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Novembro 2004
(31/10/04)
Estamos chegando ao final de ano, tempo
de preparação para a chegada do menino Jesus e também um tempo
forte de conversão e de mudança. Quando falamos em conversão e em
mudança, dentro da nossa querida Igreja Católica, nunca poderemos
esquecer que antes da Sagrada Eucaristia, vem o santo Sacramento
da Confissão ou da Reconciliação, porque aquela é sacrílega,
sem este. Ou seja, ninguém poderá dizer que se converteu, ou que
mudou de vida, se não passou antes pelo confessionário.
Hoje pela manhã, antes de ligar o
computador, eu me perguntava sobre qual dos temas que estavam na minha
cabeça, eu deveria escrever, e até já havia selecionado os capítulos
07 e 08 de Jeremias – aparentemente sem sentido – sobre os quais
gostaria de me entregar. Mas aconteceu que uma senhora amiga nossa, da
caminhada, nos trouxe um senhor vindo de outra cidade, e que durante a
Santa Missa havia dado mostras de grande devoção, e o trouxe para
que lhe apresentássemos os livros e o Salvai Almas. E sempre com
grande carinho nos dedicamos a isto, até porque podem ser imensas as
distorções havidas nas cabeças dos católicos, ainda que eles pareçam
tão devotos. Na verdade, a falta da verdadeira instrução é
generalizada.
E quando começamos a conversar,
imediatamente veio o assunto da conversão, que começa sempre com uma
confissão. E logo ele me cortou a conversa e veio com aquele papo
furado de que ele não é muito de confissão, que ele se confessa
direto com Jesus, e que há muitos anos não confessou mais a um
sacerdote, porque “são pecadores iguais a nós”. E citou o
exemplo negativo de um sacerdote, que era seu confessor, mas que veio
a largar a batina, se amasiou com uma freira e largou o sacerdócio.
Exatamente os mesmos argumentos furados, de grande parte dos católicos,
que há anos não mais se achegam de um confessionário, para uma
confissão sacramental.
Então, imediatamente eu lhe disse, antes
que tivesse tempo de respirar: perdão, mas você está completamente
enganado. Primeiro, porque a Igreja manda que a pessoa deva no
mínimo se confessar uma vez por ano a um sacerdote. Este
mandamento é para ser obedecido por todos os católicos, e nunca foi
abolido nem será. Segundo, quando você diz que se confessa a
Jesus, deve antes saber que Ele disse aos apóstolos: àqueles a
quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados e a quem os
retiverdes, serão retidos. Ou seja: Aqui na terra o padre
representa Jesus e é em nome Dele que perdoa, independente de ser
pecador ou não. E o padre não pode perdoar um pecado que não lhe é
contado pelo fiel arrependido, contrito e humilde, fica RETIDO,
ou sem perdão. Ademais, meu amigo, você está mais uma vez em
pecado, porque está julgando aquele padre seu confessor, e, portanto
está indo à Eucaristia em estado de pecado grave.
“Santo Deus”, exclamou ele,
“onde é que eu estava com minha cabeça. E eu pensando aqui
comodamente, com os meus botões, que estava vivendo muito bem a minha
Igreja, mas na verdade estou sendo um descarado”. Em
verdade, é assim que acontece com muitos milhares de “católicos”,
que desconhecem profundamente as mais elementares verdades da sua
Igreja, de sua Doutrina e de seu Catecismo. Então ele lembrou que em
sua paróquia, existem milhares de pessoas que fazem como ele, que já
não confessam mais, pois imaginam que a confissão direta com Deus é
aprovada pelo Papa, e isso há muitos anos.
Então, ele se despediu emocionado,
levando três de nossos livros e prometeu ler e divulgar no seu meio
de trabalho, pois é vendedor ambulante. E logo depois do almoço, na
minha costumeira sesta – um pouco mais longa – de Domingo, súbito
tenho um pequeno sonho que me fez ficar emocionado e até pular da
cama mais cedo. Eu sonhei que fazia em minha paróquia, um trabalho
sobre a Confissão, e já havia motivado muita gente. Então uma
destas pessoas motivadas, também continuou este trabalho sobre a
confissão, e havia tido a promessa de 6.000 pessoas – era este o número
– de que elas iriam se confessar. Mas havia o problema da falta de
padres.
Tudo isso aconteceu como se fosse dentro
de uma Igreja na Missa. E quando lá fora ouvi este grande número de
meu amigo, voltei para dentro da capela e encontrei nosso pároco
ainda paramentado, parecendo com pressa, e querendo sair dali
rapidamente. Então ele me pediu para atender aquelas pessoas que o
rodeavam e mandá-las embora, fazendo menção de sair depressa. Aí
eu chamei-o de volta e pedi apenas um momentinho. Eu de fato estava
como que envergonhado, mas meu coração estava cheio de emoção. E
com esta emoção lhe falei este número de pessoas que queria
confessar, mas não tinha como. E lhe contava isso, sem ter coragem de
olhar em seus olhos, porque temia sua reação. Entretanto, quando
acabei, pude ver que ele estava com os olhos marejados de lágrimas,
que chorava mesmo copiosamente, pois parecia que o Espírito Santo o
havia tocado para a realidade: Nenhum padre pode ter pressa maior
na vida, que aquela de adentrar no confessionário e atender as almas.
Então ele, meio com a voz travada de emoção,
me disse sim, que ia atender todas aquelas pessoas, e deixando de lado
toda a sua pressa anterior e se dispôs a começar já. Nisso me
acordei, e fiquei deveras emocionado, porque tudo parecia tão real,
que era como se fosse “ao vivo e a cores”. E ainda deitado, começaram
a me correr pela mente dezenas de outras situações em minha vida,
onde a confissão foi decisiva e aonde a luta por ela levou muitas
pessoas que estava há décadas sem enfrentar o confessionário a irem
aos pés do sacerdote para uma “limpeza geral”, uma “faxina”
da alma.
Uma destas circunstâncias – penso que
a relatei aqui já – aconteceu em uma das capelas do interior de
nosso município, e justo numa época anterior ao Natal. Como são 25
capelas que o Padre atende, mais a Matriz, nosso padre celebra no mínimo
60 Missas por mês e sim, tem também outras atividades. Então,
aparentemente não lhe sobra tempo para confissões, pois para ser
justo ele precisaria fazer realmente em torno de 6.000 confissões
para poder atender a todos os de nosso município e dos limítrofes,
que assistem a suas Missas. Como fazer então para atender a todos?
Este nosso pároco antigo, então, começou
a Santa Missa, e pediu que eu como ministro fosse conduzindo a
primeira parte da liturgia, enquanto ele, na sacristia, ia atendendo
as confissões. Então começamos com cantos, com um louvor, com as
leituras e isso foi nos tomando bastante tempo, pois parecia que a
liturgia atrasava, para que a fila da confissão crescesse.
Entretanto, num dado momento, observei que haviam passado pela fila 19
mulheres, mas que nenhum homem havia ainda enfrentado o
confessionário. Aquilo me chocou demais e então, com calma,
interrompi o louvor e disse:
“Meus amigos, eu conheço todos vocês,
senão de nome, pelo menos de vista, e vou lhes pedir perdão para o
que vou dizer. Por favor, não me levem a mal. É que até agora, se
vocês observaram bem, foram já 19 mulheres se confessar, enquanto
nenhum homem ainda teve ainda coragem de vir. Acaso aqui somente as
mulheres são pecadoras? Acaso, ao contrário, aqui todos os homens são
santos? Perdão se lhes digo, mas quem tem coragem de pecar, deve ter
também a coragem de contar isso ao sacerdote, para obter o perdão de
Deus. Ora, a Igreja manda que o católico se confesse a um
sacerdote, pelo menos uma vez por ano. Esta é a Doutrina correta.
Também a Igreja diz que não existe confissão direta com Deus e que
a confissão comunitária só é válida em tempos de exceção e
grave comoção. Isso quer dizer que, todos os homens desta
localidade, que há mais de um ano não se confessam, estão em pecado
grave, estão indo a Eucaristia em falta grave, e cometendo
sacrilégio em cima de sacrilégio”.
O que se seguiu a isso, foi um enorme
momento de Espírito Santo, que, aliás, já estava ali desde os
primeiros cantos. De imediato levantaram-se aqueles homens rudes, mas
bons, quase todos, e se puseram a caminho da fila da confissão. E foi
fantástico e foi maravilhoso. Como a capela estava toda lotada e não
havia mais espaço nos bancos, as crianças haviam sido mandadas para
frente – atrás da mesa do altar – e o Espírito de Deus as
pareceu haver tomado. O coral começou a cantar aquele canto de Maria:
“O sol se põe, o sino que bate, ao som da Ave-Maria. Voltamos
pra casa depois do trabalho sentindo no peito uma grande alegria.
Quando à tardinha à Nossa Senhora, se fica lá fora tentando rezar,
é forte a emoção que se sente no peito, precisa ser forte para não
chorar”.
Sim, pareço ainda hoje escutar os
acordes e as vozes infantis que tão forte cantavam. E foi que por
exatos 30 minutos, sem parar, aquelas crianças mal terminavam a última
estrofe, e voltavam à primeira sem interromper o canto, o mesmo
canto, de tal sorte que o Padre veio por três vezes para fora da
sacristia, para ver o que estava acontecendo. Uma grande comoção
tomava conta da Igreja com aquelas vozes de anjo. E eu, com lágrimas
nos olhos, e o corpo inteiro arrepiado, apenas fazia com o dedo um
sinal de positivo, e o Padre voltava e a fila da confissão recomeçava.
E lá passaram homens que há mais de 40 anos não mais haviam
confessado, a última no dia do casamento. E assim, 20, e 15 anos e
menos, e penso que todos eles sem falta foram confessar, pois de uma
forma ou de outra, estavam em pecado neste sentido. E deu tempo de
confessar a todos, e nenhum deles ficou bravo, nem sequer magoado,
antes e sim, agradecidos. E
as esposas também!
Dias atrás, encontrei um ministro da
Eucaristia daquela localidade, e comentamos sobre aquele momento
extraordinário, e foi quando ele me garantiu que toda aquela
comunidade estava ainda profundamente agradecida a Deus por aquele
momento. Que as conversões de fato aconteceram e continuam, porque o
pessoal masculino não mais deixa sua confissão anual de lado.
Disse-me ele, que os reflexos daquele dia, ainda hoje são visíveis,
com uma comunidade mais unida e mais acolhedora, porque agora mais
santa. De fato, como poderá Deus agir numa comunidade que há anos
não se confessa mais, quando se sabe que o pecado ocupa o lugar da
graça? Que todo o meio fica viciado e cheio de influxos maléficos,
pois onde Deus não pode entrar – porque há pecado – entram os
demônios, que amam isso?
E lembro que naquele ano, não somente
com aquele sacerdote que jamais se negava a uma confissão, e não
somente naquela localidade, tivemos semanas onde ele atendeu mais de
500 confissões. De fato, penso que quase todo nosso município passou
pelo confessionário, especialmente naquele ano. E vejam, não faltou
tempo ao padre, ele não deixou outras atribuições de lado e na
verdade houve tempo de sobra. O sentimento é que, em qualquer paróquia,
em qualquer lugar do mundo, onde o sacerdote realmente se imbuir do
desejo maior de manter seu povo ligado em Deus, deve começar pelo
santo Sacramento da Confissão, e irá sempre arrumar tempo para tudo,
pois parece que Deus desconta das horas de um Padre, aquelas que ele
passa confessando. E não
somente isso, derrama sobre ele e sua paróquia chuvas incríveis de bênçãos,
santificando o padre e santificando toda a comunidade.
De fato, é no confessionário que um
padre se santifica. Pode parecer errado, mas não é na celebração
da Santa Missa que se cria um padre santo, e sim no confessionário, não
somente ele confessando os fiéis, mas antes ele próprio se
confessando com outro padre, semanalmente se possível. E mesmo que
o padre seja um grande pecador, a absolvição que ele dá, em nome de
Jesus, é válida, e não compete ao fiel o julgamento. Agora, o
sacerdote que realmente está imbuído de sua missão, que realmente
entendeu a missão que Deus lhe confiou nesta terra, jamais deixará
de reservar de sua agenda diária, algumas horas destinadas
exclusivamente a administrar o Sacramento da Confissão. Porque sem
confissão não se entra pela porta estreita. De fato, ela é o umbral
desta porta de dificuldade! Duvido que, em todos os tempos, uma só
alma tenha ido ao Céu direto, sem passar pelo confessionário, me
refiro a adultos é óbvio. Daqui todos os evangélicos podem retirar
uma lição.
Sim, falei em horas diárias no
confessionário, e falei todos os dias, neste sentido padre não tem
feriado nem dia santo, pois para ele todo dia é dia de ser santo.
Sim, parta nós também! Aliás, as últimas cartas do Papa recomendam
viva e claramente isto a TODOS os sacerdotes. Nenhum padre, de
lugar algum do mundo, pode alegar que não conhece esta determinação,
sob pena de desobediência. No mundo de comunicações rápidas de
hoje, onde apenas momentos nos separam do site do Vaticano, já
nenhuma Diocese do planeta tem motivos para alegar este não
conhecimento. Nada justifica, portanto, uma paróquia distante do
confessionário, porque isso é como afastá-la de Deus.
Assim, Diocese, paróquia, comunidade que
não se confessa – falo em confissão sacramental a um sacerdote e não
confissão comunitária – é sempre um caminho aberto a satanás, e
uma forma de a desviar de Deus. Mas de todos os lugares, e cada vez
mais amiúde, surgem as reclamações das pessoas em relação ao
relaxamento dos sacerdotes em relação à confissão. Na verdade,
muitos são os padres que estão completamente imobilizados dentro de
paróquias gigantescas, com milhares de fiéis, e se torna
aparentemente impossível atender a todos. Eu disse que se torna “aparentemente
impossível”. Porque é MENTIRA que isso ocorre e vou explicar
bem no que me baseio para afirmar isso com letras graúdas, e com
tanta ênfase.
Eu citei já em meus
textos, por diversas vezes, o exemplo de São João Maria Vianney,
o Cura D’Ars. Repetindo mais uma vez sua história, quando
ele chegou na Paróquia de Ars, que tinha diante da porta da Igreja um
meretrício carregado de mulheres e homens blasfemos, onde o harmônio
estava quebrado, as portas estavam caindo, a pintura descascada, no início
apenas duas vovós vieram ver o novo pároco. E uma delas lhe disse no
primeiro dia: é padre, aqui não resta fazer mais nada!
Ela queria dizer que nada adiantava fazer ali, porque tudo estava já
perdido. Ao que o Padre lhe respondeu: Então é porque falta
fazer tudo! E começou já na primeira noite, às duas da
madrugada, a rezar de joelhos diante do Santíssimo. E foi dali que
lhe brotou aquela força extraordinária.
De fato, já nos dias que seguiram, começou
a chegar cada vez mais curiosos, para ver aquele padre que só rezava.
É que o Santo começava às duas da manhã, em preparação para a
celebração da Missa das oito. E na Missa vinham as homilias, e delas
a indicação do caminho do confessionário. Este também no início
estava com as portas quebradas, mas logo arrumaram e vieram as filas.
Primeiro uma hora por dia, depois duas, depois dez, depois tantas
quantas fossem necessárias para atender a todos que chegavam. E tal
foi a avalanche de pessoas que começaram a buscar aquele pequeno
lugarejo perdido, que em pouco mais de três anos da chegada do padre,
o governo francês se viu obrigado a construir uma estrada de ferro,
para levar os peregrinos que de todo o país e de outros países,
vinham para se confessar com ele.
Ora, nenhum historiador da vida daquele
santo, mencionou que ele alguma vez houvesse pedido ao povo que
consertasse a Igreja, que arrumasse dinheiro para obras sociais, e
nunca se ouviu sequer ele pedir alguma coisa para si. Na verdade, ele
comia por até 15 dias, de uma mesma panela de batatas, no fim já
podres, pois não podia perder tempo e deixar de atender confissões.
E comia aquela podridão, não para se engrandecer, mas por amor a
Jesus. E por amor a Jesus, ele se deixava ficar até 20 horas
naquele cubículo confessando as pessoas, somente saindo de vez em
quando, para expulsar algum descarado, que vinha ali sem contrição
ou apenas para gozar da cara do padre. Consta que ele expulsava –
Padre Pio fazia a mesma coisa – até 30% dos que vinham à primeira
vez. Mas depois, em dias ou meses, voltavam arrependidos e humilhados,
para a devida reconciliação com Deus.
Isso eu conto, para deixar bem claro a
todos, em especial a cada sacerdote, que o mesmo fato que
aconteceu em Ars, fatalmente irá acontecer em cada comunidade, em
cada vila, em cada diocese, desde que as atenções de todos se voltem
para esta realidade: O Confessionário! Ora, o que acontece, em
geral, é que os sacerdotes estão se envolvendo cada vez mais em
questões burocráticas e administrativas – fazendo bem ao contrário
do que o Santo Cura D’Ars fazia – não tendo realmente tempo para
o essencial: ouvir as almas! Para aquilo que é primordial, e
sem o que não existe vida paroquial. Uma comunidade que não se
confessa é uma comunidade morta. Um padre que não confessa, é
um padre morto e longe do caminho do Céu! Um padre que não se
confessa pessoalmente, na verdade já está com um pé no inferno e não
se dá conta disso. E não existem desculpas, para nenhuma das partes,
esta é que é a verdade.
Ora, se todas as comunidades do Brasil e
do mundo, realmente se decidissem pela vida e pelas atitudes do Cura
D’Ars – nem precisariam comer batatas podres – certamente que
Deus haveria de prover todas as necessidades de sacerdotes que elas têm.
Por qual motivo a maioria das paróquias está sem o suficiente número
de padres? Porque não temos número suficiente de padres santos
e também não temos atrás deles, suficiente número de pessoas
santas que rezam por seus sacerdotes. Então, eles acabam se
envolvendo em questiúnculas sem sentido como dinheiro, ou
amarrando-se de num cipoal imenso de pastorais inócuas, até
nefastas, perdendo o tempo que deveriam dar ao essencial, na verdade
à única necessidade: Aos Sacramentos!
Na verdade, já dissemos isso, o único
motivo para a existência de sacerdotes católicos, é a salvação
das almas. E com certeza a salvação das almas, começa exatamente
pelo confessionário. E ali não se precisa de burocracias, mas de
santidade. De amor às almas. De amor à missão tão sublime que Deus
lhes confiou, de conduzir o rebanho para a Pátria Celeste, para os
braços do Pai Eterno. Nada do resto será pedido a um padre: apenas
as almas que Deus lhes confiou! E como pagam – caríssimo – os
padres que se deixam envolver apenas pelas coisas não essenciais à
salvação – as coisas do mundo – pegando purgatórios horrendos,
que podem ultrapassar milênios. Como eles se negam a entender isto?
De uma cidade do Mato Grosso, me disseram
que o padre deles luta sozinho, numa paróquia com dezenas de
comunidades, onde moram mais de 27 mil pessoas. E disseram que o seu
padre não confessa ninguém, porque não tem tempo. Pois eu faço
daqui um desafio a este padre: esqueça a sua correria inútil e
espelhe-se no Cura D’Ars. Não corra atrás de seus fiéis.
Pense naquilo que é essencial e vital para eles, e antes pare no
confessionário. Comece antes a preparar e a verdadeiramente ungir sua
comunidade para a Confissão. Comece com homilias que levem à conversão,
e esqueça – aliás, abomine – as pastorais da “cesta básica”
e dos “sem terra”. Eles, de fato, todos eles são “sem
terra”, porque antes são “sem Deus” e não merecem nada
Dele. Faça com eles primeiro um profundo exame de consciência,
compunge-os da necessidade do perdão de Deus, e sente-se então no
confessionário. Que acontecerá?
A primeira coisa, meu caro, é que antes
que você espere, não será mais você quem terá que “ir ao
povo”, porque então o “povo virá até você”, e virá buscar
aquilo que ele realmente precisa. É preciso que você entenda, que a
maioria dos padres está querendo dar ao povo, aquilo que ele não
precisa, e por isso o povo se afasta e foge da Igreja. E foge das suas
homilias, e foge para as seitas, porque aqui não encontra o
verdadeiro alimento que ele precisa: o alimento para a alma, o Pão
da Vida Eterna. E este Pão, somente poderá produzir os efeitos
maiores da graça, se ele for recebido em estado de graça. E um povo
que se alimenta da graça de Deus, é um povo que terá suprido todas
as outras necessidades e do mundo. E só assim será um povo feliz,
porque povo de Deus.
Então, meu caro, até daquelas mais longínquas
paragens de sua paróquia, o povo virá buscá-lo na Matriz mesmo. Não
será preciso que você se desloque nestas centenas de Km sofridos,
porque onde há boa comida, especialmente bom alimento Eterno, o povo
virá buscar, e virá buscar não em pequeno número, mas no número
das avalanches, dos caudais, até que o gigantismo de sua obra, e a
maravilha dos resultados traga até sua paróquia, os padres
auxiliares, os que serão continuadores da obra, para uma grande
explosão de graças. É que hoje, a cada poucos Km nós vemos capelas
católicas, e cada vez mais à porta da casa de todos, para facilidade
de todos, mas quanto mais cresce o número dos templos, mais cai o número
dos fiéis. Porque isso? Porque tudo aquilo que tem demais, tem pouco
valor! É uma regra universal! De fato, é somente na dificuldade que
se forma o grande cristão!
E pode ser difícil a um padre sentar-se
por horas a fio, dentro de um confessionário, em especial a ouvir
arengas e lero-lero, como os de certas “cocotas”, que lá vão
para justificar os seus pecados, não para humildemente confessá-los.
Mas isto será mínimo, quando ele perceber a fortaleza de Deus,
agindo em seu favor. E ele aprenderá logo a expulsar estas sirigaitas
– ou estes farsantes – do confessionário, porque sabe que algum
tempo depois as irá receber de volta penitentes e humildes. E
aprenderá a ler as almas das pessoas, antes mesmo que elas comecem a
contar suas faltas. E poderá fazer das confissões não um maçante
e doloroso tempo de escuta, mas num gratificante e sublime sentido de
vida. E com isso ele será santo e santificará todo o seu
rebanho. Cada padre do Brasil pode agir assim, que conseguirá de Deus
este resultado.
Deste modo, não existe no Brasil, em
localidade alguma, desculpa forte o suficiente para que os fiéis católicos
deixem de se confessar pelo menos uma vez a cada ano. Aliás, é
preferível assistir a uma só Missa por ano, e comungar em estado de
graça, que comungar todos os dias em pecado grave. Toda a desculpa
que se der para não confessar é esfarrapada. Ou do padre, ou do
leigo, ou de ambos. O mundo católico está desabando não por
falta de templos físicos, mas exatamente por falta de templos do Espírito
Santo – os católicos em estado de graça, vigorosos e ardentes
– por falta de pastores santos – os padres que amam o confessionário
– e por falta de rebanhos santos – os que buscam no confessionário
o perdão de Deus – e também por falta de pessoas que rezem uns
pelos outros, até porque, sem oração diária, confiante e
persistente, jamais se irá chegar ao cumprimento de qualquer missão
da Igreja.
Acreditem, nenhum católico entra no Céu
diretamente sem passar pelo confessionário de algum sacerdote, seja
ele santo ou pecador. E as pessoas deveriam ficar felizes, se Deus os
acolhe no purgatório antes, para algum tempo de purificação, devido
não a falta de conhecimento, mas por falta de buscar este
conhecimento em tempo. Porque o Catecismo, a Bíblia e a Doutrina da
Igreja sobre estes assuntos, já está formulada há séculos, de tal
forma que nenhum católico adulto poderá alegar ignorância dela
diante de Deus. E nem terá coragem de fazer isto, porque então suas
pernas estarão tremendo como varas verdes.
Então, cada um é livre de seguir, sem
confissão, ou confessando-se “direto com Jesus” na tola esperança
de se encontrar justificado. Depois não reclame, não chore, não
implore e principalmente não blasfeme, se for achado em falta, e
falta grave, na hora da Justiça. Preferível mil vezes não comungar,
que cometer um sacrilégio comungando em pecado. Agora
é tempo de conversão. Agora é tempo de confissão! Que
ninguém chegue ao Natal sem confessar! Arnaldo!
Fonte: Recados do Aarão
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