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NO PÂNTANO DO INFERNO

 

     Já em dezenas de trabalhos que temos publicado, procuramos levar o leitor a perceber, em linhas gerais, que esta civilização, dita moderna, está esvaindo-se pelo ralo. Procuramos mostrar, que tudo o que hoje fazem, governos e governados, é nada mais que colocar remendos e mais remendos sobre um saco roto, que vasa a cada dia mais. Que chegará o momento em os homens perceberão o imenso labirinto em que se meteram. Que andaram, andaram, e hoje encontram uma única saída: na frente está o pântano do inferno! Agora não há mais como voltar atrás porque – longe de Deus – as portas se fecharam às nossas costas! 

     Surdo e cego aos apelos de Deus, completamente cheio do ufanismo de seu progresso, o homem foi incapaz de ouvir e observar os sinais que o céu lhe mandava, dia após dia, ano após ano, século após século, milênio após milênio. Na verdade, ao invés de seguir a proposta do Amor, ele preferiu decididamente o doce caminho do inferno – a “porta larga” – eis que agora muito tardiamente o homem percebe que simplesmente não dá mais; que é impossível seguir adiante, porque o carro humanidade afundou de vez no lodo maldito. Até mesmo os mais otimistas – tirando os ateus e os atoas – já não conseguem esconder suas preocupações quanto o futuro. Pois bem, quem não viu nem ouviu, agora tem que sentir

    A caminhado do homem foi de livre escolha. Céu e inferno sempre estiveram à sua frente! Mas ao invés de seguir os caminhos da luz e da verdade, insanamente, o homem preferiu o caminho da escuridão e da mentira; como irá reclamar agora se colhe o fruto das trevas? Ninguém, agora, terá o direito de acusar a Deus, se os caminhos seguintes nos levarem a explosão de toda esta civilização “moderna”. E, não duvidem, o próprio homem, por absoluta estupidez, reduzirá a zero tudo aquilo que tão penosamente construiu. 

    Em 1846, nas aparições de La Salette, Nossa Senhora falou que os nossos tempos seriam precedidos de uma “falsa paz”. Muita gente, talvez porque continuamente ouve falar em guerra, não percebeu que esta falsa paz prenunciada seria fruto do ufanismo do homem, do seu orgulho da obra criada, da imensidão dos exércitos que possui, no imenso arsenal das armas de destruição que fabricou, no terrível poder de fogo de todos os seus aparelhos de guerra, foguetes, aviões, mísseis nucleares, enfim, em tudo aquilo que é capaz de gerar uma certa – e falsa – segurança. Mal sabe o homem que isso tudo, mais o imenso volume de riquezas que a civilização moderna acumulou – ouro, muito ouro, embora regado em sangue – e dos imensos avanços tecnológicos, tudo isso somado, deu a ele a falsa idéia de que pode viver sem Deus. De que não precisa de Deus! 

    Falsa paz, falsa idéia! Nunca o homem foi tão dependente do Criador como agora. E esta dependência umbilical Dele, neste momento, não é apenas para fazer com que o homem atravesse o pântano em que se meteu, mas simplesmente para evitar que todos morram na travessia, agora obrigatória. Sim, agora não há outro caminho: para sentir enfim que precisa de Deus, que não pode viver sem Ele, que nunca deveria ter tentado viver sem Ele, ou livrar-se Dele é preciso que o homem atravesse o inferno em toda a sua extensão! De fato, as portas já estão prestes a ser abertas: o anjo do quinto flagelo (Ap 9,1) já desce com a chave nas mãos. E quando as portas infernais se abrirem, ao som da trombeta, então um rugido pavoroso, semelhante ao fragor de mil batalhas, fará tremer a terra, ares e mares. 

    O sinal para a descida do anjo está preste a ser dado. A única “barreira” que impede a sua passagem é João Paulo II, nosso querido e santo pastor. Só ele ainda tem forças para deter este anjo, que aguarda desde sempre, para o dia e para a hora (Ap 9,15). Porque então se fará no Céu um profundo silêncio! Então não mais se ouvirão, nem se verão pequenos sinais dispersos e esparsos como hoje, mas terão curso os grandes sinais! Fogo, terra, água e ares, tudo estará penetrado pela fumaça do abismo. Tal será a multidão dos pecados do homem que terá ultrapassado o infinito e terá tingido até o céu de vermelho e sangue. 

    Ouça, pois, agora, enquanto você pode, o som das músicas e cantos; logo haverá somente choro e prantos! Sinta, por hora, enquanto pode, o prazer de uma boa mesa; logo haverá somente fome e sede! Viva, por hora, a saúde e a alegria; logo haverá só dor e sofrimento! Se agarre, por hora, na imensidade de seus bens terrenos e fugazes; logo só haverá miséria e desespero! Corra, agora, atrás da luxuria e dos prazeres; logo haverá somente gritos e infortúnios! Como poderá haver alegria e prazeres, no chafurdar na lama, no debater-se em dores, no afogar-se em mazelas e no sucumbir entre milhares de desgraças conjuntas? Que se pode dizer de uma criatura infeliz como o homem cego do hoje, que vive no inferno, mas pensa que isso é normal. Pois acha tudo normal? 

    O homem escolheu o caminho! O homem escolheu a vida que queria levar! O homem moderno escolheu e traçou deliberadamente o seu destino rumo ao inferno. Quem lhe mandou dar ouvidos à serpente? Poderá agora mais uma vez dizer para Deus: foi a serpente que me enganou? Não, jamais! Esta história já foi contada há mais de sete mil anos atrás e ressoou perfeita em bilhões de ouvidos! Ninguém poderá alegar que nunca a escutou! Nenhum de nós pode dizer, eu não sabia! Agora, dá-lhe em dobro em tristezas e em prantos dirá o anjo vingador! É tarde para lamurias e lamentos! Todos choram? Quem os acalma? 

    Cegueira pouca é burrice, nos fará ver o inferno! Um turbilhão de mil caudais se está formando. Logo a catarata que cega a maioria será operada pelo bisturi do inferno. E quando ele aparecer diante da humanidade, escancarado e ululante, milhões de homens perceberão – embora tardiamente – até que limite do supremo, chegou a imensidão da sua imbecilidade. E não volto desfilar diante dos olhos de todos os leitores a imensidão dos pecados e dos crimes do homem; primeiro porque já o fizemos; depois, será que adiantaria? 

    E se pergunta: acaso adiantaria voltar a lembrar ao homem, onde é que estão, uma a uma, todas as armadilhas do inferno? Penso que não! Afinal, Deus que é Poder, Deus que é Força, Deus que Sabedoria, nem Ele, embora o esforço de milhões de sinais, embora dois mil anos do Evangelho de Jesus, têm conseguido abrir os olhos de todos. Aliás, é quase insignificante a minoria que consegue ainda vislumbrar alguma coisa para cá do atoleiro. E esta pequena minoria, sabedora do que a espera trata de se preparar urgentemente para a travessia. Que se deve usar para atravessar um pântano? Falo de algo que se possa levar sozinho? Um balão, por exemplo! O balão das orações, das preces, dos sofrimentos, dos escárnios da maioria, dos risos de mofa, dos olhares de pena: coitado, ficou louco! Também o balão poderoso das Missas que sobem aos céus, da Confissão que alivia o peso dos pecados e das obras da caridade e da partilha que vão sempre a frente de quem as pratica.

    Mas a imensa maioria, cega, surda, bestializada completamente, esta, mesmo vendo o abismo em que se enfia, não percebe que está carregada demais para conseguir atravessar o pântano. Que insiste ela em levar junto? O dinheiro, o lucro, o ter, o poder, a fama, o ócio, o prazer, a vantagem, o logro e os vícios em geral, todas coisas pesadíssimas, que somente afundam ainda mais, a todos aqueles que as carregam. Pobres deles! 

     Afinal, ninguém quer largar as iscas do inferno. As Bolsas de Valores explodem, mas os incautos não desistem de aplicar nelas! O podre dólar vai às estratosferas, mas os sedentos por lucro fácil mais e mais nele aplicam! Tudo indica o limite da prudência, mas é tão grande a fascinação que o lucro exerce nestes incautos, que nada é capaz de os fazer ouvir a voz da razão. Quem ganhou quer lucrar mais; quem perdeu que recuperar o perdido! Mal sabem todos eles, que os olhos do inferno vigiam cada movimento de sua ceara! Pequenos ou grandes, quanto mais fortemente lucrarem, aqui, mais terão que pagar depois ao inferno em termos de sofrimento e angustia, também aqui.

     Verdade, o demônio não se conforma apenas em fazer perder a alma no inferno. Seu sadismo é tal, sua crueldade é tamanha, que ele não consegue esperar para fustigar a pessoa apenas na eternidade: ele o faz, com todos, ainda aqui! E são milhares e milhares de exemplos que hoje acontecem! Achem-me um só império econômico, por poderoso que tenha sido, que não tenha desabado! Achem-me uma só grande fortuna, cujo dono não tenha pago em sangue e em vidas o seu preço ao inferno! Grandes ou pequenas, todas as fortunas, sejam elas amealhadas pelo lucro fácil, seja pela exploração opressiva, seja pelo roubo velado ou escandaloso, nenhuma delas subsistiu sobre o cadáver de seu dono.

     Milhares de pessoas rezam hoje para ganhar na loteria ou na “mega sena”! Rezam e jogam! Jogam, rezam e desafiam a Deus, tipo: se eu ganhar vou dar uma boa quantia para a Igreja! Para obras de caridade! Belo e descarado comerciante você é! Acaso pensa que pode negociar com Deus? Acaso imagina que Ele precisa de dinheiro? Não, quando você faz esta proposta indecorosa a Deus, Ele “deixa-a passar”, e faz com que sua proposta chegue aos ouvidos do diabo! E você sabe no que dá, não sabe? Mostre-me, então, qualquer um destes grandes ganhadores de prêmios na Loteria, que seja realmente feliz?

     Olhem, agora, investidores estúpidos! Observem o escândalo dos balanços fraudulentos! De que adiantou aos fraudadores a apresentação de balanços lucrativos, se agora para eles se abrem as portas das prisões. De que adianta ser dono de grandes conglomerados, de grandes corporações, se afundadas em prejuízos, se devidas nos bancos e todas elas estão caminhando a trilha das concordatas! Acaso é Deus quem quer que eles vão a falência? Não é o diabo quem exige deles, ainda aqui, esta cota de sofrimento. Ele tem um verdadeiro prazer em torturar aos que recebem dele a fortuna, o poder e o mando. Ninguém escapa! 

     Olhem, agora, vocês, pequenos investidores! Que é feito de vosso dinheirinho? Pensem no quanto vocês já pagaram – salgado preço – em termos de angustia, preocupação, medo de que o banco vá a falência? Medo de que o credor não pague! Medo de que o juro seja muito baixo! Medo de que o dinheiro não será suficiente para comprar remédios! Medo que bate no vovô e na vovó, não talvez para comer, mas sim para comprar remédios. Medo de todos que se fiam no poder do ouro. Enfim, do dinheiro só provém o medo! E é descarado, é mentiroso e é falso todo aquele que diz que a felicidade se pode comprar com o dinheiro! Deus! Eis ai a única e eterna felicidade! Deus não se compra nem vende! A Deus não se engana, nem se desafia!

    E vou terminar com um texto da carta de Tiago, especialmente dedicado aos ricos: “Pois bem, agora vós, ricos, chorai e uivai, por causa das desgraças que estão para vos sobrevir. A vossa riqueza apodreceu e as vossas vestes estão carcomidas pelas traças. O vosso ouro e a vossa prata estão enferrujados a sua ferrugem testificará contra vós e devorará vossas carnes. Entesourastes como que um fogo nos tempos do fim”(5,1-3). Sim, estamos agora, neste momento, vivendo estes “tempos do fim”. É, pois, exatamente para estes tempos que os ricos acumularam fogo sobre suas cabeças! Preparem-se para o choro da perda de tudo! 

     Sim, todos perderão tudo! Ricos com milhões! Pobres com centavos! E todos perceberão que ouro e prata não compram felicidade, não compram eternidade, não compram um lugar no céu. Ouro e prata, não compram a paz; pois haverá guerra! Ouro e prata não compram alegria; pois haverá choro e pranto! Ouro e prata não compram nem um segundo a mais de vida; pois para todos os lados se verá apenas morte e desespero! Por isso, “deitarão seu ouro às ruas” diz o profeta “sua prata será como lixo”, pois neles punham sua confiança e a sua consolação. Eis ai o ídolo abominável deste tempo maldito: o ouro!

   Agora os depósitos da besta estão cheios de ouro e sangue! Os Fort Knox nos EUA, que guardam o ouro americano; os depósitos da Rainha da Inglaterra, que guardam o ouro roubado do mundo, - Brasil inclusive - tudo isso irá ser um peso assustador para o homem mau, na travessia pelo pântano do inferno. Todos estamos agora juntos na caminhada! A usura de uns, com a miséria de outros. Quem nos mandou não ouvir a doce voz que nos pedia:  Olhai as aves do céu...”! “Olhai os lírios do campo...!” “Não os preocupeis com o que havereis de comer ou vestir...”, quem deu ouvidos a esta pregação? 

     Vejam agora o grande carro humanidade. Vejam como rangem seus gonzos! Vejam como avança devagar e pesadamente! Ele está carregado de crimes! Está enferrujado pelo ócio e carcomido pelo vício. Homens podres, almas podres, desviados do bom caminho, milhões delas trilham agora o pântano que lhes preparou Lúcifer. Ouçam os gemidos e os gritos dos pais e mães em desespero. Ouçam os gritos dos inocentes que são arrancados dos ventres das mães: o som deles perpassa o infinito! Vejam as ondas de povo, indo e vindo e fuga, por causa das constantes guerras fratricidas. Não está dito que “os homens definharão de medo, diante do barulho do mar e das ondas” de povo, fugindo em massa? 

    Os sinais de que a “fúria” de Deus está preste a entornar a taça da divina ira, são cada vez mais fortes e evidentes. O acúmulo exagerado de catástrofes em todo mundo, especialmente nesta última década, é um sinal claro de que estamos chegando a um limite do inaudito. Hoje mesmo, no Jornal da TV Globo, se noticiou que apenas nos últimos 10 anos, houve no mundo mais de 4.700 catástrofes relacionadas com o clima, com perto de 100 mil mortes. E as pessoas ainda acham normal quando na verdade isso significa 1,3 ocorrências diárias, com quase 30 mortes. Por que as chuvas arrasam a terra? Por que a terra treme tanto? Porque ela inteira esta assentada no pântano do inferno, e do pecado. Agora é tarde!

    O DIA está próximo! A China e a Europa já estão atravessando as primeiras etapas. Logo o mundo inteiro estará na mesma caminhada. Nem sempre chuva, nem sempre água, mas água, gelo, vento e fogo, todos explodindo ao mesmo tempo! Reze! Nada mais resta!

Fonte: Recados do Aarão

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