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UMA IGREJA ESTRANHA

 

   Quem acompanha a vida de nossa querida Igreja Católica, especialmente nas últimas décadas, certamente que deve estar confuso e até possuído de um certo desânimo. Não este desânimo daqueles que estão pensando em desistir, mas sim, dos que sentem que nada mais podem fazer para mudar seus rumos, a não ser rezar. São pessoas que sentem claramente, que apenas uma intervenção divina e direta, será capaz de novamente a colocar nos eixos. 

   Não bastasse o dilaceramento que se tem feito do Evangelho através dos séculos, com as constantes divisões da Igreja em sempre novas seitas, agora mesmo, vicejam dentro da própria Igreja Católica, uma enormidade de alas, de correntes opostas e antagônicas, todas querendo tecer um evangelho próprio ao sabor de suas vontades, tipo, “fora Jesus”! E tanto mais vontades diferentes criam alas, mais se quebra a unidade e mais nos distanciamos da verdade. É por amar a esta Igreja Católica, é em sua defesa que escrevo este artigo. 

   Agora mesmo, abro o Jornal de uma Diocese do Brasil, e me deparo com uma verdadeira loucura. Simplesmente, para mim, mesmo sendo leigo, pequeno e quem sabe despreparado, é literalmente impossível concordar com os termos ali propostos, sob as barbas de um grande bispo (Seu artigo no jornal mesmo jornal é perfeito). E para que o leitor tenha uma idéia da diferença que há entre as propostas da Igreja Verdadeira e esta coisa que eles propõem no jornal diocesano, vou fazer um contraponto, usando apenas os termos que ali estão citados, item por item. Depois, veremos o quanto eles se distanciam das Palavras de Jesus Cristo. Sem citar o articulista, nem o Jornal, fixemo-nos apenas nos termos usados por muitos dos que ali escrevem, como “Igreja”, para definir: 

    MARIA! “Amo a Maria, mas não sou “devocionista”! Devocionismos, aparecionismos e visionarismos me irritam! Não temos necessidade de visões! Jesus é suficiente! Maria não pode ser considerada apêndice da salvação! E também: Maria a que pede... Maria a que desperta!... Maria me convida a ser dócil a ação do Espírito Santo!”

    Vejam quanto há de contra-senso nisso tudo: Maria o desperta, Maria pede, Maria ensina, Maria o faz dócil a ação do Espírito Santo, mas ele NEGA a ação deste mesmo Espírito, que através das muitas aparições de Nossa Senhora – para ele devocionismos, aparecionismos e visionarismos que o irritam – tenta de todas as formas abrir os olhos de seus filhos para o grave momento do qual nos estamos aproximando. Que tipo de amor  distante é esse que nega a graça e se irrita com os sinais? Caro autor, quem diz que tem Jesus, mas não tem Maria, não tem nem Jesus nem Maria. Quem diz que ama Maria, mas lhe nega um papel relevante na história da salvação, intimamente ligado a Jesus, como Medianeira e Co-Redentora, meu caro, este, se reza a Ave Maria, não reza direito! 

    CARIDADE! Eis os termos e os chavões de outro texto: modelo político – marqueteiros – práticas autoritárias – cultura democrática – caridade não é uma prática apolítica – caridade é superar a exclusão – concentração de renda – mutirão de combate a fome – nação governada por elite – ordem política e econômica favorável aos pobres – modelo neoliberal – voto de cabresto – defesa corporativista – interesse dos banqueiros – títulos da dívida pública – política nacional – justiça, igualdade, fraternidade e liberdade!

     Estes os termos usados para falar de caridade! Pegue a sua Bíblia, e me ache quantos termos iguais a estes há nela para definir caridade? A qual a caridade o autor quer se referir? À daqueles que pregam os termos das palavras em negrito acima – os franco-maçõns – ou a caridade daqueles que pregam a morte do rico “sempre demônio” e a vida do pobre “sempre santo”? Acabar com a fome? E quem disse: pobres, sempre os tereis em vosso meio! Decerto um mentiroso para essa gente! Acaso ele já leu Coríntios 13,1-8? “A caridade é paciente... é bondosa... não tem inveja... não é orgulhosa... não busca o próprio interesse... não se irrita... não guarda rancor... não se alegra com a injustiça, mas se rejubila com a verdade. Ela tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta...” Pois, caridade não é só dar bens aos pobres; se eu não lhes mitigar também e junto a fome da alma, sou um cínico e um descarado. Acha que com as “palavras de ordem” acima pode falar em caridade? Onde o direito de envolver a Igreja em tal “coisa”? 

  PASTORAL! Eis os termos usados: Pastoral operária – bandeiras de luta – luta de classes – militantes – formação básica e sistemática – teológica e eclesiológica – organismos estrangeiros – luta contra a ALCA – contra a flexibilização da CLT – macroecumenismo – movimento popular – pastorais sociais – luta dos trabalhadores. 

    Que ação pastoral é esta, que usa o nome da Igreja Católica em luta de classes, em movimentos populares e lutas contra o governo? Coisas que, sim, podem envolver-nos apenas como cidadãos jamais como Igreja e a Igreja de Jesus Cristo! Quem lhes deu o direito de usa-la como trampolim para exercitarem o seu ódio aos ricos? Onde é que Jesus ensinou isso? Ação pastoral, isso é, ação do verdadeiro pastor de almas, é sem dúvida e exclusivamente aquela que ensina a ganhar o céu. Toda a ação pastoral da Igreja que não estiver exclusivamente voltada para os Sacramentos, para a Santa Missa, a verdadeira catequese, para a Confissão que liberta, para a Eucaristia que alimenta, para a oração com o coração, para os grupos de oração, (não de reflexão), para a leitura e vivência da Palavra, enfim, que não esteja voltada somente para conduzir para Deus e para o Céu, esta pastoral não vem do Céu, nem vem de Deus. É sim, a “pastoral” do mundo, cujo mestre é o diabo! 

CATEQUESE: Esta é terrível! eliminar... velhas concepções dos catecismos doutrinais – catequese vivencial – mística evangélico-comunitária – pedagogia da fé – bíblico-teológico-pastoral – renovação da mentalidade catequética – concepção renovada da catequese – contradição entre as várias Igrejas – legítimo pluralismo – expressões catequéticas – autêntica inculturação – comunitário-participativa – dialogal-ecumênica – sócio-transformadora – pedagogia de Deus – interlocutores da catequese! (Ufa! Quase quebrei a língua!) 

    Estes são os principais. Cada um destes termos mereceria um rebate! Mas daria um livro! Como se poderá maldizer os velhos catecismos, onde se aprendia o simples, o essencial, o necessário e o imprescindível? Deus é a essência da simplicidade! Para que tão horrendos termos? Servem para que afinal? Catequizar o diabo? Exorcizar o governo? Ou converter teólogos? Como pode se ministrar a catequese a uma criança usando de tais adjetivos e termos técnicos? É exatamente por causa dela que as crianças de hoje nada sabem de Deus. E porque quando crianças nada sabem, depois de crismados fogem da Igreja. E porque fogem da igreja quando jovens, que temos hoje a apostasia reinando dentro da Igreja e temos este exército de católicos frios, mornos e despreparados migrando para as seitas. 

    Querem saber? A catequese atual, que resulta destes vossos termos prolixos é esta: a da ecologia ao invés de Maria; a da luta de classes ao invés do “manso e humilde”; a do invade e mata, ao invés do “dá-lhe a outra face”; a da reunião e debate, ao invés do “vigiai e orai”; a do rouba dos ricos, ao invés do “pedi ao Pai e recebereis”; a do afronte o governo, ao invés do “dai a César o que é de César...”. e é por estas que digo: ai de vós, fariseus e escribas...(Mt 23), que pregais esta falsa doutrina! Haverá certamente um dia para o ajuste de contas! Bem dizia de vós São Paulo: “As palavras desta gente, destroem como gangrena”! (II Tim 2,17). 

    ELEIÇÕES! Um todo o jornal há chamados e chavões, sobre este tema. De todas as formas se procura incitar o povo, sempre usando o nome da Igreja, envolvendo-a diretamente no debate político-partidário e imiscuindo-a em assuntos que devem ser sim tratados pelo povo santo, mas somente como cidadãos. Em todo o tempo se cita entidades de esquerda, como MST, Partido dos Trabalhadores, Direitos Humanos, Sem Terra, enfim, movimentos políticos e contrários ao Evangelho do Amor. E a pergunta que vem ao cristão neste momento histórico de novas eleições é: em quem um católico poderia votar? 

      Um artigo muito perfeito e contundente que li nesta semana foi a do Padre Lodi do Movimento Pró-vida de Anápolis, sob o título: “Á espera de um milagre”, disponível   em www.providaanapolis.org.br. Ele se reporta aos atuais candidatos, apenas em suas atitudes, idéias e ações voltadas para o direito à vida e ainda os temas controvertidos e por assim combatidos pela verdadeira Igreja como o homossexualismo, o lesbianismo, as uniões civis com parceiros do mesmo sexo, as mudanças de sexo, descarte de embriões, as adoções por casais gays, e outros temas correlatos. Sem defender um só partido, nem um só candidato, ele coloca a questão com toda a riqueza de detalhes! E pelas conclusões a que chega, nenhum católico, que tenha um mínimo bom senso, pode votar em qualquer dos candidatos atuais à presidência da República! Todos eles, de uma forma ou de outra, afrontam a Deus pelas posições que defendem, e são atoas pelos atos que cometem. 

     Como podemos então, em vista destas circunstâncias, envolver a nossa querida Igreja, diretamente numa questão destas, onde todos os candidatos são maus, e onde todos os seus partidos não prestam? Acaso Jesus apoiou os atos dos fariseus, saduceus ou zelotes, todos maus, apenas porque não havia outros? Como irá a Igreja justificar, posteriormente, atos contrários a fé e contra a Doutrina da Verdade, tomados pelo partido que ela defendeu? Sim, o padre pode até usar – modicamente é claro – o seu púlpito para alertar sobre a necessidade do exercício consciente do voto, mas jamais tomar partido em nome da Igreja, e JAMAIS defender um candidato que é contra a doutrina desta mesma Igreja. O envolvimento político de cada católico deve ser exercido APENAS fora da Igreja e NUNCA dentro dela! Quem fizer o contrário terá que prestar contas a Deus. 

    Na verdade, se o povo católico fosse unido – se não fossem estas divisões, sinônimo do diabo, que dividem nossa Igreja em alas – mesmo não fazendo uso de sua Igreja, apenas fazendo uso de Doutrina dela em sua vida prática, ele conseguiria já ANTES, formar bons candidatos realmente católicos, comprometidos não com a Igreja em si, mas com a verdade e a fé, com a Doutrina do Amor, para ai sim, ter opções confiáveis de voto. 

    É exatamente este comprometimento direto de alas da Igreja, com minorias exacerbadas e exaltadas, que a faz cair na insídia de apoiar candidatos anti-cristãos, especialmente anti-católicos, que dão ouvidos a estas minorias barulhentas e imorais. Se a Igreja ficasse fora destas discussões, e vivesse e se mantivesse apoiada apenas no Evangelho e na Doutrina do Catecismo, e especialmente na ORAÇÃO, tudo obteria de Deus! Nada faltaria! 

   Enfim, esta, certamente, não é a doutrina que recebei dos meus avós, nem de meus pais. E certamente não é esta a Igreja que quero legar aos meus filhos. Esta igreja estranha a da luta de classes, da invasão de terras, do ódio declarado aos ricos, dos movimentos populares, dos partidos políticos, das reuniões e debates e da ecologia, esta não é a Igreja que sigo. A minha, Igreja, a Igreja de João Paulo II, da verdadeira Palavra e da Verdadeira Tradição, é a Igreja da oração, é a Igreja da Santa Missa, é a Igreja dos Sacramentos como caminhos de salvação, especialmente a Confissão mensal e a Eucaristia diária, é a Igreja que tem Maria como Mãe e que tem o Rosário diário como única arma de luta. A “minha” Igreja, é apenas aquela que me ensina a ganhar o céu! 

    E esta, meus amigos é a ÚNICA IGREJA que sobrará dos escombros. A Igreja que restará é a Igreja dos Grupos de Oração – que salva e liberta – e não a igreja dos grupos de reflexão que discutem esta política partidária nojenta e ordinária, de partidos podres e candidatos todos eles – anti-cristãos e anti-igreja. A Igreja que sobrará, é a Igreja da Eucaristia e Maria, e não a igreja da ecologia. A Igreja que sobrará é apenas aquela dos bons Bispos e de um Papa verdadeiro, que escrevem bons artigos semeando o bom trigo, e não a dos que, insidiosamente, junto semeiam o joio perverso da falsa doutrina no mesmo jornal. A Igreja que sobrará é exatamente aquela do antigo e velho, mas bom e verdadeiro Catecismo e não a destas verdadeiras cartilhas vermelhas que se aplicam em algumas dioceses.

    Ainda bem que Jesus vem! Ainda bem que “o tempo está próximo”! Ainda bem que Jesus virá “para por em ordem todas as coisas”. Então tudo aquilo que na Igreja for podre cairá! Tudo aquilo que for falso será erradicado! Tudo aquilo que não estiver totalmente comprometido com o Evangelho cairá! Porque Jesus olhava diretamente nos olhos dos fariseus e do alto de Sua autoridade os denunciava cara a cara. Mas Ele jamais incitou o povo a se revoltar contra eles nem jamais o instruiu a se reunir e lutar abertamente contra “os fardos” impostos por tão “zelosos guardiões da lei”. Ele nos ensinou a sermos “mansos e humilde de coração” e a rezar “Pai Nosso, que estais no céu....”. Quem, depois de 2000 anos passados ainda não aprendeu isso, acabou de matar a sua Igreja!

    Sim esta igreja morta tem seus dias contados! Esta igreja da luta armada, da invasão e da tomada pela força, creiam, Deus já a pesou e deu cabo dela!(Dn 5,26) Uma igreja cujos bispos aceitam bênçãos de mães de santo, e ainda passes mediúnicos dos adoradores de “exú”, em nome de um falso ecumenismo, certamente que não vai pelo caminho do céu!

Fonte: Recados do Aarão

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