 16,33). A
temperança é a virtude moral que modera , limita , filtra a atração
pelos prazeres e procura o equilíbrio no uso dos bens . Assegura o
domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos
limites da honestidade. A pessoa temperante é discreta e "não
se deixa levar a seguir as paixões do coração" (Eclo 5,2).
A temperança é muitas vezes louvada no Antigo Testamento : "Não
te deixes levar por tuas paixões e refreia os teus desejos"
(Eclo 18,30). No Novo Testamento ‚ chamada "moderação"
ou "sobriedade". Devemos "viver com autodomínio,
justiça e piedade neste mundo" (Tt 2,12).
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