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Fevereiro 2005
CONFISSÃO
– Perguntas e Respostas (Colocamos
este texto com perguntas e respostas sobre a Confissão, porque ele
esclarece muitos aspectos. Para adaptar ao tamanho cortamos algumas
perguntas. O texto é de Dom Estevão Bitencourt e recebi pela
Internet, gentileza Maria do Carmo). 1.
Se Deus sabe tudo e sobre tudo, porque ele quer que confessemos? Porque
ele quer de nós um ato de vontade que demonstre que estamos realmente
convencidos do nosso erro e arrependidos. Quando
se comete uma ofensa contra alguém (contra Deus inclusive), é
preciso três coisas essenciais para obter o perdão, sem as quais o
mesmo não é possível: Reconhecer o erro arrepender-se do erro e
pedir perdão por ter cometido o erro. Ou seja: O fato de Deus saber
que nós erramos não quer dizer necessariamente que nós reconheçamos
isto, nem sequer quer dizer que nos arrependemos. Agora,
se estamos realmente arrependidos, e amamos a Deus, é necessário
pedir desculpas a Ele, para que ele possa nos perdoar. E, é claro, se
nós reconhecemos o nosso erro, estamos arrependidos, pedimos
desculpas e fomos perdoados, devemos também desejar nunca mais
cometer este ato que ofendeu a Deus. Isto significa que a confissão
é o caminho mais perfeito para a conversão do coração. 2.
Se Deus é bom, porque somos julgados? Nós
somos julgados porque Deus é bom. É bom porque é justo. E se é
justo pode julgar. Veja
bem: Se alguém me prejudicou nesta vida, contraiu uma dívida para
comigo. Ao final de sua vida terrestre, a sua alma se apresentará
diante de Deus que, por amor a mim, cobrará desta pessoa o prejuízo
que me causou. “Bem
aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão
saciados” (Mt 5,6). Deus toma como ofensa pessoal quando nós
ofendemos aos outros “Porque tive fome e não me destes de comer,
tive sede e não me destes de beber...todas as vezes que fizestes ao
menor dos meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25, 42.45), e
por amor aos ofendidos, ele irá cobrar de nós a justa reparação
pelo nosso erro, que pode ser uma das duas: Humilhar-se e reconhecer
que se é pecador, e que não tem condições de pagar esta dívida, e
suplicar a Deus o perdão, ou endurecer-se e recusar a aceitar da mão
de Deus o perdão (por orgulho). Neste
último caso, a alma escolhe por pagar a dívida por si mesmo - isto
é a condenação, o inferno. 3.
Uma pessoa que nunca se confessou porque não quis, quando morrer será
perdoado e aceito por Deus? Dificilmente.
Não por falta de vontade da parte de Deus de nos perdoar, mas por
falta de vontade por parte da alma de ser perdoada. Compreenda:
Se alguém passa a vida inteira com a firme intenção de não
reconhecer os seus erros, ao final de sua vida, Deus respeita a sua
decisão, e não obriga a alma a se confessar (afinal, uma confissão
forçada não é sincera). Ninguém
vai para o céu obrigado. Só vai quem quer, e demonstra que quer,
esforçando-se por merecer, por mais indigno que seja. Deus trata com
mais benevolência alguém que tenha muitos pecados e se arrependa
amargamente do que aquele que tem uns poucos, mas se recusa a reconhecê-los.
“Ai de ti, Corozaim, ai de ti, Betsaida! ... Porque se Sodoma
tivesse visto os milagres que foram feitos em ti, existiria até
hoje... Por isto haverá menor rigor para Sodoma do que para ti” (Mt
11, 21.23-24) 4.
Porque devemos nos confessar se Deus nos ama? Porque
Deus nos ama. Não existe vida fora de Deus. O pecado consiste em um
ato concreto e consciente de desamor a Deus. Se
persistirmos no pecado e nele morremos, significa que concluímos a
nossa caminhada nesta terra em estado de separação em relação a
Deus - separação causada por nosso ódio a Ele, e assim ficaremos
separados dele por toda a eternidade, por escolha própria. Existe uma
música popular que canta “… de escolha própria escolheu a solidão…”.
E o personagem desta música viveu sempre, a vida toda, uma vida de ódio,
e morreu assassinado num duelo onde matou outro homem. Uma pessoa
assim não vai para o céu, pois não é lá que pôs o seu coração!
Deus
nos ama, e apesar de nosso ódio em relação a ele, ele quer que nos
arrependamos e peçamos Dele o seu perdão. E Ele está ansiosamente
esperando para nos concedê-lo, e fica como que mortalmente magoado se
não o fazemos. Mortalmente magoado, porque Jesus morreu na cruz para
que tivéssemos a graça de receber de Deus o perdão dos nossos
pecados, já que a dívida que tínhamos com Deus foi paga na cruz -
Jesus foi condenado à morte por crimes que você cometeu. A
única maneira de merecer a salvação é desistindo do orgulho e
aceitando esta condição de pobres pecadores. Pobres porque não
temos em nós condições de pagar esta dívida. 5.
Não matei, não roubei, não fiz mal a ninguém. Porque me confessar? Existem
dez mandamentos, e não apenas três. Devemos examinar as nossas
consciências e as nossas memórias para verificar se os atos que
cometemos são certos ou errados. Por
exemplo, você não gosta que falem mal de você pelas suas costas,
portanto, você considera isso algo errado de se fazer. Se você tem
feito isso, significa que faz algo que considera errado, e isto é
pecado. A
lei de Deus está gravada no coração de todo homem, fazendo a nossa
consciência detestar o pecado, ao menos quando são os outros que
pecam contra nós, e amar o bem, ao menos quando são os outros que o
fazem a nós. Ora,
se eu quero que não me façam o mal e que me façam o bem, é uma
maldade muito grande e uma hipocrisia da minha parte querer que, no
meu agir para com os outros, esta lei não valha (porque o outro
espera exatamente o mesmo de você). Ou seja: O que causa o pecado é
o egoísmo de querer que só os outros façam o bem para você e que não
façam o mal, e o orgulho de não respeitá-los nos mesmos limites em
que se exige o respeito. Portanto:
Se você examinar a sua vida com um pouco de sinceridade, será fácil
perceber inúmeras imperfeições, atos diários de desamor que
cometemos, pequenos orgulhos que geram pecados. E um amontoado de
pequenos pecados pode ser mais grave do que um único pecado grave.
Uma lixa é uma folha de papel com inúmeras pequenas imperfeições,
mas faz um estrago muito maior do que uma folha que tenha uma única
imperfeição maior bem ao seu centro. Os
pecados ditos “pequenos” acostumam e viciam a alma no pecado,
levando ao amortecimento da consciência, que leva ao pecado grave. 6.
Se a pessoa acha que não tem pecado, precisa confessar? Se
a pessoa acha que não está suja, precisa tomar banho? Se ela estiver
realmente suja, claro que sim. E olha que é chato ter que conviver
com uma pessoa que não toma banho (às vezes até cheira mal) e acha
que não precisa de banho. Se
eu roubasse de você todo o seu salário e achasse que isso não é
pecado, precisaria devolver, ou poderia ficar comigo? Quando são os
outros que pecam contra nós, somos os primeiros a reclamar “injustiça!”.
Quando somos nós que pecamos contra os outros, somos os últimos a
declarar “culpado!”. Quem
“acha” se nós temos pecado ou não, é Deus e não nós mesmos.
É ele que nos diz o que é certo e o que é errado. Se aos homens
fosse dado o direito de decidir o que é certo e o que é errado, isto
justificaria qualquer ato: Eu poderia matar a você por ter feito esta
pergunta, e se achasse que isto não é pecado, Deus não me
condenaria. Ora,
isto também significa que qualquer um teria o direito de matar,
roubar, estuprar, enganar no troco e não precisaria pagar por isto,
desde que achasse que não tem pecado. O mundo seria uma loucura (um
inferno, para bem dizer). “Se dizemos que não temos pecado,
enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós. Mas se
confessamos os nossos pecados, Deus aí está, fiel e justo para nos
perdoar os pecados e para nos purificar de toda maldade” (I Jo
1,8-9). Se
examinarmos constantemente a nossa memória, e compararmos os nossos
atos com a Lei de Deus, logo saberemos se temos pecado ou não. Agora,
se amortecemos a nossa consciência e buscamos nos esquecer das
maldades que cometemos, fazemos isto na esperança de que Deus também
“esqueça” e acabe deixando a gente entrar no céu por engano.
Pois engano maior é achar que Deus pode ser trapaceado. Deus
quer que você vá para o céu, mas as ofensas que foram cometidas por
você devem ser remediadas, pela confissão e pelo perdão que ele
quer dar, ou pela sua condenação eterna. 7.
Porque devemos nos confessar com o padre e não com uma pessoa
qualquer? Porque devemos nos confessar com o padre e não diretamente
com Deus? “Recebei
o Espírito Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão
perdoados [por Deus], aqueles a quem não perdoardes os pecados, não
serão perdoados [por Deus]” (Jo 20,22-23). A
própria pergunta já responde: “… com o padre e não com uma
pessoa qualquer?” Se você mesmo reconhece que o padre não é uma
pessoa qualquer, então é por isso mesmo que devemos nos confessar
com ele e não com uma pessoa qualquer. Nós
não podemos também nos confessar direto com Deus, porque ele ordenou
aos apóstolos que ministrassem o perdão. Se Deus permitisse que nós,
miseráveis pecadores nos aproximássemos dele, cheios de orgulho como
somos, para exigir que nos perdoasse, ele olharia os nossos maus atos
e nos rejeitaria. Foi
por isso que ele instituiu a Igreja, que é o corpo de Cristo. Se nós
pedimos o perdão a Deus através da Igreja, Deus olhará não para nós,
mas para a Igreja, pois é ela que pede a Deus em nosso nome. E Deus,
olhando para a Igreja, verá nela o sacrifício de Cristo, que nos
salva, e sentindo-se consolado por este sacrifício, concederá à
Igreja o perdão destinado a nós, e ela, por conseguinte nos entrega
este perdão que recebeu de Deus para nós. É
por isso que nós rezamos “… não olheis para os nossos pecados,
mas para a fé que anima a vossa Igreja”. Se Deus olhasse para os
nossos pecados, nos rejeitaria sempre. Se olha para a fé da Sua
Igreja, nos perdoa sempre. Não
podemos nos confessar direto com Deus pois, se fizéssemos isto, estaríamos
desprezando a Igreja a quem ele deu a capacidade de perdoar.
Desprezando a Igreja, estamos desprezando o Corpo de Cristo
sacrificado por nós. Desprezando o sacrifício que nos salva, não
seremos salvos, e Deus, portanto não nos concede o perdão nestas
condições. 8.
A confissão é a única maneira de nos livrarmos de nossos pecados? Sim.
Somente Jesus pode perdoar os nossos pecados, pois somente ele, por
ser infinitamente bom e justo, tem a capacidade de julgar-nos e dizer
se temos pecados, para então perdoá-los. E
Jesus, quando apareceu pela primeira vez aos apóstolos após a sua
ressurreição, disse-lhes de maneira clara e inequívoca: “A paz
esteja convosco! Assim como o Pai me enviou, eu vos envio!” (Jo
20,21). Isto significa: Assim com o Pai enviou Jesus ao mundo para
perdoar os homens, do mesmo modo Jesus enviou os apóstolos, com o
mesmo poder de perdoar os pecados. Ou seja: Esta capacidade (de
perdoar os pecados) é própria de Deus e foi dada somente aos apóstolos.
E para deixar ainda mais claro, Jesus continuou: “Recebei o Espírito
Santo. Aqueles a quem perdoardes os pecados, serão perdoados [por
Deus], aqueles a quem não perdoardes os pecados, não serão
perdoados [por Deus]” (Jo 20,22-23). Preste
muita atenção: Aqueles a quem os apóstolos não perdoarem os
pecados, estes não serão perdoados! Portanto, não adianta
confessar-se a Deus somente, ou a outro homem que não tenha recebido
este poder diretamente das mãos de Jesus enquanto este ainda não
havia subido ao Pai. Mas
os apóstolos já estão mortos há muito tempo! Quer dizer que não
é mais possível obter o perdão dos pecados? Claro que é! Ainda é
possível obter o perdão dos pecados, porque os apóstolos confiaram
o seu ministério e o seu poder aos seus discípulos, através do
Sacramento da Ordem - estes discípulos foram os primeiros Presbíteros
(Padres) e Epíscopos (Bispos), conforme nos atesta a Bíblia (At 20,
28; 2Tim 1,6; Tito 1,5-9). Isto
significa que aquele poder único de Cristo de perdoar os pecados foi
dado aos apóstolos e, através deles, aos padres e bispos que se
mantiveram fiéis à tradição apostólica: A Igreja Católica Apostólica,
que por causa disto é a única que oferece aos seus fiéis a
possibilidade de obter de Deus o perdão através deste poder que lhe
foi confiado. 9.
A partir do momento em que me confesso estou livre dos pecados
cometidos e confessados? SIM!
Que maravilha! Lembre-se do que Jesus disse à mulher que foi apanhada
em adultério “Mulher, onde estão os que te acusavam? Ninguém te
condenou? Ela respondeu: Ninguém, Senhor. Nem tampouco eu te condeno.
Vai e não tornes a pecar.” (Jo 8,10-11). Deus
esquece os nossos pecados, pois nos perdoou. Perdoar significa que ele
não vai nos cobrar esta dívida nunca mais. Agora as conseqüências
deste pecado permanecem: Se eu destruísse o seu carro, e depois me
arrependesse e confessasse, eu seria perdoado, mas o seu carro
continuará quebrado, exceto nas poucas vezes em que Deus, na sua
bondade (para aumentar a nossa fé Nele), faz um milagre. Então, se não
contarmos com a hipótese do milagre como a nossa única segurança,
ainda será preciso que eu faça uma satisfação, ou compensação
deste dano causado a você. Se
eu me recusar a reparar o dano que causei, quer dizer que na verdade não
me arrependi. Por exemplo, se eu destruí o seu carro, tenho a obrigação
de comprar um carro novo para você, para que a justiça se cumpra. Ou
seja: Os seus pecados foram perdoados, e você está livre deles, mas
não está livre das conseqüências do pecado, e deve desejar saná-las
ao limite máximo possível para satisfazer a Justiça de Deus. E
olhe que estamos falando da justiça dos homens a respeito da perda de
um carro! A justiça pela perda de um carro se paga com um carro. E
qual será a compensação que a Justiça de Deus irá pedir pela
perda de uma alma? É por isto que se faz penitência, para compensar
a Justiça Divina pelos nossos pecados. Por
isso o verdadeiro perdão consiste em poder dizer: “Pai, no dia do
juízo deste pobre coitado que me ofendeu, não quero que tu cobres
dele as maldades que me fez, pois não quero ser eu o responsável
pela condenação dele, pobrezinho! Se ele depender do perdão das
faltas que ele cometeu contra mim para ir para o céu, por mim, pode
ir!” 10.
A penitência é obrigatória para ser perdoado? Se
os meus pecados já foram perdoados, porque fazer penitência? Caso
morramos sem ter expiado todos os nossos pecados perdoados, teremos
ainda que sofrer a justa satisfação por eles, antes de ir para o céu.
“Ajusta-te
com o teu adversário enquanto ainda caminhas com ele, para não
acontecer que ele te entregue ao juiz, e o juiz ao carrasco, que te
porá na prisão. Na verdade eu te digo: Não sairás de lá até ter
pago o último centavo” (Mt 5, 25-26). Ou seja: A salvação já está
garantida (você já foi perdoado), mas é preciso compensar o dano
causado. Esta
satisfação é o impedimento por algum tempo da alma ser aceita na glória
do Céu: Ficamos na “sala de espera”, até que tenhamos expiado os
nossos pecados. Esta espera dói terrivelmente, pois a alma, já
perdoada, anseia desesperadamente por Deus, mas é impedida pelos
males que causou. Este sofrimento é para “pagar os pecados”, como
o povo diz. Mas do preço do pecado, que é a morte, Jesus já nos
dispensou na Ressurreição. Agora ainda assim devemos satisfazer a
Justiça Divina pelos pecados que cometemos, pois aqueles que nós
ofendemos esperam de Deus, e com razão, que sejamos punidos pelas
maldades que lhes cometemos. A
este sofrimento chamamos “Purgatório”. Nós podemos sofrer cá na
terra em lugar das que sofrem lá, ou pelo sofrimento aqui (doenças,
jejuns, penitências) livrar-nos do sofrimento lá, pois Deus irá nos
considerar já suficientemente punidos pelas nossas maldades. Agora se
essa punição é voluntária e auto-imposta, então ela tem muito
mais valor, e assim um pequeno sofrimento auto-imposto nos livra de
grandes sofrimentos que seriam nos impostos de cima e dos quais não
poderíamos nos queixar, pois procedem de Deus Justo. Podemos
também oferecer a nossa penitência pelos pecadores, sofrendo na
nossa carne o que eles deveriam sofrer para pagar os seus pecados.
Isto é muito bom diante dos olhos de Deus, pois é um dos maiores
atos de misericórdia: Sofrer
pela salvação dos outros. A
Igreja tem o poder de nos liberar do peso desta obrigação de
satisfazer à Justiça Divina: “Tudo o que desligardes na terra, será
desligado no céu” (Mt 16,19), através das Indulgências. Uma
maneira ótima de fazer penitência é oferecer esmolas (na forma de
dinheiro ou comida), ou cometer qualquer bondade de maneira
deliberada, buscando com essa bondade consolar a Deus pelas ofensas
anteriormente cometidas. 11.
Deve-se ter uma ação após a penitência para uma boa confissão (além
da oração)? Sim.
É preciso fazer o firme propósito de nunca mais pecar, ou ao menos
de nunca mais recair neste erro em especial que foi perdoado. Os
atos de misericórdia (dar esmolas, visitar os doentes e presos,
consolar os aflitos, dar de comer a quem tem fome e de beber a quem
tem sede, abrigar os sem-teto, etc...). São atos que agradam à Justiça
Divina, “descontando” o preço das nossas faltas. A
Igreja, pelo poder que recebeu de “ligar e desligar”, tem o poder
de nos livrar destas penas. Para isto, exige um esforço da parte do
fiel. Esta liberação da necessidade de satisfação das culpas
perdoadas é chamada de Indulgência (que quer dizer: “indulto,
livrar-se de uma pena, da prisão”). Estas indulgências podem
parciais ou plenárias. A
indulgência plenária é a indulgência sobre toda e qualquer pena
dos pecados perdoados. A Igreja utiliza o seu poder de conceder Indulgências
para incentivar a prática de certas virtudes. Por exemplo: A leitura
da Bíblia, especialmente os Evangelhos é com certeza a maneira mais
correta de buscar conhecimento sobre o amor de Deus por nós. Por isto
a Igreja concede uma Indulgência plenária por ano às pessoas que
lerem ao menos um trecho do Evangelho todos os dias, rezando antes uma
oração pedindo o dom do entendimento e depois uma agradecendo e
beijando com devoção o Livro Sagrado. Também
são concedidas indulgências para várias orações, em especial a do
Terço, se recitadas diariamente e com as devidas disposições (estar
livre de pecado mortal e comungar com freqüência). A via-sacra é a
maneira mais eficaz e correta de buscar uma indulgência plenária,
pois medita os Evangelhos, oferece a Deus o sacrifício de Cristo e
extingue em nós o desejo pelo pecado. A
“Oração a Jesus Crucificado” que está no fim deste artigo, se
rezada após a comunhão também tem uma indulgência associada se for
rezada com devoção contemplando o crucifixo. Para
ganhar qualquer indulgência é necessário comungar no mesmo dia e
rezar ao menos um pai-nosso pelo Santo Padre.
12.
É correto “colecionar indulgências”? Depende
do que você quer dizer com “colecionar”. A busca das Indulgências
é válida e correta se feita com a reta intenção de satisfazer a
Deus pelos nossos pecados. Não
é uma coisa mágica ou mecânica, do tipo “pá-pum”. Por isto,
mesmo que estejamos livres de pecados mortais, e tenhamos feito a
penitência necessária, devemos sempre buscar desagravar a Deus pelas
maldades, senão nossas, ao menos dos nossos irmãos. E para isto a
Eucaristia e a missa é de longe o mais perfeito, sublime e admirável
meio de satisfazer a Deus, pois Nela o próprio Jesus oferece ao Pai o
seu sacrifício na cruz pelas nossas intenções e pela expiação dos
nossos pecados. 13.
E se eu me confessar e cometer o mesmo pecado? O
importante é ter o firme propósito de que foi a última vez!
Confesse de novo. Isto pode ser ainda mais duro e difícil que da
primeira vez e dá muita vergonha. Mas, “se você tem vergonha de
contar, devia ter vergonha de fazer”. Nós,
por sermos pecadores, temos hábitos que nos conduzem a situações
onde é muito difícil não pecar. Para não pecar mais, devemos
muitas vezes desistir de coisas que não são pecados em si, mas que
nos conduzem ao pecado. Por exemplo, São João Bosco (Dom Bosco) era
muito bom músico e pessoa muito divertida e alegre. Por isto se ia à
uma festa, facilmente caía no pecado do orgulho, devido às suas
habilidades naturais. Não há nada de pecado em ir às festas, mas
Dom Bosco desistiu de ir a muitas delas por medo de pecar pelo orgulho
e assim ofender a Deus. Por
exemplo: Se um rapaz, no caminho da escola, passa sempre por uma
quitanda e se sente tentado a roubar uma fruta toda a vez que passa
por lá, e não consegue controlar este impulso, deveria trocar de
caminho, para que não aconteça de você ceder à tentação.
“Somos homens, não anjos”: Isto significa que para nós é mais fácil
pecar do que não pecar. 14.
Quando pecamos e nos arrependemos e tentamos cada vez mais estar perto
de Deus temos chance de ir para o céu? Sim!
Nós vamos para o céu não porque nós somos bons, mas porque Deus é
bom. A condição para irmos para o céu é buscar nunca mais ofender
a Deus. E
se essa intenção é sincera no nosso coração, isto significa que
devemos nos arrepender e confessar os pecados que ainda não
confessamos, e fazer um esforço de nunca mais pecar. Deus nos
concedeu o exemplo de muitos homens que de uma vida de pecado (e às
vezes de grande pecado!) se converteram em homens Santos: São Paulo
(que perseguia os cristãos e os entregava à morte: Atos dos Apóstolos,
capítulo 9), Santo Agostinho (que era herege e adúltero), Santo Inácio
(que era um orgulhoso oficial do exército e só se converteu porque
quebrou uma perna e não pode mais servir), a prostituta que Jesus
perdoou (Lc 7,36-50), e muitos outros que vivem na nossa época e que
às vezes nem ficamos sabendo. O
exemplo destes homens e mulheres que abandonaram a vida passada de
pecado, e se tornaram santos, nos convida a fazermos o mesmo, mas sem
nos esquecermos de que, mesmo que nos tornemos santos nos nossos atos
(deixemos de pecar), continuamos a ser de natureza pecadora, ou seja:
Para nós é mais fácil fazer o mal do que o bem (mesmo para o
santo). Por isto, quando uma pessoa faz um esforço sincero de evitar
todo pecado, Deus confirma este esforço através da Graça
Santificante que é um dom de Deus para que a pessoa possa não pecar.
Ou seja: O santo não peca, por graça de Deus, principalmente, e pelo
esforço de não pecar. Se
isto lhe serve de exemplo e consolo, saiba que o pobre autor destas
linhas também era muito pecador, e que era quase ateu. Por este fiapo
de fé, Deus lhe puxou, como se fisga a um peixe, e o resgatou de
volta para a sua Igreja, que hoje ele defende. E
se fez isto comigo, que sou um pobre pecador, é porque quis mostrar a
você que ele está disposto a nos converter e está disposto a
converter você também. E se ele fez isso comigo que sou tão pouca
coisa, o que então não fará por você que sou mais que eu? 15.
Qual a melhor preparação para uma boa confissão? Quais
são as orações a serem feitas na confissão? É obrigatório rezá-las? É
a Oração suplicante, pedindo a graça de se arrepender, a oração
do arrependimento, rejeitando o pecado, e o exame de consciência. Existem
roteiros prontos para se preparar para a confissão. Estes
“roteiros” geralmente são inventados por alguém que os usa com
freqüência (porque se confessa com freqüência) e que afinal ensina
para que os outros possam tirar dele o mesmo proveito. Neste roteiro não
pode faltar o ato de contrição: “Meu Deus, porque sois Bom e Digno
de ser amado, me dói de todo o coração de vos ter ofendido, me
proponho a nunca mais pecar e peço que me ajudes a mudar de vida e
viver para só te agradar”. A
oração da via-sacra e do terço (em especial os mistérios
dolorosos) são excelentes para esta preparação. Também os salmos
penitenciais (Sl 31, Sl 37, Sl 41, Sl 50, Sl 129) são belíssimos
poemas de amor e de arrependimento, onde a alma que ama a Deus se
transborda em uma súplica pelo perdão. Estes salmos são
especialmente belos para aqueles que estão com o espírito
quebrantado, se sentindo sujos, imperfeitos, pecadores, fracos. Assim,
é possível compreender o amor de Deus, confiar nele e amá-lo a
ponto de ir ao encontro Dele e pedir o seu perdão. Você também pode
pedir ao Sacerdote que o oriente para melhor confessar, ou pedir que
lhe ajude a fazer o seu exame de consciência. Se
você quer fazer uma boa confissão, ao menos recite ou leia os dez
mandamentos, faça um exame de consciência baseado neles e reze o ato
de contrição. Isso basta. Entretanto,
se você está há muito tempo sem se confessar, ou se confessou
poucas vezes na vida, pegue uma folha de papel e escreva tudo de ruim
que pode lembrar de si mesmo. Se tiver vergonha de falar, entregue a
folha direto para o sacerdote, ele irá aceitá-la. Depois da confissão,
queime, ou rasgue em mil pedacinhos a folha, e tenha a certeza de que
Deus aceitou o seu sacrifício e te perdoou. 16.
Quando a gente não se concentra bem na confissão, a gente faz certo? Claro
que não. Se um motorista não se concentra na direção, pode matar a
si mesmo e a muita gente. Do
mesmo modo, você deveria se confessar pelo menos com tanta atenção
quanto um motorista utiliza para dirigir o seu veículo. Isto se
considerasse apenas o respeito humano. Entretanto, na Confissão,
estamos em diálogo com Deus, e fazê-lo de maneira relaxada não
seria respeitoso, ainda mais que você deseja obter Dele um favor que
você não merece. Quando
alguém está falando com você, você gosta que esta pessoa esteja
concentrada no que faz e que olhe nos seus olhos. Por isto, aceite um
bom conselho: Quando for se confessar, lembre-se de que você está
falando com Deus e olhe “nos olhos” de Deus. Você pode “olhar
nos olhos de Deus” olhando nos olhos o seu confessor, ou mesmo de
olhos fechados. Olhar nos olhos de Deus é não desviar-se dele, não
perde-Lo de vista, não se esquecer Dele enquanto se confessa. Tem
gente que vai à missa, e dentro da própria missa se esquece até que
Deus existe. Olhe para o Seu rosto. E o rosto de Deus é o Ser, a
Beleza, a Bondade, e a Verdade, e o Amor. E lembre-se: Ele te ama. 17.
Para confessar é preciso fazer algo ou é só chegar e falar os
pecados? A
confissão é um sacramento, e para recebê-lo existe um rito próprio,
e uma necessária preparação. Portanto
é preciso ter feito anteriormente um exame de consciência e uma oração
de arrependimento que deve ser sincero. Ao
chegar ao confessionário saúde o sacerdote: “Louvado seja o nosso
Senhor Jesus Cristo!”, e faça o sinal da cruz ao chegar e ao sair.
É bom começar dizendo há quanto tempo você confessou pela última
vez, e como anda a sua freqüência na missa. Depois, é só “falar
os pecados”, mas lembre-se: Jesus te ama! E é a própria pessoa de
Jesus Cristo quem te ouve, e Ele te ama! E é por causa deste amor que
Ele irá perdoá-lo, quando o sacerdote lhe der a absolvição. Também
é preciso fazer a penitência necessária à reparação do erro que
cometemos. O
local correto para a confissão é o confessionário, mas em outras
situações a confissão pode assumir a forma de uma conversa bem
franca — mas nunca virar “bate-papo” e nem seção de psicanálise!
A
confissão é um sacramento, uma coisa sagrada e deve ser acolhido em
um clima de respeito à santidade de Cristo que desce dos Céus até a
nossa miséria só para te perdoar. 18.
O padre é obrigado a ouvir a confissão e a dar a absolvição para
todo mundo?
Não,
muito pelo contrário. O sacramento é uma coisa santa, e deve ser
ministrado com muita prudência. Fonte: Recados do Aarão
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