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PERSEVERAR NA FÉ!

 

Está dito: “O meu justo viverá pela fé” (Heb 10,38)! E o som destas palavras, promessa inefável de nosso Senhor e Deus, deve ser hoje para nós católicos, a mais perfeita palavra guia, justo nestes tempos de iniqüidade que avançam. Elas devem ressoar constantemente aos nossos ouvidos, como alavanca de ânimo e como certeza de vitória, pois “o que Deus promete não trai jamais”.

   Sim, em Jesus “temos um sacerdote iminente, constituído sobre a casa de Deus. Aproximemo-nos então, de coração reto e cheio de fé, tendo o coração purificado de toda má consciência e o corpo lavado com água pura. Sem esmorecer, continuemos a afirmar a nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa” (Heb 10,22-23): O meu justo viera pela fé!

   Porque volto com tanta insistência a este tema? Porque é justo agora, quando estamos chegando ao tempo último de definição, da separação entre os bons e os maus, tempo em que é preciso decidir para sempre quanto a quem manda em nossa vida e nossa alma – Deus ou o diabo – é agora que necessitamos mais do que nunca daquela fé valente e inabalável, capaz de nos apresentarmos “de pé” ao julgamento do Senhor que vem!

    Noutro dia, nos telefona um sacerdote de uma cidade grande do país, e nos disse que está cada dia mais difícil para os sacerdotes usarem roupas diferenciais – hábitos nem falar – como colarinho eclesiástico, ou outros distintivos do sacerdócio, pois eles passam a ser apontados na rua pelos transeuntes como uma classe desprezível, generalizando as atitudes de alguns maus padres. Disse que pessoas chegam a gritar do meio da multidão: “Ô pedófilo, como é que vai”? Triste, muito triste! E complementou dizendo que a maioria dos padres tende agora a desprezar estes distintivos ainda mais, por vergonha de tais situações, ou por falta absoluta de coragem para as enfrentar.

    E é ai, neste exemplo superior, que me baseio para pronunciar esta palavra de fé. Não seria agora o momento especial para estes sacerdotes provarem sua fé? Não seria esta hora de eles darem testemunho da sua Igreja? De ao invés de abandonarem a farda, ser justo o momento de voltarem a usa-la? De mostrar ao mundo, que embora todos os sarcasmos e todos os ataques dos inimigos, a Igreja não sucumbirá jamais, mesmo que as atitudes de alguns infelizes – nem diria maus – sacerdotes, a façam quase submergir na lama?

    E verdade é que tais atitudes de covardia, mais do que desperdiçar a graça tem muito contribuído para que alguns abandonem a fé católica. Eis que São Paulo nos exorta: “Velemos uns pelos outros para nos estimular à caridade e às boas obras. Não deixemos as nossas assembléias, como alguns costumam fazer. Procuremos, antes, animar-nos sempre mais, à medida que vedes o Dia se aproximar (Heb 10,24-25). Sim, se aproximar o Dia do Senhor” (1 Tes 5,2), aquele que “virá como um ladrão” (Mt 24,43). E verdade é que tais perseguições que hoje sofre a Igreja, nada mais são que o prelúdio obrigatório deste grande “dia”.

     Acima ressaltei no texto bíblico uma frase. Ela refere-se a todos aqueles que, nestes tempos finais, tem deixado a Igreja, em busca do vazio das seitas. Não se impressione se muitos abandonam a verdade. Afinal “eles não eram dos nossos. Se tivessem sido dos nossos, ficariam certamente conosco. Mas isso se dá para que se conheça, que nem todos  são dos nossos” (I Jo 2,18-19). Eles, de fato, são também amados por Deus e, portanto, não destinados à perdição. Entretanto, terão que passar antes pelo crivo da verdade. Eis que no momento certo, quando “o mar cobrir Babilônia”, eles perceberão que estão todos agarrados em pequenas bexigas de vento. Bexigas estas que serão todas, uma a uma, furadas pelos chifres de satanás. Então eles terão que buscar a barca da Igreja, cujo casco é do mais puro aço, pois só nela haverá amparo para os últimos náufragos deste tempo de trevas sobre a terra.

    Quanto, pois, eles saírem da nossa Igreja – pois arrefeceram do primeiro amor, (Ap 2,4) -  em busca de suas “bexigas de vento”, suas pobres e frágeis bóias, deixa-os ficar até o momento de Deus. Quando eles jogarem pedras na nossa Igreja, deixa-os jogar: o casco dela é de aço, não é inflável artificialmente e se balançar, não deixa marcas. Quando vocês virem os adversários da nossa Igreja, aliados aos inimigos dela plantados em seu interior, irem-na desfigurando, despojando de seus dogmas, seus sacramentos, seus objetos e imagens de culto e veneração, seus sacramentais, enfim, de sua Tradição Sagrada e da devoção a Maria, preparem-se para socorre-los.

    Sim, logo vocês irão perceber que a cada balanço que a barca de Pedro der, irão caindo fora dela alguns destes que não eram dos nossos, ou seja, os católicos frios, os mornos (Ap 3,16) os que já estão mortos, mas pensam que vivem (Ap 3,1). Prepare-se então, para em meio a tempestade ajudar a todos estes náufragos, das bexigas furadas, a subir novamente na barca que erradamente abandonaram.

    Que susto levarão quando explodir sua “bexiga”, alguns destes que vivem por ai gritando o nome de um tal “jesus”, um jesus de mentira, de uma “igreja” que não é Igreja, pois eivada de erros monumentais, pois privada dos sacramentos como canais e fontes de graça, privadas da Tradição como fonte reveladora, distantes da unidade sob Pedro, a Rocha inabalável sob a qual foi fundada a única Igreja de Jesus Cristo, e acima de tudo, igreja renegada que nega a Eucaristia, nosso Bem Supremo. Ai destas pequenas “noivas imprudentes” (Mt 25)!

    Por todas estas coisas, devemos agir agora, como São Paulo continua exortando a nos comportarmos novamente como os primeiros cristãos em sua Carta aos Hebreus, em 10,32: “Lembrai-vos, contudo, dos vossos primórdios: apenas havíeis sido iluminados, suportastes um combate valoroso. Éreis às vezes apresentados como espetáculo, debaixo de injurias e tribulações, outras vezes vos tornáveis solidários daqueles que tais coisas sofriam” (10,32-33). Eis ai um exemplo a ser seguido, agora, onde parece que mil infernos em fúria se abatem sobre nossa querida Igreja católica. Acaso estes primeiros cristãos não derramaram até seu sangue por esta mesma Igreja? E acaso não chegamos novamente a estes tempos de martírio?

    Sim, você verá, diante de seus olhos, este mundo maldito ruir. Você verá, diante de seus olhos estupefatos, a fé desertar de milhares de corações; você verá, diante de seus olhos, milhares de falsos católicos migrarem para o vazio das seitas; você verá, diante de seus olhos, uma Igreja aparentemente arrasada, destruída, sepultada mesmo sob os escombros da insensatez dos homens. Mas que isso tudo não sirva para você de lamento, antes de um revigoramento na fé. “De fato, é de perseverança que tendes necessidade, para cumprirdes a vontade Deus e alcançardes o que Ele prometeu. Porque ainda um pouco, muito pouco tempo, e Aquele que vem, lá estará; Ele não tarda” (Heb 10,36-37).

     Sim, o Senhor não tarda a chegar. E quando chegar, Ele dará a cada um segundo as suas obras. E é Ele quem diz: “No mundo havereis de ter aflições. Coragem!” ( Jo 16,33)! “Pelo contrário, alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que vos possais alegrar e exultar no dia em que for manifestada a Sua glória. Se fordes ultrajados em nome de Cristo, bem aventurados sois vós, porque o Espírito da Glória, o Espírito de Deus repousa em vós” (IPd 4,13-14).

     Afinal, “não somos desertores para a perdição. Somos homens de fé, para a conservação da nossa alma” (Heb 10,39). Porque o tempo está próximo! “Ainda um pouco, muito pouco tempo, e Aquele que vem lá estará; Ele não tarda. O meu justo viverá pela fé, mas se esmorecer, nele não encontro mais nenhuma satisfação” (Heb 10, 37-38). Rezemos por todos estes que esmorecem na fé!

     É tempo de separação! É tempo de reunião! Separam-se o joio do trigo, cada um para seu destino final. Reúnem-se os servos fieis e prudentes, dos relapsos e imprudentes. Eis que o Ceifador vem! Eis que o Noivo vem! Eis que o Juiz vem! Então: Ai do joio! Ai das noivas imprudentes! Ai dos cabritos (Mt 25,41)! Enfim, ai dos escarnecedores, cheios de zombaria (II Pd 3,3), estes que saúdam nossos sacerdotes de uma forma tão sádica e cruel! Que Deus se apiede deles!

    Enfim, com verdadeira alegria, nos alistemos no exército do Senhor. Ele tem Jesus como general e tem Maria como comandante. É um exército antecipadamente vencedor, pois está dito que o inferno não prevalecerá contra a Igreja. E se não prevalecerá é porque “Pedro será vencedor”! E embora a Palavra nos diga: ai de quem deseja ver o Dia do Senhor, eu anseio por este dia.

    Submissos, atentos, humildes, confiantes e cada dia mais cheios de coragem, cada um de nós, mesmo enfermo deve dizer: eu sou guerreiro!(Jl 4,10) Eis-me aqui Senhor! Quanto aos “tíbios e aos infiéis” (Ap 21,8), isto é, os católicos mornos e frios, se não se decidirem logo, para estes o destino é a segunda morte. E nós queremos a Vida! Queremos a vida para nossos filhos! Queremos voltar a ser plenamente Filhos de Deus, pois para isso fomos criados! E para chegar lá é preciso apenas se manter na fé! Pois “aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 24,13). Promessa de nosso Senhor Jesus Cristo!

Fonte: Recados do Aarão

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