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Sociedade
não deve lutar contra a doença, suprimindo doente
Quinta-Feira,
10/03/2005
Pode-se
dizer que o ponto crucial de todo o debate consiste em saber quando
começa a vida humana no seio materno.
A tal questão durante séculos foi dada a resposta baseada na antiga
biologia: a vida intelectiva, propriamente humana só começaria 40
dias após a concepção no caso dos indivíduos masculinos e 80 dias
após, no caso dos indivíduos femininos. Por conseguinte, antes dos términos
assinalados seria lícito matar o feto, pois não se estaria tirando a
vida de um ser humano. Aliás, é assim que até hoje muitos
argumentam.
Todavia, dados os progressos da Genética, já não se pode sustentar
a tese antiga: os estudiosos afirmam que a vida humana, com todo o seu
potencial típico, tem início no ato de fecundação do óvulo pelo
espermatozóide; o feto, por menor que seja (alguns diriam: ... do
tamanho de uma cabeça de alfinete) não é parte da mãe, mas é um
indivíduo que tudo tem para ser considerado autêntico ser humano.
Diga-o o Prof. Jérôme Lejeune, que foi o pioneiro das pesquisas
modernas:
"Desde que os 23 cromossomos do pai se juntam aos 23 cromossomos
da mãe, está coletada toda a informação genética necessária e
suficiente para exprimir todas as características inatas do novo
indivíduo. Isto se dá à semelhança de uma minicassete introduzida
num gravador: sabe-se que produz uma sinfonia. Assim também o novo
ser começa a se exprimir logo que foi concebido... Os cromossomos são
as tábuas da lei da vida: quando são reunidos no novo indivíduo (a
votação da lei é figura da fecundação do óvulo pelo espermatozóide),
eles descrevem inteiramente a Constituição dessa nova pessoa...
Aceitar o fato de que, após a fecundação, um novo individuo começou
a existir já não é questão de gosto ou de opinião. A natureza do
ser humano, desde a concepção até a velhice, não é uma hipótese
metafísica, mas sim uma evidência experimental" (Trecho de
Relatório apresentado à Comissão Senatorial norte-americana em 23
de abril de 1981).
Por conseguinte, se o feto é autêntico ser humano, tem direito à
vida e não pode ser tratado como coisa. Embora ainda desconhecido,
merece respeito como o adulto afetado por grave doença merece
respeito e dedicação.
Apesar da evidência assim estabelecida, há quem pretenda propor o
aborto (verdadeiro homicídio) em casos "excepcionais", que
passamos a considerar.
Declarações do Prof. Dr. Jérôme Lejeune, geneticista de fama
mundial, falecido na qualidade de Presidente da Pontifícia Academia
Pró-Vida, fundada pelo Papa João Paulo II:
"Se um óvulo fecundado não é por si só um ser humano, ele não
poderá tornar-se um, pois nada é acrescentado a ele".
"Penso pessoalmente que diante de um feto que corre um risco, não
há outra solução senão deixá-lo correr esse risco. Porque, se se
mata, transforma-se o risco de 50% em 100% e não se poderá salvar em
caso nenhum. Um feto é um paciente, e a medicina é feita para curar.
Toda discussão técnica, moral ou jurídica é supérfiua: é preciso
simplesmente escolher entre a medicina que cura e a medicina que
mata".
"A sociedade não deve lutar contra a doença, suprimindo o
doente".
"Um único critério mede a qualidade de uma civilização: o
respeito que ela prodigaliza aos mais fracos de seus membros. Uma
sociedade que esquece isso, está ameaçada de destruição. A
civilização está, muito exatamente, no fornecer aos homens o que a
natureza não lhes deu. Quando uma sociedade não admite os
deserdados, ela dá as costas à civilização".
"Logo que os 23 cromossomos paternos trazidos pelo espermatozóide
e os 23 cromossomos maternos trazidos pelo óvulo se unem, toda
informação necessária e suficiente para a constituição genética
do novo ser humano se encontra reunida".
"O fato de que a criança se desenvolve em seguida durante nove
meses no seio de sua mãe, em nada modifica sua condição
humana".
"Assim que é concebido, um homem é um homem".
"Não quero repetir o óbvio, mas na verdade, a vida começa na
fecundação. Quando os 23 cromossomos masculinos se encontram com os
23 cromossomos femininos, todos os dados genéticos que definem o novo
ser humano já estão presentes. A fecundação é o marco da
vida".
Prof. Dr. Jérôme Lejeune era também membro da Academia de
Medicina da França, membro da Academia Pontifícia das Ciências e da
American Academy of Arts and Sciences.
Fonte: Pergunte e Responderemos,D. Estevão Bettencourt
Fonte:cancaonova.com
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