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O CORDEIRO DE DEUS -
Parte 2
Continuando nosso pequeno trabalho de trazer à luz fatos
importantes da vida de Jesus, vamos aqui apresentar o resumo do livro
já citado, de Ana Catarina Emmerich desta vez apresentando um resumo
da vida de Nossa Senhora, em especial a partir do momento em que aos
três anos e meio, despediu-se do pai e da mãe e tornou-se uma das
virgens consagradas do Templo de Jerusalém. O texto não carece de
informações adicionais, mas certamente é uma doçura para aqueles
que amam a Mãe do Filho de Deus. Eis as visões de Ana Catarina,
sobre a:
Infância de Nossa Senhora e seu casamento com São José
Maria tinha três anos e três meses, quando fez o voto de
associar-se às virgens santas, que se dedicavam ao serviço do
Templo. Antes da partida fizeram na casa paterna uma grande festa, à
qual estiveram presentes cinco sacerdotes, que sujeitaram Maria à uma
espécie de exame, para ver se já chegara à idade de juízo e
madureza de espírito, para, ser admitida no Templo. Disseram-lhe que
os pais tinham feito por ela o voto, que não devia beber vinho ou
vinagre, nem comer uvas ou figos. Maria ainda acrescentou que não
comeria nem peixe, nem especiarias, nem frutas, senão uma espécie de
pequenas bagas amarelas, que não beberia leite, dormiria na terra e
se levantaria três vezes durante a noite para rezar.
Os pais de Maria ficaram muito comovidos com estas palavras. Joaquim
abraçou a filha, exclamando, entre lágrimas: “Oh, minha querida
filha, isto é duro demais; se assim queres viver, teu velho pai não
te verá mais”. - Foi um momento de profunda comoção. Os
sacerdotes, porém, disseram que se devia levantar só uma vez para a
oração, como as outras virgens, juntando ainda outras circunstâncias
atenuantes, como, por exemplo, que devia comer peixe nas grandes
festas”.
Maria ofereceu-se também para lavar as vestes dos sacerdotes e outras
roupas grossas. No fim da solenidade, vi que Maria foi abençoada
pelos sacerdotes. Ela estava em pé, num pequeno trono, entre dois
sacerdotes; aquele que a abençoou, estava-lhe em frente, os outros
atrás. Os sacerdotes rezaram alternadamente, em rolos de pergaminho e
o primeiro abençoou-a, estendendo as mãos sobre ela.
Tive nessa ocasião uma maravilhosa visão do estado íntimo da santa
Menina. Vi-a como que iluminada e transparente pela bênção do
sacerdote e sob seu Coração, em glória indizível, vi a mesma
imagem que na contemplação do santo Mistério na Arca da Aliança.
Numa forma luminosa, igual à do cálice de Melquisedec, vi figuras
brilhantes, indescritíveis, da bênção da promissão. Era como
trigo e vinho, carne e sangue, que tendiam a unir-se. Vi, ao mesmo
tempo, que sobre essa aparição o Coração da Virgem se abriu, como
a porta de um templo e o mistério da promissão, cercado como de um
dossel, guarnecido de misteriosas pedras preciosas, lhe entrou no Coração
aberto; era como se a Arca da Aliança entrasse no templo. Depois
disso, encerrava o coração da Virgem o maior bem que naquele tempo
havia no mundo. Desaparecendo essa imagem, vi apenas a santa Menina
cheia de ardente devoção e amor. Vi-a como que extasiada e elevada
acima da terra”.
Joaquim e Ana viajaram com Maria para Jerusalém. Em procissão solene
foi a Menina introduzida no Templo; depois de oferecido um sacrifício,
erigiu-se um altar por baixo de um portal. Maria ajoelhou-se nos
degraus, enquanto Joaquim e Ana lhe puseram as mãos na cabeça,
proferindo orações de oferecimento. Um sacerdote cortou-lhe então
um anel do cabelo queimou-o num braseiro e vestiu-a de um véu pardo.
Dois sacerdotes conduziram Maria muitos degraus para cima, à parede
divisória que separa o Santo do resto do Templo e colocaram-na num
nicho, do qual se via o Templo, em baixo. Depois um sacerdote ofereceu
incenso no altar próprio.
“Vi brilhar sob o Coração de Maria uma auréola de glória e soube
que continha a promissão, a bênção santíssima de Deus. Essa auréola
aparecia como que cercada pela arca de Noé, de modo que a cabeça da
Santíssima Virgem sobressaia acima da Arca. Depois vi a figura da
arca de Noé transformar-se na da Arca da Aliança, cercada pela aparição
do Templo. Então vi desaparecer essas formas e sair da auréola
brilhante a figura do cálice da última ceia, diante do peito de
Maria. Aparecendo-lhe diante da boca um pão assinalado com uma cruz.
Dos lados lhe emanavam numerosos raios de luz, em cujas extremidades
apareciam muitos mistérios e símbolos da SS. Virgem, como, por
exemplo, os nomes da Ladainha de N. Senhora, em figuras. Do ombro
direito e do esquerdo cruzavam-se dois ramos de oliveira e cipreste
sobre uma palmeira pequena, que vi aparecer atrás de Maria. Entre
esses ramos vi as formas de todos os instrumentos da paixão de Jesus.
O Espírito Santo, com asas luminosas, parecendo mais figura de homem
do que de pomba, pairou sobre a aparição. No alto vi o céu aberto,
com a Jerusalém celeste no centro, com todos os palácios, jardins e
habitações dos futuros Santos; tudo estava cheio de Anjos; também a
auréola de glória que cercava Maria, estava cheia de cabeças de
Anjos.
Então desapareceu a visão gradualmente, como aparecera. Por fim vi
somente o esplendor sob o Coração de Maria e luzir nele a bênção
da promissão. Depois desapareceu também essa visão e vi apenas a
Santa Menina, consagrada ao Templo, guarnecida de seus adornos,
sozinha entre os sacerdotes”.
Maria despediu-se dos pais e foi entregue às mestras: Noemi, Irmã da
mãe de Lázaro e a profetisa Ana, outra matrona. Então vi uma festa
das virgens do Templo. Maria tinha de perguntar às mestras e às
meninas, uma a uma, se queriam deixá-la ficar junto delas. Era o
costume adotado. Depois fizeram uma refeição e no fim houve uma dança;
estavam umas em frente às outras, duas a duas e dançando formavam
figuras: cruzes, etc.
De noite Noemi conduziu Maria ao seu quartinho, de onde se podia ver o
interior do Templo. O quarto não formava um quadrângulo regular; as
paredes estavam marchetadas de triângulos, que formavam várias
figuras. Havia no quarto um banquinho, mezinha e estantes nos cantos,
com diversos repartimentos para guardar objetos. Diante desse
quartinho havia um quarto de dormir e um guarda-roupa, como também a
cela de Noemi.
As virgens do Templo usavam vestido branco, comprido e largo, com
cinta e mangas muito largas, que arregaçavam para o trabalho. Estavam
sempre veladas.
Maria, era, para sua idade, muito hábil; vi-a trabalhar, fazendo já
pequenos lenços brancos, para o serviço do Templo.
Vi a Santa Virgem passar o tempo parte na morada das matronas (com as
outras meninas), parte na solidão do quarto, em estudo, oração e
trabalho. Trabalhava em ponto de malha e tecia, sobre varas compridas,
panos estreitos, para o serviço do Templo. Lavava as toalhas e
limpava os vasos do Templo. Vi-a muitas vezes em oração e meditação.
Além das orações prescritas no Templo, Maria SS. tinha como devoção
especial o desejo contínuo da Redenção, que lhe constituía uma
ininterrupta oração da alma. Guardava esse desejo como um segredo e
fazia as devoções às escondidas. Quando todas dormiam, levantava-se
do leito, para orar a Deus. Vi-a muitas vezes se desfazer em lágrimas
e rodeada de celestial esplendor, durante a oração.
A alma da Virgem parecia não estar na terra e gozava muitas vezes de
consolações celestes. Tinha um desejo indizível da vinda do Messias
e na sua humildade, apenas se atrevia a desejar ser a serva mais
humilde da Mãe do Salvador.
Tendo as virgens do Templo alcançado certa idade, casavam-se e
deixavam o serviço do mesmo. Quando chegou, porém, o tempo de Maria,
ela não quis deixar o Templo; mas disseram-lhe que devia casar”.
“Eu vi, conta Catharina Emmerich, que um sacerdote muito idoso, que
não podia mais andar (provavelmente o Sumo Sacerdote), foi
transportado por alguns outros, numa cadeira, para diante do Santíssimo
e rezou, lendo num rolo de pergaminho que lhe estava em frente, sobre
uma estante, enquanto se queimava um sacrifício de incenso. Extasiado
em espírito, teve uma aparição, sendo-lhe a mão colocada sobre o
rolo, onde o dedo indicador mostrava a palavra do Profeta Isaías: E
sairá uma vara do tronco de Jessé o uma flor brotar-lhe-á da raiz.
(Is. 11, 1). Quando o ancião voltou a si, leu esse verso e
conheceu-lhe a significação ensinada na visão”.
Enviaram, portanto, mensageiros por todo o país, convocando todos os
homens solteiros da estirpe de Davi ao Templo. Reuniram-se muitos
deles no Templo, em vestes de gala, e foi-lhes apresentada a Virgem
Santíssima. Vi ali um jovem muito piedoso da região de Belém; tinha
também implorado sempre, com ardente devoção, a vinda do Salvador
prometido e vi-lhe no coração o grande desejo de ser o esposo de
Maria. Esta, porém, se recolheu à cela, derramando lágrimas
abundantes e não podia conformar-se com o pensamento de ter de
renunciar à virgindade.
Então vi que o Sumo Sacerdote (segundo a inspiração recebida do Céu)
distribuiu ramos a todos os homens presentes, com ordem de marcar cada
um o seu ramo com o respectivo nome e segurá-lo nas mãos, durante a
oração e o sacrifício. Feito Isso, todos entregaram os seus ramos,
que foram colocados sobre um altar, diante do Santíssimo;
anunciou-lhes o Sumo Sacerdote que aquele cujo ramo florescesse, seria
destinado por Deus a desposar a Virgem Maria de Nazaré. Enquanto os
ramos estavam diante do Santíssimo, continuaram os homens a oferecer
sacrifícios, a rezar; vi que aquele jovem clamava instantemente a
Deus, com os braços estendidos, num dos átrios do Templo e rompeu em
lágrimas, quando todos receberam os seus ramos e foram informados que
nenhum florescera e, portanto, nenhum dentre os presentes fora
destinado a ser o esposo dessa Virgem.
Vi depois que os sacerdotes do Templo procuraram de novo, nos
registros das gerações, se havia ainda um descendente de Davi, que
antes tivessem saltado. Como, porém, fossem marcados seis irmãos de
Belém, de um dos quais já há muito tempo não havia notícias,
procuraram o domicílio de José e acharam-no, num lugar não muito
longe de Samaria, situado num ribeiro, onde morava sozinho, perto do
ribeiro, trabalhando em serviço de outros mestres. Estaria talvez na
Idade de 33 anos.
À ordem do Sumo Sacerdote, veio José com o seu melhor traje ao
Templo de Jerusalém. Teve também de segurar um ramo, durante o
sacrifício e as orações; quando quis pô-lo sobre o altar, diante
do Santíssimo, brotou uma flor branca, como uma açucena, na ponta do
ramo e vi descer sobre ele uma aparição luminosa, como o Espírito
Santo. Então reconheceram José como esposo de Maria, escolhido por
Deus e apresentaram-no à Maria, em presença de sua mãe e dos
sacerdotes. Maria, conformada com a vontade de Deus, aceitou-o
humildemente por noivo.
As núpcias foram celebradas em Jerusalém. Depois seguiu Maria com a
mãe para Nazaré; José, porém, foi primeiro a Belém, a negócios
de família. À sua chegada em Nazaré, fizeram uma festa. Na casa que
Ana montara para eles, tinha José um quarto separado, na frente.
Ambos estavam muito acanhados. Viviam em oração e muito
recolhidos”.
Anunciação e Visitação de Nossa Senhora
Depois do casamento de Maria SS. com S. José, estavam preparadas
pela Divina Providência todas as condições, de modo que o santíssimo
e eternamente adorável mistério da Encarnação podia realizar-se.
Deu-se esse fato numa noite santa, na silenciosa casa de Nazaré.
Inspirada pelo Espírito Santo, que queria operar nela o grandioso
milagre, velou Maria toda a noite em ardente oração. Então sucedeu
que, pela meia noite, entrou na casa de Nazaré um dos mais augustos
Anjos do Céu, como mensageiro de Deus e, pelo consentimento da SS.
Virgem, revestiu-se nela o Filho Unigênito de Deus da natureza
humana. Assim se uniu a eternamente adorável Divindade, por um
misterioso matrimônio e amor santo, com a humanidade pecaminosa, a
qual o Pai de misericórdia quis elevar de novo pelo Homem-Deus, para
estabelecer a nova Aliança de graça e amor.
Ouçamos a singela descrição desse mistério pela vidente
privilegiada de Dülmen:
“Vi a Santíssima Virgem, pouco depois do casamento, em casa de José,
em Nazaré. José saíra da cidade, com dois jumentos, para buscar
alguma coisa; parecia estar voltando. Além da SS. Virgem e duas moças
da mesma idade, vi ainda Sant’Ana e aquela parenta viúva, que lhe
servia de criada. Pela noite rezaram, comendo depois alguma hortaliça.
Maria recolheu-se então ao quarto de dormir e preparou-se para a oração,
pondo um vestido comprido, de lã branca, com cinto largo e cobrindo a
cabeça com um véu branco-amarelo. Tirou uma mezinha baixa encostada
na parede e colocou-a no meio do quarto; tendo posto ainda uma
almofada diante dessa mezinha, pôs-se de joelhos e cruzou os braços.
Assim a vi rezar muito tempo, em ardente súplica, elevados os olhos
ao céu, pedindo a redenção e a vinda do Rei prometido”.
Então se derramou do teto do quarto uma torrente de luz sobre o lugar
à direita de Maria; nessa luz vi um jovem resplandecente descer para
junto dela: era o Arcanjo S. Gabriel, que lhe disse:
“Ave, cheia de graça. O Senhor é convosco, bendita sois entre as
mulheres”. Ao ouvir estas palavras, a Virgem perturbou-se e cogitava
das razões daquela saudação. Mas o Anjo observou-lhe: “Não vos
perturbeis, Maria, porque merecestes graça diante de Deus; pois
concebereis e dareis à luz um filho, ao qual poreis o nome de Jesus.
Ele será grande e chamar-se-á o Filho do Altíssimo; e Deus Nosso
senhor dar-lhe-á o trono de Davi, seu pai, e reinará eternamente
sobre a casa de Jacó e o seu reino não terá fim”. (Lc. 1, 28-33).
Vi-lhe sair as palavras da boca como letras. Maria virou um pouco a
cabeça velada para o lado direito, mas, cheia de temor, não levantou
os olhos. O Anjo, porém, continuou a falar e Maria levantou um pouco
o véu e respondeu:
“Como se fará isso, pois não conheço homem?” (Luc. 1, 34)
E o Anjo disse: “O Espírito Santo virá sobre Vós e a virtude do
Altíssimo cobrir-vos-á com sua sombra. E por isso o Santo que nascerá
de Vós, será chamado Filho de Deus. Já vossa prima Isabel concebeu
um filho na velhice e este é o sexto mês da que se diz estéril;
pois nada para Deus é impossível”.
Maria levantou o véu e, olhando para o Anjo, respondeu as santas
palavras: “Eis aqui a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a
vossa palavra”. A Santíssima Virgem estava em profundo êxtase. O
quarto estava cheio de luz, o Céu parecia aberto e um rasto luminoso
permitia-me ver por cima do Anjo, no fim da torrente de luz, a Santíssima
Trindade. Quando Maria disse: “Faça-se em mim segundo a vossa
palavra”, vi a aparição do Espírito Santo; do peito e das mãos
derramaram-se-lhe três raios de luz para o lado direito da Santíssima
Virgem, unindo-se-lhe. Maria estava nesse momento toda luminosa e como
transparente.
Vi depois o Anjo desaparecer e do rasto luminoso que se retirava para
o Céu, caíram sobre a Santíssima Virgem muitas rosas brancas
fechadas, todas com uma folhinha verde. Nesse momento vi também uma
serpente asquerosa arrastar-se pela casa e pelos degraus acima. O
Anjo, ao sair do quarto da SS. Virgem, pisou diante da porta a cabeça
desse monstro, que uivou tão horrivelmente, que tremi de medo.
Apareceram, porém, três espíritos e expulsaram o monstro a pontapés
e pancadas, para fora de casa. A Virgem Santíssima, toda absorta em
extática contemplação, reconheceu e viu em si o Filho de Deus,
feito homem, como uma pequena forma humana luminosa, com todos os
membros já desenvolvidos, até os dedinhos e humildemente o adorou.
Foi pela meia noite, que vi esse mistério. Depois de algum tempo,
Maria se levantou, colocou-se diante do pequeno altar de oração e
rezou em pé. Foi pela manhã que se deitou para dormir. Ana teve, por
uma revelação de Deus, conhecimento de tudo”.
Para a preparação completa da vida pública e das obras de Jesus era
preciso também a santificação e a ação pública do Precursor.
Esta devia efetuar-se, segundo a vontade de Deus, pela aproximação
de Maria e de seu Filho milagrosamente concebido, da mãe do
precursor. Por isso inspirou o Espírito Santo à Virgem Santíssima o
desejo de visitar a prima Isabel. Esta morava em Hebron, no sul do país,
Maria em Nazaré, no norte; mas essa distância não desanimou Maria.
Pôs-se a caminho, em contínua adoração e contemplação do Filho
de Deus, que trazia sob o Coração, acompanhada por S. José,
evitando, quanto era possível, as cidades e vilas tumultuosas. Anna
Catharina Emmerich narra:
“Isabel (a prima de Maria e esposa de Zacarias) soube, por uma visão,
que uma virgem da sua tribo se tornara mãe, do Messias prometido.
Tinha pensado, durante essa visão, em Maria, com grande saudade e
vira-a em espírito, em caminho para sua casa. Mas Zacarias deu-lhe a
entender ser inverossímil que a recém-casada fizesse tal viagem.
Isabel, porém, cheia de saudade, foi-lhe ao encontro.
Maria Santíssima, vendo Isabel de longe e reconhecendo-a correu
adiante de José, ao encontro dela. Cumprimentaram-se afetuosamente
com um aperto de mão. Nisto vi um esplendor em Maria e um raio de luz
passando dela para Isabel, que se sentiu milagrosamente comovida. Abraçando-se,
atravessaram, o pátio em direção à porta da casa. José entrou,
por uma porta lateral, no átrio da casa, onde humildemente
cumprimentou o velho sacerdote venerável; este o abraçou
cordialmente e expandiu-se com ele, escrevendo numa lousa, pois ficara
mudo desde a aparição do Anjo no Templo”.
Maria e Isabel entraram pela porta da casa no átrio. Ali se
cumprimentaram de novo muito afetuosamente, pondo as mãos nos braços
uma da outra e encostando face a face. Nisso vi de novo como que um
esplendor em Maria, radiando para Isabel, pelo que esta ficou toda
luminosa, comovida por uma alegria santa. Recuando com as mãos
levantadas, exclamou, cheia de humildade, alegria e entusiasmo:
“Bendita sois entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso
ventre! Donde me vem a felicidade de ser visitada pela Mãe do meu
Senhor? Porque assim que chegou a voz da saudação aos meus ouvidos,
logo o menino deu um salto de prazer no meu ventre”.
Então conduziu Maria ao quartinho preparado para ela. Maria, porém,
na elevação da sua alma, proferiu o cântico do “Magnificat”:
Minha alma engrandece o Senhor, etc.
Depois de alguns dias, voltou José a Nazaré, acompanhado, parte do
caminho, por Zacarias. Maria Santíssima, porém, ficou três meses
com Isabel, até o nascimento de João e já antes da circuncisão do
menino voltou para Nazaré. José veio-lhe ao encontro até meio
caminho e foi então que notou que estava grávida. Não tendo
conhecimento da anunciação do Anjo à SS. Virgem, foi acometido de dúvidas
e desassossego. Maria guardara consigo o mistério, por humildade e
modéstia. José nada disse, mas lutou em silêncio com as dúvidas
que lhe torturavam o coração. Em Nazaré lhe cresceu o desassossego,
a ponto de resolver abandoná-la e fugir secretamente. Então lhe
apareceu um Anjo em sonho e consolou-o”.
Nas últimas linhas, que não fazem mais que repetir o que já consta
da Escritura Sagrada, se revela a profunda humildade de Maria Santíssima.
Ela compreendia que José devia saber o que se tinha passado. Sentiu
profundamente a dor do piedoso esposo, mas, por modéstia, não teve a
coragem de revelar-lhe o santo mistério e o extraordinário privilégio,
que lhe fora dado.
Humildemente confiou que Deus a ajudasse e foi-lhe recompensada essa
confiança e ouvida a piedosa oração. Quanto tempo teve de pedir, não
sabemos; em todo caso, porém, vemos que Deus não atende
imediatamente às súplicas nem das pessoas mais santas, mas só
quando chega o tempo previamente determinado pela divina sabedoria.
A viagem a Belém e o nascimento de Nosso Senhor
“Vi a Santíssima Virgem, com sua mãe Sant’Ana, fazendo
trabalhos de malha, preparando tapetes, ligaduras e panos, conta Anna
Catharina. José estava a caminho, voltando de Jerusalém, para onde
tinha levado animais para o sacrifício. Passando pela meia-noite pelo
campo de Chimki, a seis léguas de Nazaré, apareceu-lhe um Anjo, com
o aviso de partir imediatamente com Maria para Belém, pois era ali
que ela devia dar à luz o filho. Ordenou-lhe também que levasse, além
do jumento, em que Maria devia viajar, uma jumentinha de um ano; que
deixasse esta correr livre e seguisse o caminho que ela tomasse”.
José comunicou à Maria e Ana o que lhe fora dito; então se
prepararam para a partida imediata. Ana ficou muito aflita. A Virgem
Santíssima, porém, já sabia antes que devia dar à luz o filho em
Belém, mas na sua humildade calara-se”.
A vida dos filhos de Deus é uma mistura de alegria e de dor. Maria
Santíssima tinha-o experimentado já em Nazaré; verificou-o por toda
a vida e também então, na viagem ao lugar abençoado, onde o Filho
de Deus ia descer à terra. A piedosa Emmerich narra:
“Vi José e Maria partirem, acompanhados por Ana, Maria Cleophae e
alguns criados, até o campo de Ginim, onde se separaram,
despedindo-se comovidos”.
Vi a Sagrada Família continuar a viagem, subindo a serra de Gilboa.
Na noite seguinte passaram por um vale muito frio, dirigindo-se a um
monte. Caíra geada. Maria, sentindo frio, disse: “Devemos
descansar, não posso ir mais adiante”. José arranjou-lhe um
assento, debaixo de um terebinto; ela, porém, pediu instantemente a
Deus que não a deixasse sofrer qualquer mal, por causa do frio. Então
a penetrou tanto calor, que ela deu as mãos a José, para aquecer as
dele. José falou-lhe muito carinhosamente; ele era tão bom e sentia
tanto que a viagem fosse tão penosa! Falou também da boa recepção
que esperava achar em Belém.
Celebraram o Sábado numa estalagem. Na manhã seguinte continuaram o
caminho, passando por Samaria. A Santíssima Virgem andava a pé; às
vezes paravam em lugares convenientes e descansavam.
A jumenta ora ficava atrás, ora corria muito para a frente; mas onde
os caminhos divergiam, apresentava-se e tomava o caminho bom e onde
deviam descansar, parava.
A primeira coisa que S. José fazia, em cada lugar de descanso e em
cada estalagem, era arranjar um lugar cômodo para a Santíssima
Virgem sentar-se e descansar.
Quando a sagrada família chegou a dez léguas de Jerusalém,
encontrou de noite uma casa solitária. José bateu à porta, pedindo
agasalho para a noite; mas o dono da casa tratou-os grosseiramente e
negou-lhes o abrigo. Então andaram um pouco adiante e, entrando num
rancho, encontraram ali a jumenta esperando.
Abandonaram esse abrigo já antes de amanhecer. Em outra casa foram
também tratados asperamente. José tomou pousada mais vezes pelo fim
da viagem, pois esta se tornava cada vez mais penosa para a SS.
Virgem. Seguindo sempre a jumenta, fizeram deste modo uma volta de
quase um dia e meio, para leste de Jerusalém. Rodeando Belém,
passaram pelo norte da cidade e aproximaram-se pelo lado oeste.
Pararam e pousaram afastados do caminho, sob uma árvore. Maria
apeou-se e concertou o vestido.
Depois José a conduziu a um grande edifício, que estava a alguns
minutos fora de Belém; era a casa paterna de José, o antigo solar de
Davi, mas naquele tempo servia de recebedoria do imposto romano. José
entrou na casa; os amanuenses perguntaram quem era e depois lhe leram
a genealogia, como também a de Maria. Aparentemente ele não sabia
que Maria descendia também por Joaquim, em linha direta, de Davi.
Maria foi também chamada perante os escrivões.
José entrou então com ela em Belém, procurando em vão pousada logo
nas primeiras casas; pois havia muitos forasteiros na cidade.
Continuaram assim, indo de rua em rua. Chegando à entrada de uma rua,
Maria esperava com os jumentos, enquanto José ia de casa em casa,
pedindo agasalho, mas em vão. Maria tinha de esperá-lo às vezes
muito e sempre com o mesmo resultado; tudo já ocupado, não havia
mais lugar para eles. Então disse José à Maria que era melhor ir à
outra parte de Belém; mas também lá procurou em vão. Conduziu-a
então e ao jumento, para debaixo de uma árvore grande, a fim de
descansar, enquanto ele ia à procura de hospedagem.
Muita gente passou pela árvore, olhando para Maria. Julgo que alguns
também se lhe dirigiram, perguntando quem era. Maria era tão
paciente, tão humilde e ainda tinha esperança. Mas, depois de
esperar muito, voltou José triste e abatido, pois nada arranjara. Os
amigos, dos quais tinha falado à SS. Virgem, não quiseram reconhecê-lo.
Lamentou-o com lágrimas nos olhos, mas Maria consolou-o. Mais uma vez
começou ele a procurar de casa em casa, voltando finalmente tão
abatido, que só se aproximou hesitante. Disse que conhecia um lugar
fora da cidade pertencente aos pastores; ali, com certeza, achariam
abrigo.
Assim saíram de Belém, para uma colina situada no lado oriental da
cidade, na qual havia uma gruta ou adega. A jumentinha, que já da
casa paterna de José tinha corrido para lá, fazendo a volta da
cidade, veio-lhes ao encontro, pulando e brincando alegremente em
roda. Então disse a SS. Virgem a José: “Vê, de certo é vontade
de Deus que aqui fiquemos”.
José acendeu uma luz e, entrando na caverna, tirou algumas coisas de
lá, a fim de arranjar um lugar de descanso para a SS.Virgem. Depois a
levou para dentro e ela se assentou no leito feito de mantas e fardéis
de viagem. José pediu-lhe humildemente desculpa pela pobre
hospedagem; mas Maria, cheia de piedosa esperança e amor estava
contente e feliz.
José buscou água num odre e da cidade trouxe pratinhos, algumas
frutas e feixes de lenha miúda; buscou também brasas, para acender
fogo e preparar a refeição. Depois de ter comido e feito as orações,
deitou-se Maria no leito; José, porém, arranjou o seu leito à
entrada da gruta.
Maria Santíssima passou o dia seguinte, o Sábado, na gruta, rezando
e meditando com grande devoção. De tarde José a levou, através do
vale, à gruta que servira de sepulcro a Marabá, ama de Abraão.
Depois, terminado o Sábado, veio reconduzi-la à primeira gruta.
Maria disse a S. José que à meia noite desse dia chegaria a hora do
nascimento de seu Filho, pois teriam passado nove meses desde a
anunciação pelo Anjo: José ofereceu-se para chamar algumas mulheres
piedosas de Belém para assisti-la, mas Maria recusou.
Desse modo chegaram os santos Pais de Jesus, guiados pela Divina
Providência, ao lugar determinado pelo Pai Eterno, em união com o
Filho Unigênito e o Espírito Santo, para o nascimento daquele divino
Menino, cheio de graça, que havia de tirar da terra a maldição,
abrir o Céu e criar um novo Éden de Deus cá na terra. Lúcifer e os
seus sequazes perderam o reino do Céu pelo orgulho, querendo ser
iguais a Deus e assim perderam os primeiros homens também o paraíso,
porque o mesmo sedutor os enganou com vãos desejos de serem iguais a
Deus.
Por isso, a santa humildade havia de abrir de novo o caminho do Céu.
O Filho de Deus veio a este mundo ensinar, pelo exemplo, essa e todas
as outras virtudes. Eis porque Ele, o Rei da eternidade, quis nascer
homem num lugar onde os animais se abrigavam. Para primeiro berço
escolheu uma miserável manjedoura, na qual o gado costumava comer.
Assim não lhe faltou nada da pobreza humana, mas uniu-se-lhe o
esplendor da majestade divina. - A piedosa vidente continua:
“Quando Maria disse ao esposo que o tempo estava próximo e que a
deixasse e fosse orar, José saiu, recolhendo-se ao leito, para rezar.
Ao sair, voltou-se mais uma vez, para fitar a SS. Virgem e viu-a como
rodeada de chamas; toda a gruta estava iluminada como por uma luz
sobrenatural. Então entrou com santo respeito na sua cela e
prostrou-se por terra, para orar”.
Vi o esplendor em volta da SS.Virgem crescer mais e mais. Ela estava
de joelhos, coberta de um vestido largo, estendido em redor, sem
cinto. A meia noite ficou extasiada e levantada acima do solo; tinha
os braços cruzados sobre o peito. Não vi mais o teto da gruta; uma
estrada de luz abria-se-lhe por cima, até o mais alto Céu, com
crescente esplendor.
Maria, porém, levantada da terra em êxtase, olhava para baixo,
adorando o seu Deus, cuja Mãe se tornara e que jazia deitado por
terra, diante dela, qual criancinha nova e desamparada. Vi o nosso
Salvador qual criancinha pequenina, resplandecente, cujo brilho
excedia à toda a luz na gruta, deitado no tapete, diante dos joelhos
de Maria. Parecia-me que era muito pequeno e crescia cada vez mais,
diante dos meus olhos.
Depois de algum tempo vi o Menino Jesus mover-se e ouvi-o chorar. Então
foi que Maria voltou a si. Tomou a criancinha e, cobrindo-a com um
pano, apertou-a ao peito. Assim se sentou, envolvendo-se, com o
Filhinho, no véu. Então vi em redor Anjos em forma humana,
prostrados em adoração diante do Menino.
Cerca de uma hora após o nascimento, Maria chamou S. José, que ainda
estava rezando. Chegando-se-lhe perto, prostrou-se-lhe o esposo em
frente, em adoração, cheio de humildade e alegria. Só depois que
Maria lhe pediu que apertasse de encontro ao coração o santo dom de
Deus, foi que se levantou, recebendo o Menino Jesus nos braços e
louvando a Deus, com lágrimas de alegria.
A SS. Virgem envolveu então o Menino em panos e deitou-o na
manjedoura, cheio de junco e ervas finas e coberta com uma manta. A
manjedoura estava ao lado direito, na entrada da gruta. Os santos
Pais, tendo deitado o menino no presepe, ficaram-lhe ao lado, cantando
salmos”.
O tempo chegara à consumação: O Verbo fizera-se carne, - o Verbo
Eterno e Divino do Pai Celestial Todo-Poderoso. A profecia de Isaías
cumprira-se: A Virgem concebera e dera à luz um filho, cujo nome é
Emanuel, “Deus Conosco”. (Is. 7, 14). Apareceu entre nós o
Messias, prometido já no paraíso e por todos os povos tão
ardentemente anelado. Está deitado numa manjedoura, qual criança
pobre e desamparada. Será reconhecido em tão humildes condições? A
quem se revelará primeiro o Rei da glória? Não aos grandes e
soberbos da terra! Pastores, pobres e simples, são os primeiros
convidados por mensageiros celestiais à manjedoura, para adorar o
Menino divino. Conta Catharina Emmerich:
“Vi três pastores, que estavam juntos, diante do rancho, admirando
a maravilhosa noite; no céu vi uma nuvem luminosa, descendo para
eles. Ouvi um doce canto. A princípio se assustaram os pastores, mas
de repente lhes surgiu um Anjo, dizendo: “Não temais, anuncio-vos
uma grande alegria, que é dada a todo o povo, pois nasceu hoje, na
cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, nosso Senhor... Eis o sinal
para conhecê-lo: achareis uma criança envolta em panos e deitada num
presépio”. Enquanto o Anjo assim falava, aumentava o esplendor em
redor e vi então cinco ou sete Anjos, grandes, luminosos e graciosos,
diante dos pastores; seguravam nas mãos uma fita, como de papel, na
qual estava escrita uma coisa, em letras do tamanho de um palmo:
ouvi-os louvar a Deus e cantar: “Glória a Deus nas alturas e paz na
terra aos homens de boa vontade”.
Os pastores na torre de vigia tiveram a mesma aparição, apenas um
pouco depois. Do mesmo modo apareceram os Anjos a um terceiro grupo de
pastores, perto de uma fonte, a três léguas de Belém, a leste da
torre dos pastores. Vi que os pastores não foram imediatamente à
gruta; para lá chegar, os três pastores tinham um caminho de uma
hora e meia e os da torre o dobro. Vi também que deliberaram sobre o
que deviam levar, como presente, ao Messias recém-nascido; depois
buscaram as dádivas o mais depressa possível.
Ao crepúsculo da manhã chegaram os pastores, com os presentes, à
gruta. Contaram a S. José o que lhes anunciara o Anjo e que vinham
para adorar o Messias. José aceitou os presentes, com humildes
agradecimentos e conduziu os pastores à SS. Virgem, que estava
sentada ao pé do presépio, com o Filho ao colo. Os recém-chegados
prostraram-se de joelhos diante de Jesus, segurando os cajados nos braços;
choraram de alegria e permaneceram assim muito tempo, sentindo grande
felicidade e doçura. Quando se despediram, deu-lhes a SS. Virgem o
Menino a abraçar. De tarde vieram outros pastores, com mulheres e
crianças, trazendo presentes.
Alguns dias depois do nascimento de Jesus, estando José e Maria ao
lado do presépio e olhando com grande e íntima felicidade para o
divino Menino, aproximou-se de súbito o jumento, e, caindo de
joelhos, baixou a cabeça até o chão. Maria e José derramaram lágrimas
à vista disso.
Depois do Sábado, José chamou três sacerdotes de Belém, para a
circuncisão do Menino. Estes trouxeram a cadeira da circuncisão e
uma laje de pedra octogonal, na qual se encontravam os instrumentos
necessários. Ao nascer do dia teve lugar a circuncisão. Oito dias
depois do nascimento do Senhor, vi que um anjo apareceu ao sacerdote,
apresentando-lhe o nome de Jesus, escrito numa lousa. O Menino Jesus
chorou alto, depois da santa cerimônia. José recebeu-o do sacerdote
e depositou-o nos braços da SS. Virgem.
Na tarde do dia seguinte, chegou
Isabel, com um velho criado, à gruta. Houve grande regozijo. Isabel
apertou o Menino ao coração. Veio também Ana, com o segundo marido
e Maria Helí. Maria pôs o Menino nos braços da velha mãe, que
estava muito comovida. Maria contou-lhe também, cheia de íntima
felicidade, todas as circunstâncias do nascimento. Ana chorou com
Maria, acariciando durante todo o tempo o Menino Jesus”.
Eis aqui um pouquinho do mistério do
nascimento de Jesus. Quem leu as escrituras, com apenas aqueles
detalhes absolutamente necessários, certamente já mil vezes ficou a
imaginar como de fato as coisas aconteceram. Mistério de uma Virgem
que dá a Luz ao Filho de Deus. Mistério de um Deus que faz homem,
para remir a humanidade caída pelo pecado, e abrir para ela as portas
do céu. E aqui fica registrada uma terna alegria, que expressa nas
visões desta grande mística são como bálsamo para nossas almas.
Logo, porém, adiante, esta alegria
esfuziante dará lugar ao sofrimento e à dor. Maria, a Mãe Santíssima,
verá a espada de dor atravessar sua alma conforme profecia de Simeão.
Jesus passará pelo sofrimento da Cruz, esmagado pela ignomínia do
pecado humano. Tudo para que tivéssemos a graça de, um dia, abraçar
ao Pai Celeste, nosso Criador e Deus. Mistério de fé, que nunca
seremos capazes de decifrar!
Fiquem com Deus, e até nosso novo encontro!
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Fonte: Recados do Aarão
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