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9ª MONTANHA-SER JUSTO
“Os justos viverão eternamente; sua recompensa está no Senhor, e o Altíssimo cuidará deles” (Sb 5,15). “Debaixo do sol, observei ainda o seguinte: a injustiça ocupa o lugar do direito, e a iniqüidade ocupa o lugar da justiça” (Ec 3,16). É incrível, mas aquilo que servia para três mil anos atrás continua servindo para hoje, o homem não melhorou.
A palavra “Justiça”, e todos os termos dela derivados, que
têm a ver com “direito”, com a própria “moral”, com a
“verdade” e com “honestidade” e a “imparcialidade”, é
talvez um dos termos mais usados nas Escrituras Sagradas. Ser justo,
fazer justiça com base na Lei de Deus, não somente na lei dos
homens, é quem sabe o fulcro central desta mesma Lei Eterna, pois
quem pratica a justiça, em todos os sentidos, com absoluta certeza
cumpre aquilo que Deus nos pede. Sim, acima de tudo está a Lei de
Deus, e é sobre ela que se deve pautar a lei humana. Mas será mesmo
que é fácil ser sempre justo, honesto, sábio na partilha,
especialmente neste mundo tão cheio de injustiças e iniqüidades?
Penso que não! Não é fácil ser sempre justo e imparcial em
todas as circunstâncias de nossa vida, até porque somos feitos de
emoções, e por isso não temos esta capacidade maior de executar a
justiça com base no direito. Começa numa família, pai, mãe e
filhos, tanto na partilha dos afetos, quanto dos bens e recursos. Eu
diria que é impossível de se encontrar na terra, um único pai ou mãe,
que tendo largo patrimônio e tendo um grande número de filhos, tenha
conseguido fazer justiça perfeita numa partilha idônea. Da mesma
forma, eu penso que é quase impossível encontrar um casal que não
tenha uma queda maior por um filho que pelo outro, recebendo assim,
afetos em maior quantidade, o que leva sempre a injustiças que afetam
relacionamentos. É difícil, muito difícil acertar!
Quanto aos bens, temos no antigo testamento, a passagem onde o
próprio Deus dividiu a terra prometida entre as doze tribos de
Israel, uma gigantesco quebra cabeças para os homens, mas tão
perfeito e tão fácil para o Senhor. Dizer que todos ficaram
satisfeitos com os limites que Deus impôs a cada tribo, seria difícil
acreditar, mas certamente que se fossem os homens a promover tal divisão,
penso que até hoje ainda não teriam se acertado. E quem sabe a briga
entre Israel e os palestinos tenha ainda hoje a ver com isto?
Da mesma forma acontece hoje nas famílias. Uns filhos nascem
na época da escassez outros da fartura. Uns começam desde cedo a
ajudar o pai a somar patrimônio, porém a lei concede também aos últimos
os mesmos direitos. Mesmo assim, alguns por terem mais capacidade, ou
maior empenho, conseguem se sobressair entre os irmãos, de modo que há
mais brigas nos tribunais por causa de heranças, do que se possa
imaginar. E há sim, pais tremendamente injustos na forma como tratam
seus filhos. E há, de ambos os lados, alguns que são realmente
bestiais em suas exigências.
E há filhos, mais injustos ainda quanto a seus próprios pais.
Alguns deles, são como pródigos em vida, dilapidam o patrimônio da
família, arruínam seus pais, e quando chega a hora de repartir os últimos
restos, ainda são os que mais brigam por eles. Irracionais, alguns
deles chegam a matar, e quando não matam se carregam de ódios que vão
povoar sepulturas mais tarde, tudo por motivo da injustiça de alguns
que são completamente cegos aos direitos dos outros, tal que, mesmo
que ganhassem tudo para si, ainda não se dariam por satisfeitos.
Pior, ficariam felizes vendo os outros na miséria, já vi isto.
Eu poderia citar dezenas de exemplos neste sentido, mas vou
ficar com um. Havia um pai viúvo, já velho e doente, que morava com
seu filho mais velho, que cuidava dele com todo carinho. Este vovô
tinha uma doença rara que o enlouquecia a qualquer barulho. Ocorre
que este filho tinha uma serraria antiga, donde tirava o sustento da
casa, e era tocada por um motor a diesel que fazia tremendo barulho.
Mal ele ligava as máquinas, já o pai começava de gritos e tanto
gritava, que o filho se obrigava a desligar tudo, só trabalhando de
madrugada, quando em algumas horas o pai conseguia dormir. E assim foi
por muitos anos. Havia os remédios, as consultas, mas o filho devido
ao seu grande amor, não reclamava. Sim este vovô tinha um certo
patrimônio em terras, nada de muito valor.
Mas ele tinha também um filho mais novo. Mocinho, descabeçado,
saindo de casa bem cedo, foi gozar a vida e já havia posto fora todas
as economias do seu pai, mas mesmo sabendo da doença dele, e mesmo
sabendo dos grandes sofrimentos do irmão mais velho em tratar do pai
doente, nunca veio sequer visitar o pai no seu leito de dor e lhe
trazer também alguma ajuda financeira. Vinha somente para buscar e
tirar. Mesmo avisado, mesmo ciente do fato, a última visita que ele
fizera à casa do pai fora para buscar seus últimos trocados.
E aconteceu que finalmente o pai descansou. E logo a vizinhança
toda, que muito os estimava e também havia colaborado com este irmão
mais velho, se reuniu para as prestar a última homenagem ao falecido
e fazer seu sepultamento. Umas horas antes do enterro, eis que aparece
o filho mais novo, com o maior descaramento, para quem nunca tinha
dado valor ao pai em vida. Pois acreditem, mais uma vez ele não veio
para o enterro do pai propriamente e sim para “buscar sua parte na
herança”. Imaginem a inaudita cara de pau deste infeliz, de ainda
declarar suas reais intenções, e durante o velório.
Bem, os vizinhos ali reunidos – não o irmão mais velho que
ficou calado – tomaram aquele maldito e ingrato pelo braço,
arrastaram-no para fora do velório com alguns bons empurrões e com sérias
ameaças o expulsaram dali. E lhe disseram claramente: se você tiver
coragem de algum dia voltar para cá, e apenas tentar reclamar
qualquer parte destas terras e destes bens que por lei moral pertencem
ao seu irmão, nós juntos lhe daremos uma surra tão grande, a qual
você nunca mais esquecerá em toda a sua vida. E sim, ele,
amedrontado, fugiu e nunca mais voltou! Já se viu uma criatura mais
injusta? Chega a ser bestial, pois somente os animais irracionais
podem ser tão egoístas.
Se o leitor pensa que criaturas insensíveis assim são um caso
isolado, se engana e muito. Há milhares deles assim, que aceitam do
diabo o convite de praticar as maiores injustiças. E não somente
injustiças com bens de partilha e herança, nem só de sociedades
empresariais, mas em todos os sentidos. Falo especialmente de terras e
limites e extremas. Falo no uso da água e dos recursos naturais. Falo
também dos jovens e até das crianças mesmo da mais tenra idade, que
simplesmente parecem ignorar o outro, ignorar os direitos de
terceiros, pela regra básica que diz: o meu direito vai, até onde
começa o do outro. Ou seja, eles parecem ter nascidos injustos por
natureza!
Na verdade, se formos apurar bem todas as ações humanas, no
cadinho da Lei de Deus e na força da Justiça Divina, penso que a
maioria dos homens que se perde, o faz exatamente por causa deste
pecado: injustiça! Ela está na raiz de tudo! Acaso é justa a maçonaria
que mostra ao mundo uma face de benemerência, mas faz caridade com
dinheiro sujo, na verdade extorquido a custa de negócios tendenciosos
e fraudulentos, fruto da exploração dos mais fracos, eis que atuam
em grupos, bem organizados e eficientes?
Acaso é honesta a justiça humana, que condena a tantos
inocentes por simples nacos furtados, enquanto mantém soltos grandes
ladrões e inumeráveis corruptos de grande porte? Os fatos mostram
isto! Os catres fedem de tanto acúmulo de presos que são pobres,
enquanto para as casas e sítios vão os empresários construtores de
prédios que desabam, e também os ladrões do sangue humano. Os ladrões
dos cofres públicos! Os desviadores de verbas, os fraudadores do INSS
e os recebedores de propinas! As prisões destinadas a eles como estão?
Haverá prisões para eles, já que são tantos? Não! É prisão
domiciliar! É responder processo – eterno – em liberdade... Quem
tem dinheiro faz a lei! Quem não tem, sofre os seus rigores! Esta a
“justiça” humana. Acaso ela é – como deveria ser – baseada
na Lei maior e Eterna, a Lei de Deus? Não!
Nós falamos das grandes coisas que atestam nossa justiça
falha e nossa péssima distribuição comum dos direitos que são de
todos indistintamente. Mas será que dentro de nós mesmos, cada um de
nós – também eu que escrevo – será que nós podemos nos olhar
no espelho, mirar neles nossos olhos e não fugir ou corar de
vergonha? Será que nós poderíamos suportar o olhar firme de Jesus,
olho no olho, somente considerando a nossa justiça, sem tremer as
pernas ou sair correndo? Quem suportaria este olhar?
Sim, nós falamos dos grandes, porque nosso discernimento
caolho consegue apenas detectar o que é imenso e salta à vista,
entretanto se apenas aqueles que se dizem justos, apenas aqueles que
acham – dentro de si mesmos – que exercem o direito com perfeição,
se de fato o fossem, justos, honestos e decentes, já o mundo teria
mudado por completo, quem sabe os grandes e depravados injustos teriam
desaparecido, o mundo seria outro e mil vezes melhor? Nós, na
verdade, sempre temos o mau costume de apontar para os outros, nem
sempre um dedo limpo, esta a verdade.
Assim, o professor é tantas vezes injusto com alguns de seus
alunos. Tenho visto isso com tanta freqüência que assusta. Também o
patrão é injusto com seu colaborador, tantas vezes negando-lhe o salário
combinado, fazendo descontos indevidos, quando este é um dos pecados
mais abomináveis a Deus: negar ao trabalhador o seu salário! Assim,
também, a dona de casa é injusta com sua empregada, e tantas vezes a
quase escraviza com tarefas estafantes e quase sobre humanas. Mas são
também, maus e injustos, tanto o empregado que quebra a máquina por
querer, para poder ficar parado, quanto a doméstica que gasta em
excesso e esbanja, apenas porque a dona de casa é rica.
Sabe, eu penso que o purgatório deve estar asfaltado de
injustiças. Ou deve haver ali algum tipo de espelho, que mostre
continuamente aos padecentes o quanto em vida eles foram imparciais,
injustos, tendenciosos e por isso, maus. Sim, toda pessoa injusta é má
por excelência. Quem nega a outrem um direito sagrado, é mau e não
perde por esperar, porque Deus é JUSTO, Ele se chama JUSTIÇA, e a
fará. A seu tempo!
Em todos os setores da atividade humana há injustiças
fragrantes. Vejam os esportes, agora que se aproximam as olimpíadas.
Recentemente foram descobertos testes capazes de identificar certas
substâncias químicas proibidas, que foram usadas e abusadas por
atletas de alguns países mais avançados, que assim conquistaram
recordes e medalhas, durante mais de 20 anos. Estas substâncias
proibidas melhoraram artificialmente o desempenho destes atletas, mas
hoje ninguém poderá contestar suas medalhas, pois o esquecimento
conveniente dos que sabem disso irá sepultar.
E assim, os juízes, de todos os esportes, vejam os milhares de
aviltantes injustiças que eles cometem todos os anos! Será pura
falha humana, ou maldade proposital? Ou estarão em jogo o dinheiro e
a fama?
E assim, também quando julgamos alguém somos injustos, porque
não conhecemos o coração das pessoas, nem podemos medir intenções.
Também não conseguimos discernir onde começa a fraqueza humana e
onde termina o real desejo de ser mau. Embora cada um de nós tenha
isso claramente disposto no coração pela divina sabedoria, somente
entendem isto aqueles que estão ligados em Deus. Ou seja, quanto mais
ligado em Deus você estiver, mais perfeitamente conseguirá entender
a maravilhosa engenharia do Criador em relação á cada um de nós,
criaturas que Ele ama tanto.
Na verdade, há somente uma fórmula de praticar a verdadeira
justiça. Somente quem for realmente humilde poderá ser justo, ou se
aproximar disto. Qualquer pessoa que se julgue superior, ou que se
julgue capaz de algo, ou que se tenha em conta de justo, jamais
conseguirá praticar a justiça, nem exercer o direito na medida
exata. Maravilhoso, então, é o Deus que consegue ser perfeitamente
justo para com cada um de nós e para com todos ao mesmo tempo. Muitas
vezes quando nas viagens, avisto uma grande cidade, onde moram milhões
de seres humanos, fico a pensar: como fará Deus para julgar a todos
eles com Justiça, e todos a um só tempo?
De fato, quanto mais nós meditarmos nestas coisas, mais
entenderemos que as nossas limitações não têm fim e que jamais nos
deveremos arvorar de juízes dos outros, porque nossa justiça é
falha, é tendenciosa e erra seguidamente. Não julgueis, para não
serdes julgados, nos diz a Palavra de Deus. Com o mesmo peso que
pesardes, também sereis pesados e medidos. E isso vale tanto para as
coisas da nossa vida espiritual, quanto da vida temporal. Certa vez, numa de minhas pescarias ao Rio Roosevelt, fui a um “beiradeiro”, para comprar uma lata de castanhas. Era uma destas latas de querosene e custava R$ 10,00. Então ele encheu a lata, bateu bem, chocalhou, socou em cima com as mãos e depois começou a empilhar em cima, e enquanto uma castanha conseguia ficar pendurada naquele monte, ele não parava de colocar castanhas. Está bom, disse-lhe eu! Mas ele respondeu: Não, não! Ainda cabem algumas! Mas vejam, isso é lá no meio da floresta amazônica!”
Agora o contraponto com as nossas cidades, nosso comércio e
nossa industria. É quem mais pode enganar! Nos pesos, nas medidas,
nas quantidades, nas qualidades, nas bulas dos produtos e nas
especificações técnicas. Enleva-se ao extremo os possíveis efeitos
positivos, mas esconde-se bandidamente os efeitos colaterais.
Engana-se ao cliente e consumidor e se engana ao governo nos impostos
e no faturamento. A desonestidade campeia, é a tônica, é a lógica,
e é tido por idiota quem é honesto e feito um tolo quem é justo.
Tudo é feito descartável, para quebrar rápido, para estragar em
pouco tempo e obrigar o consumidor a adquirir um novo. Isso vai desde
as chaves de luz, até as próprias lâmpadas Ou seja: injustiça,
desonestidade, falta de moral e de ética! Falta absoluta de Deus! O
mundo está cada dia mais injusto!
Aonde chegamos então? Chegamos ao ponto em que realmente ser
justo em todos os sentidos, ser honesto e 100% cumpridor das leis
humanas, ser justo com todos os filhos e filhas, pagar corretamente
todos os impostos e taxas, parece ter ficado impossível. E você tem
que escolher entre estes dois: ou criar a sua família de forma
decente sonegando partes de seu ganho, ou sustentar a corrupção dos
governos “barrabás” e velhacos que nos comandam e pagar as
mordomias dos funcionários de alguns setores públicos. Quem de nós
escapará então, de pelo menos algumas horas de purgatório ao fim da
vida? Difícil, senão quase impossível! Bondoso é Deus, que sabe até
disto, e nos dá alguns descontos – imerecidos – na hora do acerto
final. Deus sabe que se todos fossem honestos com um governo
desonesto, muitos morreriam de fome ou cairiam na miséria.
Serão justas, por exemplo, as categorias profissionais de
nosso país, quando exigem que se lhes dobre o salário já altíssimo,
enquanto a avassaladora parcela da população vive do salário mínimo?
Mas veja: eles se fazem irredutíveis nas negociações, muitas vezes
conseguem parar por meses inteiros setores vitais da economia
nacional, como os portuários de Paranaguá e não raro causam prejuízos
irreparáveis à nação. Por outro lado, também é injusto, aquele
que, mesmo buscando um salário mínimo apenas, nunca contribuiu para
o sistema previdenciário e quer aposentadoria. Um e outro são
injustos em suas reivindicações, sendo incapazes de ver o outro lado
da questão. Ou seja: se todos fossem justos e honestos, TODOS
ficariam bem! O país também!
Este é o mundo mau que nós criamos. Voltado para a ganância
e a exploração. Voltado para o lucro inconseqüente e a competição
feroz e desalmada. Nele, hoje, nós temos que nos virar como podemos,
ir vivendo, ir sobrevivendo, tentando, pelo menos tentando sobreviver
á verdadeira catástrofe e a grande ruína da moral que se abateu
sobre a humanidade. Um mundo cruel da “lei de Gerson” – vale e
importa é o se dar bem na vida – mesmo que seja subindo nas costas
dos outros, ou lhes esmagando a cabeça na passagem. Esta é a única
lei que parece nunca acabar! Ela é praticada tanto pelas pessoas
entre si, como pelas nações que se dilaceram, em seu protecionismo
injusto. Pela verdadeira opressão que as nações ricas exercem sobre
as pobres.
Eu também passo por estas coisas e as vivo no meu dia a dia.
Muitas vezes medito nisso e me sinto mal não conseguindo cumprir com
tudo certinho, dentro da lei humana e sempre da lei divina. Mas na
verdade isso não deve ser uma obsessão da nossa parte, o que importa
é o coração e o desejo ardente de acertar, de fazer o melhor. O que
importa é o amor em união estreita com Deus, confiados na Sua Justiça
e perfeita que suplanta em muito as nossas falhas e confiados na Sua
Misericórdia e no Seu Perdão, que estão acima de todas as nossas
limitações. Deus sempre é maior e mais!
Sim, combater as nossas más inclinações e deixar que o Espírito
Santo conduza cada minuto de nossas vidas. É maravilhoso, é fantástico,
é indescritível sentir os efeitos da graça de Deus nos
acompanhando, nos incentivando, nos fazendo crescer no rumo do Eterno,
onde a Justiça é Perfeita pois viveremos na simplicidade de Deus.
Por último, mil e um são os pecados que nos levam a ser
injustos: a mentira, a inveja, o orgulho, mas nada como uma língua
injusta para nos levar ao mal. Que Deus nos livre de termos uma língua
assim, ou de sermos alvo de uma delas. Porque a língua maculada, a
palavra mentirosa, o rei iníquo e a língua injusta (Eclo 51,7), estão
com certeza entre os maiores males da humanidade.
Que bom seria fossemos todos como Jesus: mansos e humildes de
coração! Arnaldo
(Aarão) Fonte: Recados do Aarão |
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