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A TAÇA É DO FELIPÃO!
Tudo
bem! Acabou a Copa, o Brasil é “penta” e a nossa torcida pode
enfim comemorar. Na verdade a euforia, nem se pode dizer euforia, mas
loucura coletiva, que tomou conta do país inteiro, a cada vitória, e
mais ainda neste domingo de manhã com a vitória contra a Alemanha, não
pode passar despercebida, nem ao mais desligado dos seres humanos.
Quantas mil análises não serão feitas desta conquista
brasileira? Jornais, Tvs, no mundo todo, mais de dois bilhões de
pessoas grudadas diante da tela do monstro, todas vertendo emoções e
explodindo em gritos. Mesmo nos países mais distantes do mundo, mesmo
nas culturas mais remotas da terra, onde houvesse um aparelho de Tv
ligado, ali se acumulavam passantes, curiosos e aficionados
torcedores, todos vestindo camisas de clubes ou seleções nacionais,
e unidos num frenesi coletivo sem limites.
Claro, como católico, eu não vou fazer análise dos jogos,
das táticas, nem das incríveis jogadas dos nossos e outros craques.
Meu sentido é fazer um contraponto diferente, para tentar mostrar a
todos o imenso absurdo, o irreal, que nós vivemos. Bem no início da
copa, antes do primeiro jogo, me veio muito forte na mente esta frase
resumo: “o Brasil jogará todos os jogos e fará em média três
gols por partida”. E isso foi me acompanhando sempre à medida que
os jogos seguiam. De fato, até o quinto jogo, o Brasil havia feito 15
gols, ou seja, três por partida. A média só caiu então nas duas
partidas finais, pois ficaram faltando três para a média.
Mas agora, depois de passada a primeira euforia, pensando bem,
acho que podemos dizer que foram feitos também estes três gols
faltantes para ficarmos na média de três que meu sentimento interior
havia previsto. Estes gols, entretanto, não foram feitos contra as
seleções dos outros países, mas sim contra o mundo inteiro. E todos
estes três gols foram marcados, não por um jogador, mas sem dúvida
por um verdadeiro, embora teimoso craque chamado Felipão! Para mim,
nesta copa, ele marcou três gols excepcionais, que devem nos servir
como exemplo de virtude, tenacidade e fé. Como?
1º Gol, a VIRTUDE, de formar uma equipe coesa, unida, alegre,
humilde, familiar e acima de tudo coletiva, onde todos pareciam formar
um todo, que se interagia em simbiose perfeita, sempre
maravilhosamente! Nenhuma outra seleção do mundo teve um tal espírito.
2º Gol, a TENACIDADE, a preciosa teimosia em rejeitar na seleção
o jogador Romário, exatamente porque ele pessoalmente representa o
contrário de todo o espírito da chamada “família Scolari” ou
seja: a desunião, o individualismo, a dissensão, o estrelismo solitário
e a arrogância. Ele, de fato, seria um verdadeiro desastre no meio do
grupo, por ser pródigo em discórdias, intrigas e futricas.
3º Gol, a FÉ, sim a fé de um grande homem, que na sua
simplicidade, foi o único que não se esqueceu de ir a Missa todos
os Domingos, onde ele foi um exemplo para o mundo inteiro. De
fato, ao que consta, ele foi o único entre os 32 técnicos a se
preocupar com este elementar compromisso cristão, prova de fé. E o
fato ter a coragem de fazer isso publicamente, diante de bilhões de
expectadores, certamente é uma poderosa nota de fé.
Pois na verdade, isso é o mais importante. E partindo
disso, muitas outras coisas nos devem fazer pensar. Não há dúvida
de que é impossível a um brasileiro ficar impassível diante desta
explosão de emoções. Só se estivesse morto. E tanto é verdade
que, mesmo nos ambientes mais santos, como igrejas, conventos e até
mosteiros foi possível a gente assistir à impressionantes demonstrações
deste “sofrimento” torcedor. Aliás, a mais impressionante
apaixonada e eloqüente atitude de torcedor que pude assistir, foi
exatamente de um dos monges do convento dos beneditinos do Rio de
Janeiro. A emoção que ele sentia, como vibrava, ria, chorava,
sentava e pulava a cada lance, realmente contagiava a gente. E ai me
veio a mente esta outra frase: se ele for um monge tão fanático por
Jesus Cristo, quanto o é pelo futebol da seleção, certamente que
ele será um grande santo da Igreja Católica.
E, partindo disso, imagino outra coisa: que seria do Brasil, se
todo o povo fosse capaz de se emocionar, de vibrar, de torcer, de se
abraçar, de rir e chorar ao mesmo tempo, não diante de uma tela de
TV, mas diante de Jesus, no altar de uma Santa Missa? Acaso não disse
Santo Agostinho, “o homem deve tremer, o mundo deve fremir, o céu
inteiro deve comover-se, quando sobre o altar, nas mãos do sacerdote,
aparece o Filho de Deus”?
Por isso, não duvide o leitor daquilo que vou dizer: se nós
fossemos capazes de nos apaixonar por Jesus, tanto quanto somos
apaixonados pelo futebol, nenhum país do mundo nos tiraria a taça. E
mais, nós já teríamos, com absoluta certeza, ganhado todas as 17
copas do mundo, sem perder ou empatar uma só partida e ainda ganhando
todas de goleada. E o juiz ainda poderia ser árabe, para “se
enganar” para o adversário! Ou seja, não sobraria nada para ninguém.
Infelizmente, o que temos, é o que está ai. Ganhamos no sofrimento!
E, se ganhamos a taça, certamente também não foi porque a
merecemos! Quem sabe, porque até Jesus fica emocionado com nossa
grande torcida?
Muitas coisas, sim, também me emocionaram como católico.
Primeiro foi ver entre a imensa torcida vermelha da Coréia – uma
vez só – uma senhora fazer o sinal da Cruz. A outra foi certamente
que a maioria dos jogadores brasileiros também fazia o mesmo sinal
quando marcava um gol ou entrava em campo. O próprio goleiro Marcos,
ao ajoelhar-se em baixo da trave assim que entrava em campo, já deu
uma demonstração de fé. Enfim, quando ao final da última partida,
toda a seleção e a comissão técnica se ajoelhou em “coração”
no gramado, deu uma demonstração ao mundo de que – quem sabe – o
Brasil ganhou a copa só porque aqui ainda se conserva um pouco de fé.
Qual outra seleção demonstrou isso?
E ainda outro exemplo brasileiro gostaria de citar, o da
humildade coletiva, conseguida pelo Felipão. Vejam que todas as seleções
que se julgavam superiores como a da França, tipo “nós e alguns
outros” e “Brasil é futebol decadente”, assim como a Argentina
que ao invés de jogar futebol limpo quis fazer guerra e perdeu, ou
como o México que quis ir a guerra contra os Estados Unidos e perdeu,
também todos os jogadores arrogantes caíram por terra estatelados.
Assim aconteceu com Zidane da França que caiu de focinho no chão ao
disputar uma bola, assim se viu no gesto de Ronaldinho dando a mão ao
goleiro Kahn da Alemanha, quando este estava estatelado no chão.
Acaso não foi o arrogante Kahn que “bateu roupa” num simples
chute? Enfim, pode-se descobrir dezenas de exemplos nesta copa, onde a
arrogância foi posta imediatamente ao solo. E os brasileiros foram
sempre um exemplo de dignidade, de ponderação, de não demonstração
de falsa superioridade, ou de menosprezo pelos adversários.
Maravilhoso isso e diferente das outras copas.
De qualquer forma, pessoalmente eu continuo decepcionado com
algumas coisas. Sim, a conquista de seleção me emocionou, embora eu
não tenha assistido a nenhum jogo inteiro. Eu fico nervoso demais, e
por isso prefiro ficar na nossa capelinha, rezando, embora não
consiga ficar muito concentrado, pois são muitos os palavrões,
gritos e berros dos amigos torcedores da vizinhança e mesmo de meus
filhos.
E em especial duas coisas me entristecem ainda: a primeira, é
que mesmo tendo toda esta consciência de que nós deveríamos ANTES,
amar a Jesus, pessoalmente não consigo vibrar da mesma forma, com a
mesma força, com a mesma emoção, diante de Jesus Sacramentado. A
segunda delas, sinto, é que JAMAIS, da forma como está indo, a
humanidade mudará seu curso, sendo capaz ela inteira de “amar a
Deus sobre todas as coisas”. Sim, só ai, ela seria verdadeiramente
campeã.
E pergunto: será que se a Globo anunciasse que Jesus Cristo
– o campeão dos campeões – estivesse vindo ao Brasil de avião,
haveria uma escolta de caças da FAB para acolhe-LO? Será que Jesus
fosse passear pelas ruas em carro aberto haveria tanta gente para O
aplaudir? Será que haveria em toda a nação brasileira esta comoção
generalizada, este aplauso unânime, esta acolhida calorosa e festiva,
enfim, este frenesi coletivo?
Querem saber da resposta? Sinceramente? Penso que SIM! Acho
que, caso Jesus viesse desta forma um dia ao Brasil, talvez fôssemos
ainda uma das poucas nações da terra onde Ele teria uma grandiosa
acolhida. Não unânime, é claro, mas teria! O que não se pode dizer
de outras nações! Como Jesus seria recebido na Turquia, caso Ele
fosse lá? Ou no Japão? Ou você acha que Jesus seria capaz de
movimentar o povo da Coréia da forma como o futebol da Copa o fez?
Claro que não! E, embora meus desconsolos, eu me conformo ainda com o
Brasil. E sou feliz em ser brasileiro! Feliz com este povo sofrido,
mas alegre e divertido! Feliz com esta gente acolhedora e quente! Quem
sabe, Jesus não nos deu esta copa, como graça especial por estas
nossas poucas demonstrações de fé? Sim, havia centenas de Igrejas vazias na hora do jogo de domingo! Sim, infelizmente muitos padres nem celebraram a Santa Missa no domingo, por causa do jogo da copa. Mas, sim também, na maioria dos países do mundo as Igrejas estão vazias o tempo inteiro e a maioria dos sacerdotes não celebra mais em hora alguma. Esta a grande diferença! Ou não será isso que fez a diferença? Enfim, para os que acreditam no “Fim dos Tempos”, mesmo para os mais otimistas de nós, fica difícil imaginar uma nova copa do mundo. Acho que antes de uma nova copa, nós teremos uma Nova Terra. E como somos torcedores de Cristo, não pensamos como os que buscam nos estádios o prêmio de uma simples taça. Pensemos mais alto, pensemos, antes, nesta Nova Terra. Pensemos, AGORA, para a eternidade. Fonte: Recados do Aarão |
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