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O OCASO DA RCC?
No
assunto que entro agora, não entro como “expert” para uma longa
análise, mas como um pequeno e humilde observador para algumas
considerações. Preciso levar a público alguns alertas sobre o
movimento da Renovação Carismática Católica, que, nos últimos
anos, tem vitalizado a vida da Igreja e certamente mexido com as suas
bases. De fato, em nossa localidade não temos este movimento, embora
o nosso Pároco seja nomeado, em nossa diocese, como uma espécie de
diretor espiritual deste movimento. E a bem da verdade, ao que eu
saiba, aqui, apenas ele dá alguma força para as pessoas que
participam.
E como tenho estado sempre
junto com ele, numa caminhada diferente – levamos Nossa Senhora nos
grupos da RCC nas diferentes cidades – tenho tido oportunidade de
estar perto das pessoas que participam, especialmente dos líderes do
movimento. E, é claro, pude ir anotando alguns comportamentos, alguns
chavões repetidos por eles, assim como formas de tratamento dentro e
fora do grupo, seja entre si, seja em relação aos católicos da
comunidade que não participam dele e verdade é que acumulei alguma
experiência neste assunto. E à medida que ia anotando estas coisas,
pude perceber que alguma coisa não estava dando certo no movimento,
exatamente conforme interiormente eu previra. Tais coisas não podem
ser Igreja, ou vir da verdadeira Igreja, nem mesmo podem ser obra do
divino Espírito Santo que conduz esta nossa mesma Igreja, Católica
Apostólica Romana.
Entre as primeiras coisas
estranhas que notei foi que a maioria deles se autodenominava com um
certo ufanismo e ar superior, tipo “nós da RCC”, ou “eu sou da
RCC”, ou ainda mais simplesmente “eu sou da Carismática”. Ora,
acaso não pertencemos todos ao mesmo Corpo Místico de Cristo? Acaso
não somos antes Igreja Católica? Sim, “quem não soma, espalha”!
Quem se isola, divide! Quem divide, vem do “divisor”! Porque, é
claro, se todos nós pertencemos ao mesmo corpo, não podemos criar
“nichos” de poder paralelo, seja qual for a denominação que lhe
dermos, sob pena de dilacerar o Corpo a que todos pertencemos. Não
bastasse isso, em quase todos os lugares, o grupo passou a pressionar
os paroquianos restantes a obrigatoriamente seguirem e adotarem os
mesmos comportamentos e as mesmas formas de oração. Resultado: foi
um fiasco em todos os lugares!
E assim fui observando nestes
anos. Em certas cidades, formava-se um grupo ao redor de um líder.
Depois, com o surgimento de novos líderes formavam-se novos grupos,
com idéias novas, com modos diferentes e assim aconteceram “N”
divisões em muitas cidades. Pior, logo muitos destes grupos se
tornaram até antagônicos, cada um querendo “mostrar serviço”,
ou fazer melhor, quando não “aparecer”. Especialmente, pode-se
perceber que a maioria dos líderes, simplesmente não suporta que
alguém lhe “faça sombra”. Resultado bateu a ciumeira geral, e
logo vieram as intrigas e as futricas que levaram a inúmeras dissensões!
Vou dar alguns exemplos! Junto
com o nosso pároco, como eu já disse, nós caminhamos com Nossa
Senhora. Ele ia celebrar Santas Missas, onde fosse chamado, dentro
destes grupos da RCC, mormente porque na maioria das cidades os párocos
locais não querem nem saber do movimento. Claro, exigíamos sempre a
autorização do padre, caso contrário nada feito. O problema é que,
com as divisões e intrigas, chegou-se ao absurdo de um gupo trabalhar
contra as Missas dos outros, de modo que chegamos a ir numa localidade
para a celebração e tivemos que ir alguns quilômetros adiante, pois
haviam “transferido” a Missa para outra localidade, em vista das
discórdias internas da RCC. Resultado, quando normalmente as igrejas
ficam repletas nas celebrações, naquele dia havia apenas alguns
“gatos pingados” e nós rodamos mais de 200 Km para assistir a
isso tudo.
Noutros municípios, chegamos
ao absurdo de presenciar brigas homéricas, uns a favor, outros contra
a Missa – apenas porque fora o outro grupo que solicitara a presença
do padre – de modo que, numa localidade, nunca conseguimos mais
entrar. Enfim, pior que tudo, foi saber que, tendo na diocese um bispo
maravilhoso, este grupo opositor recebia instrução do grupo “X”
da RCC, de outra diocese. Resultado: confusão, intriga, futrica, discórdia,
desunião, falta de humildade, falta de respeito, falta de caridade,
estrelismo dos líderes, arrogância dos pregadores... e dizem que
“isso” vem do Espírito Santo. Ora, pois!
Continuo o exemplo! Durante
estas Missas com Nossa Senhora, muitas vezes o padre gentilmente abria
espaço para que eu, colono da roça, sem curso, sem filiação a
movimento algum, sem “carteirinha” da RCC, sem estar submisso –
ou subserviente – a líder algum, enfim, “autodidata”, falasse
um pouco do meu amor por Nossa Senhora. Pois vou lhes dizer que
algumas vezes tive muita dificuldade em me concentrar e só pela graça
de Deus que não “despenquei”, em vista dos olhares de ódio, dos
risos de mofa e escárnio dos “líderes” que se reuniam para
“ver” a Missa. Duvidam que era mesmo só para “ver”? Pois, por todas estas coisas e outras mais, pude perceber que nos últimos dois anos, especialmente em nossa região, a RCC despencou, tanto em número quanto em qualidade. E não é para menos. Nas mensagens ao Cláudio, referindo-se a estes grupos, Jesus lhe disse já há algum tempo: “nestes casos, ou cai o grupo, ou cai o líder”. E não tem dado outra coisa, caíram líderes, caíram grupos, caiu tudo, de sorte que hoje muito pouca coisa sobrou do movimento em toda a nossa região.
Ainda
nestes dias, em visita do nosso pároco ao senhor Bispo, este lhe
perguntou se em nossa paróquia tinha a RCC. E quando o padre disse
que não, o bispo lhe falou: melhor assim! É bom não ter! Mas,
como nosso padre gosta da Renovação, para dar uma forcinha ao já
decadente movimento na diocese, convidou um grupo de uma cidade próxima,
para uma tarde de louvor em nossa Matriz. E foi uma confusão só! O
que se viu foram narizes “empinados”, cabeças sobrepondo-se às
de todo mundo, uma infelicidade.
Depois, anotando das pessoas
simples de nossa comunidade, a impressão particular de cada uma, eu
obtive as seguintes principais: Som muito alto – excessos de altos e
baixos – pregação às vezes dispersiva – sem lógica seqüencial
– retornos continuados ao Espírito Santo – pareciam querer
“socar” o Espírito Santo nas pessoas, ou “afogá-las” Nele
– estrelismo do líder – estrelismo do líder do canto –
“donismo” do Espírito Santo – Maria foi apresentada, mas depois
esquecida - dança das cantoras em frente aos microfones – cantoras
rebolando dentro de jeans colante (um escândalo em qualquer lugar)
– muitos rindo o tempo inteiro – pessoas de idade não gostam de
estridências, entre outros! Depois, durante a Santa Missa: interrupção
da ordem seqüencial e obrigatória da liturgia – canto desafinado
por causa do estrelismo – excessiva prolongação dos cantos –
pregação particular do líder a cada
nova entrada litúrgica – enfim: a RCC apareceu e o padre
sumiu! Ou seja: Jesus sumiu, Nossa Senhora desapareceu e o Espírito
Santo foi sufocado. Só restou a festa particular do cantor!
Resultado: quem foi lá, saiu pior do que entrou!
Ai, quando a Santa Missa
terminou, o líder do movimento diocesano tomou o microfone e saiu com
esta “batata”, esta pérola: “Jesus mandou que EU cancelasse
a reunião do dia X que já estava marcada”. Maravilhoso! Eis ai
um obediente secretário particular de Nosso Senhor Jesus Cristo em
pessoa! Ou seria um novo jesus cristo travestido de secretário?
Realmente uma coisa absurda, completa e insanável. Claro que, nem
sempre, e nem em todos os lugares, as coisas correm deste modo. Mas,
com absoluta certeza, sempre, em todos os lugares, alguma coisa do que
falamos acima acontece dentro deste movimento. E é isso, exatamente
isso, o que o faz diminuir, decrescer, e a criar barreiras e adversários
poderosos, especialmente entre os párocos – muitos deles com
absoluta razão – pois estes comportamentos não são próprios de
quem quer ser Igreja.
De fato, alguns grupos nada
mais fizeram que criar novos nichos de poder. Com elevada burocracia,
cheios de “autorizações” para isso, ou para aquilo, cheios de
etiquetas e de “procedimentos técnicos”, verdade é que tudo isso
acabou gerando imensas confusões. Tal que, dadas as circunstâncias,
temos que conformar-nos com a idéia do nosso Bispo: melhor não ter!
Afinal, onde está aquele movimento alegre, renovador, reativador da
Igreja, que a fez quase como renascer neste país? “Mene, Tequel,
Peres” (Dn 5,25), eis ai o dedo de Deus escrevendo durante o
“festim” do rei Baltasar! Deus contou o tempo de suas ações e
dele deu cabo; foste pesado na balança e achado em falta; teu reino
foi dividido sobre ti mesmo. Não há dúvida de que foi por ai! E
verdade é que, atendendo a tantas pessoas como tenho feito, de todo o
Brasil, muitas me falam desta decadência geral dentro da RCC. Antes
havia uma certa empolgação nas pessoas que pertenciam ao movimento.
Elas pareciam ufanas em se declararem pertencentes a ele. Hoje tudo
decresceu e decaiu! Outro motivo?
Que
mais aconteceu? Alguns líderes agiram quase como confessores do povo!
Muita confusão causada pela “oração em línguas”! Também o
“repouso no Espírito”, nem sempre verdadeiro, quase sempre mal
explicado, causou muitas dificuldades de aceitação.
Mil e uma mentiras tipo “tive um revelação”! ou “recebi
esta Palavra”, e ainda pior “Deus me disse isso”. Onde está a
humildade de um coração curvado, de um ouvido realmente atento e
APENAS para o que vem do Espírito Santo e não da própria pessoa? E
mil e uma outras coisas como, “Deus me revela que X pessoas que
sofrem de tal doença estão sendo curadas”. Ou “quem foi curado
de “N” doença levante a mão”.
Claro, que existem dentro da
renovação pessoas ungidas para isso! Claro que existem padres santos
como o Padre Jonas quem tem este carisma. Mas daí a dizer que
qualquer mequetrefe orgulhoso e arrogante tem o mesmo dom vai um
abismo. O que eles fazem é dar um belo “chute”, e como tal dor ou
doença é comum a muitos dos presentes, sempre, algum deles é mais
tocado e acaba se revelando. Ou não? Perguntinha: não é isso mesmo
que fazem certos pastores evangélicos? Qual a diferença!
Assim, que não vou me alongar
mais neste assunto. E dou a mão “à palmatória”! Se eu estiver
errado, que me repreendam! Mas se estiver certo, não será hora de
alguns grupos se reciclarem? De deixarem de ser donos do Espírito
Santo! De voltarem a ser Igreja, obedientes a ela, fiéis a sua
doutrina, fiéis a Palavra Eterna e não como tantos, que a subvertem,
mal interpretam, escamoteiam e distorcem ao sabor de interpretações
pessoais e ao rompante de novas filosofias? E perguntamos: Acaso Deus se revela aos arrogantes? Aos “donos da verdade”? Só se nas igrejas particulares que alguns grupos da RCC montaram para si. Quem sabe até o espírito santo deles seja diferente? O jesus outro? Ou maria outra? Ai, é claro, somos nós os errados! Enfim, deixo fora disso os “servos” e os outros mistérios da RCC. O problema, ao que consta, está quase só nas “estrelas”. E paciência se acharem ruim que falo isso!
Pois para a gente, sempre fica
a tristeza de ver mais um movimento da Igreja indo mal das pernas.
Sim, movimento da Igreja, porque embora muitos prefiram dizer de si: nós
da RCC, verdade é que todos deveriam antes é ter ufanismo é de
pertencer a uma Igreja Uma e Santa. Porque, no momento em que eu crio
um nicho isolado dentro de um corpo, eu fico cada vez mais distante
dele. Enfim, de todas as partes do Brasil, para muitas pessoas que disseram pertencer à renovação, fiz as mesmas perguntas. E a principal das respostas para a crise interior da RCC é sem dúvida o estrelismo, o ufanismo, a soberba de alguns líderes. Para eles vão estes recados preciosos: 1 - Baixar a cabeça! É a única forma de todos poderem ver Jesus Cristo! 2 - Baixar a voz! É a única forma de ouvirmos a voz de Jesus! 3 - Tornar-se humilde! É a única forma de deixar o Espírito Santo falar e conduzir! Só ai o movimento crescerá e será Igreja! E assim, não adianta fazer grandes congressos nacionais para promover um movimento isolado. É preciso afundar os joelhos em oração, somando em unidade todos os grupos, e ser Igreja única, porque só a unidade vem de Deus. Afinal, quem espalha, divide! Quem divide, decresce! Quem decresce morre! E a Renovação Carismática Católica do Brasil está indo a pique! Não tenham dúvida disso! As causas estão aí, expostas! Quem tem olhos, veja! Quem tem ouvidos ouça! Quem não quiser ver, continue cego! Não deixemos mais este bonito movimento morrer! Fonte: Recados do Aarão |
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