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Cláudio - Vozes
de Deus - a Luz
Atos do Pai
O Cemitério ficava na pequena colina, ao redor da Igreja
Matriz.
Amélia sempre rezava lá e muitas vezes levava sua família,
pois como dizia:
- Precisamos rezar pelas almas que estão no Purgatório..”
Mas naquele dia, a noite veio mais rápida e os acompanhantes
quiseram desistir de rezar.
- Falta a última dezena do Terço. Vamos continuar...
Na Quinta Dezena, um grito ensurdecedor gelou os corações dos
caminhantes...
- Não é nada! Vamos continuar...
Mas na Ave Maria seguinte, Amélia estava sozinha, pois os
gritos fizeram correr os outros. Ela, no entanto, resoluta
continuou o Rosário até terminar na “varanda” da Igreja.
Era hora de voltar para casa, mas o “Sagrado Coração
de Jesus” parecia querer dizer alguma coisa. Entrou na Igreja
já com pouca luz, pois a estavam fechando e dirigiu-se ao altar
da imagem de Jesus e Seu Coração! Ali ainda estava iluminado!
- Mais luzes do que o sol! Que coisa linda!
E ouviu Jesus lhe dizer:
“É mister que se reze mais um Terço no Cemitério: ele será
destruído, mas há alguém que precisa ser resgatado!”
Ela não quis saber por que o cemitério seria destruído, nem
tampouco saber quem precisava ser resgatado e nem saber que era
noite! Não quis saber que estava sozinha: só quis saber de
seguir a ordem de Seu Senhor! Voltou ao Cemitério e iniciou a
reza dos Mistérios Gloriosos!
- Se é para resgatar uma alma, nada melhor do que os Mistérios
da Alegria!
A noite tinha ares assustadores, e tudo era realmente escuro e
apenas uma vela acesa nas mãos de Amélia a ajudava a caminhar
por entre os túmulos.
Um sussurro, um grito! Seu sangue gelou e por uns instantes não
conseguia se mover ou falar... Seu coração falou mais alto:
- Senhor do Sagrado Coração, vem fazer pulsar o meu!
E reiniciou a caminhada, agora entre relâmpagos e trovões.
- Ah! É a trovoada! Não preciso ter medo!
Mas logo percebeu o engano.
- Que trovoada, que relâmpagos, que chuva? Meu Jesus,
socorrei-me!
Uma luz iluminou o chão e pôde ver umas letras. Direcionou a
luz da vela ao local e percebeu que esta estava apagada! Mas a
luz iluminava o chão...
- Que luz! Meu Deus!
O medo parecia querer tomar conta dela...
- Jesus do Sagrado Coração: socorrei-me!
E uma paz profunda, como nunca havia sentido antes, tocou seu
coração e sua alma e pode então ver melhor o chão.
- Não sei quem é! Nunca ouvi falar!
Tentou gravar o nome na cabeça, pois não tinha onde escrevê-lo,
e continuou a rezar o Santo Terço e seus passos agora, eram
iluminados por uma luz tênue... Terminou a oração no degrau
mais alto da escadaria e contemplou sua linda cidade! Mas seu
coração estava voltado ao que vira atrás: que nome seria
aquele?
No dia seguinte, contou a historia aos familiares, os mesmos que
a haviam deixado só, mas foi motivo de escárnio. Seu esposo a
aconselhou a contar a historia ao Vigário.
- Pode ser importante e Deus talvez precisa usar você. Afinal,
você reza tanto!
O Vigário quis ver o local, mas nada havia lá!
Por muitos dias houve comentários sobre uma “tola” que
disse ter visto luzes no cemitério...
Amélia não se sentia feliz e sabia perfeitamente o que estava
dizendo:
- Tenho certeza! Há alguma coisa lá, ou alguém que precisa de
ajuda!
Em um dia de procissão, milhares de pessoas ganharam as ruas da
cidade, levando à frente a Santa Eucaristia, mas uma chuva
forte desabou sobre todos, fazendo com que as pessoas todas
corressem em busca de abrigos. Dentro da Gruta que ficava aos pés
da escadaria, o menino chamou a atenção de seu pai:
- O que é aquela luz no alto do cemitério?
O pai não deu atenção e o menino insistiu:
- Pai, tem uma luz lá
em cima. Aquele
não é o cemitério onde a mãe viu a luz?
- Fica quieto! As pessoas vão rir de nós!
- Mas pai: tem uma luz lá...
O homem não queria se envolver na história e virava-se de um
lado para outro, procurando desviar a atenção do filho. Na
verdade, não tinha coragem de olhar o alto...
- Um táxi – ele disse – vamos embora...
Em casa o menino jurava:
- Tem sim, mãe, uma luz lá!
Os cinco quilômetros que caminharam a pé, entre sua casa e o
cemitério, pareciam apenas alguns metros. No local não havia
nada! Amélia convidou o filho a rezar junto...
- No Primeiro Mistério, contemplamos a Anunciação do Arcanjo
São Gabriel a Nossa Senhora...
Um pequeno fecho de luz iluminou o chão...
- Vai chamar o Padre. Ele precisa ver isso!
O Sacerdote chegou cansado, e quase sem voz, balbuciou:
- Eu acredito em você, Amélia! Alguma coisa me empurrou para cá.
Mas não sei discernir: sou um pobre padre que não entende nada
destas coisas!
- Padre, este cemitério será destruído!
- Talvez transferido! Há realmente a intenção de se construir
aqui a nova Igreja Matriz!
- E o Jesus vai ficar bem aqui?
- O que foi menino: O que você viu?
- O Jesus precisa ficar bem aqui!
Olharam o chão e cavaram um pouco: havia um nome, porém
gravado em um pequeno crucifixo que poderia ter sido parte de um
Rosário...
- Que pertencia ao Padre Stanck, que viveu há muitos anos aqui
e que foi idealizador deste lugar: a Igreja, o cemitério...
- Agora ele quer dizer que o cemitério deve ficar aqui? Não
pode ser transferido?
- Ou quem sabe, apenas ele queira ficar aqui?
Hoje, a suntuosa Igreja domina a linda cidade: sua construção
moderna, sua imponente torre enche de êxtase os olhares de quem
a admira... O Cemitério não mais existe!
Mas naquela Santa Missa do Meio Dia, na festa de São Luiz
Gonzaga, vi a mesma luz... Me aproximei bem do altar-mor.
Sob o Sacrário, sob Jesus estava brilhando aquela luz!
- Jesus deve ficar aqui - eu me lembrei - bem sobre o Padre
Stank! O Sagrado Coração de Jesus sabe das coisas...
E rezei por Amélia, aquela santa mulher que moldou minha vida e
a vida de tantos outros! E rezei pelo Padre Vigário que
acreditou nela, e por causa dela, iniciou a grandiosa obra tendo
como base principal o local do Sacrário...
- Bem sobre a luz!...
Amém!
(Cláudio)
OBS: Talvez muitos não entendam bem a história, porque locais
e nomes são trocados, entretanto fica aqui um exemplo de fé....
Acho que entendi... mas foi pedido para publicar assim, e assim
será...
Fonte: Recados do
Aarão

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