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04/04/2007
PROCURANDO
DEUS?
Em
busca da "Partícula de Deus"
IG NOTICIAS
Atlas era um dos titãs da mitologia grega, condenado para sempre a
sustentar os céus sobre os ombros. Aqui, Atlas é um dos quatro
gigantescos detectores que farão parte do maior acelerador de partículas
do mundo, o LHC, que está em fase adiantada de testes e deverá
entrar em operação nos próximos meses.
LHC é uma sigla para "Large Hadron Collider", ou gigantesco
colisor de prótons. Parece difícil exagerar as grandezas desse
laboratório que está sendo construído a 100 metros de profundidade,
na fronteira entre a França e a Suíça. A estrutura completa tem a
forma de um anel, construída ao longo de um túnel com 27 quilômetros
de circunferência.
As partículas são aceleradas por campos magnéticos ao longo dessa
órbita de 27 Km, até atingir altíssimos níveis de energia. Mais
especificamente, 7 trilhões de volts. Em quatro pontos do anel, sob
temperaturas apenas levemente superiores ao zero absoluto, as partículas
se chocam, produzindo uma chuva de outras partículas, recriando um
ambiente muito parecido com as condições existentes instantes depois
do Big Bang.
Nesses quatro pontos estão localizados quatro detectores. O Atlas,
mostrado na foto nas suas etapas finais de montagem, é um deles. O
Atlas, assim como o segundo detector, o CMS ("Compact Muon
Detector"), é um detector genérico, capaz de detectar qualquer
tipo de partícula, inclusive partículas ainda desconhecidas ou não
previstas pela teoria. Já o LHCb e o ALICE são detectores
"dedicados", construídos para o estudo de fenômenos físicos
específicos.
Bóson de Higgs
Quando os prótons se chocam no centro dos detectores as partículas
geradas espalham-se em todas as direções. Para capturá-las, o Atlas
e o CMS possuem inúmeras camadas de sensores superpostas, que deverão
verificar as propriedades dessas partículas, medir suas energias e
descobrir a rota que elas seguem.
O maior interesse dos cientistas é descobrir o Bóson de Higgs, a única
peça que falta para montar o quebra-cabeças que explicaria a
"materialidade" do nosso universo. Por muito tempo se
acreditou que os átomos fossem a unidade indivisível da matéria.
Depois, os cientistas descobriram que o próprio átomo era resultado
da interação de partículas ainda mais fundamentais. E eles foram
descobrindo essas partículas uma a uma. Entre quarks e léptons, férmions
e bósons, são 16 partículas fundamentais: 12 partículas de matéria
e 4 partículas portadoras de força.
A Partícula de Deus
O problema é que, quando consideradas individualmente, nenhuma dessas
partículas tem massa. Ou seja, depois de todos os avanços científicos,
ainda não sabemos o que dá "materialidade" ao nosso mundo.
O Modelo Padrão, a teoria básica da Física que explica a interação
de todas as partículas subatômicas, coloca todas as fichas no Bóson
de Higgs, a partícula fundamental que explicaria como a massa se
expressa nesse mar de energias. É por isso que os cientistas a chamam
de "Partícula de Deus".
O Modelo Padrão tem um enorme poder explicativo. Toda a nossa ciência
e a nossa tecnologia foram criadas a partir dele. Mas os cientistas
sabem de suas deficiências. Essa teoria cobre apenas o que chamamos
de "matéria ordinária", essa matéria da qual somos feitos
e que pode ser detectada por nossos sentidos.
Mas, se essa teoria não explica porque temos massa, fica claro que o
Modelo Padrão consegue dar boas respostas sobre como "a coisa
funciona", mas ainda se cala quando a pergunta é "o que é
a coisa". O Modelo Padrão também não explica a gravidade. E não
pretende dar conta dos restantes 95% do nosso universo,
presumivelmente preenchidos por outras duas "coisas" que não
sabemos o que são: a energia escura e a matéria escura.
É por isso que se coloca tanta fé na Partícula de Deus. Ela poderia
explicar a massa de todas as demais partículas. O próprio Bóson de
Higgs seria algo como um campo de energia uniforme. Ao contrário da
gravidade, que é mais forte onde há mais massa, esse campo energético
de Higgs seria constante. Desta forma, ele poderia ser a fonte não
apenas da massa da matéria ordinária, mas a fonte da própria
energia escura.
Em dois ou três anos saberemos se a teoria está correta ou não. Ou,
talvez, nos depararemos com um mundo todo novo, que exigirá novas
teorias, novos equipamentos e novas descobertas.
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obs: Ainda tem particulas menores e ainda tem mais coisas. Para achar
Deus eles precisam primeiro ter a humildade de reconhecer que Ele
existe, segundo devem saber que, quando um dia explicarem a matéria,
terão ainda de fazer milhões de cálculos para explicar a vida. Aí
sim, estarão perto de entender a mecânica do Universo e estarão
perto do Criador.
Fonte:
Recados do Aarão
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