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Nossa Senhora de Guadalupe
Nossa
Senhora de Guadalupe não é somente invocada como protetora das Américas,
mas também das vocações, das famílias e dos nascituros. Todos
os escritos narrados sobre as quatro aparições de Nossa Senhora de
Guadalupe são inspirados no Nican Mopohua, ou Huei Tlamahuitzoltica,
escrito em Nahuatl, a linguagem Azteca, pelo índio erudito Antônio
Valeriano em meados do século XVI. O que se divulga é uma cópia
publicada em Nahuatl por Luis Lasso de La Vega em 1649. As
Aparições
Dez
anos depois da tomada da Cidade do México, a guerra chegou ao fim e
houve uma paz entre os povos. Desta maneira começou a brotar a fé, o
conhecimento do Deus Verdadeiro, por quem nós vivemos. Neste tempo,
no ano de mil quinhentos e trinta e um, nos primeiros dias do mês de
dezembro, aconteceu que havia um pobre índio, chamado Juan Diego,
inicialmente conhecido pelo nome nativo de Cuautitlan. No que diz
respeito as coisas espirituais, ele pertencia ao Tlatilolco. Era
sábado de madrugada, pouco antes do amanhecer, ele estava em seu
caminho, a seguir seu culto divino e empenhado em sua tarefa. Ao
chegar no topo da montanha conhecida como Tepeyacac, o dia amanhecia e
ele ouviu cantos acima da montanha, assemelhando-se a cantos de vários
lindos pássaros. De vez em quando, as vozes cessavam e parecia que o
monte lhes respondia. O som, muito suave e deleitoso, sobrepassava do
"coyoltototl" e do "tzinizcan" e de outros pássaros
lindos que cantam. Juan Diego parou, olhou e disse para si mesmo: "Porventura,
sou digno do que ouço? Será um sonho? Estou dormindo em pé? Onde
estou? Será que estou agora em um paraíso terrestre de que os mais
velhos nos falam a respeito? Ou quem sabe estou no céu?".
Ele estava olhando para o oriente, acima da montanha, de onde vinha o
precioso canto celestial e então de repente houve um silêncio. Então,
ouviu uma voz por cima da montanha dizendo: "Juanito,
Juan Dieguito." Ele
com coragem foi onde o estavam chamando, não teve o mínimo de medo,
pelo contrário, encorajou-se e subiu a montanha para ver. Quando
alcançou o topo, viu uma Senhora, que estava parada e disse-lhe para
se aproximar. Em Sua presença, ele maravilhou-se pela Sua grandeza
sobre humana. Seu vestido era radiante como o sol, o penhasco onde
estavam Seus pés, penetrado com o brilho, assemelhava-se a uma
pulseira de pedras preciosas e a terra cintilava como o arco-íris. As
"mezquites", "nopales", e outras ervas daninhas
que ali estavam, pareciam como esmeraldas, sua folhagem como turquesas
e seus ramos e espinhos brilhavam como ouro. Ele inclinou-se diante
Dela e ouviu Sua palavra, suave e cortês, como alguém que encanta e
cativa muito. Ela disse-lhe: Juanito,
o mais humilde dos meus filhos, onde estás indo?" Ele
respondeu: "Minha Senhora e Menina, eu tenho que chegar na Sua
igreja no México, Tlatilolco, para seguir as coisas divinas, que nos
dão e ensinam nossos sacerdotes, delegados de Nosso Senhor".
Ela então lhe disse: Sabe
e entende, tu é o mais humilde dos meus filhos. Eu sou a Sempre
Virgem Maria, Mãe do Deus Vivo por quem nós vivemos, do Criador de
todas as coisas, Senhor do céu e da terra. Eu desejo que um templo
seja construído aqui, rapidamente; então, Eu poderei mostrar todo o
meu amor, compaixão, socorro e proteção, porque Eu sou vossa
piedosa Mãe e de todos os habitantes desta terra e de todos os outros
que me amam, invocam e confiam em mim. Ouço todos os vossos lamentos
e remédio todas as vossas misérias, aflições e dores. E para
realizar o que a minha clemência pretende, vá ao palácio do Bispo
do México e lhe diga que Eu manifesto o meu grande desejo, que aqui
neste lugar seja construído um templo para mim. Tu dirás exatamente
tudo que viste, admiraste e ouviste. Tem a certeza que ficarei muito
agradecida e te recompensarei. Porque Eu te farei muito feliz e digno
da minha recompensa, por causa do esforço e fadiga que terás para
cumprir o que Eu te ordeno e confio. Observa, tu ouviste minha ordem,
meu humilde filho, vai e coloca todo teu esforço." Retornou
no mesmo dia. Foi diretamente ao topo da montanha, encontrou-se com a
Senhora do Céu, que o esperava no mesmo lugar, onde tinha aparecido.
Vendo-A, prostrou-se diante Dela e disse: "Senhora, a Caçulinha
de minhas filhas, minha Menina, eu fui onde me mandaste para levar Tua
mensagem, como me havias instruído. Ele recebeu-me benevolentemente e
ouviu-me atentamente, mas quando respondeu, pareceu-me não acreditar.
Ele disse: "Volte depois, meu filho e eu o ouvirei com muito
prazer. Examinarei o desejo que você trouxe, da parte da
Senhora". Entendo pelo seu modo de falar, que não acredita em
mim e que seja invenção da minha parte, o Teu desejo de construção
de um templo neste lugar para Ti. E que isso não é Tua ordem. Por
isso eu, encarecidamente Te peço, Senhora e minha Criança, que
instrua a alguém mais importante, bem conhecido, respeitado e
estimado para que acreditem. Porque eu não sou ninguém, sou um
barbantinho, uma escadinha de mão, o fim da cauda, uma folha. E Tu,
minha Criança, a minha filhinha caçula, minha Senhora, envias-me a
um lugar onde eu nunca estive! Por favor, perdoa o grande pesar e
aborrecimento causado, minha Senhora e meu Tudo." A
Virgem Santíssima respondeu: Juan
Diego respondeu: "Senhora, minha Criança, não deixes que eu
Te cause aflição. Alegremente e de bom grado eu irei cumprir Tua
ordem. De nenhuma maneira irei falhar e não será penoso o caminho.
Irei realizar Teu desejo, mas acho que não serei ouvido, ou se for, não
acreditarão. Amanhã ao entardecer, trarei o resultado da Tua
mensagem com a resposta do Bispo. Descansa neste meio tempo".
Ele, então, foi para sua casa. No
dia seguinte, domingo, antes do amanhecer, ele deixou sua casa e foi
direto ao Tlatilolco, para ser instruído em coisas divinas, e em
seguida estar presente a tempo para ver o Bispo. Por volta das 10
horas, estando em cima da hora, após participar da Missa e o povo ter
dispersado, ele apressadamente se foi. Pontualmente, Juan Diego foi ao
palácio do Bispo. Mal chegou, ansioso já estava para tentar vê-lo.
E novamente com muita dificuldade, o Bispo estava à sua frente.
Ajoelhou-se diante de seus pés, entristecidamente e chorando, expôs
a ordem de Nossa Senhora do Céu, e que por Deus, acreditasse em sua
mensagem, de que o desejo da Imaculada de erguer um templo onde Ela
queria, fosse realizado. O Bispo para assegurar-se, fez várias
perguntas, onde ele A tinha visto e como Ela era. E ele descreveu
perfeitamente em detalhes ao Bispo. Apesar da precisa descrição de
Sua imagem, e tudo que ele tinha visto e admirado, que em tudo
refletia ser a Sempre Virgem Santíssima Mãe do Salvador, Nosso
Senhor Jesus Cristo, o Bispo não deu crédito e disse que somente
pela sua súplica, não atenderia o seu pedido, que aliás, um sinal
era necessário; só então acreditaria, ser ele enviado pela
verdadeira Senhora do Céu. Após ouvir o Bispo, disse Juan Diego: "Meu
senhor, escuta! Qual deve ser o sinal que o senhor quer? Para eu pedir
a Senhora do Céu que me enviou aqui". O Bispo, vendo que ele
ratificava tudo sem duvidar, nem retratar nada, o despediu.
Imediatamente, ordenou algumas pessoas de sua casa, e de inteira
confiança, para segui-lo e olhar onde ele ia, a quem ele via e
falava. E assim foi feito. Juan Diego veio direto pela estrada.
Aqueles que o seguiam, após cruzarem o barranco perto da ponte do
Tepeyacac, perderam-no de vista. Eles procuraram por todos os lugares,
mas não puderam mais vê-lo. Retornaram com muita raiva, não somente
porque estavam aborrecidos, mas também por ficarem impedidos do
objetivo. E o que eles informaram ao Bispo, o influenciou a não
acreditar em Juan Diego. Eles lhe disseram que foi enganado. Juan
Diego apenas forjou o que veio dizer, e a sua mensagem e pedido não
passava simplesmente de um sonho. Eles então arquitetaram um plano,
que se ele de alguma forma voltasse, eles o prenderiam e o puniriam
com severidade e de tal forma que ele jamais mentiria ou enganaria
novamente. Entretanto,
Juan Diego estava com a Virgem Santíssima, contando-lhe a resposta
que trazia do senhor Bispo. A Senhora, após ouvir, disse-lhe Muito
bem, meu querido filhinho, retornarás aqui amanhã, então levarás
ao Bispo o sinal por ele pedido. Com isso ele irá acreditar em ti, e
a este respeito, ele não mais duvidará nem desconfiará de ti, e
sabe, meu querido filhinho, Eu te recompensarei pelo teu cuidado,
esforço e fadiga gastos em Meu favor. Vai agora. Espero por ti aqui
amanhã." No
outro dia, segunda-feira, quando Juan Diego teria que levar um sinal
pelo qual então acreditariam, ele não pôde ir porque, ao chegar em
casa, seu tio chamado Juan Bernardino, estava doente e em estado
grave. Primeiro foi chamar um médico que o auxiliou, mas era tarde, e
o estado de seu tio era muito grave. Por toda a noite seu tio pediu
que, ao amanhecer, ele fosse ao Tlatilolco e chamasse um sacerdote,
para prepará-lo e ouvi-lo em confissão, porque certamente sua hora
havia chegado, pois não mais levantaria ou melhoraria de sua
enfermidade. "O
que há, meu caçula? Onde você esta indo?" Ele
estava afligido, envergonhado, ou assustado? Ele inclinou-se diante
dela e A saudou dizendo: "Minha Criança, a mais meiga de
minhas filhas, senhora, Deus permita que estejas contente. Como estás
nesta manhã? Estás bem de saúde? Senhora e minha Criança. Vou te
causar um pesar. Sabe, minha Criança, um de Teus servos está muito
doente, meu tio. Ele contraiu uma peste, e está perto de morrer. Eu
estou indo depressa à Tua casa no México para chamar um de Teus
sacerdotes, querido pelo Nosso Senhor, para ouvir sua confissão e
absolvê-lo, porque desde que nós nascemos, aguardamos o trabalho de
nossa morte. De forma que, se eu for, retornarei aqui brevemente, então
levarei Tua mensagem. Senhora e minha Criança, perdoa-me, sê
paciente comigo. Eu não Te enganarei, minha Caçula. Amanhã eu
voltarei o mais rápido possível." Depois
de ouvir toda a conversa de Juan Diego, a Santíssima Virgem respondeu "Escuta-Me
e entende bem, meu caçula, nada deve te amedrontar ou te afligir. Não
deixes teu coração perturbado. Não temas esta ou qualquer outra
enfermidade, ou angústia. Eu não estou aqui? Quem é tua Mãe? Não
estás debaixo de minha proteção? Eu não sou tua saúde? Não estás
feliz com o meu abraço? O que mais podes querer? Não temas nem te
perturbes com qualquer outra coisa. Não te aflijas por esta
enfermidade de teu tio, por causa disso, ele não morrerá agora. Tem
a certeza de que ele já está curado." (
E então, seu tio foi curado, como mais tarde se soube.) A
imagem de Guadalupe
Quando
Juan Diego ouviu estas palavras da Senhora do Céu, ele ficou
enormemente consolado. Estava feliz. Prometeu que, quanto antes,
estaria na presença do Bispo, para levar o sinal ou prova, a fim de
que cresse. A Senhora do Céu ordenou que subisse ao topo da montanha,
onde eles anteriormente haviam se encontrado. Ela lhe disse: Sobe,
meu caçula, ao topo da montanha; lá onde Me viste e te dei a ordem,
encontrarás diferentes flores. Corta-as, junta-as, então volta aqui
e traze-as em minha presença." Imediatamente
Juan Diego subiu a montanha, e quando atingiu o topo, ele espantou-se
pela variedade de esquisitas rosas de Castilha que haviam brotado bem
antes do tempo, porque, estando fora da época, deveriam estar
congeladas. Elas estavam muito fragrantes e cobertas com o orvalho da
noite, assemelhando-se a pérolas preciosas. Imediatamente ele começou
a cortá-las. Recolheu todas e colocou-as em seu tilma. O topo da
montanha era um lugar impossível de nascer qualquer tipo de flor,
porque havia vários penhascos, cardos, espinhos e ervas daninhas.
Ocasionalmente as ervas cresceriam, mas era mês de dezembro, na qual
toda vegetação é destruída pelo frio. Ele voltou imediatamente e
entregou as diferentes rosas que havia cortado para a Senhora do Céu,
que ao vê-las, tocou-as com suas mãos e de novo colocou-as de volta
no tilma, dizendo: "Meu
caçula, esta variedade de rosas é a prova e sinal que levarás ao
Bispo. Tu irás dizer em meu nome que nelas ele verá o meu desejo e
que deverá realizá-lo. Tu és meu embaixador, muito digno de confiança.
Rigorosamente eu ordeno que apenas diante da presença do Bispo
desenroles o manto e descubras o que estás carregando. Tu contarás
tudo direito. Que Eu te ordenei a subir ao topo da montanha, e cortar
estas flores, e tudo que viste e admiraste, então, tu podes induzir
ao Bispo dar a sua ajuda, com o objetivo de que um templo seja construído
e erguido como Eu tenho pedido." Depois
que a Senhora do Céu deu seu aviso, ele se pôs a caminho pela
estrada que dava diretamente ao México. Estava feliz e seguro de seu
sucesso, carregando com grande carinho e cuidado o que continha dentro
de seu tilma. De tal forma que nada poderia escapar de suas mãos, a não
ser a maravilhosa fragrância das variadas e belas flores. No
palácio do Bispo, os serventes tentaram ver o que Juan Diego
carregava. Com cuidado, ele descobriu o manto que escondia e eles
puderam ver algumas flores; ao verem que eram rosas fora de época,
ficaram impressionados, ainda mais por verem-nas frescas, tão
fragrantes e belas. Estenderam a mão para as rosas, mas, ao tentar
pegá-las, elas pareciam pintadas ou estampadas ou costuradas no
tecido. Ao relatarem esse fato ao Bispo, ele compreendeu que Juan
Diego carregava a prova desejada. Ao
ser admitido na presença do Bispo, Juan Diego contou o que havia
visto e feito, renovando a mensagem de Nossa Senhora que pedia a
construção de uma igreja no monte das aparições. Então, desdobrou
seu manto, onde estavam as rosas; quando elas caíram ao chão,
apareceu subitamente o desenho da preciosa imagem de Nossa Senhora,
como ela é vista até hoje no templo de Tepeyacac, chamada Nossa
Senhora de Guadalupe.
A
figura no manto é cheia de sinais, entre palavras, imagens e símbolos.
Aqui destacamos apenas alguns Nossa
Senhora está diante de uma Luz Brilhante: os índios veneravam o deus
sol. Ela está vestida de sol, o que mostra que Seu Deus é mais
poderoso. Manto
Azul: azul era sinal de realeza, virgindade e a cor que as deusas
vestiam. As estrelas no manto estão como no céu da noite de 12 de
dezembro de 1531. Os índios viviam sob as estrelas e aqui Ela as
veste, mostrando que Seu Deus é mais poderoso que as estrelas. Cabeça
curvada: na cultura indígena, os deuses e deusas olhavam diretamente
nos olhos para mostrar seu poder e eram representados com olhos
grandes. Maria, com Sua cabeça abaixada, mostra que não é um deus
ou uma deusa, mas que há um poder maior acima dela Lua:
os índios veneravam Quetzalcoatl (serpente de pedra), representado
por uma lua encrespada. Os pés de Maria estão firmemente apoiados
sobre a lua, simbolizando que Ela está esmagando o deus deles Coração
nas costas da mão: o Coração Imaculado de Maria, como
representamos, com chamas. Somente nas aparições de Guadalupe e Fátima
esse sinal apareceu, o que mostra que são eventos relacionados. Chave
entre as mãos postas: a oração é a chave para o Céu Outros
sinais representam: o Espírito Santo; Abraão; os Reis Davi e Salomão;
o profeta Daniel; a maternidade de Maria; Maria, Mãe de Deus;
Natividade de Jesus; apresentação do Menino Jesus no Templo; a Última
Ceia; um rosto de duas caras: Judas e o demônio; agonia de Jesus no
Horto; flagelação de Jesus; a Cruz; a Sagrada Face. ---------------- Por
que "Guadalupe"?
A
origem do nome Guadalupe (um nome espanhol) nas aparições do México
sempre foi motivo de controvérsias, e muitas possíveis explicações
têm sido dadas. A
razão mais provável é que o nome seja a passagem, do nahuatl para o
espanhol, das palavras usadas pela Virgem durante Sua aparição a
Juan Bernardino, o tio enfermo de Juan Diego. Acredita-se que Nossa
Senhora tenha usado a palavra Azteca Nahuatl coatlaxopeuh — que é
pronunciado "quatlasupe" e soa extremamente parecido com a
palavra em espanhol Guadalupe. Coa siginifica "serpente";
tla, o artigo "a"; xopeuh significa "esmagar".
Assim, Nossa Senhora deve ter chamado a si mesma como "Aquela que
esmaga a serpente" — também numa referência ao deus
Quetzalcoatl, ou serpente de pedra, ao qual os Aztecas costumavam
oferecer sacrifícios humanos. Em 1487, devido a dedicação de um
novo templo em tenochtilan, cerca de 80.000 cativos foram imolados em
sacrifícios em uma só cerimônia que durou quatro dias. Certamente,
neste caso Nossa Senhora esmagou a serpente, e milhões de nativos
foram convertidos ao Cristianismo Análises
da imagem de Guadalupe
Em
primeiro lugar, chamou a atenção dos peritos a singular conservação
do rude tecido da tilma (avental) de Juan Diego. Durante séculos,
esteve exposto, sem maiores cuidados, aos rigores do calor, da poeira
e da umidade, e mesmo assim sua tessitura não se desfibrou, nem
tampouco se lhe desvaneceu a admirável policromia. A
matéria sobre a qual a imagem foi estampada é tecido confeccionado
com fibra de ayate, da espécie mexicana agave potule zacc, que se
decompõe por putrefação aos 20 anos, aproximadamente. Em contraposição,
o avental de Juan Diego já dura 450 anos sem se rasgar nem se
decompor e, por motivos inexplicáveis, é imune à umidade e à
poeira. Atribuiu-se
essa virtude ao tipo de pintura que cobre o pano, a qual poderia atuar
como matéria protetora. Em conseqüência, foi enviada uma amostra
para ser analisada pelo cientista alemão e Prêmio Nobel de Química
Richard Kuhn, cuja resposta deixou perplexos os consultantes. Os
corantes da imagem não pertencem nem ao reino vegetal, nem mineral
nem ao animal, afirmou o pesquisador. Pensou-se,
então, que a tela estivesse tratada por um procedimento especial. Mas
de que consistência seria essa preparação da tela para que a
pintura pudesse aderir e se conservar incólume sobre matéria tão frágil
e perecível como é o ayate? Mais:
confiaram a dois estudiosos norte-americanos — o doutor Calagan, da
NASA, e o professor Jody B. Smith, catedrático de Filosofia da Ciência
no Pensacolla College — a tarefa de submeter a imagem à análise
fotográfica com raios infravermelhos. As suas conclusões foram as
seguintes: 1a.)
o ayate — tela rala de fio de magüey — não possui preparação
alguma, o que torna inexplicável, à luz dos conhecimentos humanos,
que os corantes impregnem fibra tão inadequada e nela se conservem. 2a.)
não há esboços prévios, como os descobertos pelo mesmo processo
nos quadros de Velázquez, Rubens, El Greco e Ticiano. A imagem foi
pintada diretamente, tal qual a vemos, sem esboços nem retificações. 3a.)
não há pinceladas. A técnica empregada é desconhecida na história
da pintura. É inusitada, incompreensível e irrepetível. Mistérios
nos olhos de Maria
Em
1929, Alfonso Marcue, fotógrafo oficial da antiga Basílica de
Guadalupe na Cidade do México, teve a impressão de ver a imagem de
um homem de barba refletido no olho direito da Virgem. Depois de várias
análises de sua fotografia em preto e branco, ele não tinha dúvidas
e decidiu informar as autoridades da Basílica. Ele foi orientado para
manter completo silêncio a respeito do descobrimento. Mais de 20 anos
depois, em 29 de maio de 1951, José Carlos Salinas-Chavez examinou
uma boa fotografia da face e redescobriu a imagem que parece
claramente ser um homem de barba refletido no olho direito da Virgem,
localizando-o também no olho esquerdo. Desde
então, várias pessoas tiveram a oportunidade de analisar mais de
perto os olhos da Virgem na tilma. O primeiro relatório dos olhos da
imagem, emitido por um médico, certifica a presença de uma tripla
reflexão (efeito Samson-Purkinje), característica de todo olho
humano vivo; o resultado diz que as imagens estão localizadas
exatamente onde elas deveriam estar de acordo com tal efeito, e também
que a distorção das imagens combina com a curvatura da córnea. No
mesmo ano, outro oftamologista examinou os olhos da imagem com um
oftamoscópio em grande detalhe. Ele observou a aparente figura humana
nas córneas nos dois olhos, com a localização e distorção de um
olho humano normal e, especialmente, notou uma singular aparência dos
olhos: eles parecem estranhamente vivos quando examinados O
oftalmologista Torija Lauvoignet examinou com um oftalmoscópio de
alta potência a pupila da imagem e observou, maravilhado, que na íris
se via refletida uma mínima figura que parecia o busto de um homem. E
este foi o antecedente imediato para promover a investigação mais
profunda, ou seja, a "digitalização" dos olhos da Virgem
de Guadalupe, que pode ser assim descrita: Sabemos
que na córnea do olho humano se reflete o que a pessoa está vendo no
momento. O doutor Aste Tonsmann fez fotografar (sem que ele estivesse
presente) os olhos de uma filha sua e, utilizando o procedimento
denominado "processo de digitalizar imagens", pôde, sem
mais, averiguar tudo quanto via sua filha no momento de ser
fotografada. Este
mesmo cientista, cuja profissão era a de captar as imagens da Terra
transmitidas do espaço pelos satélites artificiais,
"digitalizou", no ano de 1980, a imagem de Nossa Senhora de
Guadalupe, e os resultados foram surpreendentes. Tal procedimento
consiste em dividir a imagem em quadrículas microscópicas, até o
ponto de, numa superfície de um milímetro quadrado, caberem 27.778
ínfimos, mínimos quadrinhos. Uma vez feito isso, cada miniquadrícula
pode ser ampliada, multiplicando-se por dois mil, o que permite a
observação de pormenores impossíveis de serem captados a olho nu. Ora,
os pormenores que se observaram na íris da imagem são: um índio no
ato de desdobrar sua tilma perante um franciscano; o próprio
franciscano, em cujo rosto se vê escorrer uma lágrima; uma pessoa
muito jovem, tendo a mão sobre a barba com ar de consternação; um
índio com o torso desnudo, em atitude quase orante; uma mulher de
cabelo crespo, provavelmente uma negra, serviçal do bispo; um varão,
uma mulher e umas crianças com a cabeça meio raspada; e mais outros
religiosos vestidos com hábito franciscano. Isto é... o mesmo episódio
relatado em náhualt por um anônimo escrito indígena na primeira
metade do século XVI e editado em náhualt e em espanhol por Lasso de
La Veja em 1649. Foram
feitos também estudos iconográficos para comparar estas figuras com
os retratos conhecidos do arcebispo Zumárraga e de pessoas do seu
tempo ou do lugar. O que é radicalmente impossível, é que num espaço
tão pequeno como a córnea de um olho, situada numa imagem de tamanho
aproximado ao natural, um miniaturista tenha podido pintar aquilo que
foi necessário ampliar duas mil vezes para que pudesse ser percebido. Todo
fiel católico sabe que a Igreja não impõe à fé dos cristãos
alguma revelação particular, mas deixa a critério de cada um
aceitar ou não as respectivas narrações. Ora as que se referem a
Nossa Senhora de Guadalupe têm forte cunho de verossimilhança, dados
os estudos científicos que acabamos de mencionar. Deus
seja louvado pelos sinais que Se digna de dar aos homens, para
manifestar a Sua presença e providência no mundo conturbado em que
vivemos! A família na pupila dos olhos de Maria
Talvez
um dos aspectos mais fascinantes é que Nossa Senhora não só nos
deixou sua imagem impressa como prova de sua aparição, mas também
mensagens que permaneceram escondidas em seus olhos para serem
reveladas quando a tecnologia permitisse descobri-las — e em um
tempo em que fossem mais necessárias. Este seria o caso da imagem de
uma família, presente no centro dos olhos da Virgem, justamente
quando a Família se encontra precisamente ante sérios ataques, em
nossos dias. A
imagem de várias figuras humanas que parecem constituir uma família
(incluindo várias crianças e um bebê levado nas costas por sua mãe,
como se costumava no século XVI), aparecem no centro da pupila da
Virgem, como centro de sua visão. Lágrimas
A
Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Guadalupe verteu lágrimas de óleo
em 1994. Protetora
dos Nascituros
Durante
sua guerra contra a vida humana, a antiga serpente nunca se satisfez
com o extermínio causado pelas contínuas guerras e violências
promovidas por ela neste mundo. Ela sempre pediu rituais de morte,
vidas humanas inocentes sacrificadas a seus disfarces ao longo da história. Lemos
no Livro do Levítico como o Senhor diz a Moisés sobre o sério crime
e a extrema punição de se oferecer os filhos a Moloc, referindo-se
ao costume cananeu de sacrificar crianças ao deus Moloc. As pequenas
vítimas eram primeiro mortas [decapitadas] e então cremadas (Veja
Levítico 20,1-5 e 18,21). Nas
Américas, há cinco séculos atrás, os rituais mais cruéis de
sacrifício humano, registrados pela história, eram feitos pelo império
Azteca. Entre 20.000 e 50.000 eram sacrificados por ano. Os rituais
incluíam o canibalismo dos órgãos das vítimas. A maioria eram
cativos ou escravos,e além de homens eles incluíam mulheres e crianças.
O antigo historiador mexicano Ixtlilxochitl fez uma estimativa de que
uma de cada cinco crianças no México era sacrificada. O clímax
destes rituais de morte foi em 1487 para a dedicação do novo templo
de Huitzilopochtli, ricamente decorado com serpentes, em Tenochtitlan
(hoje Cidade do México), quando em uma única cerimônia, que durou
quatro dias e quatro noites, com o constante soar de gigantescos
tambores de pele de cobra, o soberano e adorador do demônio Azteca,
Tlacaellel, presidiu o sacrifício de mais de 80.000 homens. Nossa
Senhora de Guadalupe esmagou esta serpente em 1531. Hoje,
a antiga Serpente certamente conseguiu outra obra-prima de seus
rituais de sangue contra a vida humana. Milhões de crianças não
nascidas são mortas todos os anos ao redor do mundo, em procedimentos
que em alguns países são não apenas legais mas também oficialmente
apoiadas e financiadas por seus governos. Em muitos casos, os
procedimentos seguem as mesmas regras dos sacrifícios ao deus Moloc:
a morte e cremação das criancinhas. A Mulher vestida de sol, na
imagem de Nossa Senhora de Guadalupe, Protetora dos Nascituros,
esmagará esta serpente mais uma vez. Oração
de João Paulo II à Nossa Senhora de Guadalupe Ó
Virgem Imaculada, Mãe do Deus Verdadeiro e Mãe da Igreja!, que deste
lugar revelastes Vossa clemência e Vossa piedade a todos os que pedem
por Vossa proteção, ouvi a oração que Vos dirigimos com filial
confiança, e apresentai-a ao Vosso Filho Jesus, nosso único
Redentor. Mãe
de Misericórdia, Mestra do sacrifício oculto e silencioso, a Vós,
que viestes a nós pecadores, dedicamos neste dia todos o nosso ser e
todo nosso amor. Também dedicamos a Vós nossa vida, nosso trabalho,
nossas alegrias, enfermidades e tristezas. Concedei-nos paz, justiça
e prosperidade a nossos povos; pois confiamos a Vosso cuidado tudo o
que temos e tudo o que somos, nossa Senhora e Mãe. Desejamos ser
inteiramente Vossos e caminhar Convosco pelo caminho da completa
fidelidade a Jesus Cristo em Sua Igreja; amparai-nos sempre com Vossa
Mão amorosa. Virgem
de Guadalupe, Mãe das Américas, a Vós rezamos por todos os Bispos,
para que consigam levar os fiéis ao longo dos caminhos da intensa
vida cristã, do amor e humilde serviço a Deus e às almas.
Contemplai esta imensa messe, e intercedei junto ao Senhor para que
Ele desperte a fome pela santidade em todo o povo de Deus, e grandes e
abundantes vocações de sacerdotes e religiosos, fortes na fé e
zelosos dispensadores dos mistérios Divinos. Concedei
a nossos lares a graça do amor e do respeito à vida desde seu início,
com o mesmo amor com o qual concebestes em Vosso ventre a vida do
Filho de Deus. Bem-Aventurada Virgem Maria, protegei nossas famílias,
para que sejam sempre unidas e abençoai a educação de nossos
filhos. Nossa
esperança, olhai sobre nós com compaixão, ensinai-nos a ir
continuamente a Jesus e, se cairmos, ajudai-nos a levantarmos
novamente, para retornar a Ele, por meio da confissão de nossas
faltas e pecados, no Sacramento da Penitência, que concede paz à
alma. Nós
Vos pedimos que nos alcanceis um grande amor a todos os Santos
Sacramentos, que são, como foram, os sinais que Vosso Filho nos
deixou na terra. Assim,
Santíssima Mãe, com a paz de Deus em nossas consciências, com
nossos corações libertos do mal e do ódio, seremos capazes de levar
a todos a verdadeira alegria e a verdadeira paz, que vem a nós de
vosso Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, que com Deus Pai e o Espírito
Santo, vive e reina pelos séculos. Amém. |
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