26 Setembro 2006
MISSA DE NOVO

 

 

     Na tentativa de manter-nos todos cientes a respeito das grandes alterações que foram feitas na Doutrina e na Tradição da Igreja depois do Concílio, já apresentamos o texto anterior: Nossos Erros! Como numa matéria só ficava muito extenso, separo este, sobre o exclusivo assunto da santa Missa, porque está é a base de tudo e com certeza o alvo número um de satanás e seus asseclas. Você me perguntará agora: o que ganha uma criatura humana, para desafiar desta forma a Deus, alterando aquilo que é imutável, é Divino, e tentando desmistificar aquilo que continua extraordinário Mistério de nossa Fé?

 

     Eu respondo com só palavra, direta e seca: Inferno! Os homens que agem assim, sob o comando direto e visível de satanás – nas assembléias de seus antros negros – são sempre pessoas muito inteligentes, que conhecem bem a doutrina católica, não para segui-la, e sim para combatê-la livre e tenazmente! Por puro ódio e sem motivo a Deus! Existem pessoas destacadas pelo mal, para ler tudo o que se escreve a respeito da Igreja, do Papa, de Roma... São pessoas de horripilante malignidade. É gente assim que o inferno escolheu para combater e tentar destruir o Sacrifício da Nova e Eterna Aliança: A santa Missa!

 

     Ela, com o Sacramento santo da Eucaristia é a maior força do povo católico e com certeza o Poder que mantém a vida na terra. Sem ela, os demônios nos trucidariam em poucos instantes. A Eucaristia é o centro da Nossa Igreja e o maior Mistério da nossa fé. Assim, se for possível a alguém destruir o âmago deste Mistério, terá podido destruir toda a Igreja, isso é certo! Então, o Concílio com sua Missa Nova, foi este “momento” do inferno, onde eles conseguiram substituir o Rito antigo e eficaz, por um outro – também ele eficaz na essência – mas que pudesse ser distorcido, escamoteado, e feito inútil.

 

     O cerne imutável da Missa está na Consagração, e acontece no momento em que o sacerdote eleva e pão e o vinho e pronuncia as palavras corretas: Isto é Meu Corpo... Isto é, Meu Sangue, conforme Jesus nos ensinou, e mandou que assim o fizéssemos em Memória de Sua Paixão redentora. Somente quando estas Palavras são pronunciadas corretamente é que acontece o Grande Mistério, fora disso não. Já citei o exemplo da eficácia, usando a lenda ou fábula de “Ali Babá”. Quem leu esta historinha infantil, sabe que a palavra mágica que abria a caverna cheia de ouro dos ladrões era: abre-te Césamo, e não outra!

 

     Ora, num extremo infinito oposto, e de bem, somente quando o sacerdote age como Jesus disse e ordenou, acontece a Transubstanciação e o grande Milagre da nossa fé, e de outra forma não. Mas em muitos lugares já se tentou fórmulas aleatórias como: Este pão, todos vós, é meu corpo!...  E ainda: Este cálice é a aliança no Meu Sangue, derramado por todos vós para reconciliação no amor. Ou seja: o povo é que pretendem ver consagrado em lugar do pão, e o Sangue de Cristo não é mais derramado para a remissão dos pecados e sim para uma fantasiosa e pretensa “reconciliação no amor”. Como soa bonito, até os inteligentes caem nestas ardilosas palavras! E como é óbvio, o Milagre não acontece.

 

     Vejamos agora outros problemas da santa Missa, a nova. Na realidade, desde os séculos e através deles, diversos ritos foram praticados na Igreja para celebração do santo Sacrifício, todos válidos. Mas no início do Século passado, com o grande Papa Pio V, foi aconselhado aos fiéis participarem da santa Missa, acompanhando as leituras do Missal. Na realidade a Igreja verdadeira e santa considera, desde sempre, que existe um núcleo central da liturgia, que é de origem divina, e este é imutável. Como as línguas dos países mudam constante e diariamente com gírias e palavras novas, ficou estabelecido o latim, por ser uma língua morta, que em nenhum país hoje se fala. Desta forma não se poderá alterar o rito, nem deturpar as palavras da parte central e essencial, pois divina. Há sim, uma parte humana neste rito, que pode ser alterada, mas sem prejuízo da essência, que se firma nas palavras de Jesus.

 

     Como foi possível observar, nos outros trabalhos neste sentido, os textos do Concílio declaram isso, e consideram que existem estas duas partes. Mas o ardil está em que, ao invés de se fixar no texto do imutável, eterno, defini-lo e perenizá-lo, o ardiloso artífice deste texto deixou claro que as partes móveis não somente podem, como DEVEM, ser mudadas. Ora isso deixa aberto um rasgo monumental para todo tipo de profanação, não somente em parte, como para a criação de “missas” diferentes, regionalistas, todas elas devidamente já proibidas pelo Papa. Missa crioula! Missa dos sem terra! Etc!... E isso vira bagunça! E virou em muitos lugares! Sim, por ostensiva desobediência ao santo Padre.

 

     De fato, muitos pensam que a santa Missa é um show. Que é um espetáculo como de circo, e até já se pode ver em alguns lugares padres e acólitos vestidos de palhaço ao invés de estar dignamente paramentados. E show inclui música, aparato, especialmente em alguns dos “ofertórios”, onde todo tipo de produto estranho entra na cerimônia. Outros acham que a Missa é a celebração da vida, que deve ser algo alegre, expansivo, cheio de danças e de abraços efusivos, tornando-a um espetáculo deprimente aos que humildemente ainda a vivem como o Mistério, e mais que com isso a tornam abominável diante de Deus. De fato, quem faz da Missa um show, dança pelo apito do maligno. Em verdade, se algum fruto, uma graça acontecer numa Missa destas, é apenas devido ao amor desta pessoa a Deus, jamais pela Missa em si. Porque ela é válida, mas ilícita.

 

     Antes de continuar, deixemos algumas coisas bem claras: 1 – Quem celebra a santa Missa é sempre o Próprio Jesus, e o sacerdote tem realmente seu corpo tomado por Ele. 2 – A Missa é a rememoração incruenta – sem derramar Sangue – do Sacrifício de Cristo na Cruz, e ali, misteriosamente, ocorre todo o Calvário: o Sangue do Getsêmani, a prisão e o beijo traidor, a tortura cruel da madrugada de Sexta e a flagelação, a condenação, o corpo retalhado, os escarros, a crucificação e a morte. 3 – Jesus nela Se oferece, de frente, ao Pai, como de fato Ele o É: a ÚNICA vítima expiatória perfeita, e é aceito. Este se torna assim o Sacrifício de agradável odor, o único que aplaca a Ira santa do Pai. 4 – A Igreja presente, o povo, não é parte do sacrifício em si, mas sim o alvo dele. Mas dele participa! Não como oferenda, mas com a compunção interior mergulhada neste mistério, no Sacrifício que o redimiu da morte pelo pecado. 5 – Não é preciso que o povo entenda as palavras em latim, porque o sacrifício é erguido para Deus, que O entende, com certeza.

 

     Quando o demônio modernista, na sede de mudanças, percebeu que a Missa antiga era realmente um Sacrifício Eterno de valor de remissão infinito, tratou de deturpar sua essência. Algumas coisas foram gravemente mudadas: 1 – Fez descrer ou minimizou a participação de Jesus O Sacerdote, enaltecendo a figura humana do padre “show man”! 2 – Partindo daí criou a abominável heresia, da tal “comunidade celebrante”: O povo celebra “a partilha do abraço e do pão” – que heresia – e se oferece a si a Deus, e não mais Jesus ao Pai, como é devido e obrigado! 3 – Por isso, o sacerdote celebrara de frente para o povo e dá as costas para seu Deus, pois importa “teologicamente” é valorizar a comunidade. 4 – Mudaram os textos para a língua local – vernáculo – para que o povo pudesse entender o Mistério, como se isso fosse possível. Nem os sacerdotes entendem, pois a maioria deles já nem sequer acredita mais neste Mistério extraordinário! Se acredita, não o vive!

 

     Em síntese, o crime maior que se cometeu contra a santa Missa, foi tirar dela o véu do Mistério, do Divino, do Sagrado. Cada passo destes acima contribuiu com parte. Também a comunhão na mão – embora válida – muito contribuiu para isso > tirou o efeito divino, pois todos podiam tocar, antes não, só o padre! Também – embora ambos válidos – os ministros da comunhão > pois é o sacerdote quem É Cristo! Ele Quem Se doava em alimento, entendem? O ministro não é Jesus que está na pessoa do padre! Assim, não somente os leigos, mas até mesmo os padres, vendo o racional tomar conta do rito, fizeram minimizar os efeitos prodigiosos que a Missa causava, acabando por nem mais acreditarem na Presença Real de Jesus na Eucaristia. E partindo daí, veio o caos!

 

     Seguindo: nas leituras e no Evangelho está nosso alimento da Palavra, e isso sempre – também na Missa Antiga – foi lido no idioma local. Mas o Padre é quem lia! Ele sendo o ali o Próprio Jesus. Ele a quem a Igreja e Deus constituíram como autoridade para tanto, para proclamar e falar ao povo com autoridade. Que fazem hoje: até crianças e outros despreparados vão ás leituras! Sem ponto, sem vírgula, sem entonação de voz, com graves erros de dicção e leitura, sem qualquer autoridade. Para encantamento da mamãe coruja. E assim, a palavra não é entendida, nem aproveitada. Se o Espírito não atua no leitor, não atuará também no ouvinte, Ele Quem faz a ponte! Porque se Jesus – no sacerdote – lesse estas passagens, o faria como o Próprio fez, há dois milênios atrás. Além disso, cortaram-se partes importantes das leituras, e se encurtou demais os textos, em nome da pressa, e do agradar ao homem.

 

     Depois da leitura mal feita da Palavra, segue-se a homilia. Nos Evangelhos está dito que o povo judeu percebia que Jesus falava com autoridade. Isso é muito mais importante do que se possa imaginar. Realmente tanto quem proclama a Palavra, quanto quem a explica, deve antes de mais nada, ser perfeito exemplo de vida cristã. Quando o sacerdote é santo, é um homem íntegro, um homem de fé e de profunda oração, recebe poder para falar. Ele domina a assembléia com a força do Espírito Santo – na a sua – e pode falar duramente como de fato todo sacerdote deve falar, sem que isso exacerbe os ânimos do público. Mas se ele não é este homem exemplar vive sempre “pisando em ovos” e terá que fazer mil floreios ao dizer as verdades a fim de não ofender a ninguém. Isso acontece hoje com a absoluta maioria dos padres. Perderam sua autoridade, pois se fizeram comuns!

 

    E está exatamente aqui um dos problemas mais sérios da Missa atual. É que à medida que os padres não acreditaram mais na Eucaristia, começaram a fraquejar e a cair cada vez mais em pecado. Devido a isso, perderam a moral para edificar, porque o Espírito os acusa internamente e perdem assim toda a autoridade que recebem pelo Sacramento da Ordem. Por isso falam, e falam sobre a divina misericórdia – que existe sim – sem lembrar também da Justiça. Que não falha! Então acataram a idéia errada, de que é preciso ser doce e mole nas pregações, porque o contrário afasta o povo da Igreja. Nada disso: acontece exatamente o contrário! O povo sempre precisa ser chamado duramente à atenção, porque senão se desgarra. Vejam os antigos profetas! Perde ele também o sentido do pecado, descrê da Justiça divina e vira uma avalanche de lodo. E vão ambos ao despenhadeiro, pois o pastor se torna assim, um guia cego conduzindo outrtos cegos.

 

    De fato, quando o sacerdote é santo e de conduta cidadã ilibada, pode gritar fortemente do alto do púlpito, como Jesus dizia: Raça de víboras! Sepulcros caiados! E as pessoas irão baixar a cabeça, pois se obrigam a vestir a carapuça. E irão para casa, cabisbaixos e meditativos! Para mudarem sua vida. Então ele falará em Confissão, em pecados, em Sacramentos, em santidade de vida, em oração do Rosário e em Maria. Falará também nos fins dos tempos com destemor, com clareza e profundidade e o povo entenderá. Falará sobre indulgências sem medo, e falará sobre salvação, e sobre Céu, nossa pátria definitiva e nosso único objetivo! E combaterá a moda indecente sem medo! E falará sobre o Purgatório e o Inferno, e sobre a tremenda a Justiça de Deus! E se falar tudo isso, levará a comunidade a uma vida santa, com ele, e não terá tempo de falar em água, em ecologia, em meio ambiente, em questões sociais, e nos repugnantes partidos de hoje.

 

     Vamos adiante: Além disso, a santa Missa de sempre, trazia uma seqüência enorme de atos profundos, de amor e adoração, todos de salutar efeito, que haviam sido incorporados nela pelos padres através dos séculos. Começava com a cerimônia do “asperges”, que proibia os demônios de adentrarem na Igreja. Depois seguia com uma série enorme de persignações durante todo o Rito, que terminava com as orações pela Igreja, pelos governantes e o mundo, e o exorcismo de São Miguel, conforme instrução do Papa Leão XXIII. E muitos autores e padres católicos, efetivamente consideram hoje que o descaminho da Igreja teve início, exatamente quando se acabou com as “orações miquelinas”, ao que parece em 1967. Foi este o primeiro passo cego rumo ao abismo! Quando sem explicação expulsaram São Miguel Arcanjo dos templos católicos!

 

      Outra coisa: não se cantavam então cantos profanos como hoje – alguns até cânticos heréticos, todos aqueles que falam em libertação física, em fraternidade sem o Amor, em caridade sem compromisso de fé – mas apenas canto gregoriano, e cantos indulgenciados. Então os instrumentos oficiais eram: o órgão – que evoca o som universal – e o singelo harmônio, por ambos darem um sentido de misterioso e de angelical enlevamento. Quem nunca assistiu uma Missa de Pio V, não é capaz de avaliar a brutal diferença que há entre ambas. Só um órgão, trocado por um violão, transformaria já todo o clima da Missa nova. Quem tem coragem de voltar atrás? De expulsar dos templos os abomináveis atabaques!

 

     Ora, para nossa desgraça, com o Novo Ordo foi substituído tudo isso. Deixaram-se de lado os instrumentos sagrados e introduziram-se as barulhentas guitarras – para atrair a juventude, ó mentira, onde estão eles? – e violões, e batuques, e pandeiros e tambores de rufar batalhas... no inferno, transformando algumas Missas realmente num verdadeiro pandemônio. Impossível de se concentrar, e até mesmo no momento da santa Comunhão, quando deveria imperar profundo silêncio e adoração, os berros dos cantores e guitarras, e os cantos profanos – até heréticos: libertação? – dispersam a alma dos comungantes, e é como se quisessem expulsar dela ao próprio Deus, arrancando-O dali à força. Quem quer show musical, que vá a um concerto! A uma esbórnia roqueira, nunca à santa Missa! Quem dança diante do sacrário – e da Cruz – se torna outra filha de Herodíades, a que pediu a cabeça de João Batista por prêmio! Que prêmio terão estes? A cabeça de Jesus?

 

     Mais uma triste constatação: Sentava-se muito pouco na Missa antiga – só durante a homilia – até porque Maria e João estavam de pé, diante da Cruz. E Missa é Cruz, é um sacrifício, e é um sacrificar-se, não um show de agito! É ficar de joelhos! Na Missa deve acontecer outro Calvário: Jesus subiu de pé, e esteve muitas vezes de joelhos! E quem quiser acompanhá-lo, deve pegar sua Cruz e O seguir montanha acima, não sentar. E muitas vezes Jesus caiu, não somente três, mas muitas vezes. Por isso na santa Missa Antiga havia tantas genuflexões profundas, simbolizando a adoração e os rebaixamentos sofridos por Jesus no doloroso Calvário. Que se faz hoje? Até na hora sublime da Consagração, querem nos tirar o direito de ajoelhar e adorar! De pedir perdão! Tudo em nome da ceia dos protestantes, que – orgulhosos – não se vergam diante de Deus!

 

     De fato, é um verdadeiro sacrilégio diante do Deus Altíssimo, o fato de querer mudar o sentido Sacrifical da Missa, por uma simples comemoração festiva de ceia. Isso na realidade repugna a Deus, primeiro porque ninguém em sã consciência pode festejar uma despedida para a Cruz, como o foi a santa Ceia. E foi ali mesmo, naquela mesa, que Ele pronunciou a palavras que proibiriam qualquer pessoa portadora de razão de dizer o contrário: Minha alma está triste até a morte! Se Jesus estava triste, como festejar num momento destes? Diante de uma Cruz e um Crucificado! Eis que hoje querem tirar a imagem Jesus dos crucifixos só porque Ele os acusa pelo escárnio de suas “Missas”.

 

     Quero dizer: mesmo que a santa Missa não fosse o Sacrifício que é, ainda assim é blasfêmia querer comemorar festiva e alegremente a ceia, pois é o mesmo que festejar a morte de Jesus. É antes alegrar-se com ela, quando nós deveríamos é lamentar, cheios de profunda culpa e compunção interior.  Pois quem festeja a morte de Jesus, age como os fariseus e saduceus e os sumo sacerdotes assassinos! Como o fazem os protestantes que negam o Mistério da Missa! Negam o Sacrifício expiador e redentor! Negam o Pão da Vida Eterna. Negam a Presença Real! Negam o Alimento Eterno! Negam até a Deus!

 

     Sim, porque se naquela mesa da Ceia – Jesus e seus 12 apóstolos – houve o primeiro momento Misterioso e divino da Transubstanciação, e houve a primeira comunhão do Corpo e do Sangue de Cristo pelos apóstolos, também houve a traição. E querer alterar a santa Missa de tal forma que se expulsa e excelso Celebrante, que se transfere ao povo o poder da celebração, que se oferece Deus ao povo – é ser outros Judas. É fazer o mesmo que antes fizeram os fariseus e outros insensatos ao gritarem furiosos: solte Barrabás, morte ao Cristo! É antes gritar novamente vociferando: crucifica-O! Porque, sim, isso tudo O faz crucificar novamente, com tais atos nefandos! E assim milhares de vezes ao dia!

 

     Na realidade foi, ali, com Judas, o primeiro grande sacrílego, que nasceu a igreja de satanás. A igreja dos renegados! A sinagoga dos traidores! O conluio satânico daqueles que abandaram a Jesus em nome do gosto de sua doutrina humana e malsã. A falsa igreja daqueles que ao invés de rememorarem o doloroso e santo Sacrifício da Cruz, querem comemorar festivamente, diante de quem morre numa Cruz. Com uma vil e reles ceia! Abominável ceia! Como todos aqueles abraços, e palmas diante do Rei, sem a licença e na realidade em agravo a Ele. Eis que, se comemoramos radiantes diante da Cruz, não tenham dúvidas de que todo aquele efeito divino acabará por se dissipar. E a Missa então embora válida, por ilícita passa a ser a “abominável desolação” predita por Daniel.

 

      Eis que, se nós eliminamos da santa Missa o sentido de Sacrifício, tiramos dela o véu do seu profundo Mistério. Se nós tiramos dela o Mistério, então ela se torna coisa comum, e sem valor! E se é sem valor, é também ineficaz! E torná-la uma simples ceia, isso é abominação pura.  Ora, se eu posso ir comemorar a ceia de Jesus num bar de esquina, regado a cerveja, por qual motivo eu precisaria ir a uma Igreja e na Missa? Tolice ir lá, se é para isso? Vinho toma-se na cantina! Bobagem igual ir lá para escutar cânticos sacros – alguns nem tanto – se posso ficar na bodega numa roda de samba ou de pagode, com violão e pandeiro? Deus não estará ali também? Pois eu lhes digo: melhor seria para eles, ir numa roda de pagode, que ir à Missa neste sentimento. Lá sim, também cometeriam pecado grave, mas aqui cometem o sacrilégio, que é pecado duplamente qualificado!

 

     Vamos assim, e definitivamente, deixar bem claro: Tanto na Missa antiga, em latim, como na santa Missa atual, em língua vernácula – ambas válidas e eficazes – nós estamos diante de uma cruel e pavorosa crucificação. Tudo aquilo, pois, que você não faria diante de uma pessoa que está sendo pregada numa Cruz, e sendo erguida entre o céu e a terra, e misticamente morrendo mais uma vez por nossos pecados, não pode fazer também numa santa Missa. Quando você participa dela, com violões, batuques, guitarras e pandeiros, está fazendo a mesma coisa que aqueles que um dia gritaram: crucifica-O! Crucifica-O! Os instrumentos falam isso! Servem para tortura e não louvor! Neste caso, você passa de simples expectador a verdadeiro algoz! Mas quem explica isso ao povo, em sua maioria nada mais que mero espectador? Quantos vivem hoje à Missa em verdadeira compunção interior? Quantos participam dela em estado de graça?

 

     A santa Missa, é a mais sublime manifestação do Eterno em nosso meio. E por ser um Sacrifício santo – embora incruento – é também uma cerimônia essencialmente triste. Toda a alegria que dela extraímos, deve ser interior, e baseada em três elementos chave: Primeiro na certeza do perdão de Deus, que se confirma no momento do Glória. Segundo na certeza da Ressurreição, que se confirma pela vitória de Cristo sobre a morte, e que torna viva nossa fé. Terceiro na certeza da Salvação Eterna, para todos aqueles que se alimentam dignamente de Seu Corpo e de Seu Sangue Preciosíssimo. Mas isso não é alegria que se extravasa exteriormente com palmas, apertos de mão e abraços, e sim com a sublime entonação da alma, que canta então interiormente, um hino de amor a Deus.

 

     E mais: A santa Missa, não deve ser apenas assistida, que isso foi feito no Calvário por muitas pessoas que não estavam nem aí para aquilo! Afinal muitos eram os crucificados naquele tempo. A santa Missa – no rito antigo ou novo – deve ser participada e vivida, tal como o fez Maria Santíssima, com o apóstolo João e as outras Maria. Como as mulheres que choravam, e como Verônica, e como Simão o Cirineu, que participaram ativamente, em ajuda na Cruz. Física e espiritualmente! Porque o simples espectador não assume compromisso de vida, e vai ao banquete eterno como um mero comensal oportunista. E hoje acredito que mais de 90% dos católicos vai à Eucaristia assim! Só quem ativamente vive e participa dela com amor é tornado digno de se alimentar na alma, com vistas ao eterno. Aos primeiros o sacrilégio e a morte, aos segundos a Vida Plena, conforme a promissão. Ai de quem se alimentar indignamente, diz são Paulo!!

 

     E não imaginem que estou sendo exagerado, pois sinto isso em minha alma. E tanto sinto que o fato de entender esta parcelinha de tão assombroso Mistério, me faz antever as penas que me aguardam na eternidade, por ter sido, em milhares de santas Missas, nada mais que um simples espectador apressado. Louco para sair dali o mais depressa possível, pois me esperava o divertimento. E quantas vezes eu fui lá por obrigação, ou por mera rotina? Porque a mãe mandava. Porque os outros iam! Pouco pude viver e entender da Missa antiga, mas certamente que a sentia – mesmo criança – com mais respeito. Ela se impunha pelo efeito, por que a mudaram? Para introduzir em seu lugar a abominação da desolação. Não a Missa nova não está errada! Errada está sendo a sua aplicação!

 

    Mais: a Nova Missa não é ainda a final abominação desoladora de que falou Daniel, é apenas o começo dela. É na realidade a base! A abominação maior virá quando a maioria dos sacrários da terra for posto abaixo, sendo substituídos por forninhos aquecidos para manter comes e bebes. Destes de bar! Quando as pessoas trouxerem de casa, cada uma seu prato, para a confraternização – a ceia – que virá em lugar da comunhão. Não mais Pão da Vida, nem Sangue Redentor, mas comida comum ao gosto, carne, bolinhos, doces, que uns escolherão, outros detestarão. E dirão que aquela esbórnia é uma “missa”, que substituirá a antiga, entre beijos e abraços éticos, sorrisos morféticos e fingidos, desde que ecologicamente corretos. Ético isso? Só se para o demônio, e seu “pão com ki suco”.

 

     A destruição da Igreja veio pela banalização da santa Missa. Pela banalização do Grande Mistério da Eucaristia. E este foi o maior desastre já havido na história da Igreja, porque levou para fora dela, se calcula mais de 100 mil sacerdotes, que, em todo mundo, abandonaram o ministério. Trocaram, eles também, o divino e eterno, pelo que é apenas humano, e finito. E isso não foi somente um desastre para a Igreja: foi uma verdadeira hecatombe! Uma catástrofe sem precedentes, que igual nunca mais haverá outra! Seus reflexos seguem hoje, e ainda continuarão por algum tempo até que Deus intervenha!

 

     Felizmente existem ainda muitos sacerdotes santos, e que acreditam na presença real de Jesus na Eucaristia, que celebram santamente, e a estes está reservada a coroa da Glória. Eles farão milagres estupendos no tempo das trevas, coisa que será negada aos relapsos, que não mais amam ao Amor. Só dizem isso da boca para fora! Padre que não acredita na Eucaristia, não pode dizer que ama a Jesus, jamais que O serve. E se nós dependêssemos do amor destes, já não existiríamos mais. A Sagrada Eucaristia estará presente até o fim, nos últimos e grandes acontecimentos desta velha terra que se esvai.

 

      Nunca a destruirão as forças do mal, porque Deus a preservará nas famílias católicas, nas famílias do Rosário, nas famílias da verdadeira Igreja: a Igreja da manjedoura! Restará só a Igreja, da Eucaristia, não a da ceia! E restará uma verdadeira Igreja, simples e santa, e pequena. De pés descalços, ou simples sandálias! De um cajado e sem bornal! De um manto só, e da manjedoura! Porque aquela outra, dos templos e das catedrais, e dos santuários gigantescos não deu certo! Em breve tudo isso será trocado por um berço de palhas, num novo nascimento! E desta vez, será para sempre!

 

     Nós aguardamos o embate final entre os dois exércitos maiores. As trevas infernais contra a Eucaristia, Deus por ela. Por hora tudo parece ir de mal a pior, com igrejas despidas, com sacrários abaixo, com templos católicos mudados em espaços protestantes. E quando os comensais do falso ecumenismo estiverem se confraternizando e trocando presentes entre si (Ap 11, 10) – como mostrei o caso do forninho acima – subitamente o sopro de Deus os destruirá. Então virá um astro em fúria ardente, como um raio vindo do infinito, e com fragor e estrondo, porá abaixo esta ceia abominável, ela e seus criadores, nada mais que inimigos do Deus Vivo. Então Maria vencerá, pelo triunfo da Eucaristia!

 

     Só quem se alimentar dignamente da Eucaristia, até o fim, passará pelo teste do astro! E se errei em algo neste texto, peço perdão. Mas somente me poderão criticar aqueles que colocaram em prática as últimas cartas e documentos do santo Padre sobre a Eucaristia: Estes: a Ecclésia de Eucharistia > a Mane Nobiscum Domine > a Instrução Redemptionis Sacramentum. Se postas em prática estas, não se precisaria da volta da Missa de Pio V.

 

    O assombroso declínio nas vocações sacerdotais, e a fuga de milhares de padres, coisa nunca antes vista, contam a favor de quem desconfia que o Concílio, na verdade foi o começo do caos na Igreja. Depois que se deixou de perseguir e de excomungar a quem o critica, a verdade começou a aparecer. Rezemos para que o Papa Bento XVI consiga ir até o fim, na missão a que se propôs: voltar às origens! Desfazer o mal! Expulsar os maus! Se Ele não conseguir, Deus o fará com certeza!

 

Arnaldo!

 

Fonte: Recados do Aarão

 

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