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LAGAR DA IRA
(Artigo escrito em 2004) No Santo Evangelho deste domingo(13/10), em Mateus 21,33-43, Jesus trata da alegoria de uma vinha, ou seja, uma parreira de uvas, onde um pai de família a planta com todo cuidado e carinho, e a arrenda para alguns lavradores. Quando chega o tempo certo, ele manda seus servos a recolher a sua porcentagem, entretanto os arrendatários matam, expulsam ou apedrejam os seus servos. E assim o fazem, ainda uma segunda vez. Então o pai manda seu próprio filho para receber seus dividendos, entretanto os lavradores o matam para tomar posse da sua herança. E Jesus termina dizendo: nunca lestes nas Escrituras: “A pedra que os construtores rejeitaram, tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor admirável aos nossos olhos. Por isto vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele”. Notadamente, quando os sacerdotes de hoje se aventuram em explicar esta passagem das Sagradas Escrituras, eles o fazem de forma arranhada, mal tocando no assunto de que este Filho morto pelos lavradores homicidas é na verdade Ele mesmo, Jesus Cristo. Alguns até arriscam dizer que quando Jesus fala em tirar este Reino de Deus para ser dado a um outro povo que produzirá frutos, refere-se ao fato de que a condução da Palavra de Deus seria retirada do povo judeu, para dá-la aos outros povos da terra, que haveriam de produzir os frutos necessários à salvação. Mas que esta profecia de Jesus, na verdade dava início ao longuíssimo “tempo das nações pagãs”, o último tempo da redenção, ou seja, quando terminasse este último tempo, o dono da vinha viria buscar os frutos; isso, de fato, jamais vi um sacerdote explicar. Eles não arriscam isso, pois têm um medo fenomenal de errar. Agora mesmo – hoje é domingo – passo em frente da TV e vejo meus filhos assistindo ao “Esporte Espetacular” e ouço que em Tóquio, nadador X, bateu o Record mundial do nado de peito. Feito sem dúvida extraordinário. Mas imediatamente liguei as duas coisas, a alegoria da vinha da parábola de Jesus, e esta busca incesante e incansável por recordes, e verifiquei que há uma enorme identidade entre uma e outra. Digo, porém, identidade negativa, uma vez que a humanidade de hoje caminha na contramão da Doutrina e da divina Palavra. Ou seja, percebo que quando o Pai voltar para buscar os frutos da sua vinha Ele não irá gostar nada, nada daquilo que temos a lhe ofertar. E, é obvio, o Pai não quererá saber de nenhum destes recordes atléticos – nenhum mesmo – pois eles não servem para nada, a não ser alimentar o orgulho de uns, e afasta-los cada vez mais de Deus. Entretanto, podemos ver, o mundo de hoje é pródigo em recordes negativos, ou seja, que caminham contra a vontade de Deus. Na natureza, temos uma verdadeira explosão deles: recorde de terremotos, de furacões, de enchentes, de avalanches, de nevascas, de tornados, de chuvas de granizo, enfim, de manifestações furiosas da natureza, que parece ter perdido o controle. Também temos recordes de guerras, de acidentes em todos os sentidos, de destruição da natureza, de poluição ambiental, enfim, de fome, de miséria, de doenças, de pestes, de abortos, de assassinatos, de crimes de todos os tipos, e de corrupção generalizada em todo o mundo. Enfim, não há setor da atividade humana, onde não tenhamos atingido o limite máximo do suportável ou estejamos próximo dele. De que adiantam, pois, todos estes recordes no atletismo, se eles servem apenas – no geral – para iludir e cegar o povo, para que não perceba a ação maléfica do inferno, que provoca toda esta onda de maldade? O que muito poucos têm coragem de dizer – padres ou leigos – é que todos estes recordes negativos, têm uma só e decisiva causa: a imensa crise de fé que abala o homem moderno! Têm a ver com o progressivo, e agora cada vez mais acelerado, afastamento de Deus. De fato, Deus é o centro do Universo e o Senhor único de todas as coisas. Tudo deve, pois, caminhar com Ele e para Ele, em simbiose perfeita e sincronia milimétrica. Quando as coisas não caminham nesta única direção verdadeira de bem, caminham na direção do mentiroso e do mal. E quanto mais elas se afastam da Verdade e do Bem, tanto mais se afastam de Deus e, quanto mais longe vão, mas provocam todos estes efeitos negativos, de maldade e de mal. Esta é a única explicação! Ora, a crise de fé, se nota primeiramente na Igreja católica, a única fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo. E quando falo em crise de fé, não me refiro a um simples tempo de menor ardor e passageiro, mas em algo que se tornou generalizado, prolongado e cada vez mais devastador. De fato, nós temos batido, também na Igreja, todo tipo de recorde negativo: recorde de padres que deixaram a batina em busca da vida matrimonial; recorde de problemas sexuais envolvendo sacerdotes e bispos; recorde de comunhões sacrílegas, fonte de poder ao diabo; recordes de falta de oração, de falta de confissão, de mau uso dos sacramentos e recordes absolutos de igrejas vazias nas celebrações. Agora mesmo, se inicia uma corrida monstruosa para buscar outro – o último – recorde que nos pediu satanás: recorde de sacrários vazios! Quando isso acontecer, então certamente que estaremos chegando ao ápice da maldade dos “lavradores homicidas”. Então será o tempo da colheita! Já na leitura de hoje, o profeta Isaías em 5, 1-, também faz alegoria entre o povo de Israel, e uma vinha. Fala desta vinha perfeita, plantada com carinho em terra fértil, cercada, tratada com zelo, mas que produziu apenas “agraço”, ou seja, uvas azedas e sem valor. Já este agricultor citado por Isaías, não esperou mais tempo com sua vinha, nem lhe deu uma segunda chance. Ele mandou arranca-la e deixar seu campo para o crescimento das sarças e urzes silvestres. E termina dizendo: “A vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são a planta de sua predileção. Esperei delas a prática da justiça e eis o sangue derramado, esperei a retidão e eis os gritos de socorro”. Ora, hoje a condução da palavra – na verdade o arrendamento da vinha – não está mais por conta da casa de Israel, nem para Judá o preferido do Senhor, mas sim, por nossa conta, das nações pagãs, de quem o Senhor está preste a mandar buscar os frutos. Quais recordes o Senhor espera obter da produtividade de Sua bela vinha? Recordes de homens santos, recordes de verdadeiros filhos de Deus, recordes de pastores prolíferos e cheios de frutos de Vida Eterna, recordes de aplicação santa dos maravilhosos sacramentos, caminhos de salvação e fontes perfeitas de graças, recordes de comunhões santas e perfeitas. Enfim, recordes de pessoas abraçando a fé católica e sendo batizados em nome de nosso Deus, único resgate possível para aqueles que não têm garantida a salvação, nem o céu. Isso é o que esperava de nós o Senhor dos Exércitos, que está para mandar novamente ao seu Filho, Jesus Cristo, para buscar os frutos de nosso trabalho. Mas veja, já Ele próprio, antes de subir ao céu, perguntava aos seus apóstolos: “Quando o Filho do homem voltar, acaso ainda encontrará Fé sobre a terra?” E o profeta Isaías pergunta: E agora... sede vós juízes entre mim e a vinha. Que poderia eu fazer pela minha vinha que não tenha feito? D fato, que foi que Jesus deixou de fazer por nós que não tenha ele feito? Em nada o Senhor nos faltou, de coisa alguma poderemos cobrar-lhe efeitos. Entretanto o mesmo Senhor nos diz: o Lagar está cheio, as cubas transbordam, é grande a maldade dos homens. Lagar, na vinha, é o espaço onde as uvas são pisadas com os pés. Cuba é onde se armazena o mosto, o suco das uvas recém espremido, para depois leva-lo a fermentação nos tonéis apropriados. Lagar, entre o povo de Deus, é a messe do Senhor, onde deveríamos produzir frutos de santidade. Mas que fizemos? Esperei delas a prática da justiça e eis o sangue derramado, diz o Senhor! É o sangue inocente que transborda das cubas da nossa falta de fé e da nossa iniqüidade. Por isso o Senhor nos pergunta: “Quem é aquele que vem de Edom, de Bosra, as vestes tintas, envolvido num traje magnífico, altaneiro, na plenitude da força? Sou Eu, que luto pela justiça, e Sou poderoso para salvar. Porque, pois, tuas roupas estão vermelhas, como as vestimentas de quem pisa num lagar? Eu pisei sozinho no lagar, e ninguém dentre os povos me auxiliou..” (Is 63,1-3) Este que tem as vestes manchadas é o Divino Cordeiro, Jesus, imolado pelos nossos pecados, nossas faltas e todos os nossos recordes negativos. Este é o filho do dono da vinha, que foi morto pelos fariseus judaicos daquele tempo, eis porque tem as vestes manchadas de Sangue e Sangue redentor. Mas o mesmo texto de Isaías, de uma hora para outra muda de tom e de tempo. Muda de direção e sentido ao dizer: “Então eu os calquei com cólera, esmaguei-os com fúria; o sangue deles espirrou sobre o meu vestuário. Manchei as minhas roupas. É que eu desejava um dia de vingança e o ano da redenção havia chegado. Olhei então, e não houve pessoa alguma para me ajudar; estranhei que ninguém me viesse amparar; então apelei para o Meu braço e achei força na minha indignação. Por isso, na minha cólera, arrasei os povos. Na minha fúria triturei-os, fazendo correr seu sangue pela terra” (Is 63,3-6). Sim, dentro de um simples versículo do profeta, há um hiato de quase dois mil anos. Ontem foi o povo judeu – por força de nossos pecados – quem pisou o lagar e manchou as vestes do Filho do dono da vinha. Agora é o Senhor quem virá pisar com fúria, porque Ele diz: é imensa a maldade dos povos! Sim, o ano da redenção está chegando, ano em que o Senhor virá, Ele mesmo, apascentar o pequeno rebanho fiel que ainda subsiste. Sim, ninguém o veio amparar, terá Ele que vir sozinho, pois divididos os pastores, cada um só pensa no próprio pasto. E por causa dele e de nós, muitos ainda terão que manchar as próprias vestes em sangue, para completarem “o número daqueles que devem ser mortos” (Ap 6,11), e “lavarem suas vestes e as alvejarem no Sangue do Cordeiro”(Ap 7,14). Não, não, não imaginem que o tempo da ira é outro, nem que os nefandos crimes do homem terão curso por muito tempo. Não imaginem que a Justiça, não venha um dia, tomar assento no lugar da misericórdia. Por diversas vezes o Senhor fala: desejei um ano para a minha vingança. Este ano, meus amigos, está tão próximo que já me vem às narinas o odor de sangue, pois começam já os anjos a pisar o lagar da terra. Já eles gritam “metei a foice, a messe está madura; vinde pisar, o lagar está cheio, as cubas transbordam – porque é imensa a maldade dos povos! (Jl 4,13) Nunca, foi, meus caros leitores, cumprido ainda este oráculo. Jamais a maldade dos povos atingiu tamanha alucinação coletiva. O tempo é hoje! Pois, Pastores, em grande numero, destruíram minha vinha, e pisaram as minhas terras, transformando em horrível deserto a minha propriedade encantadora. Tornaram-na solidão e apresentaram-na a meus olhos enlutada e devastada. Desolada ficou a terra, pois que ninguém mais a toma a peito. De todos os cantos do deserto, surgem devastadores (Jr 12,10-12). De fato, que apresentarão a maioria dos pastores ao Senhor da messe, quando ele vier cobrar os frutos, senão ervas de podridão, urzes, espinhos e cardos em terra árida? Em que está sendo transformada a vinha do Senhor em muitos lugares, senão num deserto sem fim? Ele, o Senhor, que esperava encontrar seu rebanho caminhando rumo às pastagens sem fim da eternidade, encontra-o agora competindo em recordes nefastos, e envolvido em tramas que conduzem à morte das almas! Que fará este Senhor quando voltar? Eis o que diz o Senhor, Deus de Israel: Toma de minhas mãos esta taça cheia de vinho da minha ira, e faze com que dela bebam todos os povos... Quando tiverem bebido, eles ficarão aturdidos e enlouquecerão à vista da espada que contra eles enviarei ” (Jr 25,15-16). E o Senhor dirá ainda seu anjo ceifador: “Lança a foice, afiada, e vindima os cachos da vinha da terra, porque maduras estão suas uvas. E o anjo lançou sua foice à terra e vindimou a vinha da terra, e atirou os cachos no grande lagar da ira de Deus. O lagar foi pisado fora da cidade, e do lagar saiu sangue que atingiu até o nível dos freios dos cavalos, pelo espaço de 1600 estádios” (Ap 14,18-20). Acaso não ficará irado o Senhor da vinha, quando nos encontrar de mãos vazias? Quando perceber a imensa apostasia que hoje reina entre os homens que mais e mais se afastam Dele? Noutro dia, na capelinha onde se reúne o nosso grupo de oração, o “Salvai Almas”, o Arcanjo São Miguel se fez presente ao Cláudio, tendo em sua mão uma grande taça, cheia de uvas verdes. Ao ser perguntado, sobre o porquê das uvas verdes e não maduras, o nosso querido amigo disse: é para lembrar que nenhum de vós está preparado para o que vem! De fato, nosso entendimento ainda pequenino, mergulha em trevas ao tentar penetrar nos olhos do futuro. Mas os textos bíblicos não mentem! Os sábios profetas de tempos idos, já deixaram relatado muito claramente tudo aquilo eu acontecerá. Os sinais estão todos aí! O grande erro da maioria do pastores, que deveria alertar o povo para os tempos próximos e terríveis, é acreditar nas explicações simplistas que o diabo ensinou para alguns: Isso já passou! Isso foi antigamente ou aquilo é apenas “simbólico”, e, pior, isso é coisa de loucos, de lunáticos, de doentes! Eles passam por cima dos sinais de Deus, com a mesma delicadeza que um tanque de guerra israelense amassa um automóvel palestino.Marquem bem! Quando o Senhor Deus tiver terminado de esmagar todo o orgulho humano e toda esta “sabedoria” dos homens, tudo muito bem pisado e triturado no lagar da sua Santa e Justa Ira, não terá sobrado nada mais que um pequeno resto. Pois, eis o que diz o Senhor: quando se encontra sumo num cacho de uvas, diz-se: não o destruam! Há ai, uma benção! Assim, por amor a meus servos, em lugar de destruir tudo, tirarei de Jacó uma raça, e de Judá um herdeiro das minhas montanhas; meus eleitos as possuirão e meus servos ai viverão (Is 65,8-9). E estes pequenos servos que restarem, serão sem dúvida aqueles que não freqüentam os livros dos recordes do mundo, os Livro Guiness da vida, mas aqueles que buscam os recordes do céu: Recordes de caridade, de amor, de graças e de santidade, de justiça e de paz, de verdadeira obediência e fidelidade ao Papa João Paulo II, além de recordes de comunhões bem feitas, de Santas Missas assistidas, de Rosários rezados, em união filial à Virgem Maria! Corações cheios de amor a Jesus Cristo e almas puras a espera do Senhor que vem! Quanto aos maus leigos, quanto aos maus pastores, e a todos aqueles que preferirem o erro e os recordes de escândalo do mundo, o Senhor, a pedra de tropeço, a pedra de escândalo, avisa ainda uma última vez: “Aquele que tropeçar nesta pedra, far-se-á em pedaços; e aquele sobre quem ela cair será esmagado”. Sim, vós todos nela tropeçam porque não obedecem à palavra e realmente era este o seu destino.(1 Pd 2,8) Ontem, esta passagem das Escrituras Sagradas foi dita para os fariseus e para os hipócritas do tempo de Jesus. Hoje, serve para os hipócritas e os fariseus que fingem, ou ignoram propositadamente, os sinais e avisos do Céu. Ontem, serviu para os falsos doutores da lei, que haviam subvertido os mandamentos e a Lei do Senhor. Hoje, serve para os falsos pregadores, os falsos teólogos, que pregam uma palavra mundana, completamente divorciada da Santa Doutrina e dos Evangelhos. Ontem, porém, foram os maus quem eliminaram os Filho do Dono da vinha! Hoje, o Filho do Dono da vinha, virá “sob as nuvens do céu” para esmagar todas aquelas vinhas que não deram frutos! Ai das árvores sem frutos! Ai das figueiras bravas! Correm sério risco de serem “amaldiçoadas”! Ai, ai! Por isso, peçamos por eles: Senhor, olhai do alto do céu e vede, da vossa santa e gloriosa morada. Que foi feito do vosso amor ciumento e do vosso poder, e da emoção do vosso coração? Daí livre expansão à vossa ternura, porque sois nosso Pai (Is 63,15). Mistério inefável de Amor, fonte inesgotável de Misericórdia, fazei Senhor, que eles todos se arrependam e vivam. Porque, sem perdão, sem arrependimento, é a Justiça! Ai do mundo, por causa de seus escândalos! E assim, pedimos: Salvai-os, Senhor, enquanto é tempo! Enquanto há tempo! Lutando pelo Rosário! Fonte: Recados do Aarão |
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