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GRITOS DAS TREVAS -
Parte 11
Para manter fidelidade ao livro, evitando
que partes importantes possam ficar fora do conhecimento do leitor,
acrescentamos neste último texto as críticas feitas pelos padres e
as defesas do livro. Manteremos a originalidade, sem comentários,
apenas para aqueles que quiserem se aprofundar.
APÊNDICE
RESPOSTAS À ALGUMAS CRÍTICAS
PELO PADRE ARNOLD RENZ, SDS.
1. Cristo não aceitou o testemunho dos demônios e ordenou-lhes:
Calai-vos.
a) O próprio Cristo estava presente. Ainda não tinha revelado a Sua
divindade e não necessitava do testemunho dos demônios. O Pai
testemunharia por Ele.
b) Cristo também ordenou aos Seus Apóstolos que se calassem. Depois
da Sua Transfiguração no Monte Tabor disse aos Apóstolos: “Não
faleis a ninguém desta visão, enquanto o Filho do Homem não
ressuscitar dos mortos” (Mt. 17,9).
c) A pouco e pouco Cristo foi preparando os homens para a revelação
da Sua divindade. Por esse motivo é que recusou o testemunho dos demônios.
Mas permitiu também que eles dissessem: “Nós sabemos quem és: és
o Santo de Deus” (Lc. 4,34). Ele poderia ter impedido esta declaração,
contudo não o fez.
2. Nós temos os ensinamentos da Igreja, não precisamos do testemunho
dos demônios.
a) Os demônios não nos ensinam verdades de fé. Quando falam de si
próprios, sobretudo quando dizem o que querem, misturam habitualmente
e habilmente a verdade e o erro.
b) Não se devem fazer perguntas indiscretas. Quando isso acontece,
deve contar-se com respostas mentirosas. Isto não se aplica só aos
demônios, mas também aos videntes e às almas privilegiadas.
Infelizmente, são muitas vezes tomados por agências de informações.
Por exemplo, uma vez perguntaram ao Santo Cura d’Ars: “O meu
marido está no Purgatório?” Ele respondeu: “Isso é que não lhe
sei dizer. Nunca lá estive”.
Pelo contrário, noutra ocasião, respondeu: “O homem em questão,
salvou-se. Teve tempo de fazer um ato de contrição”. Neste caso
havia um motivo especial. Não se tratava apenas de dar a resposta a
um pergunta curiosa.
c) A existência dos demônios é um fato. A Sagrada Escritura
informa-nos sobre a existência do inferno e dos demônios. O Papa
fala da existência e da ação dos demônios. Apesar disso, muitos não
o acreditam. Por esse motivo é que a Santíssima Virgem disse ao
Padre Gobbi: “O Papa sofre e reza; está sobre uma cruz que o
consome e que o mata. Agora, ele também falou, mas a sua voz é como
a semente caída no deserto. A minha Igreja transformou-se num
deserto, ou em algo ainda pior”.*
Através dos possessos a existência e a ação dos demônios
tornam-se palpáveis. Ela é, além disso, um sustentáculo para a
nossa fé.
d) As verdades ensinadas pela Igreja estão atualmente reduzidas ao
silêncio. Por exemplo, quem falou nestes últimos anos do Inferno e
dos demônios? O inferno e os demônios foram praticamente
considerados tabu para a pregação da Igreja, do Reino de Deus. Só
com o caso Kligenberg** é que o problema voltou a ser discutido à
escala mundial.
Resultado: Uma divisão dos espíritos – uns acreditavam, outros
negavam a existência de satanás e do inferno. Daí resultou, por
outro lado, na negação dos fatos, por outro, uma fé renovada.
Muitos, porém, foram levados a refletir sobre o inferno e satanás, o
que nunca teria acontecido se não fosse o caso Klingenberg.
e) Nós não necessitaríamos nem das revelações feitas nos lugares
de Aparições, nem das revelações de Videntes ou almas
privilegiadas, se lêssemos mais seriamente a Sagrada Escritura.
Assim, por exemplo, Maria diz ao Padre Gobbi: “As Minhas mensagens
multiplicam-se tanto mais, quanto mais a voz dos meus servos se recusa
a anunciar a verdade. Aquelas verdades tão importantes para a vossa
vida já não são proclamadas, por exemplo: os ensinamentos sobre o
Paraíso que vos espera, sobre a Cruz de Meu Filho que vos salva,
sobre o pecado que fere o Coração de Jesus e o Meu, sobre o inferno,
no qual tantas almas se precipitam diariamente, sobre a urgência da
oração e da penitência”.
f) Se os demônios se limitassem a falar de si próprios, tínhamos
que recusar as suas revelações. Mas, precisamente nestes últimos
casos de possessão, a Santíssima Virgem mostra o Seu poder e a Sua
soberania. Ela obriga os demônios a manifestar verdades necessárias
à Igreja do nosso tempo, verdades esquecidas que é preciso
relembrar.
g) Os ensinamentos da Igreja são recusados, do mesmo modo que as
mensagens da Santíssima Virgem nos lugares das Suas Aparições e as
revelações das almas privilegiadas. Recusam-se as lágrimas, as lágrimas
de sangue da Mãe do Céu. Agora, a Santíssima Virgem tenta ainda um
novo meio: as revelações dos demônios. Mas também elas, por sua
vez, só são aceitas onde ainda brilha um mínimo de boa vontade.
h) As revelações dos demônios não são senão um favor do Céu,
uma prova do Amor pleno de solicitude da Santíssima Virgem.
i) A Santíssima Virgem disse, nas bodas de Caná: “Fazei tudo o que
Ele vos disser”. Mas hoje, já não se faz o que Ele nos diz. A Santíssima
Virgem repete-nos hoje, mas com mais urgência: “Fazei o que Ele vos
disser”. Ela di-lo mesmo através dos demônios, para que nós
sejamos salvos e para que contribuamos para a salvação dos outros.
j) Como, Mãe da Igreja, assim a definiu Paulo VI no Concílio, tudo
quer fazer para salvar os Seus filhos, os resgatados por seu Filho.
Teriam, porventura, as almas menos valor para Ela do que para o
inferno, que emprega todos os esforços, que trabalha sem cessar, para
as perder?
* Referia-se à alocução de S.S. Paulo VI sobre o demônio. Os
textos destas locuções encontram-se em “Nossa Senhora aos Seus
Sacerdotais”, Braga, 1986.
** Caso de uma rapariga que morreu durante o exorcismo oficial.
3. Mas como é possível que os demônios falem entre si, falem em
detrimento do inferno? Eles só podem querer o mal da Igreja!
a) É claro que os demônios só querem fazer-nos mal. Não nos querem
dizer o que contraria o inferno. O seu objetivo principal é denegrir
a Igreja, sempre que isso for possível. Mas já Goethe punha estas
palavras na boca do demônio: “Eu sou a força que só quer o mal, e
que, contudo, pratica sempre o bem”. *
b) O que se passa com os possessos é precisamente isto: o poder da
Santíssima Virgem exprime-se de maneira tangível, quando força os
demônios a anunciar o bem e a verdade.
c) Os demônios não querem fazer estas revelações. Só as fazem
quando são obrigados, sob o poder e as ordens da Santíssima Trindade
e a da Santíssima Virgem. Só fazem estas revelações quando,
intimados em nome da Santíssima Trindade, da Santíssima Virgem, do
Coração Imaculada de Maria ou em nome de Jesus, são obrigados a
dizer a verdade e só a verdade. (No texto, estas exigências feitas
aos demônios foram, na sua maioria abreviadas ou omitidas, por falta
de espaço e para que a leitura não se tornasse excessivamente monótona).
Mas sem essas ordens, pode acontecer – como aliás aconteceu –
ouvir o demônio exclamar: “Estás a ser insolente.” – Porquê?
– interrogou o exorcista – “Dizes apenas: diz a verdade! Se
falas só em teu nome, então não somos obrigados a revelar o que
quer que seja”!
d) Estas revelações são uma dádiva que o Céu concede à Igreja.
Se assim forem consideradas podem fazer muito bem. Para muitas almas,
podem significar o bem espiritual e a salvação, para a Igreja, a
renovação. Por isso mesmo é que os possessos sofrem tão
horrivelmente, sofrem até ao limite do possível. Foi o que
aconteceu, por exemplo, com a jovem Annelise Michel, no caso
Klingenberg, que morre depois do exorcismo. A esse respeito, confessarão
os demônios: “Nós atormentamo-la para lá de qualquer medida, a
tal ponto que deveria ter desesperado e desistido. Nós esperávamos
que, no seu desespero caísse nas nossas mãos. Mas não conseguimos
alcançar o nosso objetivo! Ela resistiu e nós, demônios, fomos
horrivelmente injuriados por lúcifer”. E os demônios acabaram
mesmo por confessar: “Se ela não foi imediatamente para o Céu,
decerto chegou bem alto, bem alto”.
Aqueles que conhecem a vida da possessa destes “Avisos” puderam
verificar os sofrimentos monstruosos que ela desde há anos vem agüentando.
Tais sofrimentos e uma vida assim são garantia da autenticidade desta
possessão e destas revelações. É por isso que o livro constituirá
uma obra importante, para o bem das almas e para a Igreja.
e) O inferno agita-se e procura destruir o livro.
Sem a proteção da Santíssima Virgem e da Santíssima Trindade não
se teria conseguido vencer os obstáculos e as dificuldades, e a sua
publicação jamais teria sido possível. Os próprios demônios
tiveram que reconhecê-lo. Aliás, todos aqueles que nele colaboraram,
bem o sabiam, mesmo sem as revelações demoníacas. Estas, só o
vieram a confirmar mais tarde.
f) Para os exorcismos e adjurações a partir de 10 de Junho e até 3
de Julho posso dizer que segui as instruções do “Ritual Romanum”,
segundo as quais o exorcista não se deve deixar levar no engodo das
palavras dos demônios ou por perguntas sobre questões futuras ou
secretas, pois não é nisso que consiste o seu trabalho.
g) Pelo desenrolar das “Confissões” verificou-se que a Santíssima
Virgem decerto, como um último recurso, quis revelar pela boca dos
demônios o que é útil para a Igreja e para o bem das almas. Só
neste sentido, é que foram feitas perguntas e exigidas novas revelações,
mas “somente a verdade e o que a Santíssima Virgem quer”.
h) Antes das revelações importantes foram exigidas certas e
determinadas orações, “para que nós (demônios) sejamos obrigados
a dizer a verdade”.
i) Se os demônios não falassem a “linguagem do inferno”, a
possessão não seria autêntica. Os demônios voltam sempre a
exprimir o seu ponto de vista. O leitor reconhecerá facilmente quando
os demônios exprimem o seu próprio ponto de vista.
j) Os demônios estão ligados ao “instrumento”, no seu modo de
falar. Também é possível que as idéias do “instrumento” (da
pessoa possessa) se misturem com as suas revelações. É por isso que
é sempre necessário confrontar as revelações com os ensinamentos
verdadeiros da Santa Igreja. “Examinai tudo, retendo apenas o que
for bom” – diz S. Paulo.
k) Num tempo em que os demônios são particularmente poderosos –
como parece ser agora o caso, parece muito oportuno que a Santíssima
Virgem, a vencedora de todos os combates de Deus que há-de esmagar a
cabeça a satanás, os force a fazer revelações mesmo contra a sua
vontade, para bem dos homens e da Igreja. Também isto é um triunfo
de Maria.
m) Se Ela pede constantemente que o livro seja impresso o mais
rapidamente possível (porque o tempo urge?), certos pontos mais
obscuros não puderam ser acompanhados de notas explicativas.
n) Durante a realização deste livro rezou-se muito. Os próprios demônios
pediam constantemente, da parte da Santíssima Virgem, certas e
determinadas orações. “Rezai muito ao Espírito Santo”!
Se o leitor, por seu lado, aceitar este convite, decerto tirará
grande proveito desta leitura. Há-de receber a luz necessária, mesmo
para aquelas passagens que não têm a necessária clareza.
* O demônio pratica e quer só o mal, mas Deus faz com que tudo
concorra para o bem daqueles que ama, inclusivamente a ação do
diabo.
N.B. – A documentação final esclarece alguns pontos controversos
do Exorcismo e dá ao leitor a linha doutrinal da Igreja nestas matérias.
DOCUMENTOS
O QUE É A POSSESSÃO?
Pelo Padre Arnold Renz, SDS
Provas da existência do demônio – Elas encontram-se nos
ensinamentos de Cristo nas Sagradas Escrituras; nos ensinamentos do
magistério eclesiástico; nos ensinamentos dos Papas, representantes
de Cristo. Estes ensinamentos concordam: o demônio existe.
A ação do demônio – O demônio exerce um grande poder, não
apenas pela sua ação íntima sobre os homens e pela tentação, para
os fazer cair em pecado e os afastar de Deus, mas também pelo seu domínio
sobre determinadas pessoas através da possessão.
A Possessão – Embora a possessão não possa ser provada nem
confirmada pela Ciência (Psicologia) ela tenta estudá-la, saindo
assim da sua competência. A sua existência tem, no entanto, de ser
aceita. Mesmo abstraindo dos ensinamentos do Magistério e das
Sagradas Escrituras, ela foi experimentada por Santos (por ex: S. João
da Cruz, o caso duma religiosa na vida de Santa Teresa de Ávila, o
Santo Cura d’Ars e tantos outros). A história da Igreja fornece um
grande número de casos de possessão, que não são aqui mencionados.
É preciso grande prudência na aceitação de certos casos de possessão,
pois existem doenças psicológicas que se assemelham muito à possessões.
Há diferentes fenômenos, ou manifestações, que provam a possessão.
O mais evidente á a reação ao exorcismo feito apenas mentalmente:
é o chamado “exorcismo probativus.” Mas mesmo neste caso é possível
que os demônios se escondam, que não se manifestem e não reajam. No
caso de não reagirem, isso não prova que eles não estejam
presentes. Mas se reagem, isso prova que há possessão. Um fator
importante é fornecido pelo comportamento perante objetos benzidos,
relíquias, água benta, medalhas... Mas, neste caso, não é preciso
que a pessoa saiba previamente que os objetos estão benzidos.
O comportamento perante a água vulgar e a água benta é um sinal da
presença dos demônios. Certas pessoas tem o dom de distinguir a água
vulgar da água benta, mas a sua reação não é uma rejeição
furiosa. A reação furiosa não se pode explicar dum modo natural.
Um outro sinal comprovativo é o sucesso do exorcismo. Citamos apenas
um caso: o dos pequenos possessos de Illfurt(1). Estes demônios
puderam ser expulsos. Depois da sua expulsão, por exorcismos que se
prolongaram durante dois anos, as crianças ficaram absolutamente
normais.
O fracasso do exorcismo será um sinal negativo?
a) Se não há realmente possessão, o exorcismo não pode resultar.
Em certos casos pode até mesmo prejudicar.
b) Há casos de possessão que têm um objetivo particular: por
exemplo, a purificação de uma pessoa que vive no pecado ou o castigo
para uma vida de pecado, mas também há especialmente casos de
pessoas que se consagram ao diabo. Tais casos são, na maior parte das
vezes, longos e exigem um esforço enorme da parte do exorcista, mas não
são casos desesperados, sobretudo se a pessoa tiver boa vontade (o
caso de Magda com o Padre Rodewyk) (2).
c) Um caso particular de possessão é o que se chama “possessão
expiadora.” As pessoas em causa não são pessoalmente culpadas.
Podem, por exemplo, ter sido amaldiçoadas. Porque é que num ou
noutro caso a maldição dá efeito e noutros não? Continua a
ser um mistério. Se certas pessoas aceitam sofrer por outras, tal
disposição pode traduzir-se em possessão. A possessão obriga a um
sofrimento horrível. A história mostra que o possessos que sofreram
muito tempo não chegam a velhos (o caso dos meninos de Illfurt).
Há possessos que sofrem pela humanidade, pela Igreja ou por
determinados grupos de pessoas, por exemplo, Sacerdotes.
d) Quando se consideram certos casos como, por exemplo, o de Nicolau
Wolf, de Rippertschwand(3) ou o de Altotting(4), pode-se pensar que
estes casos têm uma missão especial a cumprir na Igreja: não só
pelos sofrimentos evidentes, mas também pelas suas revelações. Podíamos
citar aqui o caso que é objeto desta obra ou o caso Klingenberg(5).
As revelações feitas nestes casos devem ser consideradas um
testemunho e um auxílio à Igreja nos tempos difíceis que atravessa.
Estes casos resistem ao exorcismo até se cumprirem determinados
objetivos. No caso de Klingenberg, o sofrimento prolongou-se até à
conformação com Cristo e a morte na Cruz. Anneliese morreu de fome e
sede.
O demônio declara nesta obra a propósito de Klingenberg: “Deus
submeteu esta família e a todos os que tomaram parte no assunto, a
uma prova indizível. Ele chamou a Si essa pobre alma sofredora, para
que acabasse o seu martírio e pudesse gozar da Beatitude eterna.”
Acrescentaram depois: “Mesmo que ela (Anneliese) não tivesse sido
imediatamente elevada à eterna Bem Aventurança, ficou muito alto,
muito alto”(10 de Junho de 1977). A morte de Anneliese foi permitida
por Deus e não devida a um fracasso do exorcismo.
Em que é que consiste exatamente a possessão?
No caso dos possessos, o demônio não só toma posse da alma da
pessoa, como é o caso do pecado grave ou “pecado mortal”, como
também do corpo e das forças físicas, psíquicas, de modo que a
pessoa deixa de poder dispor livremente do seu corpo, do seu espírito
e da sua vontade. Outro – o demônio – apoderou-se deles. A pessoa
possessa não pode reagir contra o que os demônios querem fazer por
seu intermédio. No entanto, uma ponta de inteligência, a mais
profunda, e a vontade, podem opor-se a todo o mal que os demônios
querem impor. Neste caso, a pessoa não comete qualquer falta. Ainda
menos se pode falar de culpa, se durante a “crise”, ou depois
dela, a pessoa não se lembra de nada. Foi o caso, por exemplo, das
crianças de Illfurth que, no fim, de nada se lembravam do que tinha
acontecido durante a possessão.
Muito especialmente, nos casos de “possessões expiadoras”, há o
que se chama a possessão lúcida, isto é, a pessoa possessa sabe
totalmente ou em parte, o que faz e diz. Nestes casos, estamos perante
um sofrimento imensamente penoso, que é suportado com pleno
conhecimento.
Causas da possessão – Resumindo: pode haver um pecado grave, que
abre as portas aos demônios. Pode acontecer que a pessoa em causa se
entregue ao demônio por um pacto assinado com o seu próprio sangue(o
caso de uma religiosa, na vida de Santa Teresa de Ávila e S. João da
Cruz) que essa pessoa se entregue a práticas ocultas ou que tenha uma
intenção especial: reparação ou algo semelhante.
A possessão e a Ciência – Satanás e a possessão pertencem
ao sobrenatural. A Ciência não tem acesso ao sobrenatural. Ela
ocupa-se dos fenômenos. Se a Ciência discute sobre satanás ou sobre
a possessão, ultrapassa os limites da sua competência e não merece
crédito. O mesmo se pode dizer quanto à Psicologia e à Medicina.
É razoável e até aconselhável que quando se desconfia de que há
possessão, pensar em primeiro lugar, nas causas naturais e também
nas doenças psíquicas. Mas a razão exige que se atenda à
possibilidade de uma possessão. Um exame cuidadoso do caso deve
estabelecer as causas do estado da pessoa. O fracasso da Medicina no
tratamento do caso pode ser um sinal de possessão. Quando a Ciência
desiste, é preciso que o caminho fique aberto ao exorcismo, ao remédio
apresentado pela Igreja, conforme as ordens de Cristo: “Expulsai os
demônios”(Mt.10,8). O erro, segundo o qual, Cristo estaria
condicionado pela mentalidade do seu tempo, relativamente aos demônios,
contradiz a Sua Divindade e deve ser rejeitado.
A Possessão é uma doença?
Fundamentalmente a possessão não é uma doença; no entanto, pode
atrelar-se a uma doença. Muitas das vezes, as doenças dos possessos
desaparecem com a expulsão do demônio e não podem ser combatidas
pela medicina.
Que é exorcismo?
O exorcismo é o remédio da Igreja, que se esforça por expulsar o
demônio pela oração, por leituras da Sagrada Escritura, por adjurações,
intimações em nome de Jesus, uso da água benta, bênçãos, Sinais
da Cruz, a imposição da estola, a imposição das mãos. Seria um
erro pensar que basta um único exorcismo para expulsar os demônios.
É um duro combate entre o exorcista e os demônios.
Estes repetem constantemente: “Nós não somos obrigados a partir já.”
É por isso que também aqui é válido o aforismo: Deus tem a última
palavra a dizer.
NOTAS
1) 1) Padre P. Sutler: «O poder de satanás e
a sua ação.»
Editora Siegfried Hacker, Grobenzell, 7. ed. 1975. História
dos pequenos possessos de Illfurt. Há tradução em francês na
editora Résiac.
2) 2) P. Adolf Rodewyk, SJ: «A possessão
demoníaca nos Tempos de Hoje.» o caso Magda. Edição alemã de Paul
Pattloch, Aschaffnbourg, 1976.
3) 3) Johann Erni – Sermões do diabo –
Nicolas Wolf, de Rippertschwand. Editora Siegfried Hacker. Grobenzell,
1975. Edição alemã.
4) 4) Teufelspredigt von Altoltting – Sermões
do diabo de altoltting.
5) 5) Sobre o «Caso Klingenberg» ainda não
há nada publicado em definitivo.
CARDEAL HOFFNER:
Entrevista* sobre as possessões.
SL – A trágica morte, no verão de 1976, da estudante de Pedagogia,
Anneliese Michel, falecida após os exorcismos de Klingenberg, excitou
violentamente os espíritos. Foi dito, então, que era inadmissível
que num século civilizado, como o século XX, se pudesse ainda
acreditar no diabo e na possessão. Os Padres que fizeram o exorcismo
foram considerados co-responsáveis da morte da jovem estudante. O
exorcismo devia ser legalmente proibido. Que é que o Sr. Cardeal
pensa do caso?
JH – Têm que se fazer duas perguntas: 1ª - Existem de fato os espíritos
malignos, a que nós chamamos demônios? 2ª - Esses espíritos
podem exercer influência sobre o ser humano?
SL – Comecemos pela questão da existência do demônio. O Papa
Paulo VI explicou na Audiência Geral de 15 de Novembro de 1972: «Sabemos
que esse ser obscuro e perturbador existe verdadeiramente e que está
sempre em atividade». Em 23 de Julho de 1976, o jornalista Hannes
Burger, de Munique, comentava assim os ensinamentos do Papa: «Dum
modo geral, podemo-nos sorrir ante tal discurso; aliás, patacoadas
desse gênero há muito que são consideradas absurdas, mesmo pela
Teologia Católica Contemporânea».
JH – Não vamos falar do tom presunçoso das palavras do Hannes
Burger. Digo só que é falso afirmar que «a Teologia Católica
Contemporânea» nega a existência dos espíritos malignos. Os
professores Karl Rahner e Herbert Vorgrimler declaram que «a existência
de forças e poderes malignos sobre-humanos e a sua ação no mundo»
são «uma verdade de fé” (1). O professor Leo Scheffczyk, da
Universidade de Munique declara por seu lado que, «na pregação de
Jesus, satanás se apresenta como o adversário da obra de salvação»
(2).
“Os diversos poderes – escreve o professor Heinrich Schlier, da
Universidade de Roma – que só desenvolvem o único poder satânico,
apresentam-se como uma espécie de poder individual” (3).
Joseph Ratzinger, da Universidade de Ratisbona, escreve: “o
exorcismo, sobre um mundo ofuscado pelos demônios, pertence
inseparavelmente à via espiritual de Jesus e coloca-se no centro da
Sua mensagem e na dos Seus discípulos” (4).
Poderia ainda citar outros tantos teólogos, mesmo protestantes. Mas
estes exemplos já chegam.
SI – Karl Rahner e Herbert Vorgrimler declaram que a existência dos
espíritos malignos, é considerada “como ensinamento bíblico e do
magistério eclesial” (5). Poderá o Sr. Cardeal esclarecer mais
pormenorizadamente o sentido destas palavras?
JH – O IV Concílio de Latrão, no ano de 1215, resumiu dum modo
perfeitamente claro os ensinamentos da Igreja: “No princípio do
mundo, Deus exercendo a Sua Força Poderosa, criou do nada, as duas
criaturas, a espiritual e a corporal, quer dizer, a angélica e a
terrestre e, em seguida, a humana, que de certa maneira encerra em si
as outras duas, pois é composta de espírito e corpo. Porque o diabo
e os outros espíritos malignos foram criados bons por Deus. Eles próprios
é que se tornaram maus” (6).
Este texto significativo compreende três afirmações:
1ª Deus criou tudo a partir do nada: os Anjos, o Universo e os
Homens.
2ª Os espíritos malignos também foram criados por Deus, como seres
bons, quer dizer, como Anjos. O mal não é uma estrutura fundamental
do ser; não é uma força cósmica do ser.
3ª Estes seres tornaram-se espíritos malignos, quando se separaram
de Deus.
O que o IV Concílio de Latrão ensina é a doutrina primitiva da fé
Católica. Em 561, o Concílio de Braga declarava: “Se há alguém
que diga que o demônio não foi criado por Deus, ao princípio, como
um Anjo bom, que não é por natureza uma criatura de Deus mas que, ao
contrário, saiu das trevas, que não tem criador, mas que é o princípio
e a substância do Mal... que seja anátema. Se há alguém que diga
que o demônio... produz pelo seu próprio poder a trovoada, os relâmpagos,
as intempéries e a seca... que seja anátema (7).
Ainda muito recentemente, o Concílio Vaticano II declarava que Deus,
por Jesus Cristo, «nos libertou da escravidão do demônio e do
pecado»(8), e que a atividade da Igreja tem por fim, “a confusão
do demônio” (9).
SI – O professor Haag declara que é anti-bíblico insistir na existência
do demônio; que o Papa Paulo VI na sua alocução de 15 de Novembro
de 1972, exerceu “pseudo-exegese” e interpolou os textos da
Sagrada Escritura, “como nenhum estudante, no primeiro semestre,
ousaria fazer”. Quando a Congregação para a Doutrina e Fé
publicou, em Junho de 1975, o seu documento sobre “Fé cristã e
demonologia”, o professor Haag declarou o seguinte: “Roma falou
mais uma vez com rodeios”.
JH – Teólogos autorizados refutaram vigorosamente a censura de que
era anti-bíblico sustentar a existência do demônio. O professor
Joseph Ratzinger escreve: “não é como exegeta, como comentador da
Sagrada Escritura, que Haag diz “adeus ao diabo”, mas como
“homem deste tempo”, porque a existência do demônio é inegável.
A autoridade, em virtude da qual ele formula a sua opinião, é a da
sua filosofia moderna e não a intérprete da Bíblia” (10). Nas
pregações de Jesus, satanás é o grande adversário que, no
entanto, não tem qualquer poder sobre Ele (João 14,30), porque Jesus
quebrou o seu poder: “O príncipe deste mundo está condenado”(João
16,11). Sem dúvida que satanás não está no centro da pregação de
Jesus. Mas, “a luta contra o poder dos demônios” faz parte da
missão de Jesus, que veio a este mundo, “para destruir as obras do
diabo”(I João 3,8).
SI – O professor Haag afirma que “em todas as passagens do Novo
Testamento, onde se fala de satanás ou do diabo, pode também
compreender-se o pecado ou o mal” (11).
JH – De modo nenhum. Nas Sagradas Escrituras lemos: “O diabo peca
desde o princípio”. Só uma pessoa dotada de espírito e inteligência
pode pecar, e não o “mal”.
SI – O professor Haag afirma
que nas Sagradas Escrituras o demônio é “uma personagem a fingir,
sem entidade própria” (12); que, no Novo Testamento, o demônio
aparece como “a representação do mal, de acordo com a mentalidade
da época”; que Jesus e os Seus Apóstolos se movimentavam “nessa
mentalidade da época, tal como o mundo que os rodeava” (13).
JH – No tempo de Jesus, a crença nos Anjos e nos demônios não
fazia parte do Universo espiritual. Os saduceus, por exemplo,
afirmavam “que não havia nem ressurreição, nem Anjos, nem espíritos”
(Atos 23,8).
É preciso também acentuar que as Sagradas Escrituras condenaram
severamente a magia e a quiromância, universalmente expandidas no
mundo antigo. O Deuteronômio diz: “Não haja ninguém no meio de ti
que faça passar pelo fogo o seu filho ou a sua filha; ou se dê à prática
de encantamentos, ou se entregue a augúrios, à adivinhação ou à
magia, ou feitiço, ao espiritismo, aos sortilégios ou à evocação
dos mortos. Porque o Senhor abomina aqueles que se entregam a
semelhantes práticas. É por causa dessas abominações que o Senhor,
teu Deus, expulsa diante de ti essas nações” (Deut. 18,10-12).
Parece-me que estas advertências do Antigo Testamento são válidas
para muitos homens cultos do século XX, que se entregam a tantas
supertições.
SI – É possível que os espíritos malignos exerçam influência
sobre os homens?
JH – As Sagradas Escrituras, no Novo Testamento, respondem
afirmativamente: mencionam, com efeito, muitos possessos, que Jesus
libertou dos espíritos malignos. Os professores Karl Rahner e H.
Vorgrimler escrevem que não basta somente admitir a influência dos
demônios nos casos onde há “fenômenos extraordinários”, mas
também “na natureza e na história, em que existe uma cadeia
normal, natural, explicável, de acontecimentos, uma dinâmica das forças
demoníacas orientadas para o mal” (14).
O professor H. Schlier declara que as forças demoníacas “se podem
tornar senhoras do homem e do mundo, no seu espírito, até penetrarem
no seu corpo, para mostrarem nelas e por elas o seu poder”; diz
ainda que “estas forças têm, em cada ser, um cúmplice: a sua tendência
egocêntrica, a sua repugnância perante Deus e o próximo”; que,
precisamente nos nossos dias, não nos podemos libertar da sensação
de que o problema do mundo e da história, está mal posto (15).
Entre o Céu e a Terra há muitas coisas de que os “nossos homens
cultos” não têm a menor idéia.
[Fonte: “Diabo, Possessão, Exorcismo”, em “Questões Teológicas”,
nº 10, Outubro de 1976, edit. Joseph Kral, Abensberg].
NOTAS
1) 1) Pequeno Dicionário Teológico, editado
por Karl Rahner e Herbert Vorgrimler, 7ª edição, Freiburg em
Breisgau 1968, p. 49.
2) 2) Leo Scheffcyk, “Fé Cristã e Doutrina
dos Demônios”, in Revista Teológica de Munique, (1975) p. 392.
3) 3) Heirich Schlier, Forças e Poderes do
Novo Testamento. Freiburg em Breisgau, 1958, p. 63.
4) 4) J. Ratzinger, Adeus ao Diabo? Einsiedeln,
1969, p. 48.
5) 5) Cf. a anotação (1).
6) 6) Denzinger – Schönmetzer, 800. H.
Denzinger, SJ (teólogo católico alemão). O seu trabalho Enchiridion
Symbolorum et Definitionum é clássico.
7) 7) Ibidem, 457-458.
8) 8) Gaudium et Spes, 22 (cfr. Ad Gentes, 3).
9) 9) Lumen Gentum,
17.
10) 10)J. Ratzinger, Adeus ao Diabo?
11) 11)Herbert Haag, “Abschied vom Teufel” (Adeus ao Diabo).
Einsiedeln, 169, p. 48.
12) 12)Herbert Haag, “Teufelsglaube” (A crença no Diabo), Tubinga,
1971, p. 205.
13) 13)Herbert Haag – Op. Cit. P. 47.
14) 14)Kleines Theologisches Wörterbuch, (Pequeno Dicionário Teológico)
p. 49.
15) 15)Heirich Schlier, “Besinnung auf das Neue Testament” (Reflexões
sobre o Novo
Testamento) –
Fribourg – Breisgnan, pp. 146, 148, e 157.
A OPINIÃO DO TEÓLOGO PADRE BERNARDO
Quisemos pedir a um teólogo, versado na mística, o Padre Bernardo,
que nos dissesse o que pensava da leitura destes “Avisos”.
Para um teólogo, a principal objeção que pode apresentar-se perante
semelhantes “revelações” é esta: Que crédito dar as palavras
de possessos? De fato há duas possibilidades:
1º) que seja o espírito humano que fale e traduza os seus próprios
pensamentos;
2º) que sejam demônios e que mintam, sendo a mentira a alma do
inferno.
Sobre a primeira hipótese, respondemos: o espírito humano da
possessa em questão não poderia, simultaneamente, falar como um
condenado e proclamar constantemente as verdades da salvação. Sem
falar de mil coisas, que ultrapassam a sua competência, e de mil fenômenos
próprios das possessões e exorcismos inexplicáveis pelas leis
naturais.
Quanto à Segunda, respondemos: é verdade que os demônios se esforçam
sempre por mentir. Mas também é verdade, que eles podem ser
obrigados, por Deus, a dizer a verdade, do mesmo modo que podem, por
Ele, serem obrigados a fugir.
Como saber se mentem ou agem sob a imposição de Deus? Primeiro, pelo
conteúdo do que dizem: tudo o que é conforme a Fé autêntica é
verdadeiro e, inversamente, é falso tudo quanto se lhe opõe. Depois,
pelas circunstâncias que mostram a sua relutância, principalmente
por não poderem resistir às invocações divinas e às orações,
pela santidade da pessoa possessa, pela necessidade em que estão de
falar antes de serem expulsos e de partir depois de dizerem tudo o que
tinham para dizer.
No presente caso, estes dois pontos são indiscutíveis. Sobretudo, é
evidente a coação em que se encontram – como repetem
constantemente ao proclamar as verdades mais comprometedoras para o
seu próprio interesse de demônios, das mais úteis para a causa
divina. Sabemos bem que este livro será violentamente rejeitado por
uns, abundantemente criticado por muitos outros, em todos os campos. Não
é difícil prever que não agradará a todos. Verificamos apenas
isto: a posição que cada um tomar, pelo menos globalmente perante
estas “revelações”, será exatamente a mesma que toma perante
Deus. Porque é o autêntico ensinamento da Igreja bi-milenária que
aqui encontramos, com toda a evidência. Há por certo, pontos
particulares, de ordem contingente, principalmente a propósito das
imposturas que aprisionam e torturam o Papa.
Mas mesmo aí, se quisermos refletir bem, aí se encontra melhor
a lógica da verdadeira Fé do que o cepticismo fácil dos “espíritos
fortes”, esse mesmo inimigo que cega e utiliza com a maior
facilidade a despreocupação.
Notemos também que, em conjunto, estas “revelações” são
controláveis, e até controladas, aliás, por fontes diferentes e sérias.
E, com efeito, muitas santas almas sabiam já tudo isto, pelo menos o
essencial. De modo que, de fato, a divisão entre os que “crêem e
os que não crêem” já está feita pela escolha de cada um perante
Deus.
No fim de contas, o grande conselho que podemos dar aos que,
sinceramente, procuram a verdade, é o mesmo dado no texto: pôr-se de
joelhos e rezar com humildade, fervor e insistência, rezar, sobretudo
ao Espírito Santo. Apetece-nos mesmo acrescentar: pôr-se na presença
de Deus com a mesma intensidade com que o faríamos se soubéssemos
que estávamos prestes a morrer e a ser julgados por Ele. É aqueles
que recusam esta perspectiva da Eternidade como condição fundamental
para ver com clareza que Nosso Senhor dá a terrível lição do
“Mau Rico”: só viu claro quando era demasiado tarde – e isso
por culpa sua.
E não
somos nós, mas Nosso Senhor, quem conclui amargamente a lição: Como
não acreditam em Moisés e nos Profetas, ainda que um morto
ressuscitasse, também não acreditariam n’Ele.
(Aarão) - Nada mais a comentar, apenas o sentimento de ter
feito a nossa parte. Compete a cada leitor, que se inteirou agora de
muitos assuntos, levar adiante estes alertas do inferno, porque
poderemos ser duramente chamados, mais tarde, na hora da justiça,
porque este dia virá fatalmente e está mais próximo do que
pensamos.
De fato, quanto a acreditar nos exorcismos em si, nos fica a frase do
Padre Bernardo, o último teólogo a se manifestar: Se não acreditam
nos profetas, se maldizem as escrituras, se cospem na verdade, mesmo
que um morto ressuscite na frente deles, acharão sempre um “que”
para negar a verdade. Ou chegarão ao absurdo de negar a existência
do diabo, mas atribuir a ele o poder de fazer milagres como
ressuscitar um morto.
Tudo isso é sinônimo de um orgulho, execrando e exacerbado, que
dilacera o mundo de hoje e atormenta a vida da Igreja. Diz o ditado,
que o pior cego é aquele que não quer ver. Mas se poderá dizer
hoje, que o pior cego é o orgulhoso. Sim, se os anjos caídos, como
estes que foram expulsos desta mulher, não fossem tão orgulhosos, não
seriam cegos – diria, tão burros – a ponto de afrontarem a justiça
de Deus.
Também, Judas, a alma caída, se não pensasse apenas em ser grande
– portanto orgulho – não seria cego a ponto de rejeitar as mil e
uma chances de conversão que Deus lhe havia proposto, nos três anos
em que seguiu a Jesus. Eis, então, que por serem cegos de orgulho, os
demônios também só conseguem passar para os incautos a própria
cegueira – que significa andar nas trevas tendo a luz – motivo
pelo qual caem ambos no mesmo abismo eterno.
Quanto aos que, humildemente crêem, para estes a certeza de que a paz
virá como um rio, pois no momento oportuno Deus restabelecerá todas
as coisas, e as fará novas. Então as forças infernais, não poderão
mais agir na Nova Terra. Elas serão sepultadas para sempre, cada demônio
em seu canto escuro, e assim será por toda a eternidade. Imaginem no
que lhes consistirá este suplício. Não vale a pena desafiar a Deus!
É insensatez pura!
Fonte: Recados do Aarão
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