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O CORDEIRO DE DEUS -
Parte 4
No texto que segue, trazemos algumas
passagens sobre os últimos dias do tempo de Jesus, imediatamente
antes de começar sua vida pública. Na verdade tudo o que Jesus
fazia, tinha um sentido profundo de preparação para a grande missão.
Penso que muita gente sempre imaginou que Jesus passou dos 12 anos até
os 30, tipo “na flauta”, ou seja, apenas ajudando a São José e
Nossa Senhora, sem nada fazer no sentido da missão. Na verdade, como
já vimos, até nos dias da perda no Templo, Jesus aproveitou para
fazer amigos – em especial os dois filhos de Verônica – que mais
tarde estavam entre os 72 discípulos. E já ali, ele visitava
escolas, instruía as crianças em especial, e falava sobre o Pai e o
Reino.
As viagens apostólicas de Jesus, antes do seu Batismo no Jordão
Segundo as narrações de Anna Catharina Emmerich, o Divino
Salvador já fizera, antes do seu Batismo, diversas viagens longas
através da Palestina começando a pregar em público sua doutrina.
Essas viagens tinham um fim preparativo.
Por toda parte exortava os homens a que recebessem o Batismo de João,
em espírito de penitência e ensinava que o Messias devia aparecer
por aqueles dias. Que Ele mesmo era o Messias, não o dizia por
enquanto.
Admiravam-no como homem sábio e por suas qualidades espirituais e
corporais; ficavam surpreendidos pelos seus feitos milagrosos... mas não
chegavam a conhecer-lhe a divindade, pois os judeus tinham opinião
muito errada, a respeito do Messias e do seu reino. Julgavam-no um rei
vitorioso, que fundaria um poderoso reino; Jesus, porém, aos seus
olhos, era apenas o “filho do carpinteiro”.
Anna Catharina viu Jesus primeiro indo de Cafarnaum a Hebron, por
Nazaré e Betânia, onde se hospedou em casa de Lázaro.
Visitou o deserto, onde Isabel escondera o menino João e, voltando a
Hebron, começou a visitar os enfermos, consolando-os e aliviando-os.
Os possessos tornavam-se sossegados perto dele.
De Hebron, foi Jesus à foz do Jordão, no Mar Morto, atravessou-o,
para a outra banda, dirigindo-se à Galiléia. Passou por Dathaim,
cerca de quatro léguas distante de Samaria, onde, numa casa grande,
viviam muitos possessos, que ficaram furiosos à aproximação de
Nosso Senhor; quando, porém, lhes falou, tornaram-se inteiramente
calmos e voltaram para a sua terra.
Em Nazaré, Jesus visitou os conhecidos de seus pais, mas foi, em toda
parte, recebido com frieza e, querendo ensinar na sinagoga, não Lho
permitiram. Falou, porém, na praça pública, diante de grande multidão
de povo, sobre o Messias e João Batista. Depois foi com Maria a
Cafarnaum e dali novamente, de aldeia em aldeia, passando pelas
sinagogas, para ensinar, consolando e socorrendo os enfermos. Esteve
em Caná, depois à beira do Mar da Galiléia, onde expulsou o demônio
de um possesso. Pedro pescava ali, Jesus falou com André e outros.
Partindo do lago, com seis a doze companheiros, tomou o caminho de Sidônia,
à beira-mar, passando pela montanha do Líbano; nessa cidade deixou
os companheiros e foi a Sarepta e ensinou as crianças e muitas vezes
se retirava à uma pequena floresta, perto da cidade, para rezar
sozinho. Depois de voltar a Nazaré, ensinou também na sinagoga:
como, porém, surgisse descontentamento e murmuração contra Ele,
declarou aos amigos que ia a Betsaida. Ali ensinou e, do mesmo modo,
em Cafarnaum, percorrendo assim toda a Baixa-Galiléia.
Em Séforis, curou cerca de cinqüenta lunáticos e possessos; por
causa disso se deu um tumulto na cidade, de maneira que Jesus teve de
fugir, escondendo-se numa casa para abandonar a cidade de noite. Maria
que com outras piedosas mulheres, estava presente, afligiu-se muito
vendo-O, pela primeira vez, perseguido à viva força.
Em Betúlia, Jesus foi recebido e tratado amistosamente, como também
em Kedes e Kision. Celebrou o Sábado em Jezrael, com os Nazarenos,
que faziam votos e viviam uma vida de mortificações e austeridades.
Tendo depois exortado os publicanos de um lugar, na estrada real de
Nazaré, a que não exigissem mais do que os direitos justos, ensinou
em Kisloth, ao pé do monte Tabor, sobre o Batismo de João. Os
fariseus deram-lhe um banquete, para espiá-lo e examinar-lhe a
doutrina.
Havia, porém, na cidade um costume e direito antigo, segundo o qual
os pobres deviam ser convidados aos banquetes que fossem oferecidos a
forasteiros. Sentando-se, pois, à mesa, Jesus perguntou logo aos
fariseus onde estavam os pobres e mandou os discípulos chamá-los,
pelo que ficaram os fariseus muito zangados. Ainda na mesma noite
partiu de Kisloth e chegou, pela tarde do dia seguinte, a Kimki,
aldeia de pastores.
Quando ensinou na sinagoga, levantaram-se contra Ele os fariseus,
provocando um tumulto, Jesus continuou seu caminho, de noite, indo
pela estrada real, até um lugarejo perto de Nazaré, habitado por
pastores. Ali curou dois leprosos, mandando-os lavar-se com a água na
qual Ele havia banhado os pés.
Cerca de um quarto de légua antes de chegar a Nazaré, entrou Jesus
na casa de um Esseno, chamado Eliud, com o qual rezou e conversou com
grande intimidade, sobre a sua missão e o mistério da Arca da Aliança.
Explicou-lhe como aceitara um corpo humano do germe da bênção, que
Deus tirara de Adão, antes do primeiro pecado; que viera para salvar
os homens, os quais se lhe mostrariam muito ingratos.
A Virgem Santíssima veio com Maria Cleophae a Jesus, suplicando-lhe
que não fosse a Nazaré, pois o povo estava irritado. Ele respondeu
que esperaria só os companheiros que com Ele queriam ir a João
Batista e depois passaria por Nazaré. Maria voltou a Cafarnaum.
Jesus, porém, encaminhou-se com Eliud, pelo vale de Esdrelon, à
cidade de Endor, pregando aí na praça pública sobre o Batismo de João
e sobre o Messias.
Os habitantes de Endor não eram propriamente judeus, mas antes
escravos refugiados. Na tarde do terceiro dia voltou com Eliud e foi a
Nazaré, onde ensinou na escola e sinagoga, falando de Moisés e
explicando profecias sobre o Messias. Mas, como falasse de tal modo
que os fariseus puderam concluir que se referia a eles mesmos,
enraiveceram-se contra Ele, censurando-lhe as relações com
publicanos e pecadores, como também o fato de abençoar muitas crianças,
a pedido das mães.
Na escola, lhe propuseram muitas perguntas intrincadas, mas Jesus
reduziu todos os doutores ao silêncio. Ao legisperito respondeu com a
lei de Moisés; ao médico, falou das doenças e do corpo humano,
revelando conhecimentos por aquele inteiramente ignorados; aos astrônomos,
ensinou o curso dos astros; discorreu também sobre comércio e indústria.
Três jovens ricos pediram para ser recebidos como discípulos, Ele,
porém, os recusou com tristeza, porque não pediram com intenção
sincera.
O Senhor enviou os discípulos, que então eram nove, a João, a quem
mandou anunciar a sua vinda. Ele próprio, porém, acompanhado por
Eliud, foi de Nazaré primeiro a Chim, curou aí um morfético e
continuou depois o caminho pelo vale de Esdrelon. Nessa noite, no
caminho, Jesus se mostrou a Eliud em gloriosa transfiguração e na
manhã seguinte, o Senhor o mandou voltar para casa.
Jesus continuou o caminho; passando ao pé do monte Garizim, perto de
Samaria, chegou à cidade de Gofna, onde o receberam com respeito.
Entrando na sinagoga, explicou o livro de um profeta e provou que o
tempo do Messias devia haver chegado. Depois veio à uma aldeia de
pastores e lhe falaram do matrimônio ilícito de Herodes; Jesus
censurou severamente o procedimento do rei, com o mesmo rigor
condenou, em geral, os pecados da vida matrimonial. Repreendeu, também
alguns em particular, pela vida de adultério que levavam; a muitos
disse os pecados mais ocultos, de modo que prometeram, com profunda
contrição, fazer penitência.
De noite chegou Jesus a Betânia e hospedou-se em casa de Lázaro,
onde Nicodemos, João, Marcos, Verônica e outros estavam reunidos.
Durante a refeição, disse Jesus que lhe ia chegar um tempo muito sério;
que Ele estava para entrar em um caminho cheio de contrariedades e
perseguições; que lhe ficassem fiéis, se queriam ser-lhe
verdadeiros amigos.
No dia seguinte, Marta apresentou Jesus à irmã, chamada Maria
Silenciosa. Jesus falou-lhe; conversaram sobre coisas divinas, Marta
falou-lhe também, com grande tristeza, a respeito de Madalena; Jesus
consolou-a.
A Mãe de Nosso Senhor veio também a Betânia, com algumas das santas
mulheres. O divino Mestre falou-lhe carinhoso e sério, dizendo-lhe
que ia agora procurar João, para ser batizado e que depois teria de
cumprir a sua missão; havia de amá-la como sempre, mas, daquele
tempo em diante, devia viver e trabalhar para todos os homens.
Jesus seguiu então com Lázaro em direção a Jericó, para serem
batizados; andou descalço pelo caminho pedregoso; até o lugar do
Batismo, contavam-se cerca de nove léguas.
Vida pública de João Batista
Antes de o Salvador começar a pregar publicamente a sua doutrina,
enviou a divina Providência um homem que, pelo aspecto extraordinário
e pelas exortações à penitência e ao Batismo, devia atrair a atenção
de todo o povo. Era João, filho de Zacarias e Isabel, de Hebron. Para
salvar o mesmo, dos sicários de Herodes, por ocasião da carnificina
das inocentes crianças de Belém, a mãe levara-o para o deserto, em
que permaneceu até o princípio da sua vida pública.
A tarefa de João Batista, como o último e maior profeta do Velho
Testamento, era preparar o caminho do Salvador e, estando já no
limiar do Novo Testamento, apresentar Jesus, o Cordeiro de Deus que,
carregado dos pecados de todo o mundo, devia realizar a salvação do
gênero humano, por seu amor e Paixão. Como João cumpriu essa difícil
tarefa, conta-nos intuitivamente a religiosa de Dülmen:
Pouco antes de deixar o deserto do Líbano, teve João uma revelação
a respeito do Batismo. Voltou depois do deserto para junto dos homens,
produzindo em todos uma impressão maravilhosa. Alto, emagrecido pelo
jejum e pelas mortificações, mas forte, era uma figura
extraordinariamente nobre, pura, simples e dominante. Pelo meio do
corpo, trazia cingido um pano, que lhe caia até aos joelhos. Vestia
um manto áspero, pardo; braços e peito descobertos.
Vindo do deserto, começou a construir uma ponte sobre um ribeiro.
Falava só de penitência e da próxima vinda do Senhor. Tinha a voz
aguda como uma espada, forte e severa; mas sempre agradável. Passava,
por toda a parte, em caminho reto; vi-o correndo, através de matos e
desertos, tirando pedras e árvores do caminho, preparando lugares de
descanso, reunindo os homens que o admiravam, buscando-os até nas
cabanas, para auxiliá-lo. Caminhou ao longo do Mar de Galiléia e,
seguindo o vale do rio Jordão, passou perto de Jerusalém, para a
qual olhou com tristeza; de lá foi à sua terra e a Betsaida.
Nos três meses antes de começar o batismo, percorreu duas vezes o país,
anunciando Aquele que havia de vir. Em lugares onde não havia nada
que fazer, vi-o correr de campo em campo. Entrava pelas casas e
escolas; para ensinar, reunia o povo em redor de si, nas ruas e praças
públicas.
Muitas vezes o vi indicar a região onde Jesus naquele momento se
achava.
João batizou em diversos lugares: primeiro, perto de Ainon, na região
de Salem; depois em On, à margem ocidental do Jordão, não muito
longe de Jericó; em seguida, a leste do Jordão, algumas léguas mais
para o norte do segundo lugar; por fim voltou a Ainon. A água de que
João usava ali em Ainon, para batizar, era de uma lagoazinha,
separada de um braço do Jordão por um pequeno dique.
A pessoa que se batizava, ficava entre duas línguas de terra, com a
água até à cintura; punha-se São João numa dessas línguas,
tirando água com uma taça e derramando-a sobre a cabeça do neófito;
na outra, se achava um homem já batizado, que colocava a mão sobre o
ombro do que estava sendo batizado; ao primeiro, João mesmo impusera
a mão.
Tendo-se João tornado afamado, no correr de algumas semanas, pela sua
doutrina e pelo batismo, Herodes enviou-lhe um mensageiro, com a ordem
de apresentar-se-lhe. João, porém, respondeu que tinha muito que
fazer e se Herodes quisesse falar-lhe podia vir pessoalmente. Herodes
veio, de fato, a um lugar cerca de cinco léguas distante de Ainon.
Chegando lá, falou-lhe João longamente, em tom muito sério e
severo.
Vi que Simão, Tiago o Menor, Tadeu e também André, Filipe e Levi,
chamado depois Mateus, foram batizados por João.
De Nazaré, Jerusalém e Hebron mandaram grupos inteiros de fariseus e
chefes das sinagogas como mensageiros a João, para interrogá-lo a
respeito de sua missão. Vieram também cerca de trinta soldados a João,
que os repreendeu severamente, por não terem a intenção de
arrepender-se. A multidão dos homens era enorme; centenas achavam-se
sentados por ali e outras centenas chegavam continuamente, para
ouvir-lhe a doutrina e receber o Batismo.
Em Jerusalém houve uma grande sessão do Sinédrio por causa de João.
Por três autoridades foram enviados nove homens, entre os quais José
de Arimatéia. Deviam perguntar a João quem era ele e mandá-lo vir e
ordenar que viesse a Jerusalém, pois se a sua missão fosse justa e
legal, ter-se-ia apresentado primeiro no Templo. João deu apenas uma
resposta curta e áspera. José de Arimatéia recebeu o Batismo.
Vi João atravessar o Jordão e batizar enfermos; depois voltou à
banda oriental do rio, a Ainon. Ali apareceu um Anjo, que o mandou ir
para o outro lado do Jordão, a um lugar perto de Jericó, pois que se
aproximava Aquele que havia de vir. Então levantaram João e os discípulos
as tendas e cabanas do lugar de Batismo em Ainon e atravessaram o rio;
o segundo lugar de Batismo dista cerca de cinco léguas de Jerusalém.
Vieram de novo, duas vezes, emissários do Templo, fariseus, saduceus
e sacerdotes a João. Disse-lhes que se levantaria entre eles um
homem, o qual não conheciam, que esperassem, pois em pouco viria
Aquele que o mandara.
“Eu, na verdade, vos batizo em água, mas virá outro, mais forte do
que eu, a quem não sou digno de desatar a correia dos sapatos; Ele
vos batizará na virtude do Espírito Santo e no fogo”. (Luc. 3,
16).
O lugar onde João pregava, era situado à distância de menos de meia
légua, do lugar do Batismo. Ali estava ensinando, quando Herodes
veio, pela segunda vez; João não se incomodou. Herodes tinha o
desejo ilícito de casar-se com a mulher de seu irmão. Propusera, em
vão, ao Sinédrio declarar lícito esse matrimônio; temendo também
a voz pública, quis apaziguá-la por uma sentença de João.
Este ensinou, diante dos discípulos, com grande franqueza, sobre o
assunto a respeito do qual Herodes queria informar-se. Este mandou
entregar-lhe um rolo, que continha escrita a sua causa. O rolo foi
posto aos pés de João, pois este não quis contaminar-se, tocando-o
com a mão com que batizava. Então vi Herodes, indignado, deixar o
lugar com o séquito.
João ensinou sobre o próximo Batismo do Messias e disse que nunca o
tinha visto, mas acrescentou: “Para vos dar testemunho dEle
mostrar-vos-ei o lugar onde será batizado. Eis que as águas do Jordão
se dividirão e surgirá uma ilha”. No mesmo instante vi que as
ondas do rio se dividiram e avistou-se uma ilhota branca.
Era esse o lugar onde os filhos de Israel atravessaram o Jordão, com
a Arca da Aliança. João e os discípulos fizeram uma ponte, até à
ilhota. Ao lado esquerdo desta, havia uma fossa, da qual subia água
clara. Alguns degraus conduziam para baixo e, perto da superfície
d’água, jazia uma pedra sobre a qual Jesus devia permanecer durante
o seu batismo.
Mais uma vez vi chegar uma comissão de cerca de vinte pessoas,
enviadas pelas autoridades de Jerusalém, para pedir contas a João.
Respondeu-lhes como dantes, apelando para Aquele, que viria em pouco,
para ser batizado.
Depois vi Herodes chegar até perto do lugar de Batismo; discutiu com
João, que o tinha excomungado.
Vieram então a João também os discípulos que Jesus despedira em
Nazaré; falaram-lhe de Jesus. Ao batizá-los, João teve a íntima
certeza de que Jesus estava perto, pois o viu também numa visão.
Desde então, ficou João cheio de indescritível alegria e com
saudade de Jesus”.
O Batismo de Jesus e o jejum de quarenta dias
Os homens caíram pela soberba; pela humildade quis o Salvador
levantá-los. Por isso, já no começo de sua tarefa difícil de
ganhar os homens para o reino de Deus, pelo exemplo e pela Paixão,
submeteu-se à uma profunda humilhação, deixando-se batizar por João.
Assim exortou o povo, pelo exemplo, a imitá-lo, ensinando-nos também
ao mesmo tempo a implorar, em espírito de humildade e penitência, a
bênção de Deus para nós e para os nossos trabalhos. Pois a penitência
e humildade nos tornam dignos da bênção e do agrado de Deus. Por
isso, era tão meritória a humilhação voluntária do Filho de Deus,
recebendo o Batismo de João; mereceu a santificação da água e os
efeitos sacramentais do santo Batismo. Catharina Emmerich narra assim
o batismo de Jesus:
“Estava reunida uma extraordinária multidão de povo e João falou
com grande alento sobre a próxima vinda do Messias e sobre a penitência;
disse também que teria de desaparecer, para dar lugar Àquele. Jesus
estava no meio do apinhado auditório. João, que O viu bem, ficou
extremamente satisfeito e fervoroso. Já tinha batizado a muitos,
quando Jesus, por sua vez, desceu ao tanque do Batismo.
Então disse João, inclinando-se diante dEle: “Sou eu que devo ser
batizado por Vós e vindes a mim!” Jesus respondeu-lhe: “Deixa
fazer por ora; convém que assim cumpramos toda a justiça, que me
batizes e que eu seja batizado por ti”. Também lhe disse:
“Receberás o Batismo do Espírito Santo e de sangue”.
O Salvador dirigiu-se então por cima da ponte, à ilhota, acompanhado
por João o pelos discípulos André e Saturnino. Entrando numa tenda,
despiu as vestes e veio para fora, coberto de uma túnica de um tecido
pardo; desceu à margem do tanque, onde despiu também a túnica,
tirando-a pela cabeça. Cingiu os rins com uma faixa, que lhe envolvia
as pernas, até abaixo dos joelhos. Assim entrou na fonte. João
estava de lado, ao sul do tanque; tinha na mão uma taça com aba
larga e três biqueiras.
Abaixando-se, tirou água, com a taça e derramou-a, pelas três
biqueiras, sobre a cabeça do Senhor, dizendo mais ou menos as
seguintes palavras: “Javé derrame a sua bênção sobre ti, pelos
Querubins e Serafins, com sabedoria, inteligência e fortaleza”.
Jesus subiu então e André e Saturnino cobriram-no com um pano, com o
qual se enxugou; vestindo-o depois de uma comprida túnica branca de
batismo, impuseram-Lhe as mãos aos ombros, enquanto João lhe pós a
mão na cabeça.
Ouviu-se então um grande bramido, vindo do céu, como um trovão e
todos que estavam presentes, olharam para cima, estremecendo. Desceu
uma nuvem branca e luminosa e vi uma figura lúcida, com asas, pairar
por cima de Jesus, derramando sobre Ele uma torrente de luz; vi também
a aparição do Pai Celestial e ouvi as palavras: “Eis meu Filho
muito amado em quem ponho minha afeição”. (Mat. 3,17)
Jesus, porém, subiu os degraus, vestiu a túnica e dirigiu-se,
cercado dos discípulos, ao largo da ilha. João falou com grande
alegria ao povo, dando testemunho de que Jesus era o Messias
prometido. Citou as promissões dos patriarcas e profetas, que nesse
momento foram cumpridas; contou o que tinha visto e que era a voz de
Deus, que todos tinham ouvido. Disse também que, daí a pouco, se
retiraria, logo que Jesus voltasse. Exortou todos a seguirem Jesus.
Jesus confirmou simplesmente o que João dissera. Disse também que se
retiraria por algum tempo; mas depois viessem a Ele todos os enfermos
e aflitos, pois que lhes daria consolação e socorro.
Depois de batizado, Jesus partiu com os companheiros, primeiro para
Belém, seguindo daí para o sul do Mar morto, pelo mesmo caminho que
a Sagrada Família tomara, na fuga para o Egito. De lá, voltando, foi
conduzido pelo Espírito Santo ao deserto, para jejuar quarenta dias.
Começou o jejum na montanha de Jericó, onde subiu ao monte deserto e
íngreme de Quarantania e rezou numa gruta. Descendo do monte,
atravessou, numa embarcação, o rio Jordão e veio à uma montanha
muito íngreme, distante cerca de nove léguas do Jordão. Jesus
rezava numa gruta, ora prostrado por terra, ora de joelhos, ora em pé.
Não comia nem bebia, mas era confortado pelos Anjos.
Cada dia, conta Anna Catharina Emmerich, a obra da oração de Jesus
é diferente; cada dia nos alcança outras graças. Sem essa obra, não
podia ser meritória a nossa resistência às tentações.
Outro dia o vi prostrado com o rosto em terra, quando vieram numerosos
Anjos, que o adoraram e lhe perguntaram se podiam apresentar-lhe a sua
missão e se ainda era a sua vontade sofrer como homem, para os
homens. Tendo Jesus de novo confirmado sua vontade de aceitar os
sofrimentos, erigiram-lhe em frente uma Cruz alta.
Três Anjos trouxeram uma escada, outro uma cesta, com cordas e
ferramentas; outros, a lança, a haste de hissope, varas, chicotes,
coroa de espinhos, pregos, tudo o que depois se empregou na Sagrada
Paixão. A Cruz, porém, parecia oca; podia abrir-se, como um armário
e estava cheia de inúmeros e diversíssimos instrumentos de tortura.
Todas as partes e lugares da cruz eram de cores diferentes, pelas
quais se podia conhecer que tortura teria de sofrer. Havia também na
Cruz muitas fitas de diversas cores, como que relatórios de muitas
contrariedades e trabalhos que Jesus teria de suportar na sua vida e
Paixão da parte dos discípulos e de outros homens. Quando, desse
modo, toda a Paixão estava posta diante dEle, vi que Jesus e os Anjos
choravam.
Satanás não sabia que Jesus era Deus, tomou-o por um profeta. Uma
vez o vi à entrada da gruta, sob a figura de certo jovem, a quem
Jesus muito amava. Fez barulho, pensando que Jesus se zangasse; mas
este nem olhou para ele. Depois, enviou o demônio sete ou nove aparições
de discípulos à gruta; disseram-lhe que o tinham procurado
ansiosamente; não devia arruinar-se lá em cima e abandoná-los.
Jesus disse somente: “Afasta-te, Satanás, ainda não é tempo”.
Então desapareceram todos. Num dos dias seguintes vi Satanás
querendo afigurar-se Anjo, trajando vestes resplandecentes. Chegou
voando à entrada da gruta e disse: “Fui enviado por vosso Pai, para
vos confortar”. O Senhor, porém, não olhou para ele.
Jesus sofreu fome e sede. Ao cair da noite, Satanás, sob a forma de
um homem alto e forte, subiu ao monte. Levava duas pedras que tirara
em baixo, dando-lhes a forma de pães. Disse a Jesus: “Se sois o
Filho de Deus, fazei que estas pedras se mudem em pão”. Ouvi Jesus
apenas dizer: “O homem não vive de pão”. Satanás ficou furioso
e desapareceu.
Ao cair da tarde do dia seguinte, vi Satanás aproximar-se de Jesus,
em forma de um Anjo poderoso. Vangloriando-se, disse-lhe:
“Mostrar-vos-ei quem sou e o que posso. Eis aí Jerusalém e o
Templo. Vou colocar-vos no mais alto pináculo; mostrai então o vosso
poder”. Satanás segurou-o pelos ombros e, levando-o pelos ares a
Jerusalém, colocou-o no cimo de uma torre.
Depois voou para baixo, à terra e disse: “Se sois o Filho de Deus,
mostrai o vosso poder e atirai-vos à terra; pois está escrito: Ele
mandará os seus Anjos, que vos sustentarão com as mãos, afim de que
não machuqueis os pés de encontro às pedras”. Jesus respondeu:
“Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus”.
Então voltou Satanás, cheio de raiva e Jesus lhe disse: “Usa do
teu poder, do poder que te foi dado”. Satanás, furioso, segurou-o
de novo pelos ombros, e, levando-o por cima do deserto, em direção a
Jericó, colocou-o no mesmo monte onde Jesus começara o jejum.
Era o ponto mais alto do monte, no qual o tinha posto; mostrou em
redor de si e viram-se os mais maravilhosos panoramas, em todas as
direções do mundo. Então disse Satanás a Jesus: “Sei que quereis
propagar agora a vossa doutrina. Eis aí todas essas terras magníficas,
esses povos poderosos e aqui a pequena Judéia. Ide lá! Dar-vos-ei
todas essas terras, se, prostrado a meus pés, me adorardes”. Jesus
disse: “Adorarás o Senhor teu Deus e a Ele servirás. Afasta-te,
Satanás!” Então vi Satanás, numa forma indescritivelmente
hedionda, lançar-se para baixo e desaparecer.
Logo depois, vi um grupo de Anjos aproximar-se de Jesus e levá-lo à
gruta, onde começara o jejum. Eram doze esses Anjos e numerosos
outros, para o servirem. Celebrou-se, então, na gruta, uma festa em ação
de graças e de júbilo e depois houve um banquete”.
Jesus desceu do monte e veio ao Jordão, perto do lugar onde João
estava batizando. Este se voltou logo para o Mestre, exclamando: “Eis
o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo”. Podia-se
perguntar: Por que fez Jesus um jejum tão rigoroso? Por que se
sujeitou àquelas tentações?
Jesus está para começar sua vida pública; quer percorrer
abertamente o país, repreender os pecadores, convidá-los a
converter-se e fazer penitência; na sua doutrina, terá de fazer
frente, muitas vezes, à opiniões errôneas a respeito da fé e da
moral; terá de apresentar-se ao povo como o Messias prometido, como o
Filho de Deus e de exigir humilde aceitação de sua doutrina. É uma
tarefa dificílima, que traz consigo muitos trabalhos penosos,
mortificações, sofrimentos, inimizades e perseguições. Por isso se
prepara o Salvador para essa obra com jejum e meditação, na solidão
do deserto.
Ali, no retiro absoluto, deixa tentar-se por Satanás, que parece não
lhe conhecer a divindade. Por causa da inseparável união de sua alma
com o Verbo Divino, não podia a tentação nascer-lhe da própria
natureza, mas podia só provir do exterior.
O homem tentado, pela tríplice concupiscência, é logo inclinado a
ceder à tentação e, desse modo, inúmeros homens caem na ruína
temporal e eterna. Jesus, porém, quer salvar os homens dessa maior
desgraça; por isso, oferece também o jejum e as tentações
sofridas, como expiação dos pecados. Assim nos mostra como devemos
vencer a tentação; pela vitória sobre a mesma nos merece a graça
de vencê-la também. Em tudo se tornou igual a nós, com exceção do
pecado.
Eleição dos primeiros discípulos e o milagre de Caná
A figura majestosa de Jesus, o seu trato sério, mas sempre amável
e delicado, a força da sua palavra, juntamente com os prodígios
extraordinários que operava, deviam fazer profunda impressão em
todos. Uns, cheios de boa vontade, creram-lhe humildemente na doutrina
e nos milagres; outros, malignos, invejosos e de coração endurecido,
encheram-se de ódio contra Ele. Quem não se lembra, à vista desses
fatos, da profecia do velho Simeão: “Este Menino está posto para a
ruína e salvação de muitos, em Israel?”
Do número ainda pequeno dos aderentes só poucos se lhe tinham
juntado, acompanhando-o nas viagens apostólicas. Quando, porém, saiu
do deserto, depois do jejum de quarenta dias, aumentou o número dos
discípulos; entre estes era André um dos primeiros. Ouvira, com
Saturnino, João indicar a Jesus, dizendo: “Eis aí o Cordeiro de
Deus, que tira os pecados do mundo”. Ambos se reuniram a Jesus. André
conduziu o irmão Simão ao Salvador, que lhe disse: “Tu és Simão,
filho de Jonas; no futuro serás chamado Kephas (latim: Petrus)”.
Jesus encontrou-se depois com Filipe e convidou-o para discípulo,
dizendo-lhe: “Segue-me”. Filipe falou a Natanael do Messias; mas só
o saber sobrenatural de Jesus o induziu a seguí-lo.
Com os discípulos e parentes, dirigiu-se Jesus a Caná, para assistir
às bodas a que Ele e sua Mãe tinham sido convidados. O noivo
chamava-se Natanael e tinha certo parentesco com Jesus; pois era
sobrinho da filha de Sobe, a qual já conhecemos como irmã de
Sant’Ana. Conta-nos Anna Catharina Emmerich o seguinte:
Estavam reunidos mais de cem convidados. Jesus dirigia a festa,
presidia aos divertimentos, temperando-os com palavras de sabedoria.
Foi também quem organizou todo o programa da festa.
Vi os convidados, homens e mulheres, divertirem-se separados num
jardim, conversando ou brincando. Jesus também tomou parte num jogo
de frutas, com amável seriedade. Dizia, às vezes, sorrindo, algumas
palavras sábias, que todos admiravam ou escutavam comovidos. Nesses
dias falou Jesus muito em particular com aqueles discípulos que, mais
tarde, se lhe tornaram Apóstolos. Quis revelar-se, nessa festa a
todos os parentes e amigos e desejou que todos até então por Ele
eleitos se conhecessem uns aos outros, naquela reunião, em que havia
maior franqueza.
No terceiro dia depois da chegada de Jesus, foi celebrada a cerimônia
do casamento. Noivo e noiva foram conduzidos da casa da festa à
sinagoga. No cortejo havia seis meninos e seis meninas, que levavam
grinaldas; depois seguiam seis moços e moças, com flautas e outros
instrumentos. Além desses, doze donzelas acompanhavam a noiva, como
paraninfas e o noivo, doze mancebos.
A cerimônia do casamento foi feita pelos sacerdotes, diante da
sinagoga. Os anéis que trocaram, foram um presente de Maria Santíssima
e tinham sido bentos antes por Jesus.
Para o banquete nupcial reuniram-se todos de novo, no jardim. Vi um
jogo preparado por Jesus mesmo, para os homens: a sorte que caía a
cada um dos jogadores, indicava-lhe as qualidades, os defeitos e
virtudes. Jesus interpretava a sorte de cada um, conforme a combinação
das frutas que ganhavam. O noivo ganhou para si e a esposa duas frutas
estranhas, num só pé, como já vi antes, no paraíso. Todos se
admiravam muito e Jesus falou do matrimônio e do cêntuplo fruto da
castidade. Depois dos noivos terem comido a fruta, vi que uma sombra
escura deles se afastava. A fruta tinha relação com a castidade e a
sombra que se apartava, era a concupiscência da carne.
Ao jogo no jardim seguiu-se o banquete nupcial. A sala estava dividida
em três partes; na do meio estava Jesus sentado à cabeceira da mesa.
A mesma mesa sentaram-se também Israel, o pai da noiva, os parentes
masculinos de Jesus e da noiva e também Lázaro. As outras mesas
laterais sentaram-se os outros convidados e os discípulos. O noivo
serviu as mesas dos homens e a noiva as das mulheres.
Jesus encarregara-se das despesas do segundo prato do banquete.
(Lazaro pagou as despesas, mas só Jesus e Maria o sabiam). Tudo
estava bem arranjado pela Santíssima Virgem e Marta. Jesus lhes tinha
dito que forneceria o vinho para esse prato. Depois de ter sido
servido às mesas laterais o segundo prato, que constava de aves,
peixe, iguarias de mel, frutas e uma espécie de pastéis, que Seráfia
(Verônica) trouxera, Jesus aproximou-se e repartiu todas as iguarias;
depois se sentou de novo à mesa. Serviram-se as iguarias, mas faltou
o vinho. Jesus, porém, estava ensinando. Esta parte do banquete ficou
aos cuidados da Santíssima Virgem e, como notasse que faltava vinho,
aproximou-se de Jesus, lembrando-lhe ansiosamente essa falta, porque
Ele tinha dito que o forneceria.
Jesus, que falava do Pai Celestial, disse-lhe então: “Mulher, não
vos apoquenteis. Deixai de inquietar-vos e a mim, minha hora ainda não
chegou”. Assim falando, não manifestava falta de respeito à sua Mãe.
Disse mulher e não mãe, porque quis nesse momento, como Messias e
Filho de Deus, realizar uma ação misteriosa diante dos seus discípulos
e parentes, mostrando que ali estava, presente na sua missão divina.
Maria não se inquietou mais; disse, porém, aos criados: “Fazei
tudo que Ele vos mandar”.
Depois de algum tempo, mandou Jesus aos criados trazerem as ânforas
vazias e virarem-nas. Trouxeram-nas; eram três ânforas de água e três
de vinho. Os criados mostraram que estavam vazias, virando-as por cima
de uma bacia. Jesus mandou que enchessem todas com água. As ânforas
eram grandes e pesadas; eram precisos dois homens para transportarem
cada uma.
Depois de estarem cheias de água, e postas ao lado do aparador, Jesus
aproximou-se, benzeu as ânforas e, tendo-se sentado de novo à mesa.
disse: “Enchei os cálices e levai um ao despenseiro”. Este, tendo
provado o vinho, aproximou-se do noivo e disse-lhe que sempre fora
costume dar primeiro o bom vinho e depois dos convidados terem bebido
bastante oferecer o vinho inferior, mas que ele tinha dado o melhor no
fim.
Então beberam também o noivo e o pai da noiva, ficando ambos pasmos;
os criados protestaram que haviam enchido de água as ânforas e
tirado delas para encher os cálices e copos das mesas. Então beberam
todos. Não houve, porém, nenhum barulho por causa do milagre, mas
reinava silêncio respeitoso em toda a reunião e Jesus ensinou muito,
a respeito do que se passara.
Todos os discípulos, parentes e convidados estavam agora convencidos
do poder de Jesus e de sua dignidade e missão. Desse modo esteve
Jesus a primeira vez na sua comunidade e foi o primeiro prodígio que
nela e para ela operou, para confirmar-lhe a fé. Por isso é relatado
na história da sua vida como o primeiro milagre e a última Ceia como
o último milagre, quando já era firme a fé dos apóstolos.
Ao fim do banquete veio o noivo sozinho a Jesus e declarou-lhe, com
muita humildade, que sentia extinta em si toda a concupiscência da
carne e que desejava viver em santidade com a esposa, se ela
consentisse. Também a noiva veio a Jesus, sozinha, dizendo-lhe o
mesmo.
Chamou-os então Jesus a ambos e falou-lhes do matrimônio, da
castidade, tão agradável a Deus e do fruto cêntuplo do espírito.
Citou muitos profetas e santos, que viveram castos, sacrificando a
carne, por amor do Pai Celestial, que tiveram como filhos espirituais
muitos homens perdidos, reconduzindo-os ao caminho da virtude e que
assim tinham grande e santa descendência.
Os noivos fizeram então voto de continência e de viverem como irmãos
durante três anos. Ajoelharam-se diante de Jesus, que os abençoou.
Assim, acreditamos que todos os leitores tiveram satisfeita a sua
curiosidade, assim como a tive ao ler o livro inteiro – lido não,
“devorado” – em coisa de alguns dias. Alguns detalhes revelados,
entretanto, nos fazem pensar mais profundamente na missão de Cristo.
A maior perplexidade que estas revelações iniciais me causaram, foi
certamente a extrema compenetração de Jesus. Na verdade, muito
poucas vezes Ele ria. Isso prega frontalmente contra os promotores da
Nova Era, que querem fazer de Jesus um cara alegre, extrovertido, tipo
bem sucedido, coisa que é de fato uma afronta contra Ele, pois como
poderá agir desta forma alguém que sabe, milímetro a milímetro, do
pavoroso sofrimento que o espera.
Tudo isso serve para a gente ir se compenetrando da profundidade do
mistério da nossa Redenção por Jesus Cristo, e serve também para
muitos que querem fazer da Santa Missa – memorial da paixão
Redentora – um espetáculo teatral, com risos e abraços de
confraternização. Com palmas e saudações, quando só fazem
aumentar os sofrimentos de nosso Senhor. Ó sublime mistério de Amor,
como te afrontam os homens!
Que Jesus Redentor, nos guarde até o próximo encontro.
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Fonte: Recados do Aarão
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