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UMA FÉ MORTA - TER FÉ
Uma das coisas que mais tem me levado a meditar nos últimos tempos, é a questão da fé. Temos já um texto neste site, incitando as pessoas a perseverarem na fé. Mas acho que é pouco! É preciso ir mais fundo. Que é ter fé? Não, eu não falo daquela fé que muitos como eu dizem ter – o confiar desconfiando – ou seja, este tal de meio confiar. A fé à qual me refiro, é aquela mencionada por Jesus no Evangelho, a fé do tamanho de um grão de mostarda capaz de remover montanhas, esta fé, definitivamente ultrapassa o meu entendimento. Dia destes, antes de uma pequena sesta após o almoço, abri minha Bíblia e li a passagem de Mateus 21,21 onde Jesus diz: “Em verdade Eu vos digo: se tiverdes fé, sem duvidar, fareis não só o que fiz com a figueira, mas até mesmo se disserdes a este monte: ‘Ergue-te e lança-te no mar’, isso acontecerá”, e a fiquei meditando no coração. Estas palavras me ficaram martelando no cérebro e naturalmente fiquei muito decepcionado comigo mesmo. Como cumprir esta Palavra de Jesus? Assim, que acordei, sempre com aquele pensamento, fui meditando para o escritório. Ainda meio acabrunhado. Mal sentei em minha cadeira, e entrou um amigo, que fazia algum tempo que não o havia visto. Ele me cumprimentou dizendo: - Como vai? Bem? E eu lhe respondi de chofre: Vou mal, muito mal! Meu amigo ficou surpreso, pela resposta tão direta, porque a gente costuma dizer sempre: “sim, vou bem!” Ou: “mais ou menos!” O que vem na cabeça no momento. Ai lhe expliquei o texto da Palavra de Deus que me estava “importunando”, e lhe disse: - Veja, a minha fé é tão pequenina, que se eu tirar um fio de cabelo da minha cabeça – e dito isso arranquei um – e o colocar em cima desta mesa e disser com toda a minha pobre fé: ‘lança-te daqui para baixo’, acho que poderei ficar aqui cem anos tentando que não conseguirei. Então, como posso estar bem, com uma fé tão pequenina? Pior ainda, não bastasse isso, em João 14,12, Jesus vai ainda mais longe ao dizer: “Em verdade, em verdade Eu vos digo: “aquele que crê em mim fará também as obras que eu faço, e fará ainda maiores do que estas”. Ora, isso diminui ainda mais a nossa pequenez e nos faz meditar ainda com maior profundidade. Como adquirir esta fé inabalável, esta fé fé que não duvida de nada, esta fé que “transporta montanhas”, que “transplanta árvores”, esta fé que cura enfermos, que faz andar aos paralíticos, que cura aos cegos de nascença e que, mais do que isso, ressuscita os mortos? Ora, isso não é brincadeira! Não se trata de “faz de conta”! Não se trata de “quer dizer” ou ainda “representa”. Nada disso! Trata-se de fatos reais e físicos! Jesus aqui é muito claro e muito seguro como sempre! Ele nos deu este poder, nos deu esta graça, e isso é reservado a todos os que Nele crêem. Pois Sua Palavra é clara quando diz em Marcos 16,15-16: “Estes milagres acompanharão os que crerem: expulsarão os demônios em meu nome, falarão novas línguas, manusearão serpentes e, se beberem algum veneno mortal, não lhes fará mal; imporão as mãos aos enfermos e eles ficarão curados”. Quem de nós consegue fazer estas coisas todas? Ou uma só delas? Claro, também hoje alguns milagres acontecem. Também hoje, pelo poder da oração muitas pessoas são curadas por Deus das suas enfermidades. Também hoje milhares de graças acontecem, pelo poder da intercessão e do pedido confiante das almas ao Pai. Mas, em contraponto veja o infinito de males tomando conta do mundo. Vejam as milhares de doenças, cada vez mais letais, tomando conta de toda terra. Vejam o dilúvio de sofrimentos provocando na humanidade transes de loucura. Que fazemos nós contra isso? Porque nada podemos contra tantos males? Não será por causa da nossa falta de fé. Não será por causa da perda gradativa da fé que chegamos a este ponto? Olhem o estado da humanidade! Assim, a cada passagem desta do Evangelho que desfila diante de meus olhos, mais meu coração se compunge e se compenetra da nossa imensa falta de fé. Significa então, que ainda não creio o suficiente no Senhor, pois, longe de fazer qualquer destas coisas citadas por Jesus, nem perto chego desta fé do “tamanho de um grão de mostarda”. Meu coração fica triste, pois eu de fato gostaria de cumprir este mandamento, e sei que há muitas que assim pensam. Claro, não para me mostrar, não a fim de aparecer diante do mundo, apenas para provar que isso é possível a criaturas miseráveis como somos. Vejam, nestes dias que passou, fomos visitar com o nosso pároco, a um doente em estado terminal de câncer galopante (morreu seis dias após a visita). Ele foi operado recentemente, mas o médico fechou o corte sem tirar nada, pois o estado é apavorante. E assim como este senhor há milhares de doentes por este mundo. Ora, se tivéssemos aquela fé pedida por Jesus, nem momento destes, em que toda a família e os amigos deste homem estavam reunidos em oração, alguns já chorando porque sabem que a morte dele é uma questão de dias, horas talvez, nós iríamos nos chegar a ele e dizer como Jesus dizia, especialmente o nosso sacerdote: acreditas que pelo poder de Jesus, nós te podemos curar? Sim, ele diria! Então eu te digo: teus pecados estão perdoados! Levanta-te desta cama e anda! Ou não? Agora me ocorre o seguinte: quem sabe deveríamos buscar ter aquela fé premiada de Abraão, o patriarca, que de tal forma acreditou na promessa de Javé, que foi capaz de oferecer seu filho em sacrifício (Gn 22). Quem de nós, que pai ou mãe, faria a mesma coisa com seu filho único? Será esta a fé que necessitamos? Será que precisamos da fé igual a daquela mulher que sofria do fluxo de sangue e que tocou em Jesus dizendo: “Se tocar, ainda que seja na orla do seu mando, estarei curada”? Que disse Jesus a ela: “Minha filha, tua fé te salvou; vai em paz”! (Lc 8,48) Será que precisamos ter a fé confiante do centurião romano que não quis incomodar Jesus e lhe falou: “Senhor, eu não sou digno, que entres em minha casa. Dizei uma só palavra em meu servo será curado”? Que lhe disse Jesus? “Em verdade vos digo: não encontrei semelhante fé em ninguém de Israel” (Mt 8,10). Será então que precisamos ter a fé humilde daquela pagã que pedia a cura de sua filha tomada por um espírito imundo? Que lhe pediu ela de joelhos? “Senhor, ajuda-me?” E quando Jesus lhe observou – por ser ela pagã – que “não convém jogar aos cachorrinhos o pão dos filhos”, ela respondeu que “os cachorrinhos ao menos comem as migalhas que caem da mesa de seus donos”. E por isso Jesus lhe disse: “Ó mulher, grande é a tua fé! Seja-te feito como desejas” ( Mt 15,28)! Quem tem uma resposta para o meu sofrimento? Eis que, aqui estou mais parecido com São Pedro, no momento em que Jesus andava sobre as águas, e mandou que ele viesse ao seu encontro, mas Pedro, porque soprado pelo vento, começou a afundar e gritou por Jesus. Que lhe respondeu o Mestre? “Homem de pouca fé, por que duvidaste” (M 14,31)? Vejam, porém, que este mesmo Pedro, depois de provado, fez muitos milagres em nome de Jesus. Em Atos 9, estão relatados os episódios da cura do paralítico Enéias em Lida, onde Pedro lhe diz: Enéias, Jesus Cristo te cura! Também a ressurreição de Tabita em Jope. Já antes em Atos 3, estando Pedro e João juntos, está a passagem onde eles curam um cego de nascença onde Pedro diz: “Em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda”! Tudo isso, são coisas maravilhosas, que ultrapassam o meu entendimento. Vejam que, até mesmo o próprio traidor Judas, a seu tempo, realizou milagres “em nome de Jesus”, muito embora – provado ficou – não acreditasse Nele. Eis ai o que não consigo explicar, então, à luz da minha pequenina fé? Você consegue? Claro, como já disse, não precisaria ser eu próprio a realizar tais milagres. Bastaria que visse outras pessoas fazerem! Por exemplo, sacerdotes e bispos de nossa Igreja? Ou religiosos? Ou pessoas de oração profunda? Mas nada, eis que minha busca percorre os dias, e apenas em casos muito esporádicos, nos grandes santos de tempos idos, vemos tais prodígios! Porque não hoje? Conheço uma senhora, a quem muito eu gostaria de ajudar, que parece sofrer todas as dores do mundo. Sinto até que se trata de uma “alma vítima”, escolhida por Deus para sofrer pelos outros. E põe sofrer nisso! Ela tem dores desde a sola dos pés, até o cimo da cabeça. Noutro dia até, seu filho pequeno, em vista de tantas dores, mas brincando, disse que a mãe deveria entrar para o Guiness, o livro dos recordes, pois ela “é a mulher que tem mais dores no mundo”! Pois eu sinto que deveria ajuda-la! E até sei que poderia faze-lo! Mas sabe o que acontece? Eu simplesmente descobri que não sou capaz de cura-la em nome de Jesus Cristo - em Quem eu creio com toda a força de meu pequeno coração – só porque tenho medo de a cura não acontecer e eu vir a fazer o papel de idiota. Viram que fé miserável a minha? Quer dizer, minha fé é apenas de aparência. Como se minha fé devesse ser maior do que o Deus que cura. Ou seja, por frente eu acho, ou digo, que confio em Jesus, mas continuo – no meu coração - desconfiando que a minha fé seja fraca demais! Quer dizer, de fato eu não confio! Não tenho fé suficiente! Não acredito de verdade, pois se acreditasse com fé inabalável, a cura se daria! E assim acontece com todos nós! Peçamos ao Pai o aumento desta nossa fé! Mais do que nunca, agora neste Fim dos Tempos, precisaremos dela. Então certamente que – no auxilio a nossos irmãos - poderemos agir como os apóstolos, depois de batizados pelo fogo do Divino Espírito. Eles curaram milhares de pessoas cada um, porque realmente acreditavam no poder infinito de Deus. Sim, eles haviam convivido com o Mestre e aprendido com Ele. Haviam presenciado milhares de curas e milagres e tinham exemplo do quanto a fé pode alcançar de Deus. Mas se não tivessem se empenhado na busca pessoal desta fé, certamente que não haveria apenas um Judas entre os doze. Nós igualmente, sem este exercício profundo da confiança extrema, ilimitada, da fé sem restrições nem obstáculos, da fé pura e humilde, que pode advir do infinito de nossa pequenez, certamente que continuaremos muito mais tendendo a duvidar de tudo, que a nos aproximar daquela fé humilde e simples que Jesus nos pede: se tiverdes fé suficiente, e não duvidardes em vossos corações. Fareis estas obras que faço, e fareis ainda maiores. Com efeito, Abraão, o antigo patriarca, acreditou piamente na certeza de ser pai de muitos povos. Ele, sem vacilar(I Rom 4,19) um só momento acreditou, embora ele já fosse velho e Sara, sua esposa já tivesse mais de 100 anos de idade. Ele jamais se deixou abalar pela desconfiança, pois tinha certeza plena de que Deus sempre cumpre aquilo que diz. E é este “acreditar, sem vacilar e sem se deixar abalar por nada”, que decididamente nos falta. Quando acumularmos, pois, uma dose segura desta fé de Abraão, e a aliarmos àquela fé humilde da mulher e o cachorrinho, somarmos isto à fé decidida do centurião romano, unida à fé inabalável da mulher que sofria do fluxo de sangue, certamente então faremos as mesmas obras que Jesus fazia, e estaremos nos preparando para fazer ainda maiores. Até lá eu jamais desistirei de buscar esta mesma fé. Acho que o cristão não deve deixar de busca-la, com espírito decidido e firme; mas com uma humildade tal que, já pela sua caminhada possa colher os frutos – mesmo pequenos – de tudo aquilo que a fé em Nosso Senhor Jesus Cristo nos pode proporcionar. Por ora, com esta mesma fé, acredito que a sua 2ª Vinda Gloriosa está próxima! Então – queira o Pai que eu possa viver este momento – na presença de Jesus, eu buscarei Dele a compreensão deste fabuloso mistério! A FÉ! Fonte: Recados do Aarão |
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