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VIA SACRA DE RUAS

 

     Uma das coisas que mais nos fez aprender na vida, nestes últimos anos de caminhada, foi aquilo que chamamos de “Via Sacra de Ruas”. Para nós, no início de nossos anos de busca, foi certamente uma verdadeira escola de vida. Vamos explicar do que se trata!

     Acaso um dia, enquanto você passou pelas ruas de uma cidade ou vila, já tentou imaginar aquilo que acontece com as pessoas, dentro das casas que você passa pela frente? Já pensou alguma vez nos imensos sofrimentos que podem estar por detrás daquelas paredes? Saiba então, que cada uma destas casas é como um livro aberto, com mil histórias. Poucas, muito poucas histórias de paz e de amor! Mas muitas histórias de verdadeiro horror, de sofrimento, de pranto e dor!

    Saiba que por trás de muitas destas paredes se escondem histórias escabrosas. Que elas muitas vezes escondem verdadeiros crimes. Mil histórias de abandono da velhice! Mil histórias de doenças incuráveis, de cânceres pavorosos, de feridas horrendas, de gente mutilada, de verdadeiros cadáveres nos fundos das camas fétidas, enfim, verdadeiros abismos da miséria humana.

     Pois foi exatamente a estes que, um dia, Jesus nos pediu que fôssemos visitar. Através do Cláudio ele nos pediu: ‘Façam uma Via Sacra de Ruas”! De início não imaginávamos o que seria, mas logo, pela graça do Espírito Santo, descobrimos o que Jesus queria de nós. Ela queria que fôssemos visitar a todas estas pessoas, para as ouvir, principalmente ouvir, porque muitos deles já não têm quem os escute. Já muitos parentes não têm tempo para eles, nem consolam seus prantos, nem aliviam suas dores, nem choram junto seus terríveis sofrimentos.

    Quem os consola? Quem os ouve? Pois saibam que, muitas vezes, uma simples visita de um desconhecido, para ouvir por alguns momentos que seja a uma pessoa destas, será talvez a coisa mais maravilhosa que jamais algum deles terá tido em toda a sua vida. Uma coisa tão simples: ouvir! Rezar! Para nós uns poucos momentos! Para muitos deles – aprendi isso – um bom motivo para morrer em paz!

    Que nos foi pedido então? Que visitássemos a esta gente! Ai organizamos as coisas da seguinte forma: em cada localidade, ou rua, ou cidade, entramos em contato com pessoas que conhecem bem a todos. E pedimos a estes que marcassem um dia para nossa visita, um sábado, por exemplo. Ai, sem hora marcada, porque é muito difícil prever o que acontece em cada casa íamos em uma equipe fazer a visita. Começávamos às sete da manhã, até as seis da tarde encerrando com a oração do Ângelus!

    Levávamos junto, uma imagem de Nossa Senhora, um Crucifixo e até, algumas vezes, com a autorização do pároco – e até ele junto – levávamos também o Santíssimo com um Ministro da Eucaristia devidamente preparado. Na verdade, vocês jamais conseguirão entender o que tal coisa significa, se não participarem alguma vez desta experiência fabulosa, verdadeira escola de vida. Ah! Quanto pranto enxugamos! Quantas histórias de dor, nós ouvimos! De injustiças, de ódios... Mas também de alegrias na dor, de aceitação perfeita do sofrimento purificador.

    Com ela aprendemos muito. Íamos então visitar as casas das pessoas, especialmente as mais necessitadas, doentes, aidéticos, pessoas extremamente gordos que nem mais podem se locomover, velhinhos, mutilados, cancerosos, enfim, mil pessoas que estão por ai, quase abandonados, sem que as pessoas tomem conhecimento deles. Visitávamos sempre as 15 casas por dia, fazendo as estações da Via Sacra, com algumas orações conforme o tempo.

    E hoje, Nossa Senhora pede que continuemos resgatando a estas pessoas, as visitando, ouvindo... e rezando com elas. O Terço principalmente, ou apenas uma dezena. Fizemos perto de 300 visitas a este tipo de casas e pessoas. Vimos centenas de coisas apavorantes. E por isso vamos dar alguns exemplos de coisas que você pode encontrar:

1)     Nesta casa, já de longe, sentimos um cheiro fortíssimo de carne putrefata. Quando estávamos perto da porta, avistamos um homem sobre uma cama, apoiado nas mãos, que mal nos viu já desandou no mais convulsivo choro. Ele não tinha nenhuma das pernas, apenas dois “cotos” podres, com velhos panos enrolados, onde passavam os vestígios de sangue purulento. Tinha câncer galopante, já fora cortado diversas vezes, primeiro os pés, depois as canelas, depois as cochas... até morrer de inanição.

2)     Noutra casa, no mesmo dia, uma família com três pessoas com síndrome de dawn. Duas eram enormes moças e a terceira era uma pequena anã, de não mais de 60 cm, já com 37 anos de idade. Casa terrível, cheia de imagens de santos, na verdade mais parecia um terreiro de macumba, pois o clima era pesadíssimo. Havia uma enormidade de passarinhos presos em gaiolas, dos mais diferentes tipos, e mal começamos as orações já os bichinhos desandar a cantar e a cantar, com tanta força que quase sufocavam nossas vozes. Enfim, até mesmo o sabiá de uma das gaiolas era aleijado e só tinha uma das pernas. Mas mesmo assim cantava. Muitos de nosso grupo caíram em verdadeiro pranto por causa daquilo. Depois, mais tarde, o Arcanjo são Miguel revelou ao Cláudio: tratava-se de um caso de incesto. Pai com as filhas, do qual ele escapou da justiça colocando a culpa no filho. E mostrou o inferno apavorante que aguarda aquele senhor... se não se arrepender. Em quase 40 anos ele ainda não o fez ainda!...

3)     Numa cidade, (visitamos sempre 15 casas por dia) fomos levados a rezar onde moravam pessoas extremamente doentes e pobres. Alguns, dias depois nos mandaram agradecer, pois ficaram profundamente comovidos com nossa visita. Pois em menos de um mês, quatro daquelas pessoas visitadas já haviam falecido. E morreram mais felizes, porque Deus nos conduziu a eles nos últimos momentos.

4)     Agora, há poucos dias, resolvemos ir visitar conhecidos, num Domingo a tarde. Nosso sentido nem era o da Via Sacra em si, mas visita por motivos de acidente com morte e que muito abalou a família. Visitamos apenas 4 casas. Devemos dizer, que de certa forma fomos despreparados para as visitas, isto é, sem oração de preparação e sem oração nas casas. Apenas fomos “ouvir” o que as pessoas tinham a dizer. Pois alguns dos nossos ficaram tão carregados com os ambientes que lá encontraram, que chegaram a ficar mal na viagem de retorno. E veja, trata-se de casas de católicos, que dizem que rezam, que vão a Missa, etc. Imagine o estado das outras casas.

    Você, leitor, que tem seu corpo perfeito, que tem todos os seus órgãos funcionando bem, acaso já pensou neste outros, verdadeiros marginalizados? Se você, mesmo sendo saudável, tem a coragem de reclamar de alguma dor, temos certeza de que se você passar como nós, por 300 casas de pessoas enfermas, jamais reclamará de coisa alguma.

    Porque o leitor não faz esta experiência? Faça um grupo! Visite casas! Peça que amigos, dos amigos marquem as visitas antes, nas ruas que eles conhecem, e vão visitar as casas. Ouvir.. e rezar! Só! Jamais levar seu problema para eles! Nunca! Ouça-os apenas! Você sentirá muito cansaço a noite, sim, com certeza, mas a alegria de seu coração transbordará de forma a compensar tudo aquilo que você passou e viu.

    Seja você mesmo um novo Cirineu: Ajude os outros a levar suas cruzes. E mais, esta atitude nada mais é que “buscar a ovelha perdida” aquela que ninguém mais se preocupa com ela. Até mesmo “carregado” com as dores dos outros, você será feliz... E jamais esquecerá deste dia!

     FAÇA VOCÊ MESMO! Experimente! Antes disso, você poderá até achar que sabe alguma coisa. Depois disso, você nunca mais será o mesmo!

Fonte: Recados do Aarão

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