A
Igreja Católica e as imagens
Erroneamente
se divulga que os católicos praticam a idolatria...
É
verdade que algumas pessoas da Igreja Católica erraram nos quase dois
mil anos de sua história. É de se esperar também que uma Igreja com
1 bilhão e meio de seguidores tenha mais erros que uma com 1 milhão
de membros. Na verdade, somos santos e pecadores. Santos enquanto
instituição e, pecadores enquanto membros.
No entanto, se tem uma coisa que erroneamente se divulga é que os
católicos praticam a idolatria.
Idolatria, segundo o dicionário, quer dizer adorar ídolos.
A Igreja Católica Apostólica Romana sempre ensinou, com base Bíblica,
que "Adorarás o Senhor teu Deus, e só a ele servirás" (Dt
6,13). Não adoramos e nem devemos adorar qualquer coisa ou pessoa além
do único e Supremo Deus Trino.
Se um médico erra não podemos culpar a medicina pelo seu erro. Da
mesma forma, que se um advogado erra não é culpa da lei. Assim, se
infelizmente muitos católicos, por ignorância, exageram no respeito
às imagens a culpa não é da doutrina católica; que lembra que
desde o Antigo Testamento o próprio Deus ordenou ou permitiu a
instituição das imagens que conduziriam a salvação através do
Verbo Encarnado, Jesus Cristo, como por exemplo a serpente de bronze (Nm
21,4-9; Sb 16,5-14; Jo3,14-15), a arca da Aliança e os querubins (Ex
25,10-22; 1Rs 6,23-28).
Os católicos sabem que imagens são simplesmente imagens, não tem
poder em si mesmas, pois são somente sinais. Seria uma bobeira ao
ir para praia ficar em frente à placa que diz "Praia a 10
km" como se tivesse chegado ao lugar desejado. Sabemos que
semelhante a uma placa, as imagens somente indicam a verdadeira
pessoa digna de admiração e louvor. Isto não quer dizer que as
placas são desnecessárias porque apontam para o lugar certo.
Semelhante a isto é pegarmos uma foto de um ente querido e acharmos
que esta foto é o próprio ente querido.
Se eu destruir a foto, evidentemente não destruo a pessoa da foto. Se
eu pisar na foto, evidentemente não piso na pessoa representada na
foto. Mas, como você se sentiria se pegassem uma foto de um ente
querido seu e na sua frente cuspissem nela, a destruísse ou pisassem
nela? Certamente não ficaríamos muito felizes.
Porque embora a foto não seja a pessoa, o gesto de destruí-la fere
gravemente a nossa dignidade.
Ora, a mesma escritura que em Deuteronômio capitulo 4 proíbe imagens
é a mesma escritura que mostra que Moisés, Salomão e outros
cunharam ou talharam imagens. Teria Deus enlouquecido? Poderia a Bíblia
contradizer-se?
Quando o povo no deserto foi picado por serpentes Deus manda Moisés
cunhar um cajado de bronze (portanto uma imagem) com uma serpente e
todo o que olhasse para este cajado seria curado. Ora, foi o cajado
que curou as pessoas? Não, o cajado de serpente representava ao
Senhor Jesus Cristo elevado na Cruz. É Ele que cura as pessoas e não
a imagem da serpente.
"Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um
poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a
serpente de bronze, conservava a vida." (Nm 21,9)
Tanto é que o povo começa adorar a imagem como se ela fosse a
responsável pela cura e o Senhor manda Moisés destruí-la:
"Destruiu os lugares altos, quebrou as estelas e cortou os ídolos
de pau asserás. Despedaçou a serpente de bronze que Moisés tinha
feito, porque os israelitas tinham até então queimado incenso diante
dela. (Chamavam-na Nehustã)." (2 Rs 18,4)
Vemos então que o errado é a idolatria e não as imagens. Ou
seja, o errado é o ato de idolatrar imagens e não fabricá-las!
"Guardai-vos, pois, de fabricar alguma imagem esculpida
representando o que quer que seja, figura de homem ou de mulher,
representação de algum animal que vive na terra ou de um pássaro
que voa nos céus, ou de um réptil que se arrasta sobre a terra, ou
de um peixe que vive nas águas, debaixo da terra. Quando levantares
os olhos para o céu, e vires o sol, a lua, as estrelas, e todo o exército
dos céus, guarda-te de te prostrar diante deles e de render um culto
a esses astros, que o Senhor, teu Deus, deu como partilha a todos os
povos que vivem debaixo do céu." (Dt 4,16-20)
Não esqueçamos que, na época, havia o politeísmo, ou seja, a crença
em vários deuses. A proibição de Deus se refere ao culto de adoração
a alguma imagem que fosse tratada como o próprio Deus. Como, por
exemplo, o povo que faz um bezerro de ouro para adorá-lo no deserto
como se fosse o próprio Deus.
"Tiraram todos os brincos de ouro que tinham nas orelhas e
trouxeram-nos a Aarão, o qual, tomando-os em suas mãos, pôs o ouro
em um molde e fez dele um bezerro de metal fundido. Então exclamaram:
'Eis, ó Israel, o teu Deus que te tirou do Egito'." (Ex 32, 3-4)
Veja que Salomão, o homem mais sábio que já existiu e existirá
segundo o próprio Deus, também fez imagens de madeira:
"Fez no santuário dois querubins de pau de oliveira, que
tinham dez côvados de altura. Cada uma das asas dos querubins tinha
cinco côvados, o que fazia dez côvados da extremidade de uma asa à
extremidade da outra. Revestiu também de ouro os querubins. Mandou
esculpir em relevo em todas as paredes da casa, ao redor, no santuário
como no templo, querubins, palmas e flores abertas. Nos dois batentes
de pau de oliveira mandou esculpir querubins, palmas e flores
desabrochadas, e cobriu-as de ouro; cobriu de ouro tanto os querubins
como as palmas." (1 Rs 6,23-32)
Algumas coisas que a Igreja ensina sobre imagens:
"A imagem sacra, representa principalmente Cristo. Ela não pode
representar o Deus invisível e incompreensível; é a encarnação do
Filho de Deus que inaugurou uma nova economia das imagens:
'Antigamente Deus, que não tem corpo nem aparência, não podia em
absoluto ser representado por uma imagem. Mas agora, que se mostrou na
carne e viveu com os homens, posso fazer uma imagem daquilo que vi de
Deus (...) Com o rosto descoberto, contemplados a glória do
Senhor'". (São João Damasceno)
"O culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro
mandamento que proíbe ídolos. De fato 'a honra prestada a uma imagem
é prestada na verdade a pessoa a ela representada'" (São Basílio).
"O culto da religião não se dirige as imagens em si mesmas como
realidades, mas as considera em seu aspecto próprio de imagens que
nos conduzem ao Deus encarnado. Ora, o movimento que se dirige à
imagem, enquanto tal não termina nela, mas tende para a realidade da
qual é a imagem." (São Thomás de Aquino)
Daniel
Godri Junior
artigos@cancaonova.com
Fonte:cancaonova.com

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